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maio 30th, 2017

Nossa Visão – 29/05/2017

Retrospectiva

Decorrida mais uma semana, continua impossível prever com segurança um desfecho para a atual crise política no Brasil. Ao presidente Temer restou, após o seu envolvimento em um escândalo de corrupção de enorme dimensão, manobrar na tentativa de reagrupar a sua reduzida base política em busca de uma agenda parlamentar.

De acordo com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a política econômica vai continuar a mesma, já que há um consenso no país de que medidas como a disciplina fiscal, controle da inflação e solvência futura são indispensáveis para a retomada sadia do crescimento econômico. Ele também acredita que as reformas podem ter a sua tramitação atrasada em algumas semanas, mas os esforços pela aprovação irão prosseguir.

Mesmo antes do senador Ricardo Ferraço ter dado com lido o seu parecer sobre a reforma trabalhista, na sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e ter acenado com a possibilidade de votação em plenário nesta semana, os investidores estrangeiros aproveitaram a alta do dólar para comprar ativos brasileiros. Nos dois dias seguintes ao estouro da crise, o país recebeu do exterior, segundo o Banco Central, um total líquido de US$ 3,46 bilhões, que foram destinados à compra de ações e títulos do governo.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foi divulgado na semana passada o PMI Composto, que revelou que as empresas da região tiveram em maio forte taxa de crescimento. Foi também divulgada a segunda revisão do PIB da Alemanha no primeiro trimestre deste ano, que confirmou o crescimento de 0,6 em relação ao trimestre anterior e de 1,7% na comparação anual.

Nos EUA, a segunda revisão do PIB do primeiro trimestre mostrou um avanço de 1,2% anualizado, graças aos gastos dos consumidores mais fortes do que se supunha, sendo que a estimativa anterior era de uma evolução de 0,7%. Já o PMI composto subiu para 53,9 pontos em maio, o maior nível em três meses.

Quanto a ata da última reunião do FED, também divulgada durante a semana que passou, ficou claro que os membros do comitê do banco central americano concordaram que deveriam suspender o aumento da taxa de juros até novas evidencias de que a recente desaceleração do PIB foi transitória.

Nos mercados de ações internacionais a semana foi de novas máximas nos EUA. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, caiu0,29% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 1,03%. O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 1,43% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 0,49%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe desacelerou para 0,11% na terceira quadrissemana de maio, frente a 0,30% que havia subido na anterior. O IPC-S, que subiu 0.30% na segunda quadrissemana deste mês, acelerou para 0,35% na terceira leitura. Já o IPCA-15, embora tenha subido de 0,21% em abril, para 0,24% em maio, foi o menor índice para o mês em 17 anos.

Embora a sazonalidade tenha sido favorável, por conta do grande recolhimento de impostos, o superávit primário do setor público consolidado, de R$ 12,9 bilhões superou as expectativas que iam de um déficit de R$ 3,6 bilhões a um superávit de R$ 8,4 bilhões. No entanto, em doze meses, o déficit acumulado foi de R$ 154,3 bilhões.

Segundo o Banco Central, ainda em abril, o Brasil teve superávit em transações correntes de US$ 1,15 bilhões, o melhor resultado para o mês desde 2007. Em 12 meses o déficit externo foi de US$ 3,5 bilhões, enquanto o Investimento Estrangeiro Direto, que usualmente financia esse déficit, atingiu US$ 84,7 bilhões ou 4,5 vezes o déficit, revelando uma situação de conforto pouco vista nas contas externas do país. A má notícia foi que a agencia de rating Standar&Poor’s colocou em revisão a nota de crédito do país, para um possível rebaixamento.

Na semana que passou, como esperávamos, os mercados mostraram recuperação em relação ao dia seguinte da crise. O Ibovespa subiu 2,31%, embora acumule uma baixa de 2,02% no mês. Mas ainda acumula uma alta de 6,41% em 2017. Já o dólar caiu 0,80% na semana e agora acumula uma leve alta de 0,07% no ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentou alta de 1,61% na semana, embora acumule uma queda de 1,24% no mês. Mas acumula alta de 5,23% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 3,95% em 2017, frente a expectativa de 3,92% na semana anterior. Uma previsão maior que na semana anterior, depois de onze semanas consecutivas de previsões em queda. Para 2018 a estimativa é que suba 4,40%, frente a4,34% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório continuou informando que para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 8,50%, como na semana anterior. E para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, também como na pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,49%, frente a 0,50% na pesquisa anterior e para 2018 um avanço de 2,50%, como no último relatório.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,25, no fim de 2017, frente a R$ 3,23na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,37, frente a R$ 3,36 na última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 79 bilhões em 2017 e US$ 78,75 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da inflação do consumidor e da taxa de desemprego em maio.

Nos EUA, serão divulgados o Livro Bege, o PMI industrial e a taxa de desemprego em maio.

No Brasil, serão divulgados, além dos indicadores parciais de inflação, o IGP-M de maio, a taxa de desemprego e a produção industrial em abril e o PIB do primeiro trimestre deste ano. Na quarta-feira teremos a reunião do Copom onde uma nova redução da taxa Selic é esperada.

No que diz respeito à economia internacional, a divulgação da criação de novas vagas de trabalho não rural e a taxa de desemprego em maio é o evento mais importante.

No Brasil, sem dúvida o foco continuará no andamento da crise, que não pode se alongar sob pena de retornarmos para um quadro recessivo, apesar de o mercado ter demonstrado certa tranquilidade, mesmo com todas as incertezas.

Entretanto, o evento de maior atenção será a reunião do Copom, em que é esperada uma redução de 1% da taxa Selic. Mesmo que isso não ocorra nessa proporção, na medida em que os fundamentos macroeconômicos continuarem favoráveis como estão, a tendência é de queda continuada dos juros.

Portanto, permanece a nossa recomendação de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5,IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece também a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), além das realizadas em ações (10%).

É importante lembrarmos que a crise é de ordem política e não econômica. As quedas ocorridas na semana retrasada acabaram por criar oportunidades de investimento que não merecem ser desprezadas.

Para os clientes que seguem integralmente a nossa carteira sugerida, recomendamos permanecer nas posições atuais. Para os clientes que seguem as alocações sugeridas apenas em renda fixa, lembramos a oportunidade criada na renda variável, principalmente em ações. E para os clientes que não estão seguindo em qualquer aspecto a nossa sugestão de carteira, acreditamos que este é um bom momento para fazê-lo.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 26/05/2017

Índices de Referência – Abril / 2017