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Consultoria em Investimentos

abril 4th, 2017

Nossa Visão – 03/04/2017

Retrospectiva

Empenhado em chegar ao final deste ano com um déficit de até R$ 139 bilhões, o governo federal anunciou, na última quarta-feira, um bloqueio de R$ 42,1 bilhões de despesas previstas no Orçamento de 2017 e a reoneração da folha de pagamento de cerca de 50 setores. A medida entra em vigor em agosto e depende da aprovação do Congresso Nacional.

Quanto à reforma da Previdência, o governo decidiu que dará seis meses para que Estados e municípios ajustem seus sistemas previdenciários após a promulgação da reforma da Previdência conforme acharem adequado, caso contrário, deverão ser adotadas as regras aprovadas pelo Congresso.

Na quinta-feira, o presidente Temer sancionou o projeto de lei que regulamenta a terceirização, mantendo a essência da proposta que permite a contratação de trabalhadores terceirizados em todas as atividades das empresas e institui a responsabilidade subsidiária que obriga à prestadora de serviços pagar os direitos trabalhistas. Se isso não acontecer judicialmente, a contratante é acionada para honrar as obrigações.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a inflação do consumidor em março caiu para 1,5% anualizado, depois de ter atingido os 2% em fevereiro, a meta do BCE, por conta da alta menor dos preços de energia. Já a confiança do consumidor permaneceu estável em março, em comparação com o mês anterior.

Nos EUA, a confiança dos consumidores atingiu em março o seu auge em 17 anos, mês que os analistas esperavam uma queda. Já a inflação do consumidor em março foi de 2,1% nos últimos doze meses, acima da meta do FED de 2%.

Também foi divulgada a revisão final da variação do PIB americano no último trimestre de 2016. Ao invés de 1,9% a variação foi de 2,1% anualizada. No entanto o crescimento do ano todo permaneceu de 1,6%, o pior desempenho em cinco anos. Para o primeiro trimestre de 2017 a expectativa é de uma evolução do PIB de cerca de 2%.

Das bolsas internacionais, o Dax, índice da bolsa alemã, subiu na semana 2,06% e encerrou o mês com alta de 4,31%, enquanto o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu 0,19%, subindo 1,09% em março. Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, avançou 0,80% na semana, mas recuou 0,20% no mês, enquanto o Nikkey 225, da bolsa japonesa caiu 1,83% na semana e 1,94% no mes.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-S acelerou de 0,39% na terceira quadrissemana, para 0,47% na quarta e o IPC-Fipe de 0,02% para 0,06% na terceira medição. Já o IGP-M, conforme a FGV, desacelerou de 0,08% em fevereiro, para 0,01% em março.

Em janeiro, as vendas no varejo surpreenderam ao recuar 0,7%, quando a expectativa era de um avanço de 0,60%. No entanto, conforme a FGV, o índice de confiança do comércio atingiu em março o maior nível desde o fim de 2014. Já o setor de serviços apresentou queda de 2,2% também em janeiro, a maior perda de 2012. Na indústria, a confiança dos empresários voltou a subir em março, depois de registrar queda um mês antes.

Para o Banco Central, a atividade econômica recuou 0,26% em janeiro, medida através do IBC-Br. Em 12 meses a retração foi de 3,99%, um mau início de ano. E conforme o IBGE, no trimestre encerrado em fevereiro, a taxa de desemprego no Brasil aumentou para 13,2%, depois de ter registrado 11,9% na mediação anterior. A população desocupada chegou a 13,5 milhões de pessoas.

No setor público consolidado, o déficit primário ressurgiu em fevereiro, alcançando os R$ 23,5 bilhões, depois do expressivo superávit alcançado em janeiro. No ano o superávit primário caiu para R$ 13,2 bilhões. Em doze meses o déficit atingiu R$ 147,4 bilhões ou 2,34% do PIB.

Na última semana de março, o Ibovespa subiu 1,77% e acumulou uma queda de 2,52% no mês, mas uma alta de 7,90% em 2017. Já o dólar subiu 1,29% na semana e acumulou uma alta de 2,23% no mês, mas uma queda de 2,78% neste ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentou avanço de 0,13% na semana, de 1,04% no mês e de 6,89% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado ontem, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,10% em 2017, frente a expectativa de 4,12% na semana anterior. Para 2018 a expectativa é que suba 4,50%, também como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o boletim informou que para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 8,75%, frente a 9% na semana anterior.  Para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, como na pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,47%, sem alteração da última pesquisa e para 2018 um avanço de 2,50%, também como na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,25, no fim de 2017, sendo que na pesquisa anterior estaria em R$ 3,28 e para o final do próximo ano em R$ 3,40, como na última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 75 bilhões em 2017 e US$ 74,50 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da taxa de desemprego e as vendas no varejo em fevereiro e o PMI composto de março.

Nos EUA, serão divulgadas a taxa de desemprego, a criação de novas vagas de trabalho não rural e o PMI industrial em março. Também será divulgada a ata da última reunião do FOMC.

No Brasil, serão divulgados, além dos indicadores semanais de inflação, o IPCA de março e a produção industrial de fevereiro.

Do lado da economia internacional, a divulgação da ata da última reunião do FED é o fato mais importante. No Brasil, o foco estará na divulgação do IPCA de março, principalmente depois que no Relatório Trimestral de Inflação o Banco Central sinalizou a possibilidade de um recuo maior da taxa Selic. Na esfera política, é esperado o início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral se a chapa Dilma-Temer abusou do poder político e econômico na campanha eleitoral de 2014, o que pode provocar turbulências no mercado financeiro nacional.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 03/04/2017

Índices de Referência – Fevereiro / 2017