outubro, 2023

Nossa Visão 30/10/2023

RETROSPECTIVA

O dólar encerrou a semana com uma desvalorização de 0,43% em relação ao real, sendo cotado O dólar encerrou a semana com uma valorização de 0,35% em relação ao real, sendo cotado a R$ 5,01. O movimento acompanhou um alívio nos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos e ao avanço das cotações do petróleo. Enquanto isso, o índice Ibovespa encerrou a semana com uma alta de 0,13% na semana, atingindo 113.301 pontos. Isso é explicado pela repercussão negativa dos mercados em relação à fala de Lula (PT) sobre a meta fiscal do país. O presidente afirmou nesta sexta-feira (27) que “dificilmente” o governo alcançará a meta de déficit zero em suas contas em 2024.


A inflação parcial de outubro, medida pelo IPCA-15, veio com resultado acima do esperado, de 0,21% contra 0,20% que era expectativa do mercado. A alta não preocupa pois veio concentrada em itens voláteis, como passagem aérea. Se considerarmos o núcleo da inflação, tanto serviços quanto industriais, os resultados foram mais alentadores. Com isso, o Banco Central tem espaço para continuar com a queda da taxa Selic, apesar de cautela com o cenário global preocupante.


A Câmara dos Deputados aprovou na última semana o Projeto de Lei dos offshores e segue para o Senado Federal. As mudanças foram feitas de última hora, com a proposta de manter a mesma alíquota de 15% para investimentos offshore e fundos fechados e ainda um aumento de 6% para 8% a ser paga pelos detentores dos fundos na atualização dos ganhos acumulados.


No resultado primário do governo central, a arrecadação federal do brasil em setembro foi de 174 bilhões de reais, como era esperado pelo mercado, porém, com queda de 0,34% em comparação a setembro de 2022. A leve desaceleração da economia e uma queda nos preços das commodities foram a principal razão dessa queda da arrecadação. A expectativa é que a economia continue a desacelerar nos próximos meses, após um longo período de alta nos juros.


No cenário externo, a economia norte-americana continua surpreendendo e mostrando resiliência após a primeira versão do PIB avançar 4,88% no 3° trimestre de 2023, superando as expectativas de 4,5% do mercado. Ao abrir o resultado, podemos ver uma forte expansão de 4,6% nos gastos do governo, fator importante por trás do aumento das taxas de juros de longo prazo nos últimos meses. A perspectiva é que a economia sinta os impactos da alta dos juros nos próximos meses e que o crescimento do PIB no quarto trimestre já mostre uma desaceleração considerável.


No campo da inflação, o PCE subiu 0,3% em setembro em relação a agosto, em linha com as expectativas do mercado. A inflação de 12 meses está em 3,68%, distante da meta de 2,0%. Apesar de mostrar queda gradual, o estágio final do processo de desinflação se mostra mais complicado do que o previsto e o cenário de alta dos juros deve permanecer por mais tempo.


O Banco Central Europeu (BCE) optou por encerrar uma série de dez aumentos consecutivos nas taxas de juros, que teve início em julho de 2022. Nessa decisão, as taxas de juros inalteradas nos seguintes níveis: a taxa de refinanciamento em 4,50%, a taxa de depósitos em 4,0% e a taxa de empréstimos marginais em 4,75%. Em seu comunicado, o BCE indicou que a política monetária atual é suficientemente restritiva para alinhar a inflação com sua meta. No entanto, a presidente Christine Lagarde destacou que ainda existem margens para futuros aumentos, se necessário. Indicadores, como o PMI de outubro, destacam a desaceleração da atividade econômica na Europa e o aumento das demissões na região, evidenciando a ocorrência da economia às medidas restritivas.


Na China, os lucros industriais registraram alta de 11,9% a/a em setembro, sinalizando que os estímulos governamentais têm surtido efeito. No acumulado do ano, no entanto, ainda há uma queda de 9% frente a 2022. Na terça-feira, o parlamento do país aprovou a emissão de US$ 137 bilhões em bônus soberanos, a serem divididos entre 2023 e 2024, com o intuito a dar maior tração à atividade econômica. Vale ressaltar que as projeções para o crescimento do PIB da China em 2024 seguem abaixo da meta governamental de 5%.






PERSPECTIVAS

No cenário internacional, ao longo desta semana, teremos a divulgação dos índices PMI de outubro em países como China, Estados Unidos, zona do euro e Reino Unido. Os índices PMI refletem a opinião dos empresários sobre as condições econômicas e de negócios em seus respectivos países. Destacamos alguns dados importantes:


Na terça-feira, teremos a divulgação do índice de inflação ao consumidor de outubro e o resultado do PIB do terceiro trimestre na zona do euro. Na quarta-feira, será publicado o relatório JOLTS de setembro, que fornece informações sobre a abertura de vagas e a oferta de mão de obra nos Estados Unidos. Neste mesmo dia, o evento principal da semana será a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. A expectativa é que a taxa de juros de referência seja mantida em 5,5%. Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra (BoE) anunciará a sua decisão de política monetária para o Reino Unido. Por fim, na sexta-feira, o foco estará no relatório Nonfarm Payroll de outubro, que é o principal indicador de emprego na economia dos Estados Unidos.


No Brasil, a atenção se volta para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, na qual a maioria dos agentes do mercado espera uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, que passaria a ser de 12,25%. Além disso, a agenda econômica do país inclui uma série de indicadores de atividade econômica:


Na segunda-feira, o CAGED deverá mostrar um nível de desaceleração na geração líquida de empregos formais em setembro, em comparação com agosto (208 mil em vez de 220 mil). Na terça-feira, a PNAD Contínua provavelmente indicará uma ligeira redução na taxa de desemprego, de 7,8% para 7,7%. Em relação à produção industrial, na quarta-feira, as estimativas apontam para uma estabilidade em setembro em comparação com agosto (-0,1%) e um crescimento moderado na comparação anual (0,4%). Por fim, devido ao feriado de Finados, espera-se que o Congresso Nacional tenha uma agenda mais vazia nesta semana. Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.


Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas entre 10% e 15% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.


Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10% e 15%. Devido ao cenário de incertezas no exterior e a queda do juros aqui no Brasil, os segmentos de Curto Prazo estão ficando cada vez menos atrativos.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.


Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico, com inflação persistente e taxas de juros em patamares elevados, tantos os de curto quanto os juros de longo prazo (10 anos). Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 23/10/2023

RETROSPECTIVA

O dólar encerrou a semana com uma desvalorização de 0,43% em relação ao real, sendo cotado a R$ 5,03. O movimento acompanhou um alívio nos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos e ao avanço das cotações do petróleo. Enquanto isso, O índice Ibovespa encerrou a semana com uma queda de 0,74% na sexta-feira, atingindo 113.155 pontos, e recuo de 2,25% na semana. Explicado pela repercussão negativas dos mercados em relação aos dados da inflação dos Estados Unidos e pelos novos desdobramentos da guerra entre Israel e o Hamas, com a expectativa de ataques mais intensos no território palestino.


Foi divulgado durante a semana passada os resultados dos setores de serviços e varejo em relação ao mês de agosto. Com a receita real abaixo do esperado, o setor de serviços recuou 0,9% m/m com ajuste sazonal. Nas vendas no varejo ampliado, os resultados também foram abaixo do esperado, com queda de 1,3% m/m, enquanto o varejo restrito contraiu 0,2% m/m. Apesar dos resultados vierem um pouco abaixo do consenso de mercado, uma queda na atividade econômica era esperada.


O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) referente a agosto também foi divulgado na última semana. Com resultado levemente abaixo do esperado pelo mercado, -0,77% ante -0,6% no consenso de mercado. Foi o segundo mês de contração do IBC-Br, mostrando perda de fôlego a partir do segundo semestre após um primeiro semestre com resultados bem cima do semestre. O desaquecimento da economia pode ser explicado pelo alto patamar que a Selic esteve durante um período considerável. Essa desaceleração é mais clara no setor de serviços, porém, já começou a afetar o comércio e, por consequência, o consumo, onde as condições de crédito mais apertadas e o endividamento das famílias limitam as vendas.


A votação do Projeto de Lei de tributação de fundos offshore e exclusivos foi adiada para o dia 24, terça-feira. O relator do texto ainda deve apresentar mudanças em relação ao texto previamente apresentado.


A Petrobras anunciou na última quinta-feira, 19, uma redução de 4,1% no preço da gasolina e um aumento de 6,6% no preço do diesel. Os impactos destes reajustes devem ser baixistas na inflação de 2023, contribuindo para o IPCA convergir para a meta de 3,25%, com intervalo de tolerância de 1,5% para cima e para baixo.


No cenário internacional, o mundo observa atentamente a guerra entre o Hamas e Israel, além das movimentações de países vizinhos e dos Estados Unidos e quais serão os papeis dos mesmos no confronto. Por enquanto, os mercados não sofreram alterações abruptas em relação a guerra, com destaque ao preço do petróleo, que se voltar a escalar pode elevar os custos de produção e, por consequência, a inflação.


O mercado apresentou certa instabilidade na semana passada devido ao conflito entre Israel e Hamas e o potencial de escalar e envolver outros países da região. O principal ativo influenciado por esta instabilidade é o petróleo. O risco que envolve o aumento no preço do barril do petróleo e que um possível choque de oferta pode atrapalhar o combate à inflação que o mundo vem enfrentando.


As treasuries de 10 anos (T-note) voltaram a atingir altas recordes, fechando a sexta-feira em 4,93%, após falas do presidente norte-americano Joe Biden, mostrando despreocupação em relação ao déficit americano, que pode aumentar em razão da ajuda prometida pelo governo a Israel e à Ucrânia. A economia norte-americana segue mostrando sinais de resiliência, com mercado de trabalho aquecido e inflação acima da meta. Mesmo com os juros não subindo mais este ano, o cenário de alta deve permanecer por um longo período.


Na China, a economia começa a mostrar sinais de recuperação. Com PIB do terceiro trimestre acima do esperado (4,9% na variação anual), a atividade econômica reagiu bem aos estímulos do governo. Além do PIB, alguns resultados de atividade também foram divulgados, com surpresas positivas em relação a produção industrial (4,5% a.a), vendas no varejo (5,5% a.a) e nos investimentos em ativos fixos (3,2% a.a.), todos dados referentes a agosto. As taxas de empréstimos de 1 a 5 anos também foram mantidas na última reunião do Banco Central da China. Estes resultados aproximam a China a meta de crescimento anual, em torno dos 6% a.a.


Na argentina, a eleição presidencial teve seu primeiro turno durante o final de semana. Com 36% dos votos, o ministro da economia Sergio Massa vai disputar o segundo turno com Javier Milei, que avançou com 30% dos votos e era o favorito para disputar o segundo turno.






PERSPECTIVAS

Além da já destacada votação do PL da tributação de offshores e fundos exclusivos, a divulgação do IPCA-15 de outubro sairá na quinta-feira, no qual é esperado uma alta moderada em torno de 0,20%. Os setores de alimentação a domicílio, energia elétrica e em gasolina devem ter resultados negativos ou bem próximos do neutro. Além disso, a divulgação do setor externo na quinta e o resultado primário do governo central na sexta completarão a agenda de resultados.


Na agenda internacional, a primeira estimativa do PIB dos EUA do terceiro trimestre será o destaque da semana, enquanto o mercado esperar para avaliar a resiliência da economia norte-americana. O mercado também observará atentamente a divulgação da inflação medida pelo PCE, relativa a setembro. Estes dados são de suma importância para prever os próximos passos do FED.

Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.


Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas entre 10% e 15% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.


Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10% e 15%. Devido ao cenário de incertezas no exterior e a queda do juros aqui no Brasil, os segmentos de Curto Prazo estão ficando cada vez menos atrativos.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.


Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico, com inflação persistente e taxas de juros em patamares elevados, tantos os de curto quanto os juros de longo prazo (10 anos). Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 16/10/2023

RETROSPECTIVA

O dólar encerrou a semana com uma desvalorização de 1,41% em relação ao Real, sendo cotado a R$ 5,08. Enquanto isso, O índice Ibovespa encerrou a semana com uma queda de 1,11% na sexta-feira, atingindo 115.754 pontos, e alta de 1,39% na semana. Isso aconteceu devido aos mercados repercutiram de maneira negativa os dados da inflação dos Estados Unidos e pelos novos desdobramentos da guerra entre Israel e o Hamas, com a expectativa de ataques mais intensos no território palestino.


O IPCA referente ao mês de setembro registrou alta de 0,26%, abaixo da expectativa do mercado (0,33%). Foi destaca a redução na inflação de serviços, caracterizada pelo BC como o “segundo estágio” de desinflação. Os setores de bens industriais e alimentos registraram uma deflação, o que reforça uma perspectiva positiva em relação a queda gradual da inflação no Brasil, porém ainda não suficiente para alterar o ritmo de redução de 0,50 pontos percentuais na taxa Selic. Os eventos recentes de escala global, especialmente a situação na região do Oriente Médio e a política monetária dos Estados Unidos, desempenharão um papel crucial nas próximas decisões do banco central.


O mercado apresentou certa instabilidade na semana passada devido ao conflito entre Israel e Hamas e o potencial de escalar e envolver outros países da região. O principal ativo influenciado por esta instabilidade é o petróleo. O risco que envolve o aumento no preço do barril do petróleo e que um possível choque de oferta pode atrapalhar o combate à inflação que o mundo vem enfrentando.


Outro ponto a destacar foi o juros futuros americanos caindo na última semana. Após atingir alta história e pressionarem os ativos globais, as treasuries de 10 anos tiveram uma queda significativa após algumas falas de representantes do Fed nos Estados Unidos. Em suas falas, os membros do Fed comentaram que mais importante que subir os juros é mantê-los em patamar elevado por um tempo considerável e que o aumento dos juros futuros de longo prazo pode reduzir a necessidade de nova alta. Com essa queda, os mercados globais puderam se recuperar e, no Brasi, o real voltou a se fortalecer perante o dólar e a bolsa se recuperou das quedas do início do mês de outubro.


Os dados de inflação norte-americano, o CPI, também foram divulgados na última semana. Com avanço de 0,4% no consolidado, ligeiramente acima do esperado (0,3%), e 0,3% no núcleo, os dados mostraram que o processo de desinflação permanece e que a inflação deve permanecer acima da meta dos 2% por um período significativo.


Na China, também foram divulgadas leituras sobre inflação e concessão de crédito pelos bancos. O índice de preços ao consumidor (CPI) permaneceu estável em setembro, na comparação anual, enquanto a inflação ao produtor (PPI) recuou 2,5% na mesma base de comparação. Em relação a política monetária, a concessão de novos empréstimos por bancos chineses subiu em setembro, bem acima da leitura de agosto, atingindo agora a marca de 2,31 trilhões de yuans, o correspondente a US$ 316,31 bilhões, porém, ainda abaixo do que o mercado esperava.






PERSPECTIVAS

No Brasil, os destaques da semana serão os dados de agosto referentes ao volume de serviços, na terça-feira, varejo, na quarta-feira, e atividade econômica (IBC-Br, quinta-feira). No cenário político, o mercado estará atento à possível votação do PL da tributação de offshores e fundos exclusivos.


Na agenda internacional, em termos de mercados, será crucial acompanhar a evolução das Treasuries americanas e dos preços do petróleo. Quanto às divulgações econômicas nos EUA, os dados de vendas no varejo de setembro serão publicados na terça-feira. Na China, na terça-feira à noite, serão divulgados o PIB do terceiro trimestre, além da produção industrial e das vendas no varejo de setembro. Já na quinta-feira, também à noite, o Banco Central Chinês realizará sua reunião de política monetária.


Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.


Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas entre 10% e 15% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.


Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição entre 10% e 15%. Devido ao cenário de incertezas no exterior e a queda do juros aqui no Brasil, os segmentos de Curto Prazo estão ficando cada vez menos atrativos.


Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.


Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico, com inflação persistente e taxas de juros em patamares elevados, tantos os de curto quanto os juros de longo prazo (10 anos). Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 09/10/2023

RETROSPECTIVA

O dólar encerrou a semana com uma valorização de 2,2% em relação ao Real, sendo cotado a R$ 5,15. Enquanto isso, o índice Ibovespa encerrou a semana com uma queda de 2,1%, atingindo 114.170 pontos. Isso aconteceu devido às solicitações renovadas pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, de que pretende manter as taxas de juros elevadas por um período mais prolongado, mesmo já estando em níveis não vistos em 22 anos.


Federal Reserve está enfrentando uma batalha prolongada contra a inflação nos Estados Unidos, que atingiu 3,7% nos últimos 12 meses, superando a meta da instituição, que é de 2%. Além disso, o mercado de trabalho nos EUA permanece aquecido, continuando a criar mais empregos do que as projeções indicam. Isso coloca mais dinheiro nas mãos da população e exerce pressão adicional sobre os preços.


Os números mostram que o número de novos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos aumentou na semana passada, ao passo que as demissões diminuíram em setembro, diminuindo que as condições no mercado de trabalho permaneçam no final do terceiro trimestre.


IGP-DI de setembro veio acima da expectativa do mercado, com 0,45% de alta, ante 0,05% em agosto. A maior alta foi dada pelo IPA industrial após os preços do minério de ferro dispararem no mês de setembro e registrarem alta de 1,52%. Os resultados da Pesquisa Industrial Mensal vieram tímidos, com um avanço de 0,4% em agosto ante julho, abaixo do consenso de mercado (0,5%). Após recuo de 0,6% em julho, essa evolução abaixo do esperado demonstra que as condições monetárias se mantêm apertadas e o grau de endividamento das famílias continuam a pesar no setor industrial.


A semana foi marcado pelos dados de emprego ao redor do mundo. No Brasil, o relatório CAGED veio acima do esperado, com a criação de mais de 220 mil vagas formais no mês de agosto. O setor de serviços contribuiu para essa alta, com a criação de 66 mil vagas, ante 58 mil em agosto. Os dados mostraram mais uma vez a resiliência da atividade doméstica e no mercado de trabalho.


Nos EUA, destaques para os relatórios Jolts e o Nonfarm Payroll. Após quedas em junho e julho, o Jolts registou aumento no número de vagas abertas (de 8,9 milhões para 9,6 milhões). A surpresa veio no Nonfarm Payroll, o principal relatório do mercado de trabalho nos EUA, com a criação de 336 mil novos empregos, quase o dobro da expectativa do mercado (170 mil). A taxa de desemprego permanece baixa, em 3,8% e o número de vagas abertas permanece 50% acima do número de pessoas de desempregados. Enquanto isso, os juros dos títulos americanos continuaram subindo, reforçando a mensagem do FED de que a política monetária restritiva permanecerá por um longo tempo.


Os dados de empregos foram impulsionados pelo forte setor de serviços, que, apesar de recuo no ISM PMI de Serviços de 54,5 em agosto para 53,6 em setembro, o setor permanece forte com uma boa margem no campo de expansão. Enquanto isso, o PMI Composto na Zona do Euro permanece no campo de contração pelo quarto mês consecutivo. Os dados, apesar de serem contrários, estão de acordo com a política monetária de cada um deles: nos EUA, os dados mostram expansão e o Fed mantém a política monetárias contracionista, enquanto na Zona do Euro o BCE já sinalizou fim da alta dos juros, enquanto a atividade econômica permanece desaquecida.


Após a guerra declarada entre Israel e Hamas, os mercados serão estressados durante a semana e terá efeitos importantes principalmente no preço do petróleo, pois a região da guerra é colada com grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar, além de Israel e o barril pode chegar aos 100 dólares no curto prazo e pode ter efeitos inflacionários ao redor do mundo. No Brasil, a deterioração das expectativas de inflação e depreciação do câmbio pode reduzir o espaço do Banco Central para cortes na Selic.






PERSPECTIVAS

A agenda será tímida para divulgação de indicadores. Nos EUA, a ata do FOMC será divulgada dia 12, quinta-feira. No mesmo dia, a inflação ao consumidor referente a setembro também será divulgada. Estas divulgações são importantes pois poderão reforçar uma política monetária mais restritiva por parte do FED, assim como recalibrar as perspectivas para a taxa de juros americana no longo prazo.


No Brasil, agenda também está tímida, com feriado nacional no dia 12. Com destaque para a divulgação do IPCA de setembro, na quarta-feira, 11. A expectativa do mercado é alta de 0,37% e deverá ser pressionado por itens de preços administrados, em especial a gasolina, após os recentes ajustes feitas pela Petrobras.


As Bolsas chinesas retomam as operações após o período de inatividade durante os festejos da “Semana Dourada”, e a agenda de indicadores econômicos está cheia. As principais atenções se voltam para a quarta-feira, 11, quando serão divulgados os dados referentes ao volume de empréstimos realizados em setembro. Na quinta-feira, serão anunciados os índices de inflação de setembro: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice de Preços ao Produtor (IPP). Por fim, na sexta-feira, teremos a divulgação da balança comercial chinesa de setembro. O consenso do mercado antecipa um superávit de US$ 70 bilhões, mas com uma redução anual de 6% nas importações e de 8,3% nas exportações.


Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.


Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas de até 15% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.


Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugerimos realizar uma saída gradual até que o RPPS atinja uma exposição de 10%. Devido ao cenário de incertezas no exterior e a queda do juros aqui no Brasil, os segmentos de Curto Prazo estão ficando cada vez menos atrativos.
Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, principalmente as letras financeiras, até atingir uma alocação de 15%. As letras financeiras oferecem taxas que superam, em sua maioria, as metas atuariais dos RPPS e com prazos de até 10 anos, oferecem alternativas atrativas para diversificação de carteira.


Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico, com inflação persistente e taxas de juros em patamares elevados, tantos os de curto quanto os juros de longo prazo (10 anos). Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












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