agosto, 2024

Nossa Visão 26/08/2024

RETROSPECTIVA

O Ibovespa atingiu três recordes, alcançando 137.039 pontos na B3, impulsionado pela volta dos investimentos estrangeiros ao mercado brasileiro, com expectativas de cortes de juros nos EUA, crescimento econômico no Brasil com cortes de gastos para atingir um equilíbrio fiscal.


Na última sexta-feira, a bolsa fechou em alta de 1,30%, atingindo 135.608 pontos, enquanto o dólar encerrou cotado a R$ 5,48.


Durante o Simpósio de Jackson Hole, o Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, expressou crescente confiança de que a inflação está se ajustando para a meta de 2% e indicou que o momento para iniciar a redução das taxas de juros está próximo. Powell observou que o Fed está agora mais atento às condições do mercado de trabalho do que à inflação em si, e afirmou que o banco central “não procura nem aceita um maior arrefecimento nas condições do mercado de trabalho”. Isso sugere que o Fed pode adotar uma postura mais agressiva na flexibilização monetária se os indicadores de emprego e renda mostrarem um enfraquecimento adicional.


Além disso, a ata da última reunião de política monetária revelou que, embora a decisão de manter a taxa de juros entre 5,25% e 5,50% tenha sido unânime em julho, “vários membros destacaram que o progresso recente na inflação e o aumento na taxa de desemprego forneciam um argumento válido para uma redução de 0,25 pontos percentuais”. O ajuste para baixo de 818 mil postos de trabalho criados nos últimos 12 meses, conforme revisado pelo governo, levantou preocupações adicionais sobre o crescimento econômico e as condições do mercado de trabalho.


O Banco Popular da China (PBoC) decidiu manter inalteradas suas taxas de juros de referência: 3,35% para a Loan Prime Rate (LPR) de 1 ano e 3,85% para a LPR de 5 anos, conforme amplamente antecipado pelo mercado. Vale destacar que, no mês passado, o PBoC surpreendeu ao reduzir ambas as taxas em 10 pontos base. A LPR de 1 ano é geralmente utilizada como referência para empréstimos a empresas e consumidores, enquanto a LPR de 5 anos é predominantemente aplicada a hipotecas.


Atualmente, a China enfrenta uma crise imobiliária prolongada, que tem exercido pressão negativa sobre a atividade econômica. Os dados recentes mostram sinais mistos sobre o desempenho econômico, reforçando nossa perspectiva de uma recuperação gradual e desigual ao longo de 2024. A manutenção das taxas de juros reflete uma tentativa de equilibrar o estímulo à economia com a necessidade de lidar com a crise no setor imobiliário. O PBoC continua a monitorar de perto os desenvolvimentos econômicos e ajustará sua política monetária conforme necessário.


Semana passada, os ativos brasileiros foram influenciados pelos discursos dos principais dirigentes do Banco Central do Brasil. O Diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, destacou a disposição do Comitê de Política Monetária (Copom) para aumentar a taxa Selic, se necessário, em resposta a um cenário de inflação projetada acima da meta. No entanto, Galípolo enfatizou que não houve orientação específica para a próxima reunião do Copom, agendada para setembro.


Em contraste, as declarações do Presidente Roberto Campos Neto foram mais moderadas. Campos Neto afirmou que a elevação da Selic seria considerada se necessário, mas não indicou que essa medida estava iminente. Ele ressaltou que o Copom precisava reforçar a mensagem de que suas decisões são fundamentadas em critérios técnicos, em face de uma percepção de menor credibilidade da política monetária no mercado.


O Diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, também mencionou projeções de inflação mais elevadas e um cenário mais desafiador para o Comitê. Guillen reiterou que as decisões sobre a taxa de juros na reunião de setembro dependerão dos próximos dados econômicos.


O mercado de juros futuros está sinalizando o início de um ciclo de alta na próxima reunião do Copom, o que poderá impactar a taxa de câmbio. De fato, o câmbio apresentou maior volatilidade esta semana, aproximando-se de R$ 5,60 por dólar, em resposta às declarações ambíguas dos membros do Copom.


O Senado aprovou um projeto de lei que estabelecerá a desoneração gradual de 17 setores econômicos até 2028 e de prefeituras com até 156 mil habitantes até 2027. O aumento da alíquota de Juros sobre Capital Próprio (JCP), conforme solicitado pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não foi incluído no projeto.


Para compensar a perda de receitas, foram previstas várias medidas: 1) renegociação de multas aplicadas por agências reguladoras; 2) repatriação de recursos mantidos no exterior; 3) atualização de bens no imposto de renda; 4) regularização de ativos; 5) receitas provenientes de apostas esportivas; 6) taxação de importações de até US$ 50; 7) recursos esquecidos em contas de depósito ao Tesouro Nacional; e 8) apropriação de depósitos judiciais e extrajudiciais. Adicionalmente, o projeto inclui ações de “pente-fino” em benefícios previdenciários e assistenciais como medidas compensatórias.


O texto seguirá agora para a Câmara dos Deputados. Apesar das incertezas nas estimativas, o projeto deverá, ao menos parcialmente, compensar as perdas de receita decorrentes da desoneração da folha de pagamento neste ano, ajudando o governo a atingir a meta de resultado primário. Em termos de despesas, o impacto é menor, mas o alívio imediato pode reduzir a necessidade de bloqueios adicionais nas próximas avaliações bimestrais.






PERSPECTIVAS

Os principais eventos internacionais com a divulgação da inflação ao consumidor na zona do euro para agosto e do deflator das despesas de consumo pessoal (core PCE) nos EUA referente a julho. Esses dados serão essenciais para as decisões dos bancos centrais dessas regiões. Também serão divulgadas as sondagens PMI de agosto na China, que oferecerão uma visão sobre a atividade econômica no país.


Nos EUA, a segunda-feira traz dados sobre encomendas de bens duráveis para julho. Na quinta-feira, será publicada a segunda estimativa do PIB do segundo trimestre, com a primeira leitura apontando para um crescimento anualizado de 2,8%.


No Brasil, a terça-feira apresenta o IPCA-15 de agosto, com expectativa de deflação em alimentos, passagens aéreas e energia elétrica, enquanto bens industriais, gasolina e mensalidades de cursos devem mostrar aceleração. O relatório CAGED sobre empregos formais sairá na quinta-feira, e a PNAD Contínua na sexta-feira. Além disso, o Banco Central divulgará as estatísticas do setor externo na segunda-feira, do mercado de crédito na quinta-feira e os resultados fiscais do setor público consolidado na sexta-feira. Na mesma quinta-feira, o Tesouro Nacional publicará o resultado primário do governo central, todos referentes a julho.


Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.


Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M e no IRF-M 1+, que são índices pré-fixados, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômio, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 é prevista para 10%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


Após a inflação mostrar ser mais resiliente quanto o esperado, o Fed mudou sua comunicação, mostrando ressalva em cortar os juros mais cedo. A expectativa do mercado, que já foi de até sete cortes no ano, agora é de 1 a 2 cortes, com o primeiro deles em setembro. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.96321. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.

Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo devem começar o processo de queda de juros, aumentando a demanda por ativos de risco. Sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%. O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 19/08/2024

RETROSPECTIVA

O Ibovespa, principal índice da B3, atingiu um novo recorde de 134.781 pontos, impulsionado pelo retorno significativo de capital estrangeiro ao mercado brasileiro. Esse fluxo positivo de investimentos foi ainda reforçado por indicadores econômicos favoráveis nos Estados Unidos, que contribuíram para a valorização dos mercados acionários ao redor do mundo, incluindo o brasileiro.


No entanto, ao final da semana, o Ibovespa passou por uma leve correção, encerrando a 133.953 pontos, com um ganho acumulado de 2,5%. O dólar também apresentou uma queda de aproximadamente 1%, fechando a R$ 5,47.


O otimismo dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil pode ser atribuído a duas principais razões: a expectativa de redução das taxas de juros nos EUA, devido à desaceleração da inflação americana, e a crença crescente de que a economia dos EUA evitará uma recessão no próximo ano. Esse ambiente de menores taxas de juros está incentivando investidores globais a buscar alternativas aos títulos de renda fixa americanos, direcionando seus investimentos para ações em mercados emergentes, como o Brasil. Apesar do maior risco associado a esses mercados, as oportunidades de retorno atraem o capital estrangeiro.


Além disso, uma reavaliação iminente no índice MSCI de mercados emergentes, amplamente replicado por fundos globais, está influenciando o fluxo de investimentos para o Brasil. A partir de 2 de setembro, o peso das ações brasileiras no índice aumentará de 4,6% para 5,3%. Essa mudança está fazendo com que fundos que replicam o índice ajustem suas carteiras, aumentando a alocação em ações brasileiras.


Os resultados financeiros do segundo trimestre das empresas brasileiras têm sido positivos, surpreendendo analistas e impulsionando o desempenho da bolsa. Empresas dos setores financeiro e de consumo destacaram-se, mostrando resiliência em um ambiente econômico desafiador. Além disso, a bolsa brasileira está mais barata em comparação com seus pares emergentes, especialmente quando medidas em dólares, o que torna as ações brasileiras mais atraentes para investidores internacionais. Essa avaliação relativamente baixa, combinada com perspectivas econômicas de crescimento superiores ao esperado, tem atraído o interesse dos investidores internacionais.


O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) referente a junho superou amplamente as expectativas do mercado, indicando um desempenho econômico acima do esperado. Apesar da persistente preocupação com o rombo fiscal, a sinalização de que a meta fiscal pode ser alcançada ainda este ano ajudou a acalmar os investidores estrangeiros, oferecendo uma perspectiva mais estável para o ambiente de investimento no Brasil.


A retomada da confiança no compromisso do Banco Central com o controle da inflação também contribuiu para a estabilidade no mercado.


O Banco Central enfrentou críticas por tomar decisões com base principalmente nas opiniões dos operadores de mercado, especialmente em relação à possibilidade de novas elevações na taxa de juros, que estavam sendo precificadas na Bolsa devido às expectativas elevadas de inflação. Para contrabalançar essas críticas, o Banco Central conduziu uma nova pesquisa voltada ao setor produtivo, chamada FIRMUS, semelhante ao Boletim Focus, mas focada em empresas não financeiras. A pesquisa revelou que as expectativas do setor produtivo são ainda mais pessimistas do que as do mercado financeiro. Esses resultados sugerem que as preocupações com a inflação são amplamente compartilhadas entre os diversos setores da economia.


Na Argentina, o presidente Javier Milei está obtendo resultados positivos em seu combate à inflação. Em julho, a inflação mensal caiu para 4%, marcando o menor nível desde o início de 2022. No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa de hiperinflação desacelerou para 263%, representando uma redução significativa em relação aos níveis extremos anteriores. Essa desaceleração na inflação mensal é um indicativo de que as políticas econômicas implementadas por Milei estão começando a mostrar efeitos positivos na estabilização dos preços, embora a taxa de hiperinflação ainda permaneça elevada.


Nos EUA, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) acumulou 2,9% nos últimos 12 meses, alinhado com as previsões do mercado e marcando a menor inflação desde março de 2021. A inflação no atacado foi inferior às projeções, indicando uma redução na pressão dos custos. Esses dados reforçam a tendência de convergência da inflação para a meta do banco central, possibilitando uma redução na taxa de juros no próximo mês. As vendas no varejo superaram as expectativas, mitigando os temores de uma recessão iminente. No entanto, a produção industrial de julho caiu 0,3%, abaixo das previsões. A China também apresentou dados mistos, com vendas no varejo e produção industrial variando e o setor imobiliário enfrentando uma queda acentuada nos preços das novas residências.


No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio aumentaram após a morte do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, com a Casa Branca alertando para possíveis ataques do Irã a Israel. Esse agravamento pode afetar os preços do petróleo, adicionando pressão inflacionária global. As expectativas do mercado também estão voltadas para a continuidade das discussões sobre política monetária e fiscal, com a projecção de uma possível alta na taxa Selic no Brasil, dada a robustez da atividade econômica e as expectativas de inflação. O governo também está preparando novas medidas fiscais, incluindo propostas para renegociação da dívida dos estados e compensação das perdas com a desoneração da folha de pagamentos, com o objetivo de alcançar a meta de resultado primário e reduzir a necessidade de bloqueios adicionais nos próximos relatórios bimestrais.






PERSPECTIVAS

Na semana, diversos eventos econômicos de relevância global e doméstica estão programados. Entre eles, destaca-se a divulgação da ata do FOMC na quarta-feira, que apresentará os principais tópicos discutidos e as visões dos membros sobre variáveis econômicas e financeiras após a última reunião que manteve as taxas de juros dos EUA estáveis. O índice PMI, que avalia o ambiente de negócios, será divulgado em vários países, incluindo Japão, Europa e EUA, referente a agosto. Na China, o Banco Popular definirá as taxas de empréstimos de 1 e 5 anos na segunda-feira, com expectativas de estabilidade, apesar de dados econômicos recentes mais fracos. Além disso, a leitura final da inflação ao consumidor de julho na Europa será divulgada na terça-feira.


No Brasil, a expectativa é pela divulgação de dados de arrecadação que devem mostrar um crescimento robusto, impulsionado pela sólida atividade econômica e pelas medidas de aumento de receitas recentemente aprovadas pelo governo. O Senado também deve votar um projeto de lei que modifica a desoneração da folha de pagamento para 17 setores e municípios, estabelecendo uma redução gradual do benefício até 2028 e implementando novas medidas compensatórias para mitigar as perdas de receitas.


Adicionalmente, o Simpósio de Jackson Hole será o evento mais aguardado, reunindo banqueiros centrais, economistas e acadêmicos globais para discutir temas econômicos e monetários, proporcionando uma visão aprofundada sobre as estratégias e expectativas das principais autoridades monetárias internacionais.


Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.


Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M e no IRF-M 1+, que são índices pré-fixados, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômio, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 é prevista para 10%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


Após a inflação mostrar ser mais resiliente quanto o esperado, o Fed mudou sua comunicação, mostrando ressalva em cortar os juros mais cedo. A expectativa do mercado, que já foi de até sete cortes no ano, agora é de 1 a 2 cortes, com o primeiro deles em setembro. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.96321. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.

Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo devem começar o processo de queda de juros, aumentando a demanda por ativos de risco. Sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%. O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 13/08/2024

RETROSPECTIVA

Domesticamente, a semana foi marcada pela divulgação do IPCA de julho, que se mostrou acima das expectativas e atingindo 4,5% na comparação anual. No mês, a variação foi de 0,38% segundo o IBGE. O consenso de mercado estava em 0,35%, e os principais responsáveis pelo aumento estão nos grupos de bens industriais e serviços. Na pressão baixista, os alimentos se destacaram por apresentarem queda.
A ata do Copom referente a decisão de política monetária do dia 31 de julho veio em tom mais duro, com a menção à possibilidade de elevação de taxa de juros caso a inflação não se mantenha na meta. A ata citou também que parte do comitê enxerga mais riscos para alta de inflação, do que para redução.


No cenário externo, e moderada redução da atividade econômica medida por indicadores, como o PMI, por exemplo, aumentaram as chances de um corte de juros já na reunião do FED em setembro.


Na Ásia, o aumento de juros realizado pelo banco central japonês (BoJ) ocasionaram um desmonte das operações de carry trade, o carrego, que por sua vez trouxe impactos principalmente para as moedas de países emergentes, inclusive o Real brasileiro. Contudo, líderes do BoJ sinalizaram que novas altas não devem ocorrer.






PERSPECTIVAS

Na agenda da semana, o destaque se coloca nos resultados de inflação da economia norte americana ao produtor e ao consumidor. Na Europa, contaremos com os dados referentes ao PIB do 2° trimestre.


No cenário doméstico, a agenda é um pouco mais esvaziada em aspectos macroeconômicos, porém com divulgação de resultados das empresas.

Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.


Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M e no IRF-M 1+, que são índices pré-fixados, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômio, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 é prevista para 10%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


Após a inflação mostrar ser mais resiliente quanto o esperado, o Fed mudou sua comunicação, mostrando ressalva em cortar os juros mais cedo. A expectativa do mercado, que já foi de até sete cortes no ano, agora é de 1 a 2 cortes, com o primeiro deles em setembro. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.96321. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.

Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo devem começar o processo de queda de juros, aumentando a demanda por ativos de risco. Sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%. O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 05/08/2024

RETROSPECTIVA

O mês de agosto começou com desafios para os mercados financeiros globais, com quedas acentuadas nas bolsas ao redor do mundo, impulsionadas por notícias econômicas negativas dos Estados Unidos. Esse cenário gerou uma tensão considerável entre os investidores. Bancos centrais dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Brasil e Chile tiveram um impacto significativo nos mercados, e as tensões no Oriente Médio se intensificaram, resultando em uma valorização expressiva do dólar, que chegou próximo a R$ 5,80.


Apesar das quedas observadas nos mercados internacionais, o Ibovespa apresentou um desempenho relativamente estável. O principal índice da B3 recuou 1,22% na sexta-feira, encerrando aos 125.842 pontos, e acumulou uma baixa de 1,29% na semana. A falta de sinalização clara do Banco Central do Brasil sobre possíveis aumentos nas taxas de juros contribuiu para o estresse no mercado.


O ouro destacou-se como o melhor investimento de julho, com uma valorização de 6,64%, alcançando um novo recorde de US$ 2.500 por onça. O aumento no valor do ouro pode ser atribuído a diversos fatores, como as crescentes tensões geopolíticas, a intensificação da corrida presidencial nos Estados Unidos e a busca por ativos seguros em resposta a dados econômicos fracos dos EUA. Esses fatores elevaram as expectativas de cortes nas taxas de juros americanas, tornando o ouro uma opção de investimento mais atraente.


O segundo melhor investimento do mês foi o bitcoin, que apresentou uma variação de 3,73% no período, destacando-se pelo rendimento acumulado de 122,77% em 12 meses.


Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) foram o pior investimento de julho, apesar de terem terminado estáveis, com um leve recuo de 0,19%. BDRs são certificados emitidos no Brasil que representam ações de empresas estrangeiras, permitindo aos investidores brasileiros negociar esses ativos na Bolsa de Valores do país (B3).


O dólar disparou devido a vários fatores, incluindo o aumento das taxas de juros no Japão, que desencorajaram operações de carry trade. As preocupações fiscais no Brasil, com o governo gastando mais do que arrecada em impostos, também impactaram o real.


Durante a semana, vários bancos centrais realizaram reuniões importantes. Na terça-feira, o Banco do Japão aumentou suas taxas de juros, afetando significativamente o real. Na quarta-feira, o Federal Reserve manteve suas taxas de juros inalteradas pela oitava vez consecutiva, mas indicou um possível corte em setembro, o que animou os mercados. Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra reduziu suas taxas de juros para 5% ao ano pela primeira vez desde a pandemia, e o Banco Central do Chile manteve suas taxas inalteradas.


Dados econômicos fracos dos Estados Unidos aumentaram os temores de uma possível recessão. O índice ISM, que mede a atividade industrial, apresentou resultados decepcionantes, e o aumento no número de pedidos de seguro-desemprego contribuiu para a preocupação. A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,3%, levando alguns analistas a preverem uma contração significativa na indústria americana.


Os investidores estrangeiros continuam apostando fortemente na alta do dólar contra o real, tanto na bolsa brasileira quanto na bolsa de Chicago. O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 10,5% ao ano, destacando preocupações fiscais e inflacionárias. A ausência de uma posição clara sobre a possibilidade de aumento das taxas de juros, se necessário, aumentou a tensão no mercado.






PERSPECTIVAS

Na semana seguinte, serão divulgados dados de inflação no Brasil e na China, e a temporada de balanços continuará no Brasil. Haverá também declarações de diretores do Banco Central dos EUA e a ata da reunião do Copom será publicada na terça-feira.


Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.


Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M e no IRF-M 1+, que são índices pré-fixados, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômio, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 é prevista para 10%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


Após a inflação mostrar ser mais resiliente quanto o esperado, o Fed mudou sua comunicação, mostrando ressalva em cortar os juros mais cedo. A expectativa do mercado, que já foi de até sete cortes no ano, agora é de 1 a 2 cortes, com o primeiro deles em setembro. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.96321. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo devem começar o processo de queda de juros, aumentando a demanda por ativos de risco. Sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%. O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












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