RETROSPECTIVA
A semana encurtada pelos feriados aqui no Brasil, teve seu principal ponto de debate o auxílio emergencial, a discussão gira entorno das possíveis maneiras de promovê-lo sem gerar incertezas e mais ruídos políticos sobre o quadro fiscal.
Ao início da próxima semana, deve ser apresentada a PEC emergencial, que trará uma cláusula de calamidade, onde será possível abrir espaço no orçamento para o pagamento do benefício para as famílias de baixa renda e trabalhadores informais por mais quatro meses, tendo início marcado para março.
Após a pressão política, o auxílio deve retornar e o custo previamente acordado poderá chegar ao montante de R$ 30 bilhões, com parcelas individuais de R$ 250 – R$ 300.
A semana mais curta trouxe baixa liquidez nos mercados, em principal China, Estados Unidos e Brasil, devido ao feriado, embora os indicadores econômicos durante a semana tenham sido positivos e superando as projeções.
Nos Estados Unidos, os mercados fecharam sem direção na semana, os investidores parecem estar esperando os balanços das empresas que estão para serem divulgados e a definição do pacote de auxílios fiscais, na ordem de US$ 1.9 trilhão.
Por lá, o processo de vacinação segue acelerado, Joe Biden declarou que pretende vacinar todos os Americanos até julho, mesmo assim, o clima de aversão ao risco seguiu durante a semana, mesmo com os índices ainda em torno das máximas históricas.
Na Europa, alguns países se preparam para a retomada após uma serie de medidas restritivas, devido à queda de número de casos e o avanço da vacinação em massa. Porém o principal foco da semana, seguiu sendo o exterior, em principal o pacote fiscal promovido pelos Estados Unidos.
Na sexta-feira, durante a reunião virtual do G7, Angela Merkel, a chanceler alemã, declarou que a Alemanha contribuirá com ? 1,5 bilhão a mais para a luta global contra a pandemia.
Diante disso, a Alemanha se torna o primeiro país a contribuir de maneira global para os esforços multilaterais no combate a pandemia do Covid-19.
Na Ásia, o mercado segue sem direção, a volta do feriado ajustou os mercados. Como em boa parte do mundo, a atenção se virou para os próximos passos dos Estados Unidos e o processo de vacinação local, principalmente no Japão, onde os futuros já operam em alta.
Por lá, os investidores estão digerindo os resultados financeiros das principais empresas, bem como os preços das commodities pesando nas ações do setor de energia.
Por aqui, os ruídos políticos seguem como pauta, na semana o Ibovespa perdeu o patamar dos 120 mil pontos, puxado principalmente pela Petrobras. O Brasil teve poucos indicadores sendo divulgados na semana, e fechou no campo de perdas.
Em divulgação da FGV, foi sinalizado que o PIB contraiu 4,0% em 2020. Diante disso, vemos que o cenário econômico segue desfavorável, tendo em vista o crescimento lento de 2017-2019 não foi o suficiente para recuperar as perdas da recessão de 2014-2016. Aliado a isso, o choque visto em 2020 pode indicar uma nítida demora a retomada econômica.
RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 3,62% para 3,82%. Para 2022, a previsão para o IPCA foi mantida de 3,49%. Para 2023 e 2024, as estimativas permaneceram em 3,25%.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) caiu de 3,43% para 3,29% em 2021. Para 2022, 2023 e 2024 a estimativa permaneceu em 2,50%.
A taxa de câmbio saiu de R$5,01 para R$5,05 esse ano. Para 2022, o valor ficou em R$5,00 e para 2023 ficou em R$4,90. Para 2024, o valor subiu de R$4,90 para R$4,96, voltando para o patamar de três semanas atrás.
Para a taxa Selic, os analistas estimaram a alta de 3,75% para 4,00% em 2021, a alta em 5,0% para 2022. Para 2023 e 2024, a projeção se manteve em 6,00%.
PERSPECTIVA
Na próxima semana, devemos observar os reais efeitos das medidas tomadas por Jair Bolsonaro, que promoveu a troca do presidente da Petrobras, onde saiu Roberto Castelo Branco e entrou Joaquim Silva e Luna, general da reserva do Exército Brasileiro, que foi ministro da Defesa entre 2018 – 2019.
Devemos observar também, o desenrolar da PEC emergencial, que terá seu texto apresentado na segunda feira (22) e que será votada na quinta-feira (25).
A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido. O que tudo indica é auxílio emergencial menor e por cerca de quatro meses, como o mais indicado, sendo preciso ainda observar a PEC emergencial.
Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial, mesmo atrasado, o país segue tentando cumprir o plano estipulado.
A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.
Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.
Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo, podendo já ser vista no IPCA. Mesmo com o Relatório Focus indicando uma desaceleração do índice para os próximos períodos.
Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.
Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.
Os sinais de abertura na curva de juros, demonstrada pelo aumento da taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo, aliada ao fato que acontecia desde 2002 e que aconteceu em setembro e outubro de 2020, com as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas, indica a pressão sobre a Selic.
O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 10%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 10%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.
* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.
Indicadores Diário – 19/02/2021
Índices de Referência – Janeiro/2021
RETROSPECTIVA
A primeira semana de fevereiro foi marcada pelo clima positivo nos mercados, devido principalmente ao avanço na vacinação contra o Covid-19 ao redor do mundo, podendo-se enfim enxergar uma aceleração em alguns países, em destaque os Estados Unidos.
Assim, a semana fecha no campo dos ganhos, com recordes sendo batidos nos Estados Unidos em seus principais índices, indicando uma expectativa de retomada econômica ainda esse ano. A tendência de queda de pessoas infectadas pelo vírus, a aceleração do processo de vacinação e um possível pacote de estímulos são os principais vetores para explicar a alta da semana.
No cenário Europeu, tivemos uma agenda enfraquecida na semana, tendo como foco a decisão do ex-presidente do BCE (Banco Central Europeu) de 2011 a 2019, Mario Draghi, de aceitar a missão de ajudar a formar um governo na Itália, que atualmente passa por uma crise política.
Draghi será primeiro-ministro da Itália, tendo a missão de substituir Giuseppe Conte. Em sua primeira aparição, Draghi disse “Derrotar a pandemia, completar a campanha de vacinação e relançar o país são os desafios que nos esperam. Temos os recursos extraordinários da UE…”
A volta de um dos italianos de maior prestígio nas últimas décadas, favoreceu o mercado acionado, aliado a uma semana sem medidas de restrições e avanço no processo de vacinação.
Na Ásia, a região se prepara para o feriado do ano novo lunar, onde o governo recomenda que a população ainda não realize viagens. A semana foi bem mista, com dias marcados pela realização de lucros e dias marcados otimismo do cenário externo e pela injeção de liquides do Banco do Povo da China. Tirando esses pontos, a agenda segue enfraquecida por lá.
Nos Estados Unidos, o ambiente de retomada econômica parece se criar novamente por lá, a aceleração do processo de vacinação vem dando resultados, renovando os ganhos em Wall Street. Em breve poderemos ver mais uma rodada de estímulos fiscais, desta vez na ordem de U$ 1.9 Trilhão.
O tema ganha força após um Payroll abaixo do esperado, aumentando o consenso de que ainda deve-se amparar os trabalhadores e empresas. Em paralelo, contribuindo para o otimismo do mercado na semana, a Johnson & Johnson pediu autorização para o uso emergencial de sua vacina para a FDA (Agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos).
Já por aqui, o lado político foi predominante, a definição para os nomes da Câmara e Senado foi o ponto alto da semana, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respectivamente, foram os nomeados, os dois foram apoiados pelo governo.
A vitória de ambos soou bem aos mercados, a expectativa é de sequência as principais pautas para o país, como as reformas tributária, administrativa, PEC emergencial e pacto federativo. Não se pode afirmar quanto a velocidade do processo, porém o discurso foi favorável ao acontecimento.
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, indicaram que não elevarão a carga tributária, e receberam a missão de indicar o destino para corte de gastos, tendo em vista que o auxílio emergencial é de vontade do Congresso.
A Bovespa fecha em alta de 4,48% na semana, com uma desvalorização de 1,57 do dólar, frente a uma alta 6,01 da Nasdaq e 3,89 do S&P.
RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 3,53% para 3,60%. Para 2022, a previsão para o IPCA caiu de 3,50% para 3,49%. Para 2023, as estimativas permaneceram em 3,25% e o mesmo número para 2024.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) caiu de 3,50% para 3,47% em 2021. Para 2022, 2023 e 2324 a estimativa ficou em 2,50%.
A taxa de câmbio permaneceu em R$5,01 esse ano. Para 2022, o valor ficou em R$5,00 e para 2023 ficou em R$4,86. Em 2024, o valor se manteve em R$4,90.
Para a taxa Selic, os analistas estimaram a permanência de 3,50% para 2021, e mantiveram a alta em 5,0% para 2022. Para 2023 e 2024, a projeção é de 6%.
PERSPECTIVA
Para a próxima semana, devemos observar os avanços nos processos de vacinação, de acordo com a OMS, 75% das vacinas aplicadas, se concentram em somente 10 países, mostrando a dificuldade dos países mais pobres em se imunizar.
Há também a expectativa da votação do Pacote de auxílios norte americanos em duas semanas, elevando a liquidez global, e sustentando a economia no curto prazo.
A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada, agora com a Câmara e Senado definido. O que tudo indica é auxílio emergencial menor e por cerca de três meses, como o mais indicado, mas será preciso definir cortes de gasto para não furar o teto.
Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial, mesmo atrasado, o país segue tentando cumprir o plano estipulado.
A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.
Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.
Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo, podendo já ser vista no IPCA. Mesmo com o Relatório Focus indicando uma desaceleração do índice para os próximos períodos.
Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.
Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.
Os sinais de abertura na curva de juros, demonstrada pelo aumento da taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo, aliada ao fato que acontecia desde 2002 e que aconteceu em setembro e outubro de 2020, com as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas, indica a pressão sobre a Selic.
O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 10%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 10%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.
* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.
Indicadores Diário – 05/02/2021
Índices de Referência – Janeiro/2021
RETROSPECTIVA
A última semana de janeiro fecha com alta volatilidade nos mercados e principalmente no câmbio. Assim como no mês, a semana foi carregada de notícias sobre conjuntura e resultados das empresas ainda referentes a 2020, aliado a um processo de vacinação um pouco lento e movimentos especulativos mercado acionário americano.
Em âmbito global, o mês trouxe muita incerteza, a expectativa de retomada econômica parece ainda não sustentar a força do Covid-19 e suas novas variantes, embora o processo de vacinação tenha sido iniciado, as farmacêuticas não conseguindo atender à crescente demanda, levando a produção de vacinas em larga escala como o objetivo a ser superado.
No Brasil há muita expectativa com relação à eleição para a presidência da Câmara e Senado, que será definida na próxima semana, e com os principais candidatos sendo aqueles apoiados com o governo, em paralelo a isso, o Presidente Jair Bolsonaro ainda segue pressionado.
No cenário externo, a preocupação se dá a partir da expectativa de retomada econômica sendo frustrada pela lenta vacinação contra a covid-19, fato que ocorre em diversos países, tendo como contraponto as restrições sociais e “lockdowns” como as principais medidas para contenção do vírus, deixando os principais governos em alerta.
O Fórum Virtual de Davos apontou as preocupações em relação as incertezas na economia, sobre retomada econômica, visivelmente já nesse primeiro trimestre de 2021, e houve um consenso de que ainda é preciso utilizar das ferramentas de política monetária e fiscal para que haja sustentamento econômico.
Nos Estados Unidos, o novo presidente Joe Biden adotou medidas para voltar atrás na decisão de saída do acordo de Paris sobre clima e de deixar a OMS, como já era esperado. Como forma de solução para o plano mais lento de vacinação atual, Biden quer vacinar 100 milhões de pessoas em 100 dias.
Tivemos também a divulgação do PIB americano do quarto trimestre de 2020, indicando alta de 4% e acumulando queda de 3,5% no ano. O Dow Jones fechou a -3,28% e a Nasdaq a -3,49% na semana.
O assunto mais falado na semana, foi o processo especulativo com ações da GameStop e AMC, com a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) suspendendo negócios e iniciando investigação sobre manipulação.
Na Europa, na semana e no mês, os investidores mostraram um perfil cauteloso devido as medidas restritivas para evitar o avanço do coronavírus, ocasionando queda nos principais índices da região. A Comissão Europeia criou um mecanismo “de emergência” para controlar e bloquear as exportações de vacinas imunizantes contra a Covid-19 produzidas no território da União Europeia para outros países.
Por lá o discurso segue como a ação necessária, temporária e saudável, em relação proibição da entrada de imigrantes, cancelamentos de voos e o endurecimento das medidas restritivas.
Na Ásia, como já se é esperado, apenas a China apresentou dados de conjuntura acima da média. O PIB chinês fechou 2020 com alta de 2,3%, mesmo sendo o pior resultado em 44 anos, o resultado é o único positivo no mundo todo.
Por aqui, a falta de coordenação por parte das autoridades de saúde e dos governos na produção de vacinas, distribuição e imunização, segue atrasando os planos mais sérios em relação à economia, aliado ao quadro político cada vez mais agravante. O Ibov fechou a -1,96% na semana.
RELATÓRIO FOCUS
Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções saíram de 3,50% para 3,53%. Para 2022, a previsão para o IPCA ficou em 3,50%. Para 2023, as estimativas permaneceram em 3,25% e o mesmo número para 2024.
A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) saiu de 3,49% para 3,50% em 2021. Para 2022, a estimativa se manteve em 2,50% para 2023 e 2024.
A taxa de câmbio saiu de R$5,00 para R$5,01 esse ano. Para 2022, o valor ficou em R$5,00 e para 2023 saiu de R$4,90 para R$4,85. Para 2024, o valor saiu de R$4,96 para R$4,90.
Para a taxa Selic, a previsão dos especialistas é de 3,50% para 2021, a alta em 5,0% para 2022. Para 2023 e 2024, a projeção é de 6%.
PERSPECTIVA
Para a próxima semana, devemos observar os vencedores da disputa pela Câmara e Senado, onde o que tudo indica é que os apoiados por parte do governo devam se sobressair aos demais.
A partir disso, teremos que avaliar o andamento de reformas e em qual intensidade será elaborada. O que tudo indica é auxílio emergencial menor e por cerca de três meses, como o mais indicado, mas será preciso definir cortes de gasto para não furar o teto.
Devemos observar também o processo de imunização da população brasileira com novas vacinas podendo entrar no plano inicial, mesmo atrasado, o país segue indo atras de acordos benéficos para a população.
A preocupação com o quadro fiscal, o grave endividamento e teto de gastos, restando apenas esperar que o acordado seja respeitado, caso o desajuste fiscal aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento inesperado na taxa de juros, por esse motivo, e do risco Brasil, fato que seria prejudicial para a o momento atual da economia.
Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.
Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo, podendo já ser vista no IPCA. Mesmo com o Relatório Focus indicando uma desaceleração do índice para os próximos períodos.
Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas seguem sendo o plano de vacinação contra a Covid-19 e toda a pauta de reforma que segue sem definição pelo governo.
Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.
Os sinais de abertura na curva de juros, demonstrada pelo aumento da taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo, aliada ao fato que acontecia desde 2002 e que aconteceu em setembro e outubro de 2020, com as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas, indica a pressão sobre a Selic.
O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, com a estratégia de alocação em 10%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior, aos que possuírem porcentagem inferior a 10%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.
* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.
Indicadores Diário – 29/01/2021
Índices de Referência – Dezembro/2020