agosto, 2023

Nossa Visão 29/08/2023

RETROSPECTIVA

O principal índice da bolsa de valores B3 em São Paulo, o Ibovespa, andou de lado na última semana, fechando o pregão desta sexta-feira com baixa de 1,02% e encerrando a semana com alta de 0,37%. No mês, o Ibovespa apresenta variação de -4,46%, baixa significativa puxada por indefinição política e uma saída do capital estrangeiro, antecipando o corte de juros do Banco Central para uma possível “realização de lucro”. O dólar fechou nesta sexta-feira com queda de 0,19%, em R$ 4,871, reagindo ao tom mais contracionista do discurso de Jerome Powell, presidente do FED, dado no simpósio Jackson Hole, na última sexta-feira.


Nesta última semana, foi aprovado depois de muita discussão no Congresso, o texto final do arcabouço fiscal. O texto passou por mudanças no Senado que foram avaliadas na Câmara dos Deputados, dentre as principais mudanças, podemos destacar a decisão de manter de fora do limite de gastos o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e a exclusão de outras medidas como os gastos com ciência, tecnologia e inovação. Essas mudanças deverão ser acompanhadas com novas medidas para arrecadação do governo, pois o novo arcabouço permitirá um crescimento nos gastos de 2,5% acima da inflação para os próximos anos.


O resultado do IPCA-15 surpreendeu o mercado, apresentando alta de 0,28% contra uma expectativa de 0,16% do mercado. Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,2% ante 3,2% em julho. A alta pode ser dada pelo fim do programa de incentivo à compra de automóveis e ao fim do desconto dado pela usina hidrelétrica de Itaipu, fatores que ajudaram o movimento de deflação nos 2 últimos meses. Ao abrir o índice, podemos ver que o núcleo permanece com queda gradual, com exceção do setor de serviços, que apresentou alta em relação a leitura de julho. O mercado segue acreditando que o processo desinflacionário permanecerá ao longo do segundo semestre, com uma desaceleração progressivo e consistente com a atual política monetária do Banco Central.


A notícia que agitou o cenário doméstica na última semana foi o anúncio da expansão do BRICS. Os 6 novos integrantes serão: Arábia Saudita, Argentina, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e o Irã e passarão a integrar o bloco em janeiro de 2024. Com isso, o bloco passará a deter mais de 30% do PIB mundial, com a China liderando com mais do dobro da soma dos outros países, quase 50% da produção de petróleo do mundo e quase metade da população mundial. Essa mudança tira a força do Brasil e consolida o poder da China no cenário geopolítico mundial.


No cenário internacional, foi destaque o simpósio do Jackson Hole, evento que reuniu os principais banqueiros dos EUA para discutir as tendências econômicas e política monetária. O discurso mais esperado era do presidente do FED, Jerome Powell, que reiterou o tom mais duro do banco central norte-americano, não descartando um possível aumento da taxa de juros nos próximos meses, a depender de resultados da inflação e atividade econômica.


O crescimento acelerado da economia norte-americana preocupa e Powell deixou claro que o ciclo de alta permanecerá até que a inflação comece a convergir para a meta de 2%. Para isso, um crescimento abaixo do esperado ou até mesmo uma recessão da principal economia do mundo pode ser necessária.


Ainda sobre os EUA, a volatilidade dos juros longos nos EUA preocupa. Nas últimas semanas, os juros do Tesouro Americano, com destaque aos de vencimento de 30 anos, tiveram alta significativa, chegando aos 4,45%, contra 4,10% no início de agosto. Considerada a “mãe de todas as curvas”, usada como benchmark para ativos livres de risco ao redor do mundo, essa elevação causa um efeito negativo nas bolsas ao redor no mundo, com destaque aos países emergentes, que perderam valor contra o dólar.


Na zona do euro, a divulgação do PMI (índice de gerente de compras) preocupa com números abaixo do esperado. Com contração, o PMI de serviços teve contração, foi de 50,9 para 48,3 entre julho e agosto. Já o PMI industrial avançou de 42,7 em julho para 43,7 em agosto, porém, continua muito abaixo do neutro (50 pontos).


Na China, o setor imobiliário continua sendo o tema de maior preocupação, com vendas modestas e poucos estímulos por parte do governo. O Banco Central da China anunciou o corte da taxa de juros de empréstimos de 1 ano, porém, manteve a taxa de juros de 5 anos, que é a taxa de referência para as hipotecas. Ainda assim, é esperado que o governo faça estímulos mais robustos nas próximas semanas, pois a China corre sérios riscos de ter um crescimento abaixo dos 4% a.a.






PERSPECTIVAS

No Brasil, a semana será robusta com divulgações de diversos indicadores econômicos. A começar com divulgação do PIB do 2T23, na 6ª feira, com expectativa de crescimentos de 0,5% em relação ao 1T23. Além disso, terá a divulgação dos principais índices referentes ao mercado de trabalho: o CAGED, na 4ª feira, e o PNAD, 5ª feira. O CAGED deve apresentar um aumento na geração de empregos formais, enquanto o PNAD deve mostrar queda leve na taxa de desemprego no mês de julho. Por fim, a divulgação do resultado primário do governo central será divulgada na 5ª feira e deve registrar um déficit de 34 bilhões de reais.


Na agenda internacional, assim como no Brasil, é esperado a divulgação dos dados de emprego e PIB nos EUA. Em relação ao PIB, leituras iniciais indicam um aumento de 2,4% em relação ao 1° trimestre, mostrando a resiliência da economia norte-americana. Nos dados de emprego, a divulgação do JOLTS e do relatório de emprego nos EUA (Nonfarm Payroll) mostrará a criação de vagas e a oferta de mão de obra no mercado de trabalho, resultado que mostrará se o mercado de trabalho continua aquecido nos EUA e pode mudar o rumo da política monetária.


Na zona do euro, é esperado a divulgação da inflação ao consumidor, que será importante para definição dos juros e mostrará se o processo inflacionário continua resistente. Na China, os mercados ficarão atentos a divulgação do PMI referente a agosto, que podem esclarecer se a economia chinesa permanece com crescimento desacelerado.












Nossa Visão 21/08/2023

RETROSPECTIVA

O Ibovespa, o principal índice da bolsa de valores B3 em São Paulo, encerrou o pregão desta sexta-feira com um aumento, pondo fim a uma série histórica de 13 quedas consecutivas. Com esse desempenho, o índice registra um declínio de 2,25% ao longo da semana e de 5,36% no mês, enquanto acumula ganhos de 5,17% no decorrer do ano. A moeda norte-americana, por sua vez, apresentou uma queda de 0,27%, atingindo a marca de R$ 4,967. Essa movimentação acontece em um contexto de agenda global mais enfraquecida.


Durante a semana recente no Brasil, a Petrobras emitiu um comunicado revelando ajustes nos preços dos combustíveis, com um aumento de 16,3% no valor da gasolina (equivalente a R$ 0,41 por litro) e um incremento de 25,8% no preço do diesel (totalizando um acréscimo de R$ 0,78 por litro). A decisão tomada foi fundamentada pelo recente aumento dos preços dos combustíveis no cenário global, bem como pela desvalorização da taxa de câmbio. Esta última voltou a subir e se aproximar da marca de R$/US$ 5,00, seguindo as tendências internacionais. Essa situação está gerando preocupações quanto aos possíveis impactos nos índices de inflação, notadamente o IPCA.


O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que serve como uma medida mensal aproximada do Produto Interno Bruto (PIB) do país, demonstrou um crescimento de 0,63% em junho quando comparado ao mês anterior, alinhando-se com as expectativas do mercado. Em relação a junho de 2022, o indicador registrou um aumento de 2,1%. Um ponto de destaque é o avanço de 0,4% do IBC-Br no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre de 2023. Esse resultado é particularmente significativo, uma vez que contribui positivamente para o quadro de expansão econômica em vigor.


Durante um evento realizado na quinta-feira, o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou a posição oficial da instituição ao sinalizar um possível corte de 0,50 pontos percentuais na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 20 de setembro. De acordo com suas palavras, o comitê deixou claro que a decisão de implementar uma redução superior a 50 pontos-base ou inferior a esse valor está sujeita a critérios rigorosos.


É válido destacar que a declaração oficial emitida após a última reunião já havia indicado a unanimidade do colegiado quanto à intenção de seguir um ritmo de redução de 0,50 pontos percentuais nas reuniões subsequentes. Portanto, é essencial acompanhar de perto tanto os indicadores econômicos quanto os comunicados oficiais para obter insights acerca do caso.


No contexto internacional, referente ao segundo trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro registrou um crescimento de 0,3% em relação ao trimestre anterior, corroborando as previsões do mercado e confirmando a análise inicial divulgada no final de julho. No que tange à comparação anual, a economia da região apresentou um avanço de 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.


Na China, o índice de produção industrial registrou um aumento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, no mês de julho, ficando aquém das expectativas do mercado que apontavam para um crescimento de 4,3%. Esse resultado demonstra uma desaceleração em relação ao mês anterior, junho, quando o crescimento interanual atingiu 4,4%. As vendas no setor varejista também não alcançaram o desempenho esperado, com um avanço de 2,5% em termos anuais, quando as projeções indicavam um crescimento de 4,0%.


Diante do cenário de crescimento moderado, o Banco Central da China (PBoC) optou por reduzir várias taxas de empréstimos, sendo particularmente destacada a queda da taxa de um ano, que passou de 2,65% para 2,5%. Com o crescimento econômico limitado aumenta os riscos no setor imobiliário, com empresas enfrentando dificuldades em cumprir obrigações financeiras.






PERSPECTIVAS

No Brasil, a semana seguinte será marcada pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) referente a agosto, agendada para sexta-feira. Antecipa-se uma deflação significativa em alimentos, juntamente com a recuperação do impacto negativo observado nas tarifas de energia elétrica, similar ao ocorrido em julho. No cenário político, aguarda-se um acordo entre os líderes da Câmara dos Deputados e o Ministério da Fazenda, visando a aprovação do arcabouço fiscal. Uma reunião está programada para a próxima segunda-feira, com o propósito de discutir os pormenores da votação.


No contexto global, a próxima semana trará consigo a divulgação das prévias dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs) nas principais economias desenvolvidas. Esses indicadores funcionam como um indicativo da atividade econômica desses países e têm o potencial de influenciar os ativos internacionais. Na China, é prevista uma redução das taxas de empréstimo de um ano e cinco anos pelo banco central (PBoC) no domingo. A reação do mercado dependerá tanto do grau de ajuste implementado quanto da comunicação oficial do banco central. Ambos esses fatores poderão ter um impacto significativo nas dinâmicas do mercado para próxima semana.


Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.


Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas de até 10% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.


Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugere-se investir integralmente 15% em fundos vinculados ao CDI e ao IRF-M1. Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, como Letra Financeira e CDB, até atingir uma alocação de 15%.


Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico e a expectativa de estabilização da taxa de juros nos Estados Unidos. Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 14/08/2023

RETROSPECTIVA

O índice Ibovespa encerrou em declínio nesta sexta-feira, marcando a nona sessão consecutiva de queda. O principal indicador do mercado acionário brasileiro fechou o pregão com uma desvalorização de 0,24%, alcançando o patamar de 118.065,14 pontos. No acumulado da semana, o índice apresentou um recuo de 0,74%.


Durante esta semana no Brasil, o Copom divulgou a ata da reunião realizada em agosto. O documento ressaltou a “redução parcial” das expectativas, indicando que as projeções de inflação por parte dos agentes econômicos tiveram um recuo, embora ainda se mantenham acima da meta estabelecida. Existem diversas razões plausíveis para a persistência dessas projeções elevadas, incluindo a incerteza fiscal e a possibilidade de o Copom adotar uma postura mais flexível no futuro.


Outro aspecto relevante que o documento transmitiu é que, apesar da votação dividida (sendo 5 de 4 a favor de um corte de 0,50pp) durante a reunião, o comitê compartilha de forma unânime duas visões principais, a necessidade de manter uma política monetária restritiva por um período considerável, além da antecipação de futuros cortes de 0,50pp nas próximas reuniões. A ata enfatizou que para acelerar a redução das taxas de juros, seria requerida uma desaceleração mais pronunciada da atividade econômica ou uma melhora mais notável na dinâmica da inflação.


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a julho registrou um aumento de 0,12% em relação ao mês anterior. Considerando a variação acumulada em um período de 12 meses, a taxa de inflação alcançou 3,99% em julho, contrastando com os 3,16% registrados no mês de junho.


Vale destacar a inflação de serviços, que nos últimos meses havia estado sob pressão, mas agora exibe indícios de estabilização. Esse desempenho alimenta as expectativas entre os agentes de mercado de que um corte nas taxas de juros possa ser adiantado ainda neste ano.


Continuando a abordagem sobre inflação, desta vez focando nos Estados Unidos, a taxa de inflação ao consumidor nos EUA registrou um aumento de 0,2% em julho, conforme previsto. Este resultado evidenciou uma menor pressão nos preços nos diversos segmentos da economia. No contexto anual, a inflação desacelerou para 3,2%, em comparação aos 3,3% do mês anterior.


A trajetória gradual de declínio da inflação tende a persuadir o Federal Reserve (o banco central dos EUA) de que não é mais imperativo elevar a taxa básica de juros. No entanto, também parece ser prematuro discutir possíveis cortes neste momento.


Na sexta feira o índice Dow Jones registrou um aumento de 0,62%, atingindo os 35.484,97 pontos, enquanto o S&P 500 apresentou um avanço de 0,25%, chegando a 4.447,70 pontos. Por outro lado, o índice tecnológico Nasdaq sofreu sua segunda queda consecutiva, com um declínio de 0,16%, fechando a sessão com 14.765,13 pontos.


Na China, as importações caíram 12,4% em julho de 2023 em relação a julho de 2022, muito abaixo da expectativa de redução de 5,6%, evidenciando a fragilidade da demanda interna. As exportações também diminuíram em 14,5%, abaixo das estimativas de -13,2%.


Além disso, a inflação ao consumidor recuou 0,3% nos últimos 12 meses até julho, indicando deflação e enfraquecimento do consumo interno. A atividade econômica chinesa tem sido desapontadora desde a reabertura pós-Covid em 2023, o que representa um risco para países como o Brasil, devido à interdependência comercial com a China.






PERSPECTIVAS

No cenário nacional, as próximas discussões sobre o orçamento de 2024 assumirão o centro das atenções nas questões fiscais nesta semana. No que diz respeito aos indicadores econômicos, destaque para o IBC-Br (indicador mensal do PIB calculado pelo Banco Central) referente a junho.


No contexto internacional, merece destaque a divulgação da ata do FOMC (Comitê de Política Monetária do Banco Central dos EUA) na próxima quarta-feira, a qual deverá fornecer informações mais detalhadas sobre a decisão de elevar a taxa de juros em 0,25pp em sua reunião recente. Na Europa, teremos acesso à primeira estimativa de crescimento do PIB da Zona do Euro referente ao segundo trimestre. No Reino Unido, toda a atenção estará voltada aos dados de inflação de julho, após a surpresa inflacionária observada na leitura de junho.


Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.


Em análise as incertezas do mercado, também é prudente exercer cautela em relação a novos investimentos em fundos de longo prazo, como o IMA-B 5+. Recomenda-se, também, realizar realocações gradativas de até 10% em fundos com prazos mais extensos, especialmente aqueles que possuam títulos pré e pós-fixados em suas carteiras, como o IMA-Geral e o IMA-B. Adicionalmente, é aconselhável a manutenção de 5% dos investimentos em fundos de Gestão Duration, aproveitando a estratégia de gestão ativa oferecida por esse segmento.


Para um horizonte de médio prazo, recomendamos alocar 15% dos investimentos em índices pós-fixados, como o IDKA IPCA 2A e o IMA-B 5, pois eles são alinhados com a meta de rentabilidade dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). No entanto, é importante levar em consideração o cenário de queda na taxa de juros. Nesse contexto, é aconselhável uma entrada gradativa no IRF-M, que é um índice pré-fixado, sendo importante agir com cautela devido à volatilidade desse indicador. Uma estratégia gradual permitirá aproveitar possíveis oportunidades e minimizar riscos em um ambiente de juros em declínio.


Quanto à exposição de curto prazo, sugere-se investir integralmente 15% em fundos vinculados ao CDI e ao IRF-M1. Para diversificar a carteira, é aconselhável adquirir também títulos privados, como Letra Financeira e CDB, até atingir uma alocação de 15%.


Com relação aos fundos de investimento no exterior, é aconselhável agir com cautela, especialmente considerando o atual cenário econômico e a expectativa de estabilização da taxa de juros nos Estados Unidos. Para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), recomendamos que aqueles que já possuam exposição em fundos de investimento no exterior mantenham essa exposição, limitando-a a 10% do total dos investimentos.


Quanto aos fundos de ações relacionados à economia doméstica, sugere-se entrar no mercado de forma gradual, aproveitando oportunidades na bolsa de valores para construir um preço médio mais favorável.


Diversificar a carteira de investimentos com essas opções pode ser uma abordagem equilibrada para os RPPS, permitindo obter retornos e ter proteção contra cenários adversos, sempre alinhados com as metas de rentabilidade estabelecidas. Para investidores que enxergam oportunidades de adquirir ativos a preços mais baixos, é importante estar respaldado para a tomada de decisão.












Nossa Visão 07/08/2023

RETROSPECTIVA

O Ibovespa, que é o principal índice da B3, encerrou o dia com uma queda e registrou um recuo de 0,57% ao longo da semana. Quanto ao fechamento do dólar, a cotação ficou em R$ 4,86.

Nessa semana aqui no Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realizou uma deliberação com divisão de opiniões, decidindo cortar a taxa Selic em 0,50 pontos percentuais, sendo 4 dos 9 diretores a favor de um corte de 0,25.


Após a reunião, o comitê divulgou um comunicado destacando os efeitos defasados da elevação de juros e a recente melhora nas expectativas de inflação. Esses fatores foram fundamentais para embasar a decisão de iniciar um ciclo gradual de flexibilização da política monetária, conferindo a confiança necessária para tal medida.


O comunicado procurou transmitir uma postura firme ao reforçar a “importância de persistir em uma política monetária contracionista”. Além disso, mencionou considerar o ritmo de corte de 0,50 pontos percentuais como “adequado” para as próximas reuniões, buscando orientar os mercados futuros a não precificarem cortes mais intensos em futuras ocasiões.


A produção industrial brasileira apresentou um leve aumento de 0,1% em relação ao mês anterior, superando as expectativas do mercado. No acumulado do segundo trimestre, o crescimento foi de 0,4%. Entretanto, vale destacar que apenas uma entre quatro atividades econômicas registrou crescimento nesse período, enquanto os bens de capital continuam em queda, apresentando um recuo de 4,8%.


No cenário internacional, nesta semana, os indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos apresentaram um desempenho mais robusto do que a maior parte do mercado esperava. As pesquisas conjunturais do setor de serviços continuam apontando para expansão, embora em um ritmo mais lento em comparação com o ano passado.


No mercado de trabalho, foram criados 187 mil empregos em julho, ligeiramente abaixo da expectativa de 200 mil postos, com a taxa de desemprego recuando para 3,5% (em comparação com 3,6% no mês anterior). Os salários também registraram crescimento de 0,4% no mês, ficando um pouco acima da taxa de inflação.


O cenário de aquecimento da economia levanta preocupações nos mercados, que temem um possível aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve (banco central dos EUA). Ao longo da semana, as taxas de juros dos títulos públicos norte-americanos aumentaram, resultando em quedas nas bolsas de valores e desvalorização das moedas de países emergentes, incluindo o real brasileiro.


O índice Dow Jones encerrou o dia com uma redução de 0,43%, atingindo 35.065,62 pontos; o S&P 500 apresentou uma queda de 0,53%, chegando a 4.478,07 pontos; e o Nasdaq registrou um recuo de 0,36%, alcançando 13.909,24 pontos.


O Banco Central Europeu (BCE) optou por aumentar suas taxas de juro em 0,25 pontos percentuais. A taxa principal de refinanciamento atingiu 4,25% ao ano, alcançando seu nível mais elevado desde a introdução do euro. Olhando para o futuro, mesmo com a inflação ainda sob pressão, a presidente do BCE, Christine Lagarde, indicou que a decisão permanece em aberto e não necessariamente haverá novos aumentos de juros. O BCE está considerando que a deflação global de custos, aliada às taxas de juros já elevadas, possa ser suficiente para levar a inflação à meta de 2,0% em um momento posterior.






PERSPECTIVAS

No Brasil, a agenda econômica da semana promete ser agitada. Na terça-feira, será divulgada a ata do Copom, após a decisão de redução de 0,50 pontos percentuais na taxa Selic, que agora está em 13,25%. Na sexta-feira, teremos acesso aos números do IPCA fechado referente a julho.


No cenário internacional, o foco estará na divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) relativo a julho, que acontecerá na quinta-feira. Também na sexta-feira, serão divulgados os dados da inflação ao produtor (PPI) do mesmo mês. Além disso, na China, serão reveladas as leituras da balança comercial na segunda-feira e, na terça-feira, serão disponibilizadas as informações sobre a inflação ao consumidor e ao produtor, todos esses dados referentes a julho.


Dado o cenário de redução na taxa de juros nas próximas reuniões do Banco Central (Bacen), é importante considerar que os títulos públicos federais podem deixar de ser opções atrativas para os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) principalmente considerando a análise tática. Nesse contexto, para essa modalidade de investimento é recomendável agir com cautela e estar atento se as taxas cobradas pelo mercado estão alinhadas com a meta de rentabilidade.












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