outubro, 2020

NOSSA VISÃO – 26/10/2020

RETROSPECTIVA

Semana mais calma com poucos indicadores econômicos sendo divulgados, levando os investidores a focarem mais em pautas políticas e eleitorais. Entretanto o cenário macro continua praticamente o mesmo, com a contaminação do Covid-19 ainda em ascensão na Europa, as preocupações com o quadro fiscal no Brasil e as eleições americanas.

As novas ondas de contágio do Covid-19 pautam o mês e na semana as expectativas de um novo” lockdown” em mais países da Europa, em principal a Alemanha, vem fazendo com o que os mercados recuem por lá.

Situação que ocorre de maneira similar nos Estados Unidos, por lá os recordes de contágio estão sendo diariamente alcançados, porém após uma primeira onda tão austera e com os aprendizados e melhora de infraestrutura trazidos por ela, os impactos estão sendo mais leves, mas estão longe de deixar de preocupar.

O que já se sabe é que a cada medida de restrição social imposta para combater os efeitos do vírus, tem enorme impacto na economia, sendo assim, quando o vírus insiste em permanecer em circulação afetando a população e as medidas de restrição entram em pauta novamente e o mercado reage negativamente.

O que acalmará o mercado frente a essa situação será a liberação das vacinas emergências para a população, aos olhos dos agentes de mercado, isso poderia conter a desaceleração da economia, de acordo com Donald Trump, no último debate presidencial, nas próximas semanas já será possível ministras as vacinas emergenciais.

Sobre o ultimo debate, sendo muito menos agressivo, porém mais inconclusivo, enxergamos que a vitória em um debate se dá por conta de conseguir reverter votos para si ou convencer os indecisos, fato que não parece ter ocorrido, uma vez que os candidatos não se expuseram e utilizaram de estratégias que garantiam a sua base de eleitorado.

Os investidores também monitoram a implementação do novo pacote de estímulos econômicos nos EUA, gerando incerteza ao mercado devido a demora para se chegar a um acordo entre câmara e tesouro.

Na Europa, parece que União Europeia e Reino Unido estão novamente dispostos a retomar as negociações e discussões sobre o Brexit, fato importante para sanar as incertas criadas por lá, porém ainda não suficiente para gerar otimismo.

Tivemos a divulgação de alguns indicadores Asiáticos na semana, com a China anunciando PIB do terceiro trimestre expandindo 4,9% na comparação anual (previsão era +5,3%), produção industrial anualizada de +6,9% para setembro, indicando melhora sobre a expectativa, vendas no varejo com +3,3% e investimentos em ativos fixos com expansão nos nove meses de 2020 de 0,8%. As vendas de moradias cresceram 6,2% no ano.

No Japão, as exportações de setembro encolheram 4,9%, vindo pior do que era previsto, mas o governo avalia que a economia está melhorando, em paralelo a isso o Banco Central Japonês pode flexibilizar ainda mais a política monetária por lá.

Por aqui, o nosso cenário ainda gira em torno da deterioração do quadro fiscal, rolagem de dívida e a necessidade em continuar com o auxílio emergencial. Durante a semana o Presidente Jair Bolsonaro vetou a compra de doses da vacina chinesa, gerando conflitos com o ministro da saúde Eduardo Pazuello, e com o governador de São Paulo, João Doria.

Ainda resta saber de onde sairão os recursos para eventualmente estender o programa de auxílio ou programas ligados a renda mínima, sem ferir a regra de ouro, onde proíbe o governo de fazer dívidas para pagar despesas correntes, como salários, benefícios de aposentadoria, contas de luz e outros custeios da máquina pública e sem ferir o  teto de gastos seja ferido.

Por enquanto, as agências que classificam o risco país, olham para os próximos passos do governo para reverem suas posições.

RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 2,65% para 2,99%. Para 2021, a previsão para o IPCA subiu de 3,02% para 3,10%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O índice ficou em 3,25% nas projeções para 2023.

A projeção para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) saiu de -5% para -4,81% para este ano. Para 2021, a estimativa saiu de 3,47% para 3,42%. As projeções ficaram em 2,50% para 2022 e 23.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar saiu de R$5,35 para R$5,40 este ano. Para 2021, a projeção saiu de R$5,10 para R$5,20. Já para 2022, a projeção ficou em R$4,90 e R$4,90 para 2023.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, permaneceu em 2,00% para 2020. Para 2021, subiu de 2,59% para 2,75%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e saiu de 5,50% para 6% em 2023.

PERSPECTIVA

A próxima semana promete mexer bastante com os mercados e aumentar a sua volatilidade devido a proximidade das eleições americanas e seu desenrolar na câmara e no senado, podendo mudar as diretrizes atuais, uma vez que o poder pode trocar de lado.

Os efeitos do corona-vírus na economia americana e europeia sugere novos estímulos fiscais e monetários que podem alterar a precificação dos ativos de risco e desequilibrar o câmbio.

A bolsa de valores após uma semana positiva onde subiu 3% e superou o Dow Jones, Nasdaq e Dax na semana, promete se manter a esse patamar dos 100.000 pontos a espera de algum direcionamento mais claro, principalmente do governo.

A preocupação com o quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos, segue como principal pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e no risco Brasil e isso não seria bom para o estado da economia atual, que já segue prejudicada.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas do mercado seguem as mesmas, não enxergando espaço para uma queda brusca e esperando algum gatilho advindo das medidas do governo para um posicionamento mais forte nos ativos de risco.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.

Ainda segue no radar os sinais de abertura na curva de juros, o que nos preocupa quanto ao aumento de taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo. Fato que não acontecia desde 2002 e que agora vem acontecendo nos últimos 2 meses, são as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, mantemos a estratégia de alocação em 15%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior,  aos que possuírem porcentagem inferior a 15%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários – 23/10/2020

Índices de Referência – Setembro/2020

NOSSA VISÃO – 19/10/2020

RETROSPECTIVA

Semana novamente marcada pela aversão dos investidores, diminuindo as expectativas sobre os pacotes fiscais nos Estados Unidos e em outros países, principalmente na Europa. Segue também as preocupações com o aumento do contágio do Covid-19, colocando em pauta as discussões sobre uma possível nova onda.

No cenário externo, o corona-vírus não tem dado trégua, atingindo diferentes países e regiões, em especial a Europa com medidas implantadas pela França com o toque de recolher, o fechamento de bares e novas medidas de restrição e contato social na Inglaterra e com Madri ainda sofrendo os impactos da nova onda, por lá foram impostas medidas de restrições pelo governo ao declarar estado de emergência na capital e região.

Há novos casos surgindo na Holanda e na Índia, reforçando a ideia de que novas ondas ainda são possíveis, porém a boa notícia é que a Pfizer, Inc.  empresa farmacêutica multinacional com sede em Nova Iorque, Estados Unidos, pode solicitar o uso emergencial da vacina para combater a pandemia e disponibilização em massa.

Dito isso, novas previsões econômicas tendem a vir piores que as anteriores em relação a recuperação econômica e impactando a precificação dos ativos de risco pelo mundo, além disso, o FMI (Fundo Monetário Internacional) recomendou estímulos fiscais para manter a recuperação econômica para os países que tiverem folga fiscal, porem tal declaração e medida deve influenciar até os que não possuem.

O FMI divulgou suas novas projeções para a economia, com o PIB global encolhendo (4,4%). Os países desenvolvidos devem retrair 5,8% e os emergentes retrair 5,2%. A China cresce 1,9% em 2020 e deve crescer 8,2% em 2021, sendo um ponto fora da curva. Os EUA devem ter queda do PIB de 4,3%, a zona do euro com contração de 8,3% e o Brasil com -5,8%.

Nos Estados Unidos, o FED voltou a declarar de que um pacote fiscal é essencial para os estados unidos manter sua economia aquecida, falaram ainda que se não houver os estímulos fiscais a economia americana vai desacelerar. Já Trump diz estar pronto para assinar o pacote ainda antes das eleições em 3/11, mesmo parecendo difícil de acontecer.

Na Alemanha, a deflação medida pelo CPI de setembro com 0,2%, tanto no mês, como na anual. O índice Zew que mede expectativas econômicas dos agentes alemães, caíram para 56,1 pontos, dada a previsão de ficar em 74 pontos, significando perda de otimismo. O IFO (Instituto de Pesquisa Econômica) ampliou a previsão de queda do PIB para 5,4%, de anterior em -4,2%. Na zona do euro, a deflação pelo CPI de setembro registrou -0,3%.

Na China, a inflação pelo CPI (consumidor) de setembro anualizada, em queda para 1,7% (anterior em 2,4% e deflação no PPI (Índice de Preços ao Produtor – atacado) de 2,1%). Por lá, o saldo da balança comercial mostrou superávit de US$ 37 bilhões em setembro, muito inferior ao do mês anterior de US$ 58,9 bilhões. A expectativa é de que a China deve crescer 1,9% em 2020 de acordo com as suas próprias previsões e as do FMI.

Por aqui, sem muitas novidades, o Congresso Nacional vai engessando suas atividades em detrimento da proximidade das eleições, principalmente em relação aos temas mais sensíveis aos eleitores. Mas Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara, falou sobre a impossibilidade de aprovar o orçamento de 2021, sem votar a PEC da emergência.

O ministro Paulo Guedes não falou muito durante a semana, deu apenas algumas declarações sobre a “CPMF” das transações digitais dizendo poderia desistir do imposto que contribuiu para a estabilidade do mercado, que segue lateralizando. Resta apenas saber da onde sairão os recursos para formar o programa Renda Cidadã.

RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções saíram de 2,47% para 2,65%. Para 2021, a previsão para o IPCA ficou em 3,02%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O índice ficou em 3,25% nas projeções para 2023.

A projeção para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) saiu de menos 5,03% para menos 5% para este ano. Para 2021, a estimativa saiu de 3,50% para 3,47%. As projeções ficaram em 2,50% para 2022 e 2023.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar saiu de R$5,30 para R$5,35 este ano. Para 2021, a projeção saiu de R$5,00 para R$5,10. Já para 2022, a projeção ficou em R$4,90 e saiu de R$4,80 para R$4,90 em 2023.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 2,00% para 2020. Para 2021, os analistas também deixaram as projeções em 2,50%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e ficou em 5,50% para 2023.

PERSPECTIVA

O que se espera para as próximas semanas é o desenrolar dos acontecimentos das semanas anteriores, prometendo não ter nenhum fator novo que possa mudar o comportamento dos mercados em âmbito nacional.

O radar segue apontado para a evolução do COVID-19 ao redor do mundo obrigando medidas de restrição social, interferindo diretamente na precificação dos ativos de risco e para o desenrolar do pacote fiscal prometido pelos Estados Unidos, que provavelmente sairá após as eleições, mas que pode sair antes devido a Trump, que expos vontade em uma aprovação mais rápida.

Segue preocupando os efeitos do “lockdown” na cidade de Madri em estado de emergência decretado e outros países como França e Inglaterra também tendo que conviver com o surgimento de novos casos, frutos de uma nova onda de contaminação.

Por aqui, a vacina desenvolvida por nos em parceria com a China, tem obtido ótimos resultados e promete que a eficácia do imunizante deve ser comprovada até dezembro de 2020.

A preocupação com o quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos, segue como principal pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e no risco Brasil e isso não seria bom para o estado da economia atual, que já segue prejudicada.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo.

Apesar de todas as oscilações de mercado, as expectativas do mercado seguem as mesmas, não enxergando espaço para uma queda brusca e esperando algum gatilho advindo das medidas do governo para um posicionamento mais forte nos ativos de risco.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.

Ainda segue no radar os sinais de abertura na curva de juros, o que nos preocupa quanto ao aumento de taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo. Fato que não acontecia desde 2002 e ocorreu em setembro, foram as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, mantemos a estratégia de alocação em 15%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior,  aos que possuírem porcentagem inferior a 15%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários – 16/10/2020

Índices de Referência – Setembro/2020

NOSSA VISÃO – 13/10/2020

RETROSPECTIVA

Semana marcada pelo otimismo no exterior, com valorização nos mercados, podendo ser explicado pela estabilização na disputa presidencial americana, o aumento na probabilidade de vitória dos democratas, que deve assumir o senado e a câmara, além da presidência.

Caso aconteça, ao longo dos próximos anos, devemos observar a inclusão de pacotes fiscais com mais facilidade, dada as atuais discussões sobre o assunto e o posicionamento por parte dos democratas, com o objetivo se sustentar setores afetados em direção a prosperidade.

Nos Estados Unidos, o foco ficou por conta das conversas envolvendo a presidente da Câmara Nancy Pelosi e o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin sobre os estímulos fiscais de aproximadamente de US$ 2,2 trilhões.

Porém, ainda no início da semana, no dia 6, o presidente Donald Trump rejeitou a proposta dos Democratas e pediu para encerarem as negociações até o final das eleições, como era de se esperar, o mercado reagiu negativamente as atitudes de Trump.

Mas logo no dia seguinte Trump voltou atrás e autorizou retomada das negociações. Mnuchin e Nancy Pelosi por sua vez, divergiram sobre a força do estímulo e o direcionamento aos setores, fechando assim mais uma semana sem definição de pacote fiscal.

De acordo com a ata do FED, a economia vem recuperando acima do previsto, com fluxo de crédito sendo fundamental para famílias e negócios, porém os riscos persistem com recuperação setorial sem constância. Alertou também para a inadimplência em empréstimos corporativos, que obteve crescimento expressivo nos últimos meses. O entendimento é de que a recuperação vem perdendo força, necessitando de mais estímulos.

Na Europa, os índices ficaram se sustentaram no azul, muito embora tenham tido números econômicos desanimadores por parte do Reino Unido.

A segunda onda de corona-vírus segue castigando alguns países europeus, como é o caso da Espanha, por lá foram impostas medidas de restrições pelo governo ao declarar estado de emergência na capital e região.

Ao fim da semana, o fechamento foi de vendas no varejo em alta de 4,4% em agosto e no Reino Unido decepção com alta de 0,3%, quando o previsto era expansão de 2,8%. Na Alemanha, as encomendas à indústria em agosto cresceram 4,5%, acima da previsão de 2,5%, a produção industrial encolheu 0,2% em agosto, contrariando expectativa de +1,5%.

Na Ásia, o destaque da semana veio do Banco Central do Japão, que atualizou sua visão sobre a economia em oito das nove regiões do país. Em um discurso aos gerentes do BoJ, na quinta-feira (08), o governador Haruhiko Kuroda disse esperar que a recuperação continue, mas disse que está ocorrendo de forma lenta.

Por aqui, o ambiente político esteve mais tranquilo, puxado pelo entendimento entre Rodrigo Maia e Paulo Guedes, aliado as declarações importantes de Maia sobre querer votar ainda esse ano a PEC emergencial, que contempla o Pacto Federativo e ainda o Renda Cidadã. Se acontecesse seria muito benéfico para o país e para os mercados, porém, o relator disse que o Renda Cidadã foi adiado e que só será discutido após as eleições.

De qualquer forma, as preocupações permanecem vivas para os agentes do mercado no tocante ao quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos. Além disso, existem importantes dúvidas com relação à reforma tributária entregadas em fases com distanciamento de tempo entre elas, que é mais fácil de ser aprovada, mas que não se sabe onde acaba. Também preocupa de onde virá os recursos para o Renda Cidadã.

RELATÓRIO FOCUS

Para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), as projeções subiram de 2,12% para 2,47%. Para 2021, a previsão para o IPCA aumentou de 3% para 3,02%. Para 2022, as estimativas ficaram em 3,50%. O índice ficou em 3,25% nas projeções para 2023.

A projeção para a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) saiu de -5,02% para -5,03% para este ano. Para 2021, a estimativa permaneceu em 3,50%. As projeções ficaram em 2,50% para 2022 e 23.

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar subiu de R$5,25 para R$5,30 este ano. Para 2021, a projeção saiu do R$5,00 para os R$5,10. Já para 2022, a projeção ficou em R$4,90 e ficou em R$4,80 2023.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 2,00% para 2020. Para 2021, os analistas também deixaram as projeções em 2,50%. As projeções ficaram em 4,50% em 2022 e ficou em 5,50% para 2023.

PERSPECTIVA

A semana mais curta começa com a diferença de abertura de mercado, pelo feriado que ocorreu no Brasil em comparação com o exterior que teve mercado aberto, e o que se espera é um espelho do que vem acontecendo no exterior, a alta dos mercados.

Por lá, os indicadores foram positivos, mesmo diante das expectativas em relação ao pacote de estímulos fiscais norte americano, agora aparentemente com negociações retomadas, mas ainda sem acordo definido entre Democratas e Republicanos.

Porém, outros dois fatores se destacam. Um deles é a segunda onda de contaminação pela COVID-19, com a cidade de Madri em estado de emergência decretado e outros países também tendo que conviver com a nova onda de contaminação crescente, e de outro com as eleições americanas, segundo pesquisas recentemente lançadas, Biden aumenta a sua diferença sobre Trump.

A preocupação com o quadro fiscal, endividamento, rolagem de dívidas e teto de gastos, segue como pauta, caso isso aconteça, além de gerar desconfiança dos investidores estrangeiros, geraria um aumento na taxa de juros e no risco Brasil e isso não seria bom para o estado da economia atual, que já segue prejudicada.

Situação que o Brasil vem tentando evitar ao longo dos últimos anos, reconquistar os investidores estrangeiros, a partir de um quadro fiscal mais bem elaborado, uma agenda de reformas estruturais, que ocasionalmente levaria o Brasil a um controle maior sobre as receitas e gastos governamentais.

Segue no radar, o aumento dos índices de preço da economia, uma inflação que começou acelerar e que tem impactos significativos já no curto prazo.

Os dados indicam uma pressão no curto prazo nos preços ao consumidor amplo e isto pode levar o Banco Central a intensificar as discussões sobre o ritmo das reformas. É provável que a qualquer sinal de melhora constante na economia, devemos ter uma elevação da SELIC, mesmo que antes do projetado.

Ainda segue no radar os sinais de abertura na curva de juros, o que nos preocupa quanto ao aumento de taxa de juros e a alta volatilidade nos títulos federais de longo prazo. Outro acontecimento que não tínhamos desde 2002, foram as LFTs (Tesouro Selic) sendo negociada a taxas negativas.

O mais recomendado para o atual momento é a cautela ao assumir posições mais arriscadas no curto prazo, a volatilidade nos mercados deve se manter sem ainda a desenhar um horizonte claro, em razão principalmente pelo nosso cenário político.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Para o IMA-B que é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que são as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B ou Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais), não estamos recomendando o aporte no segmento, mantemos a estratégia de alocação em 15%, sendo indicado para os RPPS que possuem porcentagem igual ou maior,  aos que possuírem porcentagem inferior a 15%, recomendamos a não movimentação no segmento. Os demais recursos mantenham-nos em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperação na retomada dos mercados. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.