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janeiro 10th, 2017

Nossa Visão – 09/01/2017

Retrospectiva

Com o Legislativo e o Judiciário em recesso, os fatos e as notícias de caráter exclusivamente econômico, divulgadas no início de 2017, receberam a nossa total atenção.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foi divulgado o PMI industrial de dezembro, que atingiu o seu nível mais alto desde abril de 2011.  O ritmo mais rápido de crescimento da atividade industrial, em cinco anos, sugeriu que as indústrias da zona do euro estão entrando em 2017 com uma força renovada.

Por seu turno, a inflação do consumidor acelerou fortemente em dezembro, ao atingir a marca de 1,1%, depois de ter registrado 0,6% em novembro. A alta decorreu do aumento dos preços da energia, segundo a agência Eurostat.

Nos EUA, foi divulgado que a atividade industrial acelerou para a máxima de dois anos, em dezembro, em meio a um aumento das novas encomendas e no nível de emprego no setor. O ISM industrial subiu 1,5% para uma leitura de 54,7 pontos, a mais alta desde dezembro de 2014.

Já a criação de novas vagas de trabalho fora do setor agrícola atingiu a marca de 156 mil em dezembro, quando a expectativa era de que 178 mil vagas fossem criadas. A taxa de desemprego se elevou para 4,7%, depois de ter atingido 4,6% em novembro, a menor taxa em nove anos.

Na China, o setor de serviços acelerou em dezembro o seu crescimento para o nível mais alto em dezessete meses, com o PMI de serviços atingindo a marca de 53,4 pontos.

Para as bolsas internacionais, a semana anterior foi de altas. O Dax, índice da bolsa alemã, que subiu 6,87% em 2016, avançou 1,03% na primeira semana de 2017. O FTSE-100, da bolsa inglesa, que subiu 14,43% no ano anterior, se elevou em 0,94% na semana que passou. O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, que subiu 9,54% em 2016, subiu 1,70% na semana enquanto o Nikkey 225, da bolsa japonesa, que subiu 0,42% no ano anterior, começou o novo ano com uma alta de 1,78%.

Em relação à economia brasileira, a FGV informou que a inflação de 2016, medida através do IPC-S, foi de 6,18%, já que o indicador encerrou o mês de dezembro com alta de 0,33%. Já o IPC-Fipe, que encerrou dezembro com um avanço de 0,72%, acumulou no ano anterior uma alta de 6,54%.

Quanto a produção industrial em novembro, o IBGE informou um avanço de 0,2% na comparação com o mês anterior, sendo que a expectativa dos economistas apontava uma alta de cerca de 2%. Em outubro o recuo foi de 1,2%.

Conforme o Ministério da Indústria e Comércio, com as importações caindo quase cinco vezes mais que as exportações em relação a 2015, a balança comercial brasileira apresentou em 2016 superávit de US$ 47,7 bilhões, o maior da história. Em um ano em que dos principais produtos da pauta de exportações do país, apenas o açúcar em bruto teve alta no preço.

Depois de registrar a expressiva alta de 38,93% no ano de 2016, o Ibovespa avançou 2,39% na primeira semana de 2017. Já o dólar, que se desvalorizou 16,54% no ano passado, teve queda de 1,64% na semana anterior. Por sua vez, o IMB-B Total, que apresentou alta de 23,37% em 2016, teve alta de 0,12% na semana que passou.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,81% em 2017, sendo que na semana anterior a expectativa era de uma alta de 4,87%

Para a taxa Selic, o boletim informou que para o fim do próximo ano, a média das expectativas situou-se em 10,25%, como na semana anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estima a evolução do PIB em 0,5%, também como na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,45, no fim de 2017, frente a R$ 3,48 da pesquisa anterior.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 70 bilhões em 2017.

Perspectiva

Sem dúvida, o principal evento econômico da semana será a reunião do Copom no próximo dia onze. Com a inflação surpreendendo positivamente o mercado e o nível da atividade econômica ainda muito deprimido, o consenso já é de uma redução de 0,50% na taxa Selic, que iria para 13,25% aa. No entanto, não nos surpreenderia uma redução de 0,75 pp, ou mesmo a adoção de viés de baixa para a Selic. Uma política de redução mais agressiva do Banco Central encontraria respaldo nos fundamentos atuais da nossa economia.

Do lado da economia internacional, o grande evento esperado é a posse de Donald Trump na presidência dos EUA, no próximo dia 20, na medida em que será possível a partir de então conhecer efetivamente a linha de conduta que ele deverá perseguir.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.