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Consultoria em Investimentos

abril, 2020

NOSSA VISÃO – 27/04/2020

Retrospectiva

Em semana carregada de volatilidade, os mercados de riscos mantiveram o viés de perdas diante da escalada do contágio pelo “coronavírus” mundo afora, da pressão pelo afrouxamento do distanciamento social e pela reabertura do comércio, e dos números divulgados que confirmam o tamanho da recessão que virá pela frente.

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” indicam a infecção de mais de 3,0 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 208 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 25% no número de contágios e de 26% no número de óbitos em uma semana, uma redução significativa no avanço em relação aos dados de sete dias atrás.

Com o preço do petróleo desmoronando, diante dos estoques para armazenamento do óleo saturados, o mercado aguarda uma posição da OPEP para mais cortes na produção além dos 9,7 milhões de barris diários a partir de 01 de maio. Enquanto isso, diversos produtores nos EUA vem encontrando dificuldades em manter seus compromissos, a ponto do presidente Donald Trump sinalizar com um plano para injetar dinheiro no setor e ajudá-los a sobreviver.

Na semana, diversos países tiveram dados divulgados sobre a saúde econômica, já sentindo os efeitos da queda da produção e demanda por produtos e serviços.

Nos EUA, foi divulgado pela IHS Markit o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, que engloba os setores industrial e de serviços, que registrou 27,4 pontos em abril, ante 40,9 pontos em março, o menor desde que a pesquisa começou a ser feita, em março de 2009. A queda foi puxada pelo PMI de serviços, que recuou para 27,0 pontos em abril, ante 39,8 pontos em março, especialmente para empresas voltadas ao consumidor nas áreas de recreação e viagens.

Na região do euro a queda foi mais acentuada. O PMI composto recuou para a mínima histórica de 13,5 pontos em abril, ante 29,7 pontos em março. Apenas o PMI de serviços do bloco recuou de 26,4 pontos para a também mínima recorde de 11,7 pontos no período.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de quedas diante dos números que mostram o tamanho do estrago que a economia global registrará neste ano. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou -2,73%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou -0,60%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, caiu -1,32% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, despencou -3,19%.

No cenário doméstico, as questões políticas se sobrepuseram aos impactos do contágio pelo “coronavírus” na saúde pública brasileira. Não bastassem os embates entre os três poderes em Brasília e a demissão do ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta em meio ao caos da pandemia, a bola da vez foi o pedido de demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, e ex-juiz Federal, Sérgio Moro. O agora ex-ministro anunciou seu desligamento na sexta-feira, alegando interferências do presidente Jair Bolsonaro na pasta após a publicação da exoneração do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, contrariando a vontade do ex-ministro. Na sequencia, o presidente Jair Bolsonaro contestou as afirmações do ex-ministro, que por sua vez disse ter provas sobre os fatos alegados. Foi o que bastou para que o mercado de ações fechasse o pregão de sexta-feira em queda de -5,45%, chegando a recuar -9,54% no intra Day. O pico de baixa se deu pela percepção geral de que a saída do ex-ministro Sérgio Moro poderia arrastar também o ministro da Economia, Paulo Guedes, em meio ao anúncio de um plano para retomada da economia capitaneado pela Casa Civil, denominado “Pró-Brasil”, sem o aval de Guedes.

Com o resultado de sexta-feira, a bolsa brasileira acabou encerrando a semana em queda. O Ibovespa fechou a semana com desvalorização de -4,63%, aos 75.331 pontos, reduzindo a valorização mensal para 3,17%, e acentuando a desvalorização no ano para -34,86%. Com a crise institucional, o dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,668 para a venda, cotação recorde para um encerramento de pregão. Na semana, a moeda avançou 8,25% frente ao real, enquanto no ano acumula valorização de 41,25%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com perda de -4,38%, na esteira da turbulência política que levou os preços dos contratos de DI negociados no mercado futuro a avançarem forte. No ano, o IMA-B Total acumula desvalorização de -7,66%. No acumulado de 12 meses a valorização recuou para 6,42%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 2,20%, ante 2,23% da semana passada, sétima semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 2,94%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa da inflação em 3,40%. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,57%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 3,00%, mesma projeção da semana anterior e uma queda de 75 pontos base em relação à Selic atual, que é de 3,75%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi reduzida para 4,25%, ante projeção de 4,50% da semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 5,00%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram mantidas em 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima primeira semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -2,96% para queda de -3,34%. Há quatro semanas, a estimativa era de queda de -0,48%. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 3,10% para 3,00%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia pelo “coronavírus”, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi mantida em R$ 4,80, ante R$ 4,50 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,50 para R$ 4,55, ante R$ 4,30 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 foram elevada para US$ 72,00, ante US$ 71,00 da semana anterior e US$ 80,00 um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem também de US$ 81,40 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de risco iniciam a semana recuperando parte das perdas da semana passada, devido a diversos fatores considerados positivos.

No Japão, o banco central (BoJ, na sigla em inglês) anunciou medidas de estímulo à economia local. Além de manter o juro em -0,1% ao ano, o banco anunciou que manterá o ritmo de compra de bônus do Japão, além de elevar a meta de compras de dívida corporativa e commercial paper em 20 trilhões de ienes.

Na China, o Banco do Povo (BPoC, na sigla em inglês) reduziu a taxa de juros de médio prazo de 3,15% para 2,95%, o primeiro corte desde que o instrumento foi criado, em 2018, além de injetar 56,1 bilhões de yuans em liquidez no sistema financeiro nessa modalidade de financiamento, com objetivo de estimular o repasse de empréstimo bancário a pequenas empresas e apoiar a retomada da economia, que se estima será em breve.

Na Europa, com o ritmo do contágio diminuindo, alguns países anunciam medidas de reabertura da economia para os próximos dias, como Itália e Espanha, além da Grã Bretanha.

Nos EUA, as paralisações levaram a um recorde de 26,5 milhões de norte-americanos solicitando auxílio-desemprego desde meados de março. Alguns estados também se preparam para reabertura de atividades não essenciais, o que deve elevar o nível de contágio da população.

Por aqui, destaque para o desenrolar das tensões políticas que avançaram no final de semana. O PGR, Augusto Aras, pediu ao STF abertura de inquérito para apurar eventuais crimes praticados pelo presidente Jair Bolsonaro, e/ou crime de denunciação caluniosa pelo ex-ministro Sérgio Moro.

Hoje pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro deu demonstrações de apoio ao ministro da Economia, Paulo Guedes, reiterando que é o ministro quem manda nas questões relacionadas à economia no governo, e que nenhum plano de recuperação da economia passará sem o aval dele. Aguardemos, pois, com muita cautela. Muito mais do que julgávamos.

Segue no radar o aumento de casos de contágio pelo “coronavírus” no Brasil. Até agora, são quase 64 mil infectados e 4,3 mil óbitos, e os números seguem aumentando significativamente. O sistema de saúde está operando além da capacidade, com novos leitos de UTI sendo instalados, porém sem perspectiva de atender plenamente a demanda crescente. As taxas de isolamento social não têm sido suficientemente fortes para suavizar a curva de contágio de modo a dar fôlego ao sistema de saúde.

Na agenda da semana, destaque para a reunião do FOMC, o comitê de mercado aberto do Federal Reserve (FED, na sigla em inglês), onde se espera mais estímulos monetários, seguida de coletiva do seu presidente, Jerome Powell. Entre os indicadores, será divulgado o número de pedidos de auxílio desemprego nos EUA, que já acumula mais de 25 milhões desde o início da crise. Também serão revelados o PIB dos EUA e da zona do euro, ambos com estimativa de queda forte.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –24/04/2020

Índices de Referência – Março/2020

NOSSA VISÃO – 20/04/2020

Retrospectiva

Os mercados de riscos tiveram uma semana sem grandes perdas, em meio às notícias de melhora nos indicadores chineses, com destaque para a divulgação do PIB o primeiro trimestre, além da diminuição do contágio e número de óbitos nos EUA e países da Europa, que começam a discutir o afrouxamento da quarentena e abertura do comércio. Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” indicam a infecção de mais de 2,4 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 165 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 30% no número de contágios e de 40% no número de óbitos em uma semana, uma redução no avanço em relação aos dados de sete dias atrás.

Conforme divulgou o Fundo Monetário Internacional – FMI, a pandemia vai levar a economia mundial a registrar em 2020 o pior desempenho desde a Grande Depressão de 1929. O órgão passou a estimar que o PIB global deva recuar -3%, ante projeção anterior de alta de 3,3% feita em janeiro.  O relatório indica que as economias desenvolvidas serão as mais afetadas. A projeção é a de que os países mais ricos tenham uma retração na atividade de 6,1%, enquanto a atividade dos países emergentes e das economias em desenvolvimento deve recuar 1% em média. O relatório prevê que a retomada será rápida, e projeta uma recuperação no próximo ano, com o PIB avançando 5,8% globalmente.

Nos EUA, foi divulgado que as vendas no varejo caíram 8,7% em março depois de recuarem 0,4% em fevereiro, devido ao fechamento do comércio como medida para reduzir o contágio da doença. A produção industrial recuou 5,4% em março, maior queda desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Na China, a agência de estatísticas local divulgou que o PIB do primeiro trimestre recuou -6,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, a primeira contração em quase 30 anos, e refletindo as perdas da paralisação quando a sociedade estava isolada. Ainda assim, o resultado ficou melhor do que o esperado pelo mercado, que era uma queda de no mínimo -7,5% no período.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de recuperação de parte das perdas em meio aos primeiros sinais de desaceleração da contaminação pelo “coronavírus” na população dos países do hemisfério norte. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 0,58%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou -0,95%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, valorizou 3,04% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 2,85%.

Por aqui, as atenções voltaram-se para a troca no comando do Ministério da Saúde, com o Deputado Federal pelo Democratas, Luiz Henrique Mandetta, deixando a pasta. Para a vaga, o escolhido foi o médico oncologista Nelson Luiz Sperle Teich, que se disse “alinhado” ao pensamento do presidente Jair Bolsonaro, mencionando que saúde e economia não competem, são complementares. No campo da política, os atritos entre os três poderes seguem no radar. Enquanto o STF decidiu pela autonomia dos governos estaduais e municipais sobre as medidas de isolamento social local, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que assegura socorro financeiro com recursos federais aos estados e municípios para compensar a queda da arrecadação, sem nenhuma contrapartida. O projeto segue agora ao Senado Federal, para apreciação.

O Senado Federal aprovou, em segundo turno por maioria de votos, a PEC chamada de “orçamento de guerra”, que tem por objetivo separar, do orçamento geral, os gastos normais dos gastos emergenciais para conter os danos causados pela pandemia, afim de não gerar impacto fiscal em um momento de desaceleração da economia.

Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, seguindo os mercados externos. O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 1,68%, aos 78.990 pontos, acumulando valorização de 8,18% no mês, e desvalorização no ano de -31,70%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,236 para a venda. Na semana, a moeda avançou 2,85% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 30,48%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 3,09%, enquanto no ano acumula desvalorização de -3,42%. Em 12 meses a valorização é de 12,21%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 2,23%, ante 2,52% da semana passada, sexta semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 3,04%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu ainda mais a estimativa da inflação, para 3,40%, ante previsão de 3,50% na semana anterior. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,60%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 3,00%, uma redução de 75 pontos base em relação à Selic atual, de 3,75%. Na semana anterior a expectativa era de que a Selic encerrasse o ano em 3,25%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a taxa Selic foi mantida em 4,50%. Há quatro semanas a estimativa era de 5,25%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas ainda mais, para 2,50%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 3,88% na mediana das coletas.

Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020, pela décima semana seguida. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -1,96% para queda de -2,96%. Há quatro semanas, a estimativa era de alta de 1,48%. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 2,70% para 3,10%, a segunda seguida. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.

O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi de R$ 4,60 para R$ 4,80, ante R$ 4,50 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio saltou de R$ 4,47 para R$ 4,50, ante R$ 4,29 de quatro pesquisas atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 foram reduzida para US$ 71,00, ante US$ 73,00 da semana anterior e US$ 80,00 um mês atrás. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem também de US$ 80,00 bilhões.

Perspectiva

Os mercados de ações iniciam a semana com perdas, após os investidores perceberem que o corte na produção de petróleo anunciada pela OPEP na semana passada, de 9,7 milhões de barris/dia, não serão suficientes para fazer frente à fraca demanda global por conta do impacto do “coronavírus” na economia mundial. A cotação do petróleo tipo WTI recuava abaixo de US$ 11 o barril, uma queda de 40% na cotação, em meio ao excesso de oferta e estoques no limite da capacidade de armazenamento.

A China segue tomando medidas de estímulo visando impulsionar sua economia, que ruiu em meio à pandemia. A autoridade monetária reduziu hoje a taxa primária de empréstimo de 1 ano em 20 pontos base, para 3,85%, enquanto a taxa de 5 anos sofreu corte de 10 pontos base, para 4,65%.

Na agenda da semana, destaque para a divulgação de alguns indicadores no hemisfério norte. Nos EUA saem o PMI, os pedidos de bens duráveis e vendas de moradias, que devem mostrar fortes quedas. Na Europa, serão revelados o PMI da zona do euro e do Reino Unido.

Por aqui, as atenções estarão voltadas para o cenário político que envolve a disputa pelo protagonismo da crise. Destaque para a votação da PEC do chamado “orçamento de guerra”, que retorna à Câmara dos Deputados após aprovação do texto modificado pelo Senado.

Segue no radar o aumento de casos de contágio pelo “coronavírus” no Brasil. Até agora, são quase 40 mil infectados e 2,5 mil óbitos. Enquanto isso, alguns estados brasileiros prolongam a quarentena por mais alguns dias. O governador João Dória decretou a extensão da quarentena no estado de São Paulo até 10 de maio, enquanto no estado do Rio de Janeiro vai até o dia 30 de abril. Em sentido oposto, alguns estados e municípios brasileiros planejam afrouxar rapidamente as medidas de distanciamento social.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –17/04/2020

Índices de Referência – Março/2020

NOSSA VISÃO – 13/04/2020

Retrospectiva

Os números mais recentes do contágio pelo “coronavírus” indicam a infecção de mais de 1,8 bilhões de pessoas no mundo, que levaram a mais de 116 mil óbitos. Os números indicam um crescimento de 40% no número de contágios e de 50% no número de óbitos em uma semana, o que tem levado a uma corrida mundial por encomendas de EPIs e respiradores artificiais em um momento de baixa oferta. O isolamento social foi expandido nos principais centros do contágio, e indicam que a economia deve demorar mais do que o previsto inicialmente para atingir o fundo do poço. A única região que, de fato, afrouxou as medidas de segurança foi a China. A cidade de Hubei, onde o “coronavírus” surgiu em dezembro do ano passado, foi reaberta após 11 semanas de total confinamento.
Enquanto isso, no Japão, o governo decretou estado de emergência de um mês em sete regiões do país. As medidas restritivas devem atingir quase 50 milhões de pessoas, o equivalente a 44% da população japonesa. Concomitantemente, o governo japonês anunciou um pacote de ajuda que inclui gastos fiscais, repasses a famílias e financiamento de pequenas empresas no valor de 108 trilhões de ienes, o equivalente a quase US$ 1 trilhão.
A Organização Mundial do Comércio – OMC – reviu as projeções para o comércio global, concluindo que 2020 será o pior ano da história da OMC. Conforme o relatório, no melhor dos cenários, o comércio deve cair este ano 13%, mais do que na esteira da crise financeira de 2008. Mas, se a pandemia demorar a ser controlada e governos não agirem rapidamente, a queda pode chegar a 32%, equivalente à registrada na Grande Depressão na década de 1930, ao longo de três anos. Conforme previsão do IFO, instituto de pesquisa econômica sediado em Munique, a economia alemã deve recuar quase 10% no segundo trimestre. Já o banco central francês prevê o encolhimento da economia francesa em 6% até agora.
Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de recuperação de parte das perdas em resposta aos maciços programas de estímulo monetário dos principais governos e bancos centrais do planeta. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 10,91%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 7,89%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, valorizou 12,10% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, cresceu 8,56%.
Por aqui, o avanço do contágio indica que o pior está por vir. As autoridades de saúde mantém a recomendação de isolamento social como a principal medida de combate a disseminação do “coronavírius” e desafogar o sistema de saúde. Por outro lado, com a atividade paralisada devido à quarentena obrigatória dos serviços considerados não essenciais, o mercado contabiliza os prejuízos.
O índice dos gerentes de compras (PMI na sigla em inglês) composto caiu 13,3 pontos em março. O indicador foi de 50,9 pontos em fevereiro para 37,6 pontos em março, menor registro já feito desde o início da pesquisa, em março de 2007. O recuo foi puxado principalmente pelo setor de serviços, que teve queda de 15,9 pontos – indo de 50,4 para 34,5 pontos.
O auxílio emergencial a população mais carente anunciado pelo governo federal começou a ser implementado. A primeira leva de pagamentos, liberado pela Caixa Econômica Federal no dia 09 de abril, contemplava um total de 2,5 milhões de brasileiros que já estavam inscritos no CadÚnico.
O IBGE divulgou que o IPCA variou 0,07% em março, o menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, e ficou 0,18 ponto percentual abaixo da taxa de fevereiro, de 0,25%. O grupo Alimentação e bebidas apresentou a maior variação, 1,13%, e o maior impacto, 0,22 ponto percentual. No lado das quedas, embora a menor variação tenha sido a dos Artigos de residência, com -1,08%, a maior contribuição negativa no índice do mês veio dos Transportes, com -0,90%, que contribuiu com -0,18 pontos percentuais.
Para a bolsa brasileira a semana foi de alta, seguindo os mercados externos. O Ibovespa encerrou a semana com valorização de 11,71%, aos 77.681 pontos, acumulando desvalorização no ano de -32,83%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,091 para a venda, o menor valor de fechamento em quase duas semanas. Na semana, a moeda recuou 0,19% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 28,23%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com valorização de 1,74%, enquanto no ano a desvalorização é de -6,32%. No acumulando de 12 meses a valorização é de 8,89%.
Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 2,52%, ante 2,72% da semana passada, quinta semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 3,10%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro manteve a estimativa da inflação em 3,50%. Quatro semanas atrás, a previsão era de que a inflação do ano que vem seria de 3,65%. Em 2021, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.
Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros encerre o ano em 3,25%, uma redução de 50 pontos base em relação à Selic atual, de 3,75%. Na semana anterior a expectativa era a mesma de hoje. Para o encerramento de 2021, a previsão para a Selic foi reduzida em mais 0,25 ponto percentual, para 4,50%, ante projeção de 4,75% na semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 5,25%.
Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas ainda mais, para 2,75%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 4,00%.
Os efeitos da pandemia do “coronavírus” sobre a economia brasileira fizeram os economistas cortarem novamente suas projeções para o PIB em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de -1,18% para queda de -1,96%. Há quatro semanas, a estimativa era de alta de 1,68%. O número, porém, está longe das novas previsões divulgadas por algumas casas na semana passada, que veem a economia brasileira encolher mais de -3,5% neste ano, como consequência da parada da atividade no Brasil e no mundo, com as restrições de circulação para conter o contágio do vírus. Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do PIB, de elevação de 2,50% para 2,70%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%. Em março, na esteira da pandemia, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.
O relatório mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano foi de R$ 4,50 para R$ 4,60, ante R$ 4,35 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio foi de R$ 4,40 para R$ 4,47, ante R$ 4,20 de quatro pesquisas atrás.
Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 foram reduzida para US$ 73,00, ante US$ 76,50 da semana anterior. Para 2021, a expectativa foi mantida em R$ 80,00. Há quatro semanas, a estimativa era de ingressos da ordem de US$ 83,75 bilhões.
Perspectiva

Os mercados de risco repercutem o acordo histórico selado por russos e árabes que definiram um corte na produção do petróleo da ordem de 10 milhões de barris diários em resposta a uma queda de 30% na demanda por combustíveis em todo mundo, o que trouxe o preço do barril do petróleo a níveis de quatro anos atrás. Entretanto, o tamanho do corte frustrou as expectativas gerais, que esperavam uma redução de até 20 milhões de barris diários, e diante disso, limitou o ânimo dos mercados.
Por aqui, destaque para o relatório do Banco Mundial sobre o crescimento da economia revelado no final de semana. Para a América Latina e Caribe, o Banco Mundial prevê que o PIB da região deverá diminuir 4,6% em 2020, enquanto que para 2021 é esperado um crescimento de 2,6%. O relatório destacou que muitos países da região estão enfrentando a pandemia do “coronavírus” com um espaço fiscal limitado, dado um contingente de cidadãos vulneráveis significativamente elevado e dependentes de programas sociais de distribuição de renda. Para o Brasil, o relatório prevê uma retração ainda maior, de 5% no PIB em 2020.
Na agenda da semana, destaque para a divulgação do PIB trimestral da China, que deve mostrar uma queda da ordem de 6% no primeiro trimestre, na comparação anual, além de dados da produção industrial e vendas no varejo, que devem repercutir o retorno da atividade da região após o período de isolamento recém-terminado.
No restante do mundo, os dados de atividade, produção e vendas devem mostrar declínio na medida em que forem revelados, em vista da extensão dos períodos de isolamento social nos países em que o número de pessoas infectadas segue avançando.
Por aqui, espera-se pela votação da PEC do “orçamento de guerra”, que permite gastos do governo além das regras fiscais previstas na Constituição, para combater os efeitos da pandemia.
Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –13/04/2

Índices de ReferênciaMarço/20


NOSSA VISÃO – 06/04/2020

Retrospectiva

No centro das atenções dos investidores esteve a expansão do contágio “coronavírus”, que já infectou mais de 1,3 bilhões de pessoas no mundo, causando mais de 75 mil óbitos. A pandemia segue fazendo estragos nos principais mercados de risco, porém em menor escala na medida em que os governos das principais economias do planeta seguem anunciando medidas adicionais de suporte a cidadãos e empresas em dificuldade.

Alguns países que dominam o cenário mundial de produção e consumo divulgaram dados que indicam uma forte contração da economia local.

Na zona do euro, a atividade industrial entrou em colapso no mês de março. Conforme divulgou a agência IHS Markit, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, que engloba o setor industrial e de serviços, despencou para a mínima de 29,7 pontos em março, ante 51,6 pontos em fevereiro, marcando a pior queda mensal desde que o índice começou a ser divulgado, em julho de 1988. A marca de 50 pontos separa crescimento de contração. A contração foi puxada pelo setor de serviços, o mais sacrificado com o isolamento social da população, que caiu a 26,4 pontos, mínima da pesquisa, contra 52,6 pontos em fevereiro e preliminar de 28,4 pontos.

Nos EUA, o PMI composto recuou 8,7 pontos em março. Ele foi de 49,6 pontos em fevereiro para 40,9 pontos. O resultado foi puxado, principalmente, pelo setor de serviços, que caiu de 49,4 pontos para 39,8 pontos, na medida em que negócios não essenciais estão sendo forçados a fechar, alguns indo à falência. Além disso, os bloqueios estão levando a uma redução considerável no gasto do consumidor. Já o PMI industrial, recuou para 48,5 pontos ante 50,7 pontos em fevereiro.

O mercado de trabalho norte-americano já mostra os sinais da desaceleração acentuada da economia por lá. Conforme divulgou o Departamento de Trabalho, foram destruídos 701 mil postos de trabalho em março, ante previsão de perda de 100 mil postos. Com isso, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, ante taxa de 3,5% em fevereiro. Estima-se que o número de desempregados é bem maior, devido à metodologia para apuração dos resultados não capturar totalmente a realidade visto que os dados foram coletados até a semana que terminou em 12 de março. Uma melhor imagem do cenário do mercado de trabalho é dada pelo relatório semanal de pedidos de auxílio-desemprego. Nas duas últimas semanas de março, cerca de 10 milhões de norte-americanos entraram com pedido do seguro.

Para os mercados de ações internacionais, a semana foi de queda nos principais mercados financeiros. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou -1,11%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu -1,72%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, desvalorizou -2,08% e o Nikkei 225, da bolsa japonesa, despencou -8,09%.

Por aqui, a demora na implementação do pacote de ajuda aos mais necessitados tem motivado a disputa entre os poderes executivo e legislativo. As medidas anunciadas pela equipe econômica são dispersas e demoram a tramitar e chegar aos destinatários da ajuda. A falta de um coordenador para situação de crise fragiliza o governo, fazendo com que o legislativo tome o protagonismo cobrando celeridade do executivo. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro destoa de todos, inclusive de estadistas externos sobre o isolamento social e das recomendações da Organização Mundial da Saúde – OMS. Por conta disso, os investidores estrangeiros seguem retirando recursos da Bovespa e crescendo aposta no dólar. Até a sessão de fechamento de março, os investidores estrangeiros já tinham sacado R$ 64,3 bilhões da Bovespa neste ano.

Para a bolsa brasileira a semana foi de queda, seguindo os mercados externos. O Ibovespa encerrou a semana com recuo de 5,30%, aos 69.537 pontos, acumulando desvalorização no ano de -39,87%. O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira cotado a R$ 5,326 para a venda, mais um recorde nominal de fechamento desde a criação do Plano Real. Na semana, a moeda avançou 4,3% frente ao real, enquanto no ano acumula alta de 32,72%. Já o IMA-B Total encerrou a semana com desvalorização de -1,57%, enquanto no ano a desvalorização é de -7,93%. No acumulando de 12 meses a valorização é de 7,04%.

Relatório Focus

No Relatório Focus revelado hoje, os economistas que militam no mercado financeiro ajustaram novamente pra baixo a estimativa para a inflação deste ano. A projeção agora é de que o IPCA encerre o ano em 2,72%, ante 2,94% da semana passada, quarta semana consecutiva de projeção em queda. Um mês atrás a previsão para o IPCA deste ano era de 3,20%. O resultado continua distante da meta de inflação fixada pelo CMN para este ano, de 4,00%. Para 2021, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação para 3,50%, ante 3,57% da semana anterior. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Para a Selic, o levantamento semanal mostrou que a expectativa é de que a taxa básica de juros seja reduzida em mais 0,50 ponto percentual este ano, e termine o ano em 3,25%. Antes a expectativa era de que fosse reduzida para 3,50%. Para o encerramento de 2021, a previsão para a Selic foi reduzida em mais 0,25 ponto percentual, para 4,75%, ante projeção de 5,00% na semana anterior. Há quatro semanas a estimativa era de 5,50%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, reunidos no chamado “top 5”, as estimativas para a taxa Selic em 2020 foram reduzidas ainda mais, para 3,00%. Para 2021 as apostas são de que a taxa Selic encerre o ano em 4,00%.

Os mesmos economistas passaram a ver uma contração ainda mais forte no PIB em 2020, em meio à crise do “coronavírus”. No relatório Focus desta semana, a projeção para a variação do PIB deste ano é de queda de -1,18%, contra queda de -0,48% na semana anterior. O número, porém, está longe das novas previsões divulgadas por algumas casas na semana passada, que veem a economia brasileira encolher mais de -3,5% neste ano, como consequência da parada da atividade no Brasil e no mundo, com as restrições de circulação para conter o contágio do vírus. Para 2021, a estimativa do Focus é que o país ainda cresça 2,50%, mesma projeção da semana anterior.

O relatório mostrou que a projeção para o dólar no fim de 2020 foi mantida em R$ 4,50. Um mês atrás a estimativa era de R$ 4,20. Para o ano de 2021, a projeção para o câmbio foi aumentada para R$ 4,40, ante R$ 4,30 da estimativa anterior. Um mês atrás era de R$ 4,20.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia, os números seguem em queda. A mediana das previsões para 2020 foi reduzida para US$ 76,50, ante US$ 80,00 da semana anterior. Para 2021, a expectativa foi ajustada para R$ 80,00, enquanto na semana anterior a previsão era de ingressos da ordem de US$ 81,40 bilhões.

Perspectiva

A semana iniciou com fortes valorizações nos principais mercados de risco, em decorrência da desaceleração no número de casos de contaminação pelo “coronavírus”, especialmente nos continentes europeu e asiático. Pela primeira vez desde janeiro, a China não registrou ontem nenhum óbito diário. Nos países dessas regiões, as autoridades já estudam a estratégia para reabertura dos comércios locais e afrouxamento do isolamento social.

Por outro lado, no Japão o número de casos acelerou e fez com que o governo decretasse estado de emergência em algumas regiões mais populosas do país, dentre elas a capital Tóquio. Em contrapartida, o país prepara um pacote de ajuda que prevê repasses direto de dinheiro a famílias afetadas e empréstimo a juros zero para empresas, estimado em US$ 1 trilhão, o equivalente a 20% do PIB.

Os EUA enfrentam o pico da pandemia, com crescimento vertiginoso no número de contágios. Dados atualizados informam que o número de pessoas contagiadas atingiu a casa dos 370 mil casos, levando o número de óbitos para 11 mil.

Por aqui, as perspectivas são de que o pico da pandemia ocorra entre abril e maio. Até agora, as informações são de que mais de 12 mil pessoas foram infectadas, com o registro de 553 óbitos. As medidas de isolamento social têm agido no sentido de suavizar a curva de contágio, além da imposição de fechamento do comércio não essencial e de atividades que possam agrupar pessoas. No estado de São Paulo, por exemplo, o governador João Dória prorrogou ontem o tempo de isolamento e fechamento do comércio por mais 15 dias.

Na agenda da semana, destaque para a reunião da Opep+ que tem como objetivo por fim a disputa travada entre os principais produtores de petróleo do planeta. A meta é encontrar um entendimento que limite a produção do petróleo a níveis condizentes com a demanda mundial atual, que sofreu profunda queda por conta da pandemia.

Também na agenda está a divulgação de alguns dados que já podem repercutir a desaceleração da economia doméstica. O principal será o IPCA de março, a ser revelado na quinta-feira, com previsão de alta nos preços menor que no mês anterior, podendo atingir a dos 0,10%. Também serão conhecidos dados de venda do varejo, serviços e o IBC-Br, considerado a prévia do PIB brasileiro, porém com dados antecedentes a imposição da quarentena.

Mantemos nossa recomendação de adotar cautela nos investimentos e acompanhamento diário dos mercados e estratégias. Mantemos a sugestão para que os recursos necessários para fazer frente às despesas correntes sejam resgatados dos investimentos menos voláteis (CDI, IRF-M1, IDkA IPCA 2A). Os demais recursos mantenham-os em “quarentena” esperando um melhor momento para realocar. Tomar decisões precipitadas enseja realizar uma perda decorrente da desvalorização dos investimentos sem possibilidades de recuperar na retomada do mercado. Para aqueles que enxergam uma oportunidade de investir recursos a preços mais baratos, municie-se das informações necessárias para subsidiar a tomada da decisão.

* Aos clientes que investem em Fundos de Participações e Fundos Imobiliários em percentual superior a 2,5% em cada, reduzir a exposição aos Fundos de Ações na proporção desse excesso.

Indicadores Diários –03/04/2020

Índices de Referência – Fevereiro/2020