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Consultoria em Investimentos

março 24th, 2017

Nossa Visão – 20/03/2017

Retrospectiva

E a semana que passou foi boa para o Brasil, mas também foi ruim. Embora em Brasília persista o clima de nervosismo e incertezas, por conta da Operação Lava Jato, com as delações de executivos da construtora Odebrecht, o Senado aprovou uma nova rodada do programa que permite a repatriação de recursos do exterior, para o bem das contas públicas. O texto foi aprovado como veio da Câmara dos Deputados e define que o prazo para a regularização será de quatro meses, contados 30 dias após a publicação no Diário Oficial da União.

Teve muito sucesso o leilão de concessão dos aeroportos de Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Florianópolis. O ágio alcançado, de quase R$ 1,5 bilhão foi superior a 90%, com forte participação de investidores estrangeiros. Considerando as outorgas, a arrecadação prevista é de R$ 3,72 bilhões. Os investimentos a serem realizados pelos vencedores, nos quatro aeroportos é estimado em R$ 6,6 bilhões.

Na quarta-feira a agência internacional de rating, Moody’s elevou a perspectiva da nota da dívida brasileira de negativa, para estável. Embora a nota Ba2, que revela nível especulativo e sujeito a alto risco de crédito, tenha sido mantida, no comunicado afirmou que revisou para cima a perspectiva por considerar que os riscos anteriores estão diminuindo e que as condições macroeconômicas do país estão se estabilizando.

O fato ruim foi a operação lançada pela Polícia Federal em seis estados, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e cerca de 40 empresas, entre elas a JBS e BRF, acusadas de pagamento de propina para a liberação de mercadorias sem fiscalização. Além da forte queda no preço das ações das companhias envolvidas e listadas em bolsa, a repercussão no exterior foi a pior possível. Péssimo para um setor em que o Brasil tem demonstrado competência.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, a agência Eurostat informou que a produção industrial da região subiu 0,9% em janeiro, frente a dezembro. Embora a expectativa fosse de uma alta superior a 1%, o avanço foi associado à boa alta da produção de bens de capital.

Em relação à inflação do consumidor, foi confirmado pela Eurostat o avanço de 2% dos preços, em fevereiro, já em cima da meta do Banco Central Europeu.

Nos EUA, a inflação do consumidor avançou em fevereiro 0,1% e atingiu a marca anual de 2,7%. Sem considerar os gastos com alimentação e energia o avanço foi de 2,2%. Já a produção industrial ficou estável nesse mês, enquanto se esperava uma alta de 0,2%. E as vendas no varejo cresceram 0,1% também em fevereiro, como era esperado.

Na quarta-feira o banco central, o FED, se reuniu e elevou a taxa básica de juros pela segunda vez em três meses, desta vez de 0,50% a 0,75% para 0,75% a 1% aa., como era esperado. No comunicado destacou o crescimento econômico estável, os ganhos no emprego e a confiança de que a inflação está subindo de encontro a meta. A instituição também reafirmou que o aperto na taxa de juros será gradual, o que foi muito bem recebido pelo mercado.

No mercado acionário internacional, o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,80% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, 1,12%. Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, subiu 0,24%, mas o Nikkey 225, da bolsa japonesa caiu 0,42% na semana.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe registrou alta de 0,02% na segunda quadrissemana de março, depois da queda de 0,09% na primeira. O IPC-S, por seu turno, acelerou de 0,34% na primeira quadrissemana, para 0,35% na segunda. A maior alta partiu do grupo alimentação, puxada pelo item restaurantes.

Em fevereiro, o setor de serviços e a indústria de transformação puxaram a geração de emprego com carteira assinada no país. Foram criadas no total 35,6 mil novas vagas, após 22 meses de queda, de acordo com os dados do Caged. E já em março, o índice de confiança da indústria aumentou para 54 pontos, ante 53,1 pontos no mês anterior, o maior nível desde janeiro de 2014, conforme a Confederação Nacional da Indústria.

Na última semana, o Ibovespa recuou 0,72%, mas ainda acumula uma alta de 6,61% em 2017. Já o dólar, com o comunicado mais brando do FED, recuou 1,73% na semana e acumula queda de 4,65% neste ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentou avanço de 0,41% no mesmo período e acumula uma alta de 6,69% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,15% em 2017, frente a expectativa de 4,19% na semana anterior. Se distanciando cada vez mais do centro da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 4,50%. Para 2018 a expectativa é que suba 4,50%, também como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o boletim informou que para o fim de 2017, a média das expectativas situou-se em 9%, como na semana anterior.  Para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 8,50%, diante dos 8,75% na semana anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,48%, como que na semana anterior e para 2018 um avanço de 2,50%, sendo que na semana anterior era de 2,40%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,29, no fim de 2017, sendo que na pesquisa anterior estaria em R$ 3,30 e para o final do próximo ano em R$ 3,40, também como na última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 72 bilhões em 2017 e US$ 74,50 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, da confiança do consumidor e do PMI composto, em março.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas de casas novas e usadas, bem como as encomendas de bens duráveis em fevereiro e o PMI industrial de março.

No Brasil, serão divulgados os indicadores semanais de inflação e o IPCA-15.

Do lado da economia internacional, a agenda não será das mais cheias. No Brasil, o foco estará na divulgação do IPCA-15, que deverá confirmar a queda continuada da inflação, apesar do acionamento da bandeira amarela, que elevou os preços da energia elétrica .

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais. A nova tabela abaixo passa a melhor ilustrar a alocação sugerida dos recursos, em função da qualificação do RPPS investidor.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 20/03/2017

Índices de Referência – Fevereiro / 2017