maio, 2024

Nossa Visão 27/05/2024

RETROSPECTIVA

O Ibovespa fechou em baixa pelo 6° pregão seguido e terminou a sexta-feira aos 124.305 pontos, a pior semana desde março de 2023. Já dólar encerrou em alta a semana, com valorização de 0,27%, aos R$ 5,16, junto com os juros futuros aqui no Brasil que subiram por toda curva. As expectativas de inflação aumentaram recentemente, o que causou piora na percepção de risco relacionado ao Brasil.


As expectativas inflacionárias para os próximos anos aumentaram recentemente. Roberto Campos Neto (presidente do BC) disse em palestra no X Seminário de Política Monetária que a flexibilização da meta fiscal de 2025 pelo governo causou uma piora na percepção do mercado para as contas públicas. Campos Neto ainda disse que a inflação de alimentos pode piorar devido à tragédia do Rio Grande do Sul.


A arrecadação de abril deste ano teve o melhor desempenho do mês desde o início da série histórica. Com R$ 228,9 bilhões, o crescimento interanual foi de 8,3%, mostrando o impacto de certas medidas para aumentar a arrecadação. Apesar desse crescimento nas receitas, o mercado estima que esse aumento não será suficiente para que o governo atinja a meta do resultado primário.


Nos Estados Unidos, os índices de atividade trouxeram mostraram que a atividade econômica continua forte. A sondagem do PMI industrial subiu para 50,9 pontos, ainda no campo de expansão, enquanto o PMI de Serviços foi bem acima das expectativas do mercado, com 54,8 pontos.


Na zona do Euro, o PMI Industrial teve o melhor resultado dos últimos 15 meses, porém, ainda em território de retração. O PMI de Serviços continua forte, com quarto mês de consecutivo de expansão. Mesmo com a contínua expansão no setor de serviços, é esperado que o Banco Central Europeu inicie o processo de queda das taxas de juros antes que os Estados Unidos, já no começo do primeiro semestre.



Na China, o Banco Popular da China (PBoC) optou por manter as taxas de juros inalteradas, mantendo elas na mínima histórica. O governo chinês também anunciou novas medidas para estimular o setor imobiliário, que permanece enfraquecido e ameaça a meta de crescimento da China.






PERSPECTIVAS

A semana será menor tanto pelo feriado de Corpus Christi aqui no Brasil, na quinta, e de Memorial Day, nos Estados Unidos e na Inglaterra, na segunda-feira. Apesar dos feriados, o calendário econômico será cheio de indicadores. Nos Estados Unidos, o indicador favorito de inflação do Fed, o PCE (deflator de gastos ao consumidor) será divulgado na sexta, enquanto a segunda estimativa do PIB na quinta feira. Tanto o PCE como o PIB serão essenciais para avaliar a atividade econômica dos Estados Unidos e se o atual patamar dos juros é suficientemente alto para levar a inflação em direção a meta.


No Brasil, o destaque será a publicação do IPCA-15 do mês de maio, na terça-feira. Mercado espera uma alta principalmente nos preços de combustíveis e produtos famacêutico. A alta, no entando, ainda não carrega os efeitos das enchentes do Rio Grande do Sul. Além disso, os principais indicadores do mercado de trabalho serão divulgados ao longo da semana. Na terça será o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e na quarta a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra a Domicílios).


A agenda de indicadores é tímida esta semana, com destaque a divulgação da Ata do FOMC (Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos) e decisão de política monetária na China. Para a ata do FOMC, o mercado aguarda mais informações acerca da decisão de manutenção de juros e as expectativas do comitê para os próximos meses. No Brasil, destaque para os dados de arrecadação federal de abril. Importante se atentar para novas políticas de auxílio ao Rio Grande do Sul.


Com a recente abertura da curva de juros e com as incertezas marcando o cenário externo, recomendamos reduzir a duration da carteira. Tudo isso provocou uma grande volatilidade nos IMAs, principalmente na ponta mais longa. Por isso, recomendamos reduzir gradualmente a exposição em Fundos IMA-B 5+, que tem em sua carteira NTN-Bs com prazos acima de 5 anos e podem sofrer mais com essa recente volatilidade. Ainda no Longo Prazo, recomendamos manter em 10% em fundos deste segmento, de preferência diversificar entre IMA-B e IMA-Geral.


Adicionalmente, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, mantivemos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M e no IRF-M 1+, que são índices pré-fixados, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos aumentar a exposição neste segmento, principalmente fundos CDI. Com as recentes alterações no cenário econômio, recomentamos uma exposição de 15% neste segmento. A Selic terminal para 2024 é prevista para 10%, mantendo uma taxa de investimentos atrativa para o RPPS.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


Após a inflação mostrar ser mais resiliente quanto o esperado, o Fed mudou sua comunicação, mostrando ressalva em cortar os juros mais cedo. A expectativa do mercado, que já foi de até sete cortes no ano, agora é de 1 a 2 cortes, com o primeiro deles em setembro. Além disso, a nova resolução de fundos de investimentos, CVM 175, trouxe novas regras para fundos no exterior que ainda não foram adaptadas pela Resolução 4.96321. Por isso, recomendamos cautela para fundos de investimento no exterior, tanto em Renda Fixa como fundos de ações ou multimercado exterior.

Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, mantemos nossa recomendação de 20% de exposição. Por mais que a bolsa de valores tenha mostrado certa volatilidade neste ano de 2024, a expectativa ainda é de alta para os próximos meses, na medida que as principais economias do mundo devem começar o processo de queda de juros, aumentando a demanda por ativos de risco. Sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Em relação aos Fundos Multimercado e Fundos de Investimento Imobiliários (FII), recomendamos manter a exposição em 5%. O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 20/05/2024

RETROSPECTIVA

Apesar de leve queda na sexta-feira, o Ibovespa terminou a semana no positivo, com alta de 0,43%, aos 128.150 pontos. Não foi só Ibovespa que foi bem na semana, após o teste de fogo do CPI, as bolsas americanas performaram muito bem, com destaque ao Dow Jones atingindo sua máxima histórica. O dólar cai a R$ 5,10 e tem baixa de 1% na semana.


O mercado aguardava a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para entender a decisão dividida que reduziu a Selic para 10,50%. Os quatro membros do comitê que votaram em um corte de 0,50% argumentaram que compartilham da percepção que o cenário incerto aumentou, porém, defenderam que não mudou o suficiente para alterar o guidance. Ou seja, o cenário não mudou o suficiente para alterar a orientação que foi fornecida na última reunião, correndo um risco de diminuir a reputação do comitê.


Em adição a esta explicação, a ata trouxe os principais motivos da recente desancoragem das expectativas de inflação: a piora do cenário externo; o risco fiscal; e a maneira como os agentes econômicos veem o compromisso da autoridade monetária em atingir a meta ao longo do tempo.

O setor de serviços mostrou força no primeiro trimestre de 2024. Com as receitas reais do setor de serviços aumentando 0,4% em março ante fevereiro, o setor apresentou alta de 0,5% no primeiro trimestre.


O aguardado CPI (inflação ao consumidor dos Estados Unidos) de abril subiu 0,3% antes março, abaixo do que o mercado esperava (0,4%), enquanto seu núcleo veio em linha com as expectativas, com avanço de 0,3%. Esses dados consolidaram as apostas de dois cortes de juros nos Estados Unidos este ano, com o primeiro deles em setembro.


Além da inflação surpreender positivamente, os dados de vendas do varejo também mostraram alívio. Enquanto o mercado esperava alta, as vendas do varejo permaneceram inalteradas no mês de abril, e ainda os dados de março sofreram revisão baixista.


Em discurso dado na última semana, o presidente do Banco Central dos Estados Unidos, Jerome Powell tirou pressão dos mercados ao reforçar a mensagem de que o próximo movimento nos juros americano será de corte. Essa preocupação foi criada após dados de atividade e inflação de abril vierem supreendentemente altos. Após este discurso e os dados recentes, os mercados já minimizaram possibilidade de alta.


Na China, as incertezas em relação ao crescimento econômico permanecem após a inflação permanecer em níveis muito baixos e os dados de atividade econômica mostrarem sinais mistos. A inflação ao consumidor acumula alta de 0,3% nos últimos 12 meses em abril, enquanto a do produtor registrou variação anual de -2,3%. Enquanto a produção industrial surpreendeu positivamente, as vendas no varejo decepcionaram no mês de abril. Os dados divergentes na economia chinesa mostram o desequilíbrio de oferte e demanda, enquanto o governo chinês segue incentivando o mercado imobiliário.






PERSPECTIVAS

Após o CPI aliviar as pressões inflacionárias, os mercados se animaram e foram ajudados pela queda dos juros futuros. O retorno da note de 2 anos recuou a 4,734% e o da note de 10 anos cedeu a 4,351%. A expectativa dos cortes de juros no segundo semestre impulsionam as bolsas de valores globais e ,combinadas com o fechamento da curva de juros norte americana, abrem espaço para o Brasil seguir com o processo de corte da Selic.


A agenda de indicadores é tímida esta semana, com destaque a divulgação da Ata do FOMC (Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos) e decisão de política monetária na China. Para a ata do FOMC, o mercado aguarda mais informações acerca da decisão de manutenção de juros e as expectativas do comitê para os próximos meses. No Brasil, destaque para os dados de arrecadação federal de abril. Importante se atentar para novas políticas de auxílio ao Rio Grande do Sul.


Em nossa estratégia de Longuíssimo Prazo, recomendamos aumentar a exposição em Fundos IMA-B 5+, que podem trazer retornos reais, pois são protegidos da inflação. Além disso, a perspectiva fiscal do Brasil foi melhorada, com reformas estruturais aprovadas, como a reforma tributária, e o rating soberano do Brasil elevado, tudo isso contribui para um cenário mais estável e menos volátil. Importante notar que sua carteira teórica é composta por NTN-Bs com prazo acima de 5 anos e possuem uma parte pré-fixada, por isso, recomendamos cautela neste segmento, pois essa parte pré-fixada traz alta volatilidade para o fundo. Ainda no Longo Prazo, mantemos nossa recomendação de 10% de exposição em fundos deste segmento, como IMA-B.


Adicionalmente, aumentamos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, reduzimos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10%. Com o cenário de queda da Selic, os índices de curto prazo tendem a ser os primeiros a sentirem os efeitos da política monetária.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


O cenário global terá nos próximos meses corte de juros em suas principais economias. A depender principalmente dos Estados Unidos, que ditará o ritmo de corte de juros ao redor do mundo e deve começar apenas em setembro, países dentro da Europa devem começar a flexibilização dos juros antes. Recomendamos uma exposição de 10% nos fundos de investimento no exterior, tanto os de Renda Fixa como os fundos de ações ou multimercado exterior. A CVM 175 também abrirá as portas para estes fundos, que agora poderão ser destinados a investidores gerais (sem Pró-Gestão no caso do RPSS) e com isso abre a oportunidade de dolarizar o patrimônio do RPPS.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável, mantendo a nossa recomendação de 20% de exposição.


Em relação aos Fundos Multimercado, recomendamos reduzir a exposição para 5% e alocar essa parcela em Fundos de Investimento Imobiliários (FII). O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento. Recomendamos uma exposição de 5% para este subsegmento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 13/05/2024

RETROSPECTIVA

Após duas semanas positivas, o Ibovespa encerrou a semana com queda de 0,71%, aos 127.599 pontos. Já o dólar se valorizou em âmbito global, fechando a sexta-feira aos R$ 5,15, com alta de 1,66%. Após um Copom sem unanimidade, a preocupação com o fiscal e os balanços das empresas desanimadores, o humor do investidor do Brasil segue em ruim.


Na última quarta-feira, 8, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., para 10,50% ao ano. A decisão foi dividida, com os últimos quatro membros nomeados do comitê votando a favor de um corte de 0,50 p.p. e os demais votando em 0,25 p.p. No comunicado divulgado juntamente com a decisão, a avaliação em relação as perspectivas da inflação foram altistas, em razões do cenário fiscal do Brasil e a dificuldade enfrentada pelos Estados Unidos para controlar a inflação.


Em relação a inflação no Brasil, o IPCA referente a abril foi de 0,38%, acima das expectativas do mercado (0,35%). O acumulado no ano é de 1,80%, enquanto os últimos 12 meses permanecem abaixo do teto da meta, em 3,69%. Dos nove grupos analisados, sete tiveram alta, com destaque para Saúde e cuidados pessoais e Alimentação e bebidas, que tiveram os maiores impactos no índice. Apesar de alta em relação a expectativa, o núcleo da inflação mostrou alívio, com serviços subjacentes e industriais subjacentes recuando na margem.


Já o INPC, indicador que é usado para corrigir o salário-mínimo, apresentou alta de 0,37% em abril, acumulando 3,23% nos últimos 12 meses.

A balança comercial registrou superávit de 9 bilhões de dólares em abril, abaixo do esperado pelo mercado (US$ 9,4 bilhões). As exportações seguem em alta, beneficiada pela desvalorização do real e pelo bom desempenho das commodities. Enquanto as importações continuam acelerando na margem, registrando valores acima do mesmo mês em 2022 e 2023.


Importante para avaliar o desempenho econômico do país, as vendas no varejo registraram queda de 0,3% no comparativo mensal, abaixo das medianas do mercado. Dos 10 setores analisados, 9 contraíram na margem. No primeiro trimestre de 2024, as vendas no varejo subiram 2,5%, corroborando a visão de que o consumo das famílias está forte em 2024.


Na Inglaterra, o BoE (Banco Central da Inglaterra) não surpreendeu e manteve a taxa de juros em 5,25%. Sua comunicação foi similar ao do Fed no início do ano, reconhecendo que a inflação está em queda, porém, afirmando a necessidade de mais dados para começar a cortar os juros.






PERSPECTIVAS

Para esta semana, o mercado aguarda atentamente a ata do Copom, na terça-feira, além do IBC-Br na quarta. Para a ata do Copom, o documento trará mais informações acerca da leitura do BC sobre a conjuntura doméstica e o cenário global, enquanto é esperado outro movimento de corte de 0,25 p.p. para próxima reunião.


No âmbito internacional, o destaque será a divulgação da inflação ao consumidor, o CPI, e as vendas no varejo nos Estados Unidos em abril. Após derrubar o último CPI derrubar os mercados, a expectativa é que o resultado de abril fique em torno de 0,3% e 0,4%. Na quinta-feira, a China trará diversos dados econômicos, como a produção industrial, os investimentos em ativos fixos, a taxa de desemprego e os dados de venda no varejo.


Em nossa estratégia de Longuíssimo Prazo, recomendamos aumentar a exposição em Fundos IMA-B 5+, que podem trazer retornos reais, pois são protegidos da inflação. Além disso, a perspectiva fiscal do Brasil foi melhorada, com reformas estruturais aprovadas, como a reforma tributária, e o rating soberano do Brasil elevado, tudo isso contribui para um cenário mais estável e menos volátil. Importante notar que sua carteira teórica é composta por NTN-Bs com prazo acima de 5 anos e possuem uma parte pré-fixada, por isso, recomendamos cautela neste segmento, pois essa parte pré-fixada traz alta volatilidade para o fundo. Ainda no Longo Prazo, mantemos nossa recomendação de 10% de exposição em fundos deste segmento, como IMA-B.


Adicionalmente, aumentamos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, reduzimos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10%. Com o cenário de queda da Selic, os índices de curto prazo tendem a ser os primeiros a sentirem os efeitos da política monetária.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


O cenário global terá nos próximos meses corte de juros em suas principais economias. A depender principalmente dos Estados Unidos, que ditará o ritmo de corte de juros ao redor do mundo e deve começar apenas em setembro, países dentro da Europa devem começar a flexibilização dos juros antes. Recomendamos uma exposição de 10% nos fundos de investimento no exterior, tanto os de Renda Fixa como os fundos de ações ou multimercado exterior. A CVM 175 também abrirá as portas para estes fundos, que agora poderão ser destinados a investidores gerais (sem Pró-Gestão no caso do RPSS) e com isso abre a oportunidade de dolarizar o patrimônio do RPPS.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável, mantendo a nossa recomendação de 20% de exposição.


Em relação aos Fundos Multimercado, recomendamos reduzir a exposição para 5% e alocar essa parcela em Fundos de Investimento Imobiliários (FII). O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento. Recomendamos uma exposição de 5% para este subsegmento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 06/05/2024

RETROSPECTIVA

Os mercados fecharam em alta graças aos dados de trabalho nos Estados Unidos mostrarem sinais de reequilíbrio. O Ibovespa encerrou a semana com alta de 0,83%, aos 125.508 pontos e o S&P 500 com alta de 1,26%, aos 5.127 pontos. O dólar opera em baixa nos últimos dias, fechando a sexta-feira aos R$ 5,07.


O grande destaque da última semana foi a decisão de política monetária nos Estados Unidos. Como era amplamente aguardado pelo mercado, o FOMC (comitê de política monetária) manteve a taxa básica de juros no intervalo de 5,25% e 5,50% pela sexta reunião consecutiva. Mais importante que a decisão em si era a comunicação do Fed, algo que vinha destoando das expectativas do mercado. Em comunicado que acompanhou a decisão, o comitê reconheceu a dificuldade que estão enfrentando para levar a inflação em direção a meta de 2% e destacou a atividade econômica que segue resiliente.


O FOMC também anunciou outra medida de política monetária restritiva (que visa diminuir a quantidade de moeda na economia), chamada de contração quantitativa (em inglês, quantitative tightening), para isso, o tesouro irá reduzir o ritmo de venda dos títulos públicos a partir de junho, de 60 bilhões para 25 bilhões de dólares por mês.


Ainda sobre os Estados Unidos, os dados do mercado de trabalho trouxeram alívio para o mercado. O Nonfarm Payroll, considerado o principal relatório do mercado de trabalho dos EUA, veio consideravelmente abaixo das expectativas. O relatório trouxe a criação de 175 mil empregos em abril, ante 240 mil esperados, além de uma queda na variação acumulada em 12 meses dos salários e um crescimento na taxa de desemprego.


Já o relatório JOLTS, que traz a abertura de vagas no mercado de trabalho, também registrou dados abaixo das expectativas, com queda no número de empregos disponíveis de 8,8 milhões para 8,5 milhões.


No Brasil, a semana também foi marcada pela divulgação de dados de mercado de trabalho. O relatório CAGED registrou aumento no saldo líquido de 719 mil empregos no primeiro trimestre de 2024. No mesmo ritmo, a PNAD Contínua registrou queda na taxa de desemprego para 7,3% em março e atingiu o menor nível desde 2014. Os dados mostram que o mercado de trabalho continua apertado no Brasil, o que pode repercutir nos níveis de preços nos próximos meses.


A Moody’s, uma das principais agências de classificadoras de risco do mundo, alterou a perspectiva do Brasil de estável para positiva e manteve o rating de crédito da dívida em Ba2. No comunicado, a agência espera um crescimento real do PIB seja, em média, 2% em 2024-2025. A Moody’s seguiu a mesma linha da S&P e Fitch, que elevaram a classificação de crédito do país para estável no ano passado.


Na semana que passou, o governo central divulgou o resultado do primário, que registrou um déficit de R$ 1,5 bilhão em março, totalizando déficit de R$ 247,4 bilhões nos últimos 12 meses, o que representa, aproximadamente, 2,2% do PIB. Mesmo que tenha vindo acima das expectativas, o resultado não deve suficiente para o atingimento do resultado primário zero este ano.


Na zona do euro, os dados de inflação e PIB corroboram com o cenário de início de cortes nas taxas de juros para junho. A inflação teve crescimento de 0,6% no mês, enquanto seu núcleo caiu de 2,9% para 2,7%.






PERSPECTIVAS

Após os dados de atividade mostrarem certo alívio e a comunicação do Fed não sinalizar novos aumentos na taxa de juros, a curva de juros futura voltou a se fechar e manteve em aberto a possibilidade de início do ciclo de corte de juros ainda esse ano. No Brasil, o mercado de trabalho forte e o cenário fiscal se mantendo incerto trazem um sinal de alerta para a inflação, enquanto o mercado projeta uma taxa Selic terminal de 10,00%.


Nesta semana, o destaque será decisão de política monetária pelo Copom, na quarta-feira. Devido às incertezas fiscais e externas, a expecativa é que a decisão seja de desaceleração no ritmo de cortes para 0,25 p.p., reduzindo a taxa Selic para 10,50%. Além disso, o IPCA referente a abril será divulgada na sexta-feira, a expectativa do mercado é de aceleração contra o mês de março em função de reajustes em produtos farmacêuticos e combustíveis. Na agenda internacional, os destaques ficam para divulgações de indicadores econômicos na China e decisão de política monetária na Inglaterra.


Em nossa estratégia de Longuíssimo Prazo, recomendamos aumentar a exposição em Fundos IMA-B 5+, que podem trazer retornos reais, pois são protegidos da inflação. Além disso, a perspectiva fiscal do Brasil foi melhorada, com reformas estruturais aprovadas, como a reforma tributária, e o rating soberano do Brasil elevado, tudo isso contribui para um cenário mais estável e menos volátil. Importante notar que sua carteira teórica é composta por NTN-Bs com prazo acima de 5 anos e possuem uma parte pré-fixada, por isso, recomendamos cautela neste segmento, pois essa parte pré-fixada traz alta volatilidade para o fundo. Ainda no Longo Prazo, mantemos nossa recomendação de 10% de exposição em fundos deste segmento, como IMA-B.


Adicionalmente, aumentamos nossa recomendação para 10% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento. Com o ciclo de queda da Selic, fundos de renda fixa passivos terão mais dificuldades de obterem rentabilidade superior a meta de rentabilidade do RPPS, por isso, os fundos de gestão ativa podem apresentar alternativas atrativas para isso.


Para um horizonte de médio prazo, reduzimos nossa recomendação para 10% dos investimentos para fundos deste segmento. É importante diversificar dentro do índice, tendo uma exposição índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, atrelados a inflação. Além disso, neste cenário de queda na taxa de juros, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10%. Com o cenário de queda da Selic, os índices de curto prazo tendem a ser os primeiros a sentirem os efeitos da política monetária.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira. Além disso, o congelamento do prêmio, como muitas vezes é feito com taxas prefixadas e atreladas a inflação dentro das LFs, é recomendado em ciclos de queda de juros.


O cenário global terá nos próximos meses corte de juros em suas principais economias. A depender principalmente dos Estados Unidos, que ditará o ritmo de corte de juros ao redor do mundo e deve começar apenas em setembro, países dentro da Europa devem começar a flexibilização dos juros antes. Recomendamos uma exposição de 10% nos fundos de investimento no exterior, tanto os de Renda Fixa como os fundos de ações ou multimercado exterior. A CVM 175 também abrirá as portas para estes fundos, que agora poderão ser destinados a investidores gerais (sem Pró-Gestão no caso do RPSS) e com isso abre a oportunidade de dolarizar o patrimônio do RPPS.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável, mantendo a nossa recomendação de 20% de exposição.


Em relação aos Fundos Multimercado, recomendamos reduzir a exposição para 5% e alocar essa parcela em Fundos de Investimento Imobiliários (FII). O setor imobiliário é um setor que se beneficia da queda dos juros pois são muito dependentes de financiamento. Recomendamos uma exposição de 5% para este subsegmento.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












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