RETROSPECTIVAS
No Brasil, os sinais de perda de fôlego da atividade econômica começam a aparecer, conforme última leitura do IBC-Br. Em abril, houve uma leve expansão de 0,2% puxada pelo setor de serviços, enquanto a agropecuária e a indústria registraram queda. Ainda assim, o desempenho geral surpreendeu positivamente em relação ao que o mercado previa. No acumulado de 12 meses, a economia mostra crescimento de 2,5%, embora com uma composição desigual entre os setores.
Mesmo com esse cenário de avanço, há uma expectativa de desaceleração nos próximos trimestres. O impulso vindo do agronegócio, que ajudou bastante no início do ano, tende a diminuir, e os juros elevados continuam limitando o crédito e o consumo. A manutenção da taxa Selic em um patamar alto reforça essa perspectiva. Apesar disso, o emprego aquecido segue como um fator de sustentação importante para a economia. As projeções para os próximos anos indicam uma expansão mais moderada da atividade.
Ainda no Brasil, o Banco Central decidiu aumentar novamente a taxa básica de juros, elevando a Selic para 15% ao ano, mesmo com sinais recentes de desaceleração da inflação. A decisão do Copom foi unânime, mas pegou parte do mercado de surpresa, já que muitos esperavam a manutenção dos juros no patamar anterior, de 14,75%.
O BC sinalizou que pretende manter a taxa nesse nível por algum tempo, observando os efeitos na economia, mas deixou em aberto a possibilidade de novas elevações, caso a inflação volte a subir. A trajetória recente mostra um ciclo contínuo de aperto monetário iniciado em setembro do ano passado, sendo esta última, a sétima alta consecutiva.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros dos Estados Unidos entre 4,25% e 4,5% ao ano, como já era esperado pelo mercado. Apesar de ainda prever cortes até o fim do ano, o banco central norte-americano indicou que o ritmo de redução deve ser mais lento do que o projetado anteriormente, refletindo preocupações com a inflação, especialmente após a reintrodução de tarifas comerciais pelo governo Trump.
As novas projeções do Fed apontam para um cenário econômico mais difícil, com crescimento mais fraco, desemprego em alta e inflação persistente acima da meta. A manutenção dos juros reflete a cautela da instituição diante da incerteza provocada por conflitos geopolíticos e mudanças na política comercial dos EUA. O banco sinalizou que só deve agir quando houver maior clareza sobre a direção da economia.
E na Europa, a inflação na zona do euro perdeu força em maio, com a taxa anual ao consumidor caindo para 1,9%, abaixo da previsão do mercado, que esperava uma taxa de 2%.
Na variação mensal, os preços se mantiveram estáveis, tanto no índice cheio quanto no núcleo, que exclui os itens mais voláteis como energia e alimentos. O núcleo da inflação também desacelerou no acumulado de 12 meses, passando de 2,7% em abril para 2,3% em maio, reforçando sinais de alívio nas pressões inflacionárias na região.
Para esta semana, no Brasil, teremos a divulgação da ata da última reunião do Copom na terça feira, do IPCA-15 de junho publicado na quinta feira, além do IGP-M de junho e dos dados de emprego também de junho, na sexta feira.
Já nos Estados Unidos, o PMI industrial e de serviços sairá na segunda feira, além de mais uma leitura do PIB do primeiro trimestre de 2025 na quinta, e do PCE, principal índice de inflação observado pelo FED, na sexta feira.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS. Para tanto, recomendamos a diminuição de maneira gradativa da exposição em fundos atrelados as durations mais longas dos IMAs, como o IMA-B 5+ e o IMA-B e IMA-Geral.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição do RPPS em fundos deste segmento para o patamar de 5% do portfólio.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto a ser atingido pela Selic, recomendamos cautela por parte dos investidores na exposição de ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros e suas revisões altistas, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
A inflação ao consumidor (CPI) na China registrou queda em maio, com o recuo de -0,1% em relação ao ano anterior e 0,2% na comparação com o mês abril. A principal pressão de baixa veio dos preços de energia, que sozinhos contribuíram com quase metade da retração anual do índice. Os alimentos também tiveram queda de 0,4% em 12 meses, enquanto os preços dos serviços subiram 0,5%. Por outro lado, o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, teve alta de 0,6% no ano, mostrando sinais de recuperação moderada no consumo. Em 2025, ao CPI acumula queda média de -0,1%.
Já a inflação ao produtor (PPI), na comparação mensal, subiu 0,1%, e na comparação com o ano anterior, a alta é de 2,6%, refletindo um ambiente de baixa inflação na indústria chinesa.
No Brasil, a inflação medida pelo IPCA subiu 0,26% em maio, uma desaceleração em relação aos 0,43% de abril. No acumulado do ano, o índice soma alta de 2,75%, enquanto em 12 meses a alta é de 5,32%, ainda superior ao teto da meta. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que previa alta de 0,37%.
O principal fator de pressão inflacionária em maio foi o grupo Habitação, com destaque para a conta de luz, que subiu 3,62% devido à ativação da bandeira amarela. Em contrapartida, itens como passagens aéreas, gasolina, tomate e arroz tiveram quedas, contribuindo para aliviar o índice geral. A combinação desses fatores ajudou a conter a inflação do mês, apesar da pressão nos custos de energia.
Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor (CPI) subiu 0,1% em maio, abaixo da expectativa do mercado, que previa uma alta de 0,2%. Na comparação anual, o índice sobe 2,4%, também levemente abaixo da projeção de 2,5%. Os principais responsáveis pela alta foram os preços de moradia e alimentação, ambos com avanço de 0,3% no mês. Por outro lado, a energia caiu 1%, com destaque para a redução no preço da gasolina. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, também teve alta moderada de 0,1% em maio, acumulando 2,8% em um ano.
Essa leve desaceleração em relação a abril, quando tanto o CPI cheio quanto o núcleo haviam subido 0,2%, reforça o cenário de alívio gradual das pressões inflacionárias. Apesar disso, o Federal Reserve deve manter os juros inalterados nas reuniões de junho e julho, com expectativa de iniciar cortes apenas em setembro. Embora o CPI não seja o índice inflacionário preferido pelo Fed, seus dados influenciam as projeções de mercado e a política monetária, especialmente em um contexto de pressões políticas por afrouxamento dos juros.
Ao longo da semana, no Brasil, teremos a divulgação do IBC-Br de abril, além da “super quarta” de decisão de juros no Brasil, através do Copom, e nos Estados Unidos, pelo Fed. A semana será mais curta por conta dos feriados de Corpus Christi, na quinta feira. Na Europa, a inflação ao consumidor será divulgada também na quarta-feira.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS. Para tanto, recomendamos a diminuição de maneira gradativa da exposição em fundos atrelados as durations mais longas dos IMAs, como o IMA-B 5+ e o IMA-B e IMA-Geral.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição do RPPS em fundos deste segmento para o patamar de 5% do portfólio.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto a ser atingido pela Selic, recomendamos cautela por parte dos investidores na exposição de ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros e suas revisões altistas, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
Nos Estados Unidos, o PMI industrial dos EUA de maio subiu para 52 pontos, refletindo um aumento nos novos pedidos impulsionado por clientes que antecipam compras diante de incertezas na política tarifa. Apesar da melhora especialistas da S&P Global alertam que o crescimento pode ser temporário.
Já o PMI do setor de serviços mostrou forte aceleração ao subir de 50,8 para 53,7, superando tanto a estimativa preliminar quanto as previsões de analistas. O PMI composto, que reúne os setores de serviços e indústria, também avançou de 50,6 para 53, sinalizando uma expansão mais robusta da atividade econômica no país do que o esperado.
Ainda nos Estados Unidos, e sobre o mercado de trabalho, o número de vagas de emprego nos EUA abertas se manteve estável em 7,4 milhões em abril, conforme divulgado no relatório JOLTS. Houve queda nas vagas nos setores de hospedagem e alimentação, e em educação pública, enquanto houve aumento nas áreas de artes, entretenimento, recreação e mineração.
Já o Nonfarm Payroll informou que foram criados 139 mil empregos em maio, mantendo a taxa de desemprego estável em 4,2%. Os setores de saúde, lazer e hospitalidade, lideraram as contratações, enquanto o governo continuou a cortar vagas.
Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa de juros para 2%, a oitava queda consecutiva, buscando estimular o crescimento econômico enfraquecido, especialmente na França, Alemanha e Itália. A decisão ocorre em meio à queda da inflação para 1,9% e aos impactos negativos da guerra tarifária promovida pelos EUA.
A inflação ao consumidor da zona do euro, na janela anual, caiu para 1,9% em maio de 2025, abaixo dos 2,2% registrados em abril. Os maiores aumentos vieram de alimentos, álcool e tabaco (3,3%) e serviços (3,2%).
Ainda sobre a Europa, o PIB registrado no primeiro trimestre de 2025 foi de 0,6% em relação ao trimestre anterior, segundo o Eurostat, acelerando em comparação com os últimos três meses de 2024. Na comparação anual, o PIB avançou 1,5% na zona do euro e 1,6% na UE, também mostrando melhora frente aos resultados do trimestre anterior.
A semana contará com uma bateria de divulgações dos dados de inflação. A inflação ao consumidor será divulgada na China no começo da semana, seguido pelo IPCA brasileiro de maio (terça feira), e pelo CPI americano de maio (quarta feira). A inflação ao produtor dos Estados Unidos referente ao mês de maio será divulgada na quinta-feira.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS. Para tanto, recomendamos a diminuição de maneira gradativa da exposição em fundos atrelados as durations mais longas dos IMAs, como o IMA-B 5+ e o IMA-B e IMA-Geral.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição do RPPS em fundos deste segmento para o patamar de 5% do portfólio.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto a ser atingido pela Selic, recomendamos cautela por parte dos investidores na exposição de ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros e suas revisões altistas, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVAS
Na última semana de maio, recheada de dado divulgados, a prévia da inflação ao consumidor do Brasil, o IPCA-15, registrou alta de 0,36% em maio. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 5,40%, levemente abaixo dos 5,49% registrados até abril, porém acima do teto da meta (4,5%). No ano, os preços já subiram, em média, 2,80%.
Entre os grupos que mais contribuíram para a alta estão Vestuário (0,92%), Saúde e cuidados pessoais (0,91%) e Habitação (0,67%). Já o grupo Transportes apresentou queda de 0,29%, ajudando a conter o avanço da inflação no mês.
Além da inflação, foi reportado que no mês de abril foram criados 257.528 empregos formais, conforme Caged, totalizando 922.362 vagas com carteira assinada no ano. Serviços lidera com 136.109 vagas, seguido por Comércio e Indústria. São Paulo foi o estado com maior geração de empregos. O salário médio de admissão subiu para R\$ 2.251,81, com alta real de 0,71% frente a março.
Ainda no Brasil, a primeira leitura do PIB do primeiro trimestre do ano apontou crescimento de 1,4% no período em relação ao trimestre anterior, puxado pela agropecuária, que avançou 12,2%, e pelo setor de serviços, com alta de 0,3%, enquanto a indústria apresentou queda (-0,1%). Em valores correntes, a movimentação foi de R$ 3 trilhões entre janeiro e março.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, o PIB subiu 2,9%, também com destaque para o crescimento do agro (10,2%) e da indústria (2,4%). Os investimentos aumentaram 9,1% no período, sustentados por obras, produção de bens de capital e desenvolvimento de softwares. O consumo das famílias subiu 2,6%, apoiado por maior massa salarial e crédito, mesmo com juros altos.
Nos Estados Unidos, a ata da última reunião FOMC do Fed, revela que os diretores da autoridade monetária decidiram manter a taxa de juros básica entre 4,25% e 4,50%, com postura cautelosa diante de crescentes incertezas econômicas. As preocupações centrais incluem o risco de uma inflação mais persistente e o aumento do desemprego, especialmente em meio às políticas comerciais imprevisíveis do governo Trump.
Vale citar que a ata mencionou preocupações sobre os Estados Unidos perderem o status de “porto seguro” para investidores globais, devido às tensões comerciais e à volatilidade nos mercados financeiros.
A segunda leitura do PIB americano veio um pouco menos crítica do que a primeira, após apontar contração de 0,2% no primeiro trimestre de 2025 ante o trimestre anterior. E sobre o tópico de inflação, o PCE (índice de inflação mais observado pelo Fed) de abril subiu 0,1% em abril, conforme expectativas. A leitura anual caiu para 2,1% e seu núcleo para 2,5%.
A semana será recheada de divulgações no exterior, em que nos Estados Unidos, teremos PMI industrial (segunda) e de serviços (quarta), além dos relatórios do mercado de trabalho, JOLTS (terça) e o Nonfarm Payroll (sexta).
Já na Europa, a inflação ao consumidor do mês de maio será divulgado na terça feira, seguido da decisão de juros que ocorrerá na quinta e da leitura do PIB do primeiro trimestre de 2025 que será divulgado na sexta.
Com a piora da conjuntura econômica doméstica e a elevação da exigência do prêmio de risco pelo mercado em relação aos ativos emitidos domesticamente, as pontas longas da curva de juros se encontram com altíssima volatilidade, o que pode trazer risco demasiado e perdas financeiras para os RPPS. Para tanto, recomendamos a diminuição de maneira gradativa da exposição em fundos atrelados as durations mais longas dos IMAs, como o IMA-B 5+ e o IMA-B e IMA-Geral.
Sob a mesma lógica, como a Selic deve se manter em patamar elevado por mais tempo, além da volatilidade dos ativos de longo prazo, os fundos de Gestão Duration devem encontrar maior dificuldade de entregar prêmios acima dos ativos livre de risco do mercado, e portanto, recomendamos a redução gradativa da exposição do RPPS em fundos deste segmento para o patamar de 5% do portfólio.
Adicionalmente, recomendamos uma exposição de até 15% para fundos de investimento de média duration, em especial, em ativos pós fixados atrelados à variação da inflação, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5. Dado o ambiente de incerteza sobre o teto a ser atingido pela Selic, recomendamos cautela por parte dos investidores na exposição de ativos prefixados como IRF-M e IRF-M 1+ por estes possuírem potencial de desvalorização devido a marcação a mercado.
Corroborando ao exposto, dado ao patamar mais elevado da taxa básica de juros e suas revisões altistas, recomendamos exposição de até 20% em ativos pós fixados atrelados a taxa de juros, principalmente o CDI, que deve trazer retornos consideráveis para os RPPS nos próximos meses.
Para complementar a diversificação da carteira em renda fixa, é recomendado a aquisição de títulos emitidos por instituições financeiras, principalmente as letras financeiras, dado que estes ativos costumam oferecer prêmios que ultrapassam as metas de rentabilidade dos RPPS, desde que claro, sejam considerados de baixo risco de crédito e das melhores instituições classificadas no mercado. Recomendamos até que a exposição atinja 20% do portfólio do RPPS.
Quanto a recomendação relacionada a renda variável doméstica, ainda que o cenário de juros elevados e incertezas políticas tragam risco e volatilidade para o segmento, cenários de correção de preços em renda variável abrem janelas de oportunidade para investidores de longo prazo, como os RPPS. Portanto, a nossa recomendação de 20% de exposição no segmento se mantém, porém sugerimos a entrada de maneira gradual para a efetivação do preço médio.
Com relação aos fundos estruturados, como os Multimercados e Imobiliários, recomendamos exposição de até 5% em cada um, porém abrimos parênteses que para os fundos Multimercado, recomendamos dividir a exposição em Multimercado doméstico (2,5%) e Multimercado exterior (2,5%), totalizando os 5% sugeridos.
No mercado global, o destaque continua sendo a economia americana, que para 2025 é projetado crescimento econômico acima do potencial. Contudo, por conta de maior dinamismo econômico, inflação em patamar ainda um pouco acima da meta, e incertezas econômicas futuras, os juros devem ficar um pouco mais altos do que o inicialmente projetado, trazendo força para a moeda americana. No ambiente de investimentos, sugerimos exposição de até 10% no segmento de exterior, também sob entradas cautelosas e gradativas para construção de preço médio.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.