RETROSPECTIVA
Ao passo que o Brasil foi um dos primeiros países a iniciarem o ciclo de aperto monetário, também foi um dos primeiros países a iniciar o ciclo de corte de juros. Enquanto isso, a maior parte dos países desenvolvidos tardaram um pouco mais e foram mais resilientes na manutenção dos juros em níveis estimulantes no período imediato pós pandemia. Porém a história nos conta o resultado gerado por medidas tão estimulantes adotadas monetariamente.
Ao longo de todo o ano, vimos a discussão inflacionária sendo a pauta principal de batalha dos bancos centrais, e a maioria das grandes autoridades monetárias trazem consigo uma missão e um foco de aperto monetário e controle da inflação de volta trilhos que não se via a anos.
E após constantes altas das taxas básicas de juros ao redor do mundo, o mercado por um todo se pergunta se já chegamos no topo dessa escalada, podendo traçar táticas de acordo com essa estabilização de juros ou eventualmente iniciação de ciclos de corte da mesma.
Para tanto, pelo que vem sendo apresentado, estamos chegando no fim do ciclo de alta do aperto de juros nas principais economias mundiais, ou até mesmo, iniciação de um ciclo de corte de juros.
Pela ordem cronológica dos acontecimentos, na terça feira 19, o Banco Popular da China (PBOC) manteve a taxa de juros com vencimento de 1 ano no patamar de 3,45% após o corte de 10 pontos base realizado no dia 21 de agosto. Em paralelo, a taxa utilizada para os empréstimos, e principalmente hipotecas, de 5 anos, foi mantida em 4,2% ao ano. Para o mercado, paira a sensação da preocupação quanto a volatilidade da moeda local, o yuan chinês.
Por sua vez, na famosa “super quarta” de 20 de setembro, tivemos o Federal Reserve realizando uma manutenção da sua taxa básica entre 5,25% e 5,5%. Essa manutenção sinaliza para o mercado que estamos muito próximos, ou que já atingimos o pico de aperto monetário. A partir do comunicado realizado, ficou enfatizado o compromisso de trazer a taxa de inflação para a meta dos 2%, portanto, entendemos que essa taxa de juros pode permanecer nesse patamar por um tempo considerável.
Já o Banco Central do Brasil agiu de acordo com o consenso de mercado ao cortar mais 50 pontos base a taxa Selic. Em nota, foi reforçado a ainda preocupação com o núcleo inflacionário do exterior que permanece ainda resiliente. Já no Brasil, a projeção da inflação para 2023 e nos dois anos subsequentes se encontram por volta de 4,9%, 3,9% e 3,5%, respectivamente.
Outro ponto crucial que voltou a ganhar destaque em nota, foi o compromisso do alinhamento fiscal bem ancorado, para o direcionamento da política monetária nacional.
Ainda tratando da nota divulgada, ganhou holofotes do mercado a menção de corte de juros de mesma proporção para as próximas reuniões, [no plural], para o fomento econômico e manutenção da inflação em patamares dentro da meta.
Na quinta feira, o Banco Central da Inglaterra decidiu sob votação acirrada, manter a taxa básica de juros em 5,25% ao ano, a maior dos últimos 15 anos. A votação, conforme divulgado, ficou em 5 (manutenção de juros) contra 4 (elevação de 25 pontos base). Através do comunicado, o tom refletiu a percepção de uma inflação que sinaliza conversão para a meta, além de um razoável desaquecimento do mercado de trabalho. A preocupação com o setor de energia começa a se tornar menos foco das discussões, enquanto o setor de serviços ainda se mantém dentro do radar no curto prazo.
E para fechar a agenda da semana, o Banco Central do Japão (BoJ) também manteve a taxa de juros de curto prazo ainda em patamar negativo, em -0,1% ao ano, enquanto a taxa de longo prazo (10 anos) permanece ainda em 0%. A frouxa política monetária inevitavelmente possui efeitos inflacionários, que registraram no último mês um aumento de 3,1% dos preços, superior à meta de 2%. Ainda assim, os líderes de política monetária demonstram uma boa tolerância de convivência com a inflação em graus elevados.
A semana será repleta de divulgações importantes, tanto no Brasil como no cenário internacional. Após as decisões de política monetária ao redor do mundo, teremos a divulgação de dados de emprego, inflação, atividade econômica e resultados fiscais aqui no Brasil. Na terça-feira será divulgado o IPCA-15, que deve acelerar em relação ao último mês devido ao reajuste dos combustíveis dado pela Petrobrás. Além do IPCA-15, a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), será divulgado na quinta-feira, que mostrará o impacto dos juros ao redor do mundo em nossa economia, além do nível de atividade doméstica (hiato do PIB). Ainda no campo de inflação, a FGV divulgará o IGP-M de setembro, na quinta-feira.
O mercado aguarda atentamente a divulgação da Ata do Copom, na terça-feira, que pode minar as chances de uma possível queda de 0,75 p.p. até o fim do ano. Em relação ao mercado de trabalho, a divulgação do CAGED (quinta-feira) e do PNAD Contínua (sexta-feira) devem apresentar um leve aumento na geração novas vagas e um redução modesta na taxa de desemprego, esses dados são essenciais para medir o nível de atividade econômica. Por fim, a agenda ainda trará os resultados do setor externo (segunda-feira), resultados fiscais de déficit primário para o governo central (quinta-feira) e do setor público consolidado (sexta-feira), com estimativas de aumento do déficit em ambos os casos.
RETROSPECTIVA
A bolsa fechou nesta com baixa de 0,53% nesta sexta-feira feira, após altas consecutivas, encerrando o pregão aos 118.865 pontos. Enquanto na semana a alta foi de 2,99%. O mercado reagiu bem aos dados positivos abaixo do esperado no campo da inflação com o IPCA e os dados de atividade econômica positivos nos setores de serviço e varejo. O dólar encerrou a semana em queda de 0,03% na sexta, aos R$ 4,87, reagindo aos resultados positivos de dados econômicos divulgados pela China.
O resultado do IPCA surpreendeu positivamente o mercado, com uma variação mensal de 0,23% (expectativa era de 0,28%). Como já era esperado, o grupo de habitação teve alta de 1,11%, devido à alta na energia elétrica residencial com o fim dos descontos da Hidrelétrica de Itaipu. Além disso, o preço dos combustíveis teve uma alta, com reajuste da gasolina pela Petrobrás, junto com o preço dos automóveis novos, devido aos efeitos do fim do programa de incentivo do governo, os preços estão em patamares acima do período pré-programa. Já a surpresa baixista veio no setor de alimentação, principalmente os alimentos de domicílio, como as proteínas e os alimentos à base de trigo, ainda baixos por efeitos da supersafra do primeiro semestre. Considerando o núcleo da inflação, excluindo combustíveis e alimentação, a média está desacelerando gradualmente, o que condiz com a política monetária do Banco Central. Para a próxima reunião do COPOM, a expectativa ainda é de corte de 0,5% da Selic, mesmo com o IPCA abaixo do esperado, com desaceleração do núcleo.
Ainda no Brasil, tivemos a divulgação das receitas no setor de serviços e as vendas no varejo. O setor de serviços surpreendeu com alta real de 0,5% em julho ante junho e de expansão de 3,5% em relação a julho de 2022, mostrando um crescimento contínuo, com uma desaceleração gradual ao longo de 2023. As vendas no varejo ampliado recuaram 0,3% em julho ante junho, porém, se olharmos as vendas no varejo restrito, o resultado veio com alta de 0,7%, após três leituras ruins. A expectativa é de redução tanto no setor de serviços quanto nas vendas no varejo devido à uma queda na renda disponível.
No cenário internacional, foi divulgado na última quarta-feira o índice de preços ao consumidor (CPI em inglês) no Estados Unidos, com alta de 0,63% m/m para agosto e variou de 3,18% em julho para 3,67% em agosto. O resultado veio dentro do que o mercado esperava (0,6%) e a principal alta do índice veio nos combustíveis, com um reajuste devido a crescente dos preços do petróleo global. Mesmo essa alta no índice, se considerarmos o valor apenas do núcleo (excluindo setores voláteis de alimentação e energia) o resultado cedeu de 4,65% para 4,35%, mostrando um processo de desinflação coerente com a política monetária do FED. Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI), avançou acima da expectativa do mercado. O resultado foi de 0,7% em agosto em relação ao mês de julho, enquanto o esperado era de 0,4%. Mesmo se considerarmos somente o núcleo, o avanço foi de 0,3%, ainda acima da previsão do mercado de 0,2%. Com CPI abaixo e o PPI acima do esperado, a expectativa é que a o FED anuncie manutenção na taxa de juros na próxima reunião do FOMC.
O Banco Central Europeu (BCE), decidiu nesta última quinta-feira, 14, aumentar em 25 pontos base suas três principais taxas de juros: as taxas de juros de refinanciamento, as de cedência de liquidez e as permanentes de depósito serão aumentadas para 4,50%, 4,75% e 4,00%, respetivamente, com efeitos a partir de 20 de setembro de 2023. Segundo o comunicado, se as taxas forem mantidas por um período suficientemente longo, essa pode ser a última alta. A inflação, apesar de ter começado a mostrar sinais de desaceleração, está no momento e se espera que fique em patamares bem acima da meta de 2% ao longo desse ano. Por isso, o BCE revisou suas projeções de inflação média para 5,6% em 2023, 3,2% em 2024 e 2,1% em 2025, o que representa uma revisão em alta para 2023 e 2024 e uma revisão em baixa relativamente a 2025. Além disso, o BCE revisou as projeções de PIB para baixo: 0,7% em 2023, 1,0% em 2024 e 1,5% em 2025.
Na China, o horizonte começa a ficar mais positivo, com os estímulos governamentais começando a dar resultados. A produção industrial subiu 3,7% em agosto diante julho, enquanto as vendas no varejo tiveram alta de 4,6%. Esses foram os dados mais positivos desde maio deste ano, mostrando que a retomada da economia chinesa está cada vez mais forte. Os efeitos disso puderam ser sentidos nas bolsas ao redor do mundo, além de um impacto positivo nas commodities.
Essa semana terá destaque a nossa taxa de juros, a Selic, com reunião do Copom na próxima quarta-feira, às 18h30. A visão do mercado é praticamente unânime de queda de 0,5% para 12,75%. Havia uma certa expectativa de aumento no ritmo de queda, para 0,75%, porém, após a divulgação dos dados de inflação e emprego virem em linha com esperado, isso provavelmente não acontecerá nessa, mas já existem casas prevendo esse corte em dezembro. Tão importante quanto a decisão do Copom, é o comunicado divulgado após, pois é lá que o Banco Central informa os próximos passos da política monetária. Além da chamada super quarta, o BC vai divulgar na terça-feira, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), indicador importante para antecipar o resultado do PIB, a expectativa é uma alta de 1,3%.
Nos EUA, a semana também será marcada por decisão de política monetária, com reunião do FOMC, também na quarta-feira, as 15h. O mercado espera o fim das altas e manutenção da taxa básica de juros, após dados de emprego, atividade econômica e inflação vierem dentro do esperado (e até menor que o esperado em alguns aspectos). Na próxima quarta-feira, na Europa, teremos a divulgação da leitura final do índice de inflação de agosto. Além disso, na sexta-feira, os índices PMI, importantes indicadores para medir o nível de atividade econômica no país, serão divulgados em diversas economias, incluindo nos Estados Unidos, Reino Unido e países da Zona do Euro. Já na China, o cenário é parecido com EUA e Brasil, com reunião do Banco Central na terça-feira à noite.
Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.
Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas de até 10% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.
Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.
Quanto à exposição de curto prazo, sugere-se investir integralmente 15% em fundos vinculados ao CDI e ao IRF-M1. Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, como Letra Financeira e CDB, até atingir uma alocação de 15%.
Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico e a expectativa de estabilização da taxa de juros nos Estados Unidos. Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVA
Nesta semana do dia 04 de setembro, a divulgação dos PMI’s (Purchasing Managers’ Index) ao redor do mundo tomou os holofotes. Na economia Chinesa, foi divulgado o PMI de serviços de agosto que chamou atenção pela queda para os 51,8 pontos versus 54,1 de julho, uma queda que reforça o discurso de uma desaceleração da gigante asiática que ainda não mostrou completo êxito em sua política de estímulos governamentais.
Na zona do Euro, os dados do PMI composto de agosto do continente chamaram atenção, revelando uma surpresa negativa ao registrar 46,7, em contraste com os 48,6 de julho. Especial destaque vai para o desempenho da Alemanha, que apresentou uma queda significativa, passando de 48,5 em julho para 44,6 em agosto, no mesmo indicador. [Vale relembrar que o indicador no patamar de 50 pontos indica expectativa de crescimento no respectivo setor (industrial, serviços, ou composto)].
Já na maior economia do planeta, os Estados Unidos, o famoso Livro Bege, relatório que traz uma síntese da situação econômica dos distritos americanos, informou que há uma corrente desinflacionária em curso, porém ainda com pressão positiva sob o aumento dos salários, o que entendemos ser um fator sensível para movimentos futuros de taxa de juros americanas, uma vez que o mercado de trabalho possui uma correlação forte com as direções inflacionárias de sua área de impacto direto, neste caso, a própria economia americana. Ainda que tenha sido um aumento “modesto” no nível de atividade econômica, o mercado ainda está dividido em relação a decisão do FED em relação a pausa no ciclo de aperto monetário.
A sondagem ISM de agosto indicou aceleração nos serviços, com índice de 54,5 pontos, crescendo 1,8 pontos. Já a manufatura, com 47,6 pontos, permaneceu em território contracionista pelo décimo mês consecutivo, apesar de estar mais próxima do nível neutro. No geral, os dados apoiam a perspectiva de uma desaceleração suave na economia dos EUA, com a manufatura desacelerando e os serviços mostrando maior resistência.
Por sua vez, como citado, na semana mais curta aberta do dia 04 de setembro de 2023, chamou atenção do mercado a projeção de crescimento econômico divulgado pelo Banco Central na segunda feira da semana anterior, que revisou a projeção do PIB de 2023 para cima para o patamar de 2,56%, revisão essa gerada majoritariamente por conta do PIB do 2T23 de 0,9% divulgada pelo IBGE, que surpreendeu positivamente por conta da supersafra que tivemos no trimestre anterior.
É válido também mencionar o já citado PMI nacional, que no mês de agosto, registrou aumento de expectativas tanto no setor de serviços (50,6 agosto versus 50,2 julho), quanto no setor industrial (50,1 agosto versus 47,8 julho) e no composto (50,6 agosto versus 49,6 julho).
A Fundação Getúlio Vargas realizou também a publicação do Índice Geral de Preços (IGP-DI) do mês de agosto no patamar de 0,05%. Em comparação, o mês de julho registrou uma taxa de -0,4%, com isso, o indicador acumula uma deflação de -5,30% no ano, e de -6,91% em 12 meses. Segundo a publicação da instituição, o que permitiu essa modesta elevação do índice foi o reajuste do preço do diesel e da gasolina.
A semana será intensa em relação a divulgação de indicadores. No Brasil, o mais aguardado é o IPCA referente ao mês de agosto, que será divulgado na próxima terça-feira. A expectativa é um aumento de 0,28% em relação ao mês de julho depois de meses consecutivas com valor bem abaixo da média (-0,08% em junho e 0,12% em julho). A alta de agosto será dada principalmente pelo fim do desconto dado pela Usina Hidrelétrica de Itaipu, que afetará fortemente o grupo de Habitação dentro do índice.
Além do IPCA, o mercado aguarda a divulgação dos dados de julho no setor de serviços e varejo, referentes a julho, que serão publicados na quinta e sexta-feira, respectivamente. Esses resultados serão importantes para medir o nível de atividade econômica no país e qual será o ritmo do BC no corte dos juros. Inflação abaixo da expectativa e os resultados dos setores de serviço e varejo baixos podem indicar um aumento no ritmo, de 0,5% para 0,75%.
No cenário internacional não será diferente no quesito divulgação de resultados. Nos EUA, o mercado aguarda atentamente os dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) na quinta e sexta-feira respectivamente. Estes serão os últimos resultados antes da reunião do FED dia 20 de setembro e podem recalibrar os próximos passos da política monetária. Uma inflação abaixo do esperado pode indicar o fim da alta dos juros, enquanto o FED pode aumentar ainda mais a taxa de juros em caso de um resultado acima do esperado, conforme já foi dito pelo presidente do FED, Jerome Powell.
Na Europa o panorama é semelhante ao norte-americano, que aguarda a divulgação de sentimento econômico na terça-feira, dos dados de produção industrial na quarta que serão relevantes para a próxima reunião do BCE (Banco Central Europeu) na quinta. Além desses, o resultado da balança comercial será divulgado na sexta-feira. Já na China, a expectativa vem para indicadores importantes de atividade econômica, principalmente em relação ao mercado imobiliário. Dados de empréstimos, financiamentos, hipotecas e de preços de imóveis serão divulgados ao longo da semana. A divulgação da produção industrial, vendas no varejo e taxa de desemprego serão observados pelo mercado para avaliar o desempenho da economia chinesa, que está abaixo do esperado no ano de 2023.
Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.
Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas de até 10% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.
Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.
Quanto à exposição de curto prazo, sugere-se investir integralmente 15% em fundos vinculados ao CDI e ao IRF-M1. Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, como Letra Financeira e CDB, até atingir uma alocação de 15%.
Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico e a expectativa de estabilização da taxa de juros nos Estados Unidos. Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.
RETROSPECTIVA
Graças a grande alta de 1,86% registrada na sexta feira, dia 1 de setembro, o Ibovespa fechou a semana com alta de 0,86%, aos 117.892. O mês de agosto foi difícil para a Bolsa, que apresentou queda de 5,09%, este desempenho negativo do principal índice da B3 pode ser explicado pela incerteza fiscal em relação a capacidade do governo de cumprir suas metas de superávit primário, resultados abaixo do esperado de empresas que compõe o índice, além da decepção da economia chinesa após sua reabertura. Por outro lado, o mês de setembro começou muito positivo, com alta de 1,86%, que pode justificada pela surpresa positiva do PIB brasileiro e dados do mercado de trabalho nos EUA em ritmo menos acelerado. O dólar fechou a semana em alta de 1,53% e chegou aos R$4,97, permanecendo próximo a casa dos R$ 5,00.
Nesta última semana, a divulgação do PIB do 2T surpreendeu grande parte do mercado, com alta de 0,9%. A alta do PIB foi puxada principalmente pelos setores de agropecuária (alta de 17% a/a) e da indústria (1,5% a/a), que podem ser explicados ainda pela safra recorde, principalmente da soja, e pelo bom desempenho de empresas ligadas a extração de minerais. O mercado deve revisar para cima suas projeções para o PIB total e seus componentes após esse resultado positivo.
Em relação aos dados de emprego no Brasil, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgou as vagas de trabalho formais abertas em julho, 142.702 vagas. Em relação ao desemprego, o PNAD divulgou recuo na taxa de ocupação no trimestre encerrado em julho para 7,9%, a menor taxa para período desde 2014. Estes resultados demonstram uma resiliência do mercado de trabalho brasileiro, com crescimentos de vagas, tanto no setor formal quanto no informal, assim como aumento do salário real efetivo.
O cenário fiscal preocupa no Brasil, o resultado primário do governo central apresentou déficit de R$ 35,9 bilhões (maior que o esperado) e registou o 2° maior resultado para o mês desde o começo da série histórica. No ano, o déficit é de R$ 78,2 bilhões e no acumulado de 12 meses, R$ 97 bilhões (0,9% do PIB). Esses números tendem a aumentar na medida que a economia desacelere, pois, ainda que o Banco Central tenha abaixado a taxa de juros na última reunião, o Brasil ainda é o país com a maior taxa de juros real do mundo. Apesar do resultado negativo, a meta do governo permanece sendo um déficit 1,0% do PIB em 2023.
Ainda sobre o cenário fiscal, o governo apresentou nesta última semana o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024, com meta de zerar o déficit primário. Para isso, o projeto apresentou diversas medidas de arrecadação: taxação de fundos exclusivos; projeto de lei para restabelecer o voto de qualidade pró-governo no CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais); mudanças nos cálculos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); fim da dedutibilidade dos juros sobre capital próprio (JCP); entre outras. Mesmo com tais medidas apresentadas, ainda resta a dúvida se serão suficientes para suprir o aumento de gastos. O mercado estima que estas medidas tem um potencial de arrecadação de 85 bilhões de reais, enquanto o aumento de gastos deve ser de no mínimo, 160 bilhões de reais.
A semana internacional foi recheada de indicadores importantes, principalmente nos EUA, onde era esperado os dados de emprego para avaliar os próximos passos da política monetária do FED. O relatório JOLTS registrou uma queda no número de vagas em aberto, de 9,2 milhões para 8,8 milhões, nível mais baixo apresentado desde abril de 2021. O destaque foi para o relatório Nonfarm Payroll, que apresentou um aumento na taxa de desemprego, uma redução na geração de novas vagas, além de um leve aumento nos salários e na participação no mercado de trabalho. A boa notícia, apesar de contraditória, é o aumento no desemprego, pois esta desaceleração gradual no mercado de trabalho é de extrema importância para o fim do ciclo de aperto monetário.
Outro destaque na economia dos Estados Unidos foi a divulgação do deflator de consumo (core PCE) do mês de julho. O resultado foi de 0,22%, consistente com os últimos meses e mostrando um processo de desinflação importante que, juntamente com o afrouxamento do mercado de trabalho e queda na atividade econômica, são essenciais para Fed encerrar o ciclo de alta nos juros e começar a considerar cortes.
Na Zona do Euro, a taxa de inflação registrou um aumento de 0,6% em agosto em relação ao mês anterior, superando as expectativas, enquanto a taxa anual permaneceu estável em 5,3%. O aumento foi dado principalmente pelos índices voláteis, por outro lado, o núcleo da inflação teve um aumento de 0,3% no mês, e sua taxa anual caiu de 5,5% em julho para 5,3% em agosto. O processo de desinflação na zona euro está em andamento, embora continue a ocorrer lentamente, especialmente devido à persistência do crescimento salarial elevado, com isso, a expectativa é mais uma alta na taxa de juros para a próxima reunião em setembro.
Na China, a economia começa a mostrar sinais de recuperação após diversos estímulos anunciados pelo governo. O PMI industrial apresentou aumento e foi de 49,3 em julho para 49,7 em agosto, o resultado, embora ainda esteja abaixo dos 50, é um bom indício de uma possível retomada do crescimento econômico. O PMI não-manufatura apresentou queda este mês, indo de 51,5 em julho para 51 em agosto, resultado abaixo do esperado devido ao fraco desempenho de serviços. Os estímulos por parte do governo chinês estão concentrados principalmente no setor de construção e crédito, com isso, a expectativa é uma melhora gradual no setor imobiliário, que é justamente o que vem sofrendo mais nesse 2023.

No Brasil, a semana será mais curta devido ao feriado da independência na quinta-feira. Com destaques para dados de inflação ao atacado com IGP-DI para agosto, na quarta-feira e a divulgação da produção industrial de julho, na terça-feira. Em relação ao IGP-DI, a expectativa é que apresente uma leve alta após 5 meses de deflação, sobre a produção industrial deve trazer aumento considerando os segmentos de mineração/extrativismo e do setor de manufatura.
Na agenda internacional, também será tímida em relação a divulgação de indicadores. Nos EUA, a expectativa é da divulgação dos números da Balança Comercial do mês de julho e do Livro Bege (relatório sobre as atuais condições econômicas em cada um dos 12 distritos dos EUA em que o banco central está presente, ambos na quarta-feira. Além disso, a divulgação do índice PMI nos Estados Unidos, zona do euro e no Reino Unido ao longo da semana também serão importantes. Na China, os mercados ficarão atentos os resultados do comércio exterior na quinta-feira e a inflação ao consumidor e ao produtor na sexta-feira, todos estes referentes ao mês de agosto.
Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.
Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas de até 10% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.
Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.
Quanto à exposição de curto prazo, sugere-se investir integralmente 15% em fundos vinculados ao CDI e ao IRF-M1. Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, como Letra Financeira e CDB, até atingir uma alocação de 15%.
Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico e a expectativa de estabilização da taxa de juros nos Estados Unidos. Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.
Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.
Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.


