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Consultoria em Investimentos

abril 18th, 2017

Nossa Visão – 17/04/2017

Retrospectiva

No dia seguinte à divulgação da lista de políticos que serão investigados a pedido do ministro e relator da Operação Lava Jato no STF, Edson Fachin, a bolsa e o dólar, tradicionais indicadores da temperatura no mercado financeiro, diante de fatos adversos, tiveram variações pouco expressivas. Embora o evento já fosse aguardado, o fato é que a incerteza política aumentou.

O ministro Fachin, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou a abertura de inquérito contra 8 ministros do governo Temer, além de 24 senadores e 39 deputados federais. Com isso, os políticos que foram citados nas delações de 78 executivos do Grupo Odebrecht passam agora a ser investigados, em um novo estágio do processo.

Para diversos analistas políticos, o evento pode atrasar o andamento da reforma da Previdência, a mais aguardada pelo mercado, mas não deverá inviabilizá-la. Só um ambiente econômico mais favorável em 2018 poderia gerar mais chances para os políticos dos principais partidos envolvidos nas delações.

Para o presidente Temer o governo não pode e não deve ser paralisado. Uma agenda positiva deve ser mostrada para a sociedade. Faz parte dela a reforma trabalhista, que segundo o seu relator, o deputado Rogério Marinho, deve ser votada na Câmara até o final de abril.  Enquanto isso, o aumento da nota de crédito da Petrobrás, pela agência Moody’s foi no governo muito comemorado.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a produção industrial em fevereiro recuou 0,3%, frente a janeiro, quando se esperava um avanço de 0,2%. Na comparação anual o crescimento foi de 1,2%, embora a evolução esperada fosse de 2%.

Por sua vez, a confiança do investidor da zona do euro melhorou mais do que o esperado em abril e atingiu o nível mais elevado em quase dez anos, indicando que a região continua a progredir no campo econômico.

Nos EUA, em março, a inflação do consumidor retrocedeu pela primeira vez em um ano, com a queda de 0,3%, enquanto os analistas esperavam que se mantivesse estável. Em doze meses, a inflação reduziu seu avanço ficando em 2,4%, depois de ter alcançado 2,7% em fevereiro, o nível mais alto em quase cinco anos.

Já a confiança do consumidor, depois de ter se enfraquecido em fevereiro e março, alcançou na preliminar de abril os 98 pontos, quando as expectativas indicavam que chegaria a 97 pontos.

Na China, a economia cresceu no primeiro trimestre deste ano 6,9% em base anualizada, superando até a meta do governo de 6,5%. Ajudaram a atingir a alta taxa de crescimento a produção industrial, os investimentos em ativos fixos e as vendas no varejo.

Nos mercados de ações internacionais fatores geopolíticos provocaram quedas. O Dax, índice da bolsa alemã, caiu na semana0,95%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, 0,30%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, 1,13% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa1,27%.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe acelerou de 0,14% no final de março, para 0,31% na primeira medição de abril, influenciado pelo grupo alimentação. O IPC-S, por outro lado, que na primeira prévia de abril subiu 0,49%, desacelerou a alta para 0,44% na segunda, sendo que a maior contribuição veio do grupo Habitação.

Em decisão unânime, o Copom decidiu, na última quarta-feira reduzir a taxa Selic de 12,25% para 11,25% aa. Foi o maior corte desde junho de 2009 e é o menor nível da taxa desde outubro de 2014. Sobre as próximas decisões o Banco Central entende que a extensão do ciclo de flexibilização monetária dependerá da evolução da atividade econômica e das projeções e expectativas de inflação.

Na semana, foi também divulgado pelo IBGE que as vendas no varejo recuaram 0,2% em fevereiro, em relação a janeiro e 3,2% em relação ao ano anterior. Já o setor de serviços cresceu 0,7% também em fevereiro, em relação ao mês anterior, mas recuou 5% em doze meses.

Na segunda semana de abril, o Ibovespa caiu 2,74%, em função das quedas das bolsas no exterior, mas ainda acumula uma alta de 4,31% em 2017. Já o dólar caiu 0,11% na semana e acumula uma queda de 4,06% no ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentou alta de 0,29% na semana e acumula alta de 6,69% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado ontem, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,06% em 2017, frente a expectativa de 4,09% na semana anterior. Para 2018 a expectativa é que suba 4,39%, frente a 4,46% na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 8,50%, como na semana anterior. Para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, também como na pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,40%, frente a 0,41% da última pesquisa e para 2018 um avanço de 2,50%, também como na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,23, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,40, frente a R$ 3,37na última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e US$ 75 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana, está prevista a divulgação, na zona do euro, da inflação do consumidor em março, do PMI composto e da confiança do consumidor em abril.

Nos EUA, serão divulgadas a construção de novas residências e a produção industrial em março, além do Livro Bege e o PMI composto de abril.

No Brasil, serão divulgados, além dos indicadores semanais de inflação, o IBC-Br de fevereiro e o IPCA-15 de abril.

Do lado da economia internacional, a divulgação do Livro Bege nos dará uma ideia da evolução da economia norte-americana e no Brasil,a divulgação do IBC-Br e do IPCA-!5 ilustrarão os últimos dados sobre a atividade econômica e sobre a evolução da inflação do consumidor.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendaçãoé de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 17/04/2017

Índices de Referência – Março / 2017