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Consultoria em Investimentos

maio, 2020

NOSSA VISÃO – 25/05/2020

Retrospectiva


Os dados mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostram uma inflexão na curva Semana positiva para os mercados de risco, repercutindo notícias animadoras sobre resultados positivos de vacinas contra o “coronavírus” já com testes em humanos, além da abertura gradual das atividades em vários países que já passaram pelo pico da pandemia, e o esforço das autoridades monetárias de diversos países em apoiar a economia a retomar o rumo da expansão. Permanece o alerta das autoridades sanitárias diante de novos casos que possam sugerir uma nova onda de contágio nas economias que afrouxaram as regras de distanciamento social. Nem mesmo a tensão entre EUA e China tirou o humor dos investidores, que já coloca parte das agressões do presidente Donald Trump na conta da corrida eleitoral.
de novos casos e óbitos. São quase 5,4 milhões de pessoas infectadas no mundo, que levaram a mais de 344 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 14% no número de contágios e de 8% no número de óbitos em uma semana, indicando manutenção no avanço de contágios e recuo no avanço de óbitos em relação aos dados de sete dias atrás.
A divulgação de dados da atividade em diversos países segue mostrando a dimensão do estrago que a pandemia pelo “coronavírus” vem fazendo nas economias, porém recuperando-se após as quedas bruscas observadas nos meses de março e abril.
Nos EUA, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto preliminar teve leitura de 36,4 pontos em maio, ante os 27 pontos registrados em abril.  O PMI do setor de serviço ficou em 36,9 pontos, enquanto o industrial anotou 39,8 pontos. A projeção do mercado era por leituras inferiores, de 30 e 38, respectivamente. Ainda por lá, foi noticiado que o número de desempregados vem crescendo exponencialmente diante da paralisação recente das atividades. Conforme informou o Departamento do Trabalho, desde meados de março até agora, o total de pessoas que perderam seus trabalhos atingiu 38 milhões. Somente na última semana, 2,4 milhões de americanos deram entrada no seguro-desemprego. Porém, o órgão informou que os números devem ser piores, devido à demora em contabilizar os números devido ao elevado número de processos ainda em análise.
Na zona do euro, o PMI composto ficou em 30,5 pontos no resultado prévio de maio. O estimado era bem inferior, de 25 pontos. O PMI de serviços ficou em 28,7 pontos, ante expectativa de 25 pontos. Já o PMI da indústria registrou 39,5 pontos, número também superior à projeção, de 38 pontos. Cabe lembrar que em abril, mês considerado pico da crise no hemisfério norte, o PMI composto na região anotou 13,5 pontos.
Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de alta generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 5,81%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 3,33%, O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 3,20% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 1,75%.
Por aqui, destaque para o encontro de governadores com o presidente Jair Bolsonaro para discutir a ajuda financeira aos estados e municípios frente à pandemia. Em tom conciliador, o presidente confirmou que sancionará o projeto de lei que destina verbas federais da ordem de R$ 60 bilhões. No campo da economia, destaque para a fala do presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, ao indicar um último ajuste no juro na próxima reunião do COPOM, em junho, um corte de até 0,75 pontos percentuais, o que levaria a taxa Selic para até a mínima de 2,25% ao ano. Destaque, também, para o relatório em que o ministério da Economia estimou que o déficit primário do governo central, que exclui o pagamento com juros da dívida, deve fechar 2020 com um rombo recorde de R$ 540 bilhões, por conta dos gastos para o enfrentamento da crise provocada pela pandemia pelo “coronavírus”.
Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, acompanhando as bolsas internacionais e a cena política menos tensa. O Ibovespa encerrou a semana com alta de 5,95%, aos 82.173 pontos, acumulando valorização de 2,07% no mês, e desvalorização de -28,94% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,574 para a venda. Na semana, a moeda recuou -4,54% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 38,90%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 1,45%, enquanto no ano acumula desvalorização de -4,54%. Em 12 meses a valorização é de 7,93%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano em meio à fragilidade da atividade brasileira. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,57%, ante 1,59% da semana passada, décima primeira semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,20%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,14%, ante 3,20% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,40%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.
Para a Selic, o mercado manteve a projeção após a fala do presidente do Bacen, Roberto Campos Neto. O boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen deve cortar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, em junho, levando a Selic dos atuais 3,00% para 2,25% ao ano, e estacionando nesse patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 3,29%, enquanto na semana anterior a expectativa era de 3,50%. Há quatro semanas a estimativa era de 4,25%.
Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,25%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 2,88% na mediana das coletas, ante previsão de 3,50% na semana passada.
Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira continuam fazendo os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima quinta semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -5,12% para -5,89%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -3,34%. Para 2021, o mercado financeiro elevou a previsão do PIB para 3,50%, ante 3,20% da semana anterior. Quatro semanas atrás, estava em 3,00%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.
O relatório mostrou que a projeção para o câmbio ao final de 2020 voltou a aumentar, com o real agora estimado em R$ 5,40 na mediana das estimativas dos economistas consultados, ante projeção de R$ 5,28 uma semana atrás. Um mês atrás a projeção era de R$ 4,80. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 5,00 para R$ 5,03, ante R$ 4,25 de quatro pesquisas atrás.
Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números não sofreram alteração em relação à última pesquisa. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 65,00 bilhões, enquanto que para 2021 a expectativa foi mantida em US$ 76,00 bilhões. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 72 bilhões e US$ 80,00 bilhões, respectivamente.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana em acentuada alta, diante da redução no aumento do número de casos de infecção pelo “coronavírus” em alguns países que iniciaram o processo de relaxamento da quarentena, além dos primeiros sinais positivos de que as economias estão se recuperando da pior fase da pandemia.
Por aqui, a percepção de que o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, cujo sigilo foi aberto pelo ministro do STF, Celso de Melo, não foi tão desastroso ao presidente Jair Bolsonaro, ajudou a afastar o clima de instabilidade política que poderia pesar contra o mercado. Tanto o Dólar quanto o mercado futuro do DI operam em queda nas cotações.
Além disso, o mercado contabiliza os primeiros sinais de melhora na economia brasileira, com a divulgação do índice de confiança do consumidor, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. O índice, que teve alta em maio ante abril de 3,9 pontos, saltou para 62,1 pontos, diante da expectativa de abertura gradual da atividade que vem sendo anunciada por diversos prefeitos e governadores no Brasil.
Em relação ao “coronavírus” no Brasil, até agora são mais de 363 mil infectados e 22 mil óbitos, apontando um aumento de 50% nos casos de infectados e 37% nos casos de óbitos em uma semana. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde. Ainda assim, alguns Estados e Municípios mais afetados já planejam a retomada gradual da economia com restrições, porém seguem apertando as medidas para conter a circulação de pessoas, como restrições de veículos nas ruas até o “lockdown” em algumas cidades.
Na agenda externa da semana, destaque para a divulgação da segunda prévia do PIB nos EUA, que deve conformar uma queda próxima a 5% no primeiro trimestre, além dos desdobramentos da tensão entre EUA e China, após os norte-americanos anunciarem impor sanções a empresas chinesas de tecnologia, aumentando o conflito bilateral já exacerbado por conta das acusações, pelo governo dos EUA, sobre a falta de atitude da China em conter a disseminação do “coronavírus” para além das suas fronteiras.
Por aqui, destaque para a divulgação do PIB relativo ao primeiro trimestre, que já incorpora o início dos impactos da pandemia na economia, a partir da metade de março. Outro dado importante que será revelado, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do país, que deverá mostrar uma menor pressão sobre os preços, além de dados de emprego e renda referente ao trimestre encerrado em abril.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –22/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020

NOSSA VISÃO – 18/05/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco encerraram a semana com perdas, em meio à abertura gradual das atividades em alguns países e o receio pelo aumento do número de casos de pessoas infectadas pelo “coronavírus” diante do afrouxamento das regras de distanciamento social naqueles países em que o pico das infecções ficou pra trás. Além dessas incertezas, pesou no mercado a deterioração no relacionamento entre EUA e China, após o presidente norte-americano sugerir um corte nas relações com seu par chinês, em razão da incapacidade das autoridades chinesas em lidar com o vírus, fator que representaria um retrocesso nos avanços comerciais obtidos até a assinatura do acordo preliminar de paz, em janeiro deste ano.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” no mundo mostraram uma estabilização no fator de crescimento do número de infectados e óbitos. Os dados mais recentes informam a infecção de pouco mais de 4,7 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 316 mil óbitos. Os números mostram um crescimento de 14% no número de contágios e de 12% no número de óbitos em uma semana, indicando a manutenção no avanço dos números em relação aos dados de sete dias atrás.

Em semana de poucos indicadores no exterior, destaque para a divulgação do PIB do primeiro trimestre na zona do euro.

Conforme divulgou a agência Eurostat, o PIB da eurozona encolheu 3,8% no primeiro trimestre do ano ante o quarto trimestre de 2019, sofrendo a maior contração da série histórica iniciada em 1995. Em termos anualizados, a economia da região registrou um tombo de 14,2% no trimestre. Entre as maiores economias, a França (-5,8%), Espanha (-5,2%) e a Itália (-4,7%) lideraram as perdas. Na Alemanha, maior economia do bloco, a retração foi de 2,2%.

Nos EUA, foi divulgado pelo Departamento de Trabalho que a inflação ao consumidor registrou deflação de -0,8% em abril, após recuo de 0,4% em março.

Outro dado importante divulgado foi o resultado das vendas no varejo do mês de abril nos EUA, em meio ao fechamento do comércio na medida em que a pandemia manteve a população em casa. Conforme divulgou o Departamento do Comércio, as vendas no varejo recuaram 16,4% em abril, ante recuo de 83% em março, o maior declínio desde o início da série histórica, em 1992.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de baixa generalizada. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, despencou -4,02%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou -2,29%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu -2,25% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, recuou -0,70%.

Por aqui, o mercado repercutiu a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Bacen, o IBC-Br, que é considerado a prévia do PIB brasileiro. O índice apresentou queda de -5,9% em março na comparação com abril, em linha com a mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg. O índice registrou queda acumulada de -1,95% no primeiro trimestre ante o último trimestre de 2019.

Porém, é no campo da política que os sustos se acumulam. Desta vez a surpresa foi o pedido de demissão do Ministro da Saúde, Nelson Teich, menos de um mês após a posse. Em breve pronunciamento ao anunciar sua saída, o agora ex-ministro não deu pistas sobre os motivos da decisão. Entretanto, especula-se que discordâncias de opiniões sobre o uso do medicamento cloroquina e sobre regras de flexibilização do distanciamento social foram os motivos da iniciativa.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, acompanhando as bolsas internacionais. O Ibovespa encerrou a semana com queda de -3,37%, aos 77.556 pontos, acumulando desvalorização de -3,66% no mês de -32,93% no ano. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,839 para a venda. Na semana, a moeda avançou 1,73% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 45,51%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com desvalorização de -0,54%, enquanto no ano acumula desvalorização de -5,90%. Em 12 meses a valorização é de 6,53%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano em meio à fragilidade da atividade brasileira. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,59%, ante 1,76% da semana passada, décima semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,23%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,20%, ante 3,25% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,40%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado reduziu ainda mais a expectativa. Agora, o boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que o Bacen deve cortar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais na próxima reunião, em junho, levando a Selic dos atuais 3,00% para 2,25% ao ano, e estacionando nesse patamar até dezembro. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi mantida em 3,50%. Há quatro semanas a estimativa era de 4,50%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas para 2,25%, agora alinhada à mediana do grupo agregado. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,50% na mediana das coletas, também alinhada à mediana do grupo agregado.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas aprofundarem os cortes nas projeções para o PIB em 2020, pela décima quarta semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -4,11% para queda de -5,12%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -2,96%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 3,10%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi alterada para R$ 5,28, ante projeção de R$ 5,00 na semana passada. Um mês atrás a projeção era de R$ 4,80. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,83 para R$ 5,00, ante R$ 4,50 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em ajuste pra baixo. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 65,00 bilhões, ante US$ 70,75 bilhões da semana anterior e US$ 71,00 bilhões um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi alterada para US$ 76,00 bilhões, ante R$ 79,00 bilhões da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana em alta acelerada, diante da redução no aumento do número de casos de infecção pelo “coronavírus” em alguns países que iniciaram o processo de relaxamento da quarentena. Outro fator de alívio veio na esteira do anúncio sobre resultados positivos no desenvolvimento em primeira fase de uma vacina contra o “coronavírus” pela empresa americana de biotecnologia Modena Inc. O FDA, órgão que regula os medicamentos nos EUA, autorizou a segunda fase dos testes. Ainda nos EUA, o presidente do Federal Reserve (FED, ma sigla em inglês), Jerome Powell, afirmou que a economia americana deve se recuperar gradualmente no segundo semestre, e que as munições estão prontas para serem utilizadas no combate a recessão.

Por aqui, as atenções estão voltadas para a condução da crise sanitária, após a saída do ministro da Saúde, Nelson Teich. Desta vez o presidente Jair Bolsonaro parece não demonstrar pressa em escolher o substituto, crescendo a avaliação de que o ministro interino, Eduardo Pazuello, permaneça à frente da pasta por pelo menos mais uma semana. Repercute também entre os investidores o relato do empresário Paulo Marinho ao jornal “Folha de S.Paulo”. Em entrevista publicada no domingo, o ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro afirmou que o senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente, foi avisado sobre investigações da Polícia Federal realizadas em 2018 e que envolviam seu gabinete – na ocasião, Flavio ocupava o cargo de deputado estadual.

Em relação ao “coronavírus” no Brasil, até agora são mais de 241 mil infectados e 16,0 mil óbitos, apontando um aumento de 45% nos casos de infectados e óbitos em uma semana. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde. Estados e Municípios seguem apertando as medidas para conter a circulação de pessoas, como restrições de veículos nas ruas até o “lockdown” em algumas cidades.

Em semana de agenda econômica fraca por aqui, destaque para a divulgação de dados parciais sobre a inflação de maio.

Nos EUA, será divulgada a ata da reunião do FOMC, que pode trazer indicações sobre o rumo das taxas de juros por lá, além da divulgação de PMIs. Em outros países, a agenda é mais fraca, com destaque para a divulgação de PMIs da zona do euro, onde os dados têm mostrado uma economia fortemente castigada pela pandemia.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –15/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020

NOSSA VISÃO – 11/05/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco encerraram a semana no campo positivo, com a confirmação de reabertura gradual do comércio e afrouxamento das regras de distanciamento social em vários países da Europa e Ásia. Outra fonte de alívio veio da informação, por autoridades dos dois países em videoconferência, de que os EUA e China reafirmaram a validade do acordo comercial em 1ª fase, dissipando os temores de que a agressiva retórica em torno da pandemia pelo “coronavírus” pudesse minar as negociações.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” confirmam a tendência de redução no número de infectados e óbitos, semana após semana. Os dados mais recentes informam a infecção de pouco mais de 4,1 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 283 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 14% no número de contágios e de 13% no número de óbitos em uma semana, uma redução significativa no avanço dos números em relação aos dados de sete dias atrás.

Enquanto isso, dados das principais economias globais trazem a confirmação do estrago que a paralisação das atividades tem promovido na sociedade.

O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços dos EUA recuou de 39,8 pontos em março para 26,7 pontos em abril, abaixo da expectativa do mercado. A queda é resultado das restrições de viagens e do distanciamento social, que resultam em uma queda geral da atividade. Resultados abaixo de 50 pontos indicam contração do setor.

Ainda nos EUA, foi divulgado que no mercado de trabalho foram destruídos 20,5 milhões de empregos em abril. Em março, os EUA haviam perdido 701 mil postos de trabalho, o que dá uma dimensão do impacto da paralisação das atividades por lá. A taxa de desemprego subiu de 4,4% para 14,7%, taxa mais alta desde os anos 1940.

Na região do Euro a queda é mais drástica. O PMI de serviços fechou o mês de abril aos 12,0 pontos, ante 26,4 pontos em março. Irlanda com 17,3 pontos e Alemanha com 17,4 pontos apresentaram os melhores resultados, enquanto a Espanha com 9,2 pontos e Itália com 10,9 pontos foram os piores.

Na Ásia os números mostram uma melhora em função da reabertura gradual das atividades ter começado há mais tempo. Na China, o PMI de serviços fechou o mês de abril em 44,4 pontos, ante 43,0 pontos em março, com a taxa de novos negócios melhorando, mas ainda permanecendo no campo da contração, enquanto no Japão, o PMI da atividade de serviços em abril apresentou uma queda para 21,5 pontos, diante dos 33,8 pontos observados em abril.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de alta. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 0,39%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 3,00%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, cresceu 3,50% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, subiu 2,85%.

Por aqui, destaque para a reunião do COPOM que reduziu a taxa básica de juros – Selic – para a mínima histórica de 3,00% ao ano, em decisão unânime. A redução, de 0,75 pontos percentuais, era em parte esperada pelo mercado, que trabalhava com um corte menos agressivo, de 0,50 pontos percentuais. No comunicado pós-reunião, o comitê avalia que “neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado”, e já deu pistas de que, na próxima reunião que ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho, novo corte está planejado.

Coincidentemente, na mesma semana do COPOM ocorreu a divulgação da inflação. O IBGE divulgou que o IPCA de abril apresentou deflação de -0,31%, enquanto a taxa registrada em março foi de 0,07%. O maior impacto negativo veio do grupo “Transportes”, que recuou -2,66%, seguido dos “Artigos de Residência” que recuou -1,37%. No lado das altas, o vilão foi o grupo de “Alimentação e Bebidas”, com alta de 1,79%. No ano, o IPCA acumula alta de 0,22% e, nos últimos doze meses, de 2,40%.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, repercutindo a escalada de infecção pelo “coronavírus” no Brasil e o cenário político conturbado. O Ibovespa encerrou a semana com desvalorização de -0,30%, aos 80.263 pontos, acumulando valorização de 10,25% na semana e no mês, e desvalorização no ano de -30,59%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,740 para a venda. Na semana, a moeda avançou 5,56% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 43,04%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com desvalorização de -0,33%, enquanto no ano acumula desvalorização de -5,39%. Em 12 meses a valorização é de 7,62%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro seguem ajustando pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,76%, ante 1,97% da semana passada, nona semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,52%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,25%, ante 3,30% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,50%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o mercado voltou a reduzir a expectativa. Agora, o boletim mostrou que a expectativa dos economistas é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 2,50%, uma queda de 0,25 pontos percentuais em relação à Selic atual, que é de 2,75%. Nesta semana, o comitê de política monetária do Bacen, o COPOM, reduziu a taxa de juros Selic para 3,00%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 3,50%, ante projeção de 3,75% da semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 4,50%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima terceira semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -3,76% para queda de -4,11%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -1,96%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB em 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 2,70%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi mantida em R$ 5,00. Um mês atrás a projeção era de R$ 4,60. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,75 para R$ 4,83, ante R$ 4,47 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em ajuste. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 70,75 bilhões, ante US$ 70,00 bilhões da semana anterior e US$ 73,00 bilhões um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi alterada para US$ 79,00 bilhões, ante R$ 80,00 bilhões da semana passada. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana no vermelho, diante do aumento no número de casos de infecção pelo “coronavírus” em alguns países que iniciaram um processo de relaxamento da quarentena. O mercado demonstra apreensão com o ressurgimento do contágio pelo vírus na Coreia do Sul e aceleração de casos na Alemanha, o que é prejudicial os planos de reabertura do comércio mesmo em países que já passaram pelo pico da pandemia. A China também volta a preocupar com o registro de cinco novos casos de infecção pelo “coronavírus” na província de Hubei, sendo que na capital Wuhan, epicentro original da doença, foi registrado o primeiro caso desde o dia 03 de abril.

Por aqui, o mercado aguarda pela confirmação do veto presidencial à ampliação das categorias de servidores públicos que continuarão a receber reajuste nos salários em meio à pandemia. A medida foi aprovada pelos parlamentares, que flexibilizaram o texto abrindo brechas para a concessão do reajuste a algumas categorias. O texto original do projeto, que previa o congelamento dos salários em contrapartida a ajuda financeira, pela União, aos Estados e Municípios, foi desfigurada na Câmara dos Deputados.

Também no radar dos investidores está o inquérito que investiga as acusações do ex-ministro Sérgio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro, no episódio da troca do comando na Polícia Federal.

Em relação ao “coronavírus” no Brasil, até agora são mais de 162 mil infectados e 11,0 mil óbitos, ambos os números apontando um aumento de 60% nos casos em uma semana. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde. Estados e Municípios seguem apertando as medidas para conter a circulação de pessoas, como restrições de veículos nas ruas até o “lockdown” em algumas cidades.

Na agenda da semana, destaque para a divulgação da ata da reunião do COPOM, que reduziu a taxa Selic para 3,00%, a mínima histórica. O documento poderá fornecer novas pistas sobre os rumos que a autoridade monetária seguirá. Na semana também será revelado o IBC-Br, considerado a prévia do PIB, além de dados do setor de serviços.

Nos EUA, serão revelados os dados da inflação ao consumidor, além de dados de vendas no varejo, além do PIB do primeiro trimestre na zona do euro.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –08/05/2020

Índices de Referência – Abril/2020


NOSSA VISÃO – 04/05/2020

Retrospectiva

Os mercados de risco encerraram a semana, majoritariamente, no azul diante da expectativa com o afrouxamento das medidas restritivas e a abertura gradual do comércio em diversos países da Europa e Ásia. Por outro lado, o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas sobre produtos chineses como resposta, ao sugerir que a China é responsável pela disseminação do “coronavírus”, após cortar ajuda financeira a Organização Mundial da Saúde – OMS por considerá-la um fracasso na administração da pandemia. Uma ação desse tipo pode colocar em risco todos os esforços promovidos pelas autoridades monetárias para recuperar as economias após a pandemia.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” confirmam a infecção de mais de 3,5 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 248 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 17% no número de contágios e de 19% no número de óbitos em uma semana, uma redução significativa no avanço dos números em relação aos dados de sete dias atrás.

Enquanto isso, os principais bancos centrais seguem promovendo estímulos monetários para evitar que as economias entrem em colapso.

Nos EUA, o Federal Reserve (FED na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juro inalterada no intervalo entre 0% e 0,25%, e repetiu a promessa de fazer o que for necessário, e pelo tempo necessário, para sustentar a economia da região, com o compromisso de acionar o arsenal de ferramentas a disposição, e assim promover as metas de máximo emprego e estabilidade de preços.

Conforme divulgou preliminarmente o Departamento de Comércio, o PIB norte-americano encolheu a uma taxa anualizada de 4,8% no primeiro trimestre de 2020, enquanto no trimestre anterior a economia havia crescido 2,1%. Contribuiu negativamente para o resultado a queda no consumo das famílias, os investimentos privados e as exportações.

Na zona do euro, a agência Eurostat divulgou que o PIB do primeiro trimestre encolheu 3,8%, enquanto no 4º trimestre de 2019 havia expandido 0,1%, com os gastos do consumidor puxando a queda. O desemprego na região subiu para 7,4% em março, com o total de pessoas desempregadas estimado em 12,156 milhões.

No Japão, o banco central local (BoJ, na sigla em inglês), além de cortar suas previsões de crescimento da economia japonesa para algo entre -3,0% e -5% neste ano, a instituição informou que comprará títulos do governo sem limite máximo, além de dobrar sua capacidade em comprar bônus corporativos e títulos comerciais.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de movimentos mistos. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 5,08%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, valorizou 0,19%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, recuou -0,21% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, subiu 1,86%.

No cenário doméstico, em semana encurtada devido ao feriado de 01 de maio, os mercados de risco se recuperaram com as questões políticas dando uma trégua. A fala do ministro da Economia Paulo Guedes tranquilizou o mercado, assim como a demonstração pública de apoio do presidente Jair Bolsonaro à equipe econômica e a política econômica de responsabilidade fiscal.

A Fundação Getúlio Vargas – FGV – informou que a confiança dos empresários da indústria despencou 39,3 pontos em abril, ficando em 58,2 pontos, a maior redução mensal e menor índice desde janeiro de 2001.

Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, seguindo os mercados externos. O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 6,87%, aos 80.506 pontos, acumulando valorização de 10,25% no mês, e desvalorização no ano de -30,39%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,438 para a venda. Na semana, a moeda recuou 4,06% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 35,51%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 2,79%, enquanto no ano acumula desvalorização de -5,08%. Em 12 meses a valorização é de 8,94%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 1,97%, ante 2,20% da semana passada, oitava semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,72%. O resultado se distancia ainda mais da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,30%, ante 3,40% da semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,50%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 2,75%, uma queda de 100 pontos base em relação à Selic atual, que é de 3,75%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 3,75%, ante projeção de 4,25% da semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 4,75%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima segunda semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -3,34% para queda de -3,76%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -1,18%. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 3,00% para 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi alterada para R$ 5,000, ante R$ 4,80 da semana passada e R$ 4,50 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,55 para R$ 4,75, ante R$ 4,40 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 é de um ingresso de US$ 70,00 bilhões, ante US$ 72,00 bilhões da semana anterior e US$ 76,50 bilhões um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00 bilhões. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem também de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana em queda, diante da repercussão da acusação, pelo presidente Donald Trump, de que a China escondeu informações sobre a epidemia pelo “coronavírus” para armazenar suprimentos médicos e equipamentos para combate a doença, e com isso faturar alto à custa da saúde global. O mandatário norte-americano vem ameaçando taxar produtos chineses caso seja evidenciada a teoria.

Por aqui, o mercado repercute a presença do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações pró governo em Brasília neste domingo, nas quais os manifestantes voltaram a pedir o fechamento do Congresso e do STF, além de críticas ao ex-ministro Sérgio Moro. Na saída, Jair Bolsonaro deu corda aos manifestantes ao dizer que “a Constituição será cumprida a qualquer preço” e que “as forças armadas estão ao lado do povo”, o que pode ser interpretado como um movimento de autogolpe.

Ainda na seara política, a Câmara dos Deputados vota a proposta de auxílio financeiro a estados e municípios para combate a pandemia. A proposta já havia sido votada pelos deputados, porém retorna ao plenário após o Senado modificar o texto e incluir contrapartidas pelos entes à ajuda.

Segue no radar o aumento de casos de contágio pelo “coronavírus” no Brasil, que assumiu a ingrata posição de 7º lugar no ranking mundial em número de óbitos. Até agora, são mais de 101 mil infectados e 7,0 mil óbitos, e os números seguem aumentando significativamente. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde.

Na agenda da semana, destaque para a reunião do COPOM, o comitê de política monetária do Bacen, onde é esperado um corte de meio ponto percentual, que se confirmado levará a taxa Selic dos atuais 3,75% para 3,25% ao ano. Na avaliação do mercado, a redução da Selic se dá num ambiente em que a alta do dólar não está sendo repassada para a inflação por conta do declínio da atividade e consumo, situação que favorece novos cortes.

Além da decisão sobre o juro, o mercado ficará atento à divulgação de dados da produção industrial e da inflação.

No exterior, destaque para a divulgação dos dados de emprego nos EUA, também chamado de Payroll, além de dados de vendas no varejo da zona do euro e da atividade chinesa.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –04/05/2020

Índices de Referência – Março/2020