RETROSPECTIVAS
Na China, o Banco Central (PBoC) manteve as taxas de juros inalteradas em julho. A taxa de juros de um ano ficou em 3,0% e a de cinco anos em 3,5%, conforme esperado pelo mercado. A decisão ocorre em meio a sinais de perda de fôlego da atividade econômica, pressionada por tarifas dos EUA, consumo interno fraco e crise prolongada no setor imobiliário.
Ainda na China, o PIB cresceu 5,2% no segundo trimestre, ligeiramente acima da projeção de 5,1%, mas abaixo dos 5,4% registrados nos dois trimestres anteriores. No acumulado do primeiro semestre de 2025, a economia avançou 5,3%. Apesar disso, persistem pressões deflacionárias, com os preços ao produtor registrando a maior queda desde julho de 2023. Para suavizar os efeitos das tarifas americanas, a autoridade monetária já havia cortado os juros em 10 pontos-base em maio.
O PMI composto de julho dos Estados Unidos subiu para 54,60 pontos. O principal motor foi o setor de serviços, cujo índice avançou para 55,20 pontos em julho, superando expectativas e atingindo o ritmo mais forte desde janeiro. A indústria, por outro lado, perdeu tração: o PMI manufatureiro caiu para 49,50 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos e contrariando projeções, refletindo queda nos pedidos e recuo na produção.
Apesar do avanço geral, o otimismo das empresas diminuiu, tanto nos serviços quanto na indústria, diante de preocupações com as tarifas. Os custos operacionais aumentaram com os impactos tarifários. Mesmo assim, o setor de serviços seguiu com contratações enquanto a indústria começou a cortar postos de trabalho pela primeira vez desde abril.
Na Zona do Euro, o PMI composto de julho subiu para 51 pontos, maior patamar em 11 meses. O resultado superou um pouco as projeções de 50,80 pontos. O crescimento veio principalmente dos serviços (51,20 pontos), enquanto a indústria ainda operou em contração leve (49,80 pontos), porém melhor nível desde 2022.
Após mais de um ano de queda contínua, os pedidos pararam de recuar, o que deu sustentação à produção nos dois setores. Esse cenário levou as empresas a retomarem as contratações, algo que não acontecia havia cinco meses. Já os custos de produção subiram menos, o que ajudou a estabilizar os preços cobrados pelos produtos e serviços.
Ainda sobre o velho continente, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu pela manutenção das suas taxas de juros em julho, após uma sequência de oito cortes que levou os juros aos menores patamares desde 2022. A taxa de refinanciamento segue em 2,15%, e a de depósito permanece em 2,0%. A decisão reflete cautela frente aos efeitos das incertezas comerciais persistentes e o possível impacto das tarifas dos EUA sobre a atividade econômica e a inflação.
Já no Brasil, a prévia da inflação ao consumidor, (IPCA‑15) subiu 0,33% em julho, ante 0,26% em junho, superando levemente a expectativa de alta mensal de 0,30%. Em 12 meses, o índice alcançou 5,30%, acima dos 5,27% registrados no período anterior. O principal impulso veio do grupo Habitação, que subiu 0,98%. Outros setores como Transportes (0,67%), Despesas Pessoais (0,25%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,21%) e Comunicação (0,11%) também registraram alta, enquanto Alimentação e Bebidas (-0,06%), Artigos para Residência (-0,02%) e Vestuário (-0,10%) apresentaram queda.
A agenda econômica da última semana de julho será bastante cheia. Na terça feira, será divulgado o número de vagas de emprego abertas referente ao mês anterior dos Estados Unidos.
Na quarta-feira, além das decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos, teremos a leitura do PIB norte americano do segundo trimestre, e no Brasil divulgação dos dados de emprego do CAGED de junho e IGP-M de julho. Na China, será divulgado o PMI industrial de julho.
Na quinta feira, descobriremos a taxa de desemprego de junho do Brasil e veremos o principal indicador de inflação observado pelo Fed, nos Estados Unidos, o PCE referente ao mês de junho.
Na sexta feira, 01° de agosto, além do relatório Nonfarm Payroll e da taxa de desemprego dos Estados Unidos de julho, teremos o PMI industrial de julho da S&P Global e do ISM. Na Zona do Euro, a inflação ao consumidor de julho (CPI) também será divulgada.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
Na última semana, o ambiente internacional voltou a ser dominado por incertezas comerciais. O presidente norte-americano, Donald Trump, divulgou a imposição de tarifas de 30% sobre produtos importados do México e da União Europeia, com início programado para o dia 1º de agosto desse ano. Adicionalmente, decidiu aumentar para 50% a tarifa aplicada ao cobre, medida que se junta a outras já adotadas contra nações como Brasil, Canadá, Japão e Coreia do Sul. O bloco europeu sinalizou confiança na possibilidade de um entendimento ser alcançado antes da entrada em vigor das novas tarifas, embora o temor de um aumento nas medidas protecionistas ainda permaneça em pauta.
Essas medidas impactam de forma direta o mercado global ao elevar os custos de produtos estrangeiros, restringir o volume das trocas comerciais e pressionar os lucros das empresas envolvidas nas exportações. Isso abala a confiança em relação ao consumo, à produção e aos investimentos, afetando a dinâmica de preços e o desempenho dos ativos financeiros. Quando potências econômicas como Estados Unidos, China e União Europeia entram em conflitos comerciais, cresce o temor de uma desaceleração econômica global simultânea, fator que permanece no radar dos investidores.
Os impactos já começam a ser percebidos nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) registrou alta de 2,7% em junho, na comparação anual, superando a expectativa de 2,6%. Já o núcleo do índice, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, subiu para 2,9%. Produtos diretamente afetados pelas tarifas, como móveis e vestuário, foram os principais responsáveis pela elevação. Por sua vez, o índice de preços ao produtor (PPI) manteve-se estável, apesar de sinais de pressão nos preços dos bens industriais.
Na última semana, o Federal Reserve divulgou o seu Livro Bege, que reforçou a percepção de aumento nos custos para as empresas causados pelas tarifas comerciais. Esse aumento tem sido repassado aos consumidores, resultando em elevação dos preços ao longo do país. Apesar desse cenário, Jerome Powell, presidente do Fed, adota uma postura prudente, esperando por mais dados concretos antes de promover qualquer mudança na política de juros. Enquanto isso, a pressão política para cortes nas taxas continua forte, especialmente por parte do governo dos EUA.
Esse cenário exige atenção dos investidores. Uma inflação mais persistente pode adiar o início de um ciclo de cortes de juros, o que tende a impactar negativamente os mercados acionários e manter os juros dos títulos elevados. Para quem investe, esse ambiente reforça a importância de estratégias diversificadas e da avaliação constante de riscos globais.
Na China, o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre apresentou crescimento superior ao previsto, registrando alta de 5,2% em relação ao ano anterior, sustentado principalmente pelas exportações e por políticas fiscais expansionistas. A produção industrial também superou as expectativas, enquanto o consumo interno demonstra fragilidade, refletida na desaceleração das vendas no varejo. A taxa de desemprego se manteve em 5%, porém, desafios como o elevado desemprego juvenil e a crise no mercado imobiliário continuam sendo obstáculos significativos para a economia.
Para o Brasil, o desempenho da economia chinesa é fundamental, pois a China é nosso maior parceiro comercial. A manutenção de uma produção industrial robusta no país asiático garante a demanda por commodities como minério de ferro, petróleo e soja, beneficiando as exportadoras brasileiras e contribuindo positivamente para a balança comercial e a estabilidade cambial. Contudo, caso os problemas econômicos internos da China se agravem no segundo semestre, existe o risco de redução da demanda global por matérias-primas, o que pode impactar negativamente os setores brasileiros ligados ao comércio internacional.
No cenário doméstico, o IBC-Br, indicador mensal de atividade econômica do Banco Central, registrou queda de 0,7% em maio, interrompendo uma sequência de quatro meses seguidos de alta. O recuo foi puxado principalmente pela agropecuária, mas também houve retração na indústria e nos serviços. Apesar do resultado pontual mais fraco, a projeção de crescimento do PIB para 2025 segue ao redor de 2,5%, apoiada pela continuidade do consumo das famílias e pelos incentivos fiscais em curso.
Na prática, esse recuo na atividade pode significar, ao longo do tempo, uma desaceleração na geração de empregos, menor impulso para o varejo e mais cautela nas decisões de investimento. Para a população, o reflexo pode aparecer em crédito mais caro, retomada de renda mais lenta e pressão sobre o consumo.
Do lado externo, as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros aumentam a tensão. Como o Brasil depende fortemente da exportação de commodities e manufaturados, qualquer barreira pode afetar a competitividade dos nossos produtos, reduzir o superávit comercial e pressionar o câmbio. Estimativas apontam que o impacto dessas tarifas pode tirar até 0,3 ponto percentual do PIB este ano.
Em resposta, o governo brasileiro regulamentou a Lei de Reciprocidade Econômica, permitindo reações formais contra países que adotem medidas restritivas contra o Brasil. Entre as opções analisadas estão a taxação de grandes empresas de tecnologia e a suspensão de direitos de propriedade intelectual. A decisão final, porém, deve ser tomada após o prazo de 1º de agosto, quando entram em vigor as tarifas americanas.
No campo institucional, o Supremo Tribunal Federal validou a elevação do IOF em algumas operações financeiras, com exceção das de risco sacado. A medida traz impacto fiscal de aproximadamente R$ 0,5 bilhão a menos na arrecadação de 2025. Já no Congresso, houve avanço na tramitação da reforma do Imposto de Renda e da PEC dos Precatórios, que muda a forma como a União e os entes federativos lidam com dívidas judiciais. As votações finais ficaram para depois do recesso parlamentar.
Esses movimentos, tanto no cenário doméstico quanto externo, têm efeitos reais no dia a dia da população: influenciam os preços dos produtos, as condições de crédito, a geração de empregos e a capacidade de consumo das famílias. Para investidores e empresários, entender essa dinâmica é essencial para tomar decisões mais informadas em um ambiente que continua desafiador e volátil.
Na agenda econômica desta semana, no domingo, o destaque foi a decisão de política monetária na China. Conforme esperado, o Banco Central chinês manteve inalteradas as taxas de juros de referência.
Na quinta-feira, serão divulgados os PMIs preliminares de julho das principais economias, como Estados Unidos, Zona do Euro e Reino Unido, indicadores que medem o clima da atividade econômica. Ainda na quinta-feira, o Banco Central Europeu anuncia sua decisão de juros, também com previsão de manutenção, seguida pela coletiva de imprensa da presidente Christine Lagarde, que pode trazer sinalizações importantes sobre os próximos passos da política monetária na região.
No Brasil, a principal divulgação da semana será o IPCA-15 de julho, na sexta-feira, que pode mostrar aceleração na margem. Ao longo da semana, ainda sem datas definidas, o governo deve divulgar os dados de arrecadação federal, o resultado primário do governo central de junho e as estatísticas do setor externo referentes ao mês passado.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
No Brasil, a inflação medida pelo IPCA subiu 0,24% em junho, levemente acima das expectativas do mercado, acumulando 2,99% no ano e 5,35% em 12 meses, acima do teto da meta. O principal responsável pelo aumento foi a energia elétrica, que subiu 2,96% no mês, puxada principalmente pela bandeira tarifária vermelha.
Por outro lado, o grupo Alimentação e bebidas apresentou queda com a redução dos preços do arroz, ovos e frutas. Nos outros grupos, Transportes também registrou alta apesar da queda nos combustíveis. Serviços em geral aceleraram em junho.
Ainda sobre o Brasil, nessa semana, o governo dos Estados Unidos através de um comunicado publicado pelo presidente Donald Trump, informou que as exportações brasileiras destinadas ao mercado norte americano sofreriam uma taxação de 50% para acessar o mercado da população americana. Como efeito imediato, algumas empresas brasileiras que possuem como principal comprador, os Estados Unidos, sentiram os efeitos ao verem as projeções futuras se tornarem imprecisas.
Na Ásia, a inflação ao consumidor da China referente ao mês de junho subiu 0,1% na janela de 12 meses, após três meses de queda, impulsionada por estímulos ao consumo e menor tensão comercial com os EUA dado avanços e reduções tarifárias em relação aos patamares anteriores acima dos 100%. Itens não alimentares registraram leves altas, enquanto os preços dos alimentos caíram em ritmo mais brando. O núcleo da inflação avançou para 0,7%, a maior em 14 meses, mas os preços no mês ainda recuaram 0,1%.
De volta aos Estados Unidos, a ata da última reunião de política monetária do FOMC, reiterou que a equipe avaliou que a economia dos EUA continua crescendo de forma sólida, com o mercado de trabalho mantendo-se forte e o desemprego em nível baixo, embora a inflação ainda esteja acima da meta. Apesar da redução de incertezas, especialmente com o recuo das tarifas no momento da reunião, os riscos à economia seguem presentes.
Dado os fatos apresentados, o Comitê optou pela manutenção da taxa de juros entre 4,25% e 4,5%, destacando que futuras decisões dependerão da evolução dos dados econômicos e do equilíbrio de riscos. O compromisso com o pleno emprego e a meta de 2% de inflação foi reafirmado.
Na agenda econômica da semana, na segunda feira, dados do IBC-Br de maio, indicador antecedente do PIB brasileiro, e a leitura do PIB da segunda semestre da China, serão divulgados.
Na terça feira, a publicação será dos índices de inflação ao consumidor referente ao mês de junho dos Estados Unidos, seguido pela inflação ao produtor, também dos Estados Unidos, na quarta.
Na quinta, a inflação ao consumidor de junho da Zona do Euro também será divulgada.Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
A inflação ao consumidor de junho na Zona do Euro mostrou leve aceleração, ao atingir 2% na janela anual, patamar buscado pelo Banco Central Europeu (BCE). A leitura do mês anterior tinha sido de 1,9%. No mês, a variação foi de 0,3% contra uma estagnação do mês anterior. O núcleo, que exclui o preço de itens mais voláteis, subiu 2,3% em 12 meses. Todas as leituras vieram em linha com as expectativas do mercado.
Ao passo de uma inflação que mostra adequação em relação à meta, o BCE está trabalhando pela linha do estímulo monetário, dado as últimas decisões de afrouxamento da taxa básica de juros. A preocupação com os impactos tarifários da guerra comercial de Donald Trump impõe pressão sobre a condução da autoridade monetária europeia.
Ainda no exterior, mas agora tratando dos dados da economia norte americana, o PMI composto dos Estados Unidos de junho medido pelo S&P Global apresentou leve diminuição para 52,90 pontos, abaixo dos 53 pontos de maio. Apesar da leve queda, o indicador continua acima dos 50 pontos, o que aponta para expansão.
No detalhe, o PMI do setor industrial de junho subiu para o mesmo patamar do índice composto, em 52,90 pontos, acima dos 51 pontos projetados. O dado reflete o maior crescimento de atividade industrial americana dos últimos anos, apesar das tarifas, que prejudicam todo o mercado.
O PMI de serviços por sua vez também subiu 52,90 pontos em junho, em linha com as expectativas, porém um pouco abaixo do registrado no mês anterior. Apesar da queda, o patamar atingido é relativamente confortável e privilegiado principalmente pela demanda doméstica enquanto a demanda externa apresentou queda dado a preocupação com as questões tarifárias.
No mercado de trabalho, o número de vagas de emprego subiu para 7.8 milhão de vagas no mês de maio, o maior patamar desde novembro de 2024, e acima das expectativas, conforme divulgado no relatório JOLTS. A maior parte das vagas criadas foram do setor de acomodação e serviços alimentícios, seguido pelo setor financeiro.
Na criação de novos postos de trabalho, 147 mil postos foram ocupados em junho, também acima das expectativas. A maior parte dos postos foram ocupados pelo setor público. A taxa de desemprego de junho caiu para 4,1% ante 4,2% dos três meses anteriores e abaixo dos 4,3% esperados pelo mercado.
Para a segunda semana do mês de julho, os principais dados que sairão a público serão: (i) inflação ao consumidor referente ao mês de junho da China, na terça feira, (ii) ata da última reunião do FOMC, na quarta-feira e (iii) IPCA referente a junho, na quinta feira.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longuíssimas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS, e que por isso recomendamos diminuição gradativa em fundos atrelados ao IMA-B5+.
Outrora, enxergamos que o fechamento da ponta longa da curva pode trazer ganho para o RPPS, por isso recomendamos o retorno de alocação para ativos vinculados ao IMA-B e IMA-Geral no que representar até 5% da carteira. Entendemos que exposições sobrealocadas em durations mais longas podem trazer mais riscos.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longuíssimo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição até que enxerguemos maiores condições de alfa para este modelo estratégico.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto da Selic, recomendamos cautela em relação a ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.