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Consultoria em Investimentos

março 7th, 2017

Nossa Visão – 06/03/2017

Retrospectiva

Por conta dos feriados de Carnaval, o Nossa Visão não foi publicado na última segunda-feira, de uma semana em que o assunto Lava Jato voltou ao noticiário nacional. Com o depoimento de Marcelo Odebrecht e mais dois diretores da empresa à Justiça Eleitoral, sobre as doações à campanha presidencial de 2014, a dúvida que ficou para uma eventual sobrevivência do governo atual, é se o TSE entenderá ter havido uma separação das contas Dilma-Temer, na responsabilidade sobre as contas da campanha.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, as vendas no varejo em janeiro surpreenderam com a queda de 0,1%, quando a expectativa era de um aumento de 0,4%. Por outro lado, a atividade empresarial da região cresceu no ritmo mais forte em quase seis anos, em fevereiro e a criação de empregos foi a mais rápida em quase uma década, devido à força da demanda interna e das exportações, conforme revelou o PMI composto.

Ainda em fevereiro, segundo a agência Eurostat, o índice de preços ao consumidor registrou o maior nível desde o início de 2013, ao apresentar alta de 2%, atingindo dessa forma a meta do banco central.

Nos EUA, foi divulgada a segunda estimativa da evolução do PIB no quarto trimestre de 2016, que foi mantida em um crescimento de 1,9% nesse período e de 1,6% no ano todo.

Em pronunciamento na última sexta-feira, a presidente do FED, Janet Yellen indicou que pode ser apropriada a elevação das taxas de juros na reunião da autoridade monetária, marcada para o dia 15 próximo e que o processo de ajuste monetário em 2017, provavelmente será mais rápido que em anos anteriores.

No mercado acionário internacional, a semana foi novamente de altas. O Dax, índice da bolsa alemã, subiu 1,89% e o FTSE-100, da bolsa inglesa, 1,80%. Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, atingiu outra vez novo patamar recorde e subiu 0,67%, acumulando no ano uma alta de 6,44%. Já o Nikkey 225, da bolsa japonesa subiu 0,96% na semana.

Em relação à economia brasileira, dos indicadores parciais de inflação, o IPC-Fipe registrou queda de 0,08% em fevereiro, após deflação de 0,05% na terceira quadrissemana do mês. O IPC-S, também desacelerou, de 0,40% na terceira quadrissemana, para 0,31% na última. Já o IGP-M, considerado a inflação do aluguel, teve forte desaceleração e subiu apenas 0,08% em fevereiro.

Depois de ter reduzido a taxa Selic de 13% para 12,25% aa. em sua reunião em fevereiro, o Copom divulgou a ata da reunião, que sinaliza a possibilidade de aceleração do ritmo de queda da taxa Selic na próxima reunião, além de reiterar a necessidade de reformas e ajustes pelo governo, para reduções mais ambiciosas dos juros.

Conforme o IBGE, a taxa de desemprego no Brasil, apurada através da Pnad Contínua aumentou de 11,8% para 12,6% no trimestre encerrado em janeiro, quando a população desocupada chegou a 12,9 milhões de pessoas.

Ainda em janeiro, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 36,7 bilhões, sendo que no acumulado de doze meses o déficit primário foi de R$ 147 bilhões. Já em fevereiro, o superávit da Balança Comercial foi de US$ 4,56 bilhões, elevando o acumulado no ano para US$ 7,3 bilhões.

Na última semana, o Ibovespa avançou 0,18% e acumula uma alta de 10,89% em 2017. Já o dólar, subiu 1,2% na semana, mas acumula queda de 3,76% neste ano. Por sua vez, o IMB-B Total, apresentou avanço de 0,18% na semana e acumula uma alta de 5,98% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,36% em 2017, expectativa igual da semana anterior. Cabe destacar, que a estimativa continua distanciando a inflação do centro da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 4,50%. Para 2018 a expectativa é que suba 4,50%, também como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o boletim informou que para o fim do próximo ano, a média das expectativas situou-se em 9,25%, assim como na semana anterior.  Para o final de 2018 a estimativa é de que esteja em 9,00%, também como na semana anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,49%, sendo que na semana anterior era de 0,48% e para 2018 um avanço de 2,39%, sendo que na semana anterior era de 2,37%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,30, no fim de 2017, como na pesquisa anterior e para o final do próximo ano em R$ 3,40, também como na última apuração.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 72 bilhões em 2017 e US$ 72 bilhões em 2018.

Perspectiva

Na agenda internacional desta semana está prevista a divulgação, na zona do euro, de nova estimativa do PIB do quarto trimestre de 2016, além da reunião do BCE que discutirá a evolução de sua política monetária.

Nos EUA, serão divulgados o relatório da criação de novos empregos e a taxa de desemprego em fevereiro.

No Brasil, além dos indicadores semanais de inflação, serão divulgados o IPCA de fevereiro, o PIB do quarto trimestre de 2016 e a produção industrial em janeiro.

Do lado da economia internacional, o evento a ser acompanhado é a divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA e no Brasil o mercado estará atento à divulgação do PIB de 2016 e do IPCA de fevereiro.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 06/03/2017

Índices de Referência – Janeiro / 2017