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Consultoria em Investimentos

dezembro 6th, 2016

Nossa Visão – 05/12/2016

Retrospectiva

Depois da crise política ter dominado o noticiário local na penúltima semana, na última foi a vez da crise institucional. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada da última quarta-feira, por 450 votos a 1 o texto-base do projeto de lei chamado de pacote anticorrupção, sem que a polêmica anistia à pratica do caixa 2 tenha sido incluída.

No entanto, em sessão extraordinária aberta logo em seguida, algumas mudanças foram aprovadas, inclusive emenda que inclui na legislação a possibilidade de juízes e integrantes do Ministério Público responderem por crimes de abuso de autoridade com base em várias condutas, algumas de caráter subjetivo. Essa proposta foi aprovada por 313 votos a 132, sendo a maioria dos votos de políticos de partidos implicados na Operação Lava Jato.

Como o projeto de lei tem que ser aprovado pelo Senado, antes da sanção presidencial, o seu presidente, Renan Calheiros, em articulação com líderes da casa tentou uma manobra regimental através de um requerimento de urgência para que a votação ocorresse na mesma madrugada da aprovação do texto base. Foi derrotado por 44 votos a 14.

Em reação às medidas aprovadas, a quase totalidade do mundo judiciário, incluindo a força tarefa da operação Lava Jato, apontou a emenda como uma clara tentativa de retaliar e intimidar os investigadores e magistrados responsáveis pelas apurações do esquema de corrupção da Petrobrás. Também em resposta, os movimentos como o Vem Pra Rua, convocaram protestos que se realizaram em 26 estados brasileiros no último final de semana.

Por outro lado, na terça-feira, o Senado aprovou por 61 votos a 14, em primeiro turno, a PEC 241, que limita os gastos públicos por 20 anos. A votação em segundo turno está prevista para o dia 13 de dezembro próximo. Já na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal acolheu denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República contra o senador Renan Calheiros, que se tornou réu por crime de peculato.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foi divulgada a taxa de desemprego em outubro, que caiu para 9,8%. O indicador ficou abaixo de 10% pela primeira vez desde 2011. Enquanto na Alemanha a taxa foi de apenas 4,1%, na Espanha foi de 19,2% e na Grécia de 23,4%.

Quanto à inflação do consumidor, ela foi de 0,6% em base anual, em novembro, após alta de 0,5% em outubro, ainda distante da meta de 2%. Já o PMI industrial de novembro avançou para 53,7 pontos, o maior nível em 34 meses.

Nos EUA, foi divulgada a segunda revisão do PIB do terceiro trimestre que apontou uma evolução anual de 3,2%, enquanto na primeira leitura havia sido de 2,9%. O crescimento foi impulsionado por revisões para cima no investimento empresarial em construções de moradias e estruturas comerciais.

Foi também divulgado que em outubro os gastos com construção aumentaram 0,5%, em linha com as expectativas. Já a taxa de desemprego em novembro caiu para 4,6%, o menor patamar em mais de nove anos, quando a expectativa dos economistas era de que permanecesse em 4,9%. Nesse mês, fora do setor agrícola foram criadas 178 mil novas vagas de trabalho, reforçando os sólidos ganhos no emprego, o que deve ajudar na decisão do FED de elevar os juros.

Para as bolsas internacionais foi uma semana de quedas, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou 0,05%, o FTSE-100, da bolsa inglesa 1,61%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,97%, enquanto o Nikkey 225, da bolsa japonesa subiu 0,24%.

Na economia nacional, a inflação medida pelo IPC-S encerrou o mês de novembro com alta de 0,17%, depois do avanço de 0,24% em outubro. Já o IPC-Fipe, depois de ter avançado 0,27% no mês anterior, desacelerou a alta para 0,15% em novembro, graças a queda mais forte nos preços dos alimentos.

Quanto ao IGP-M, considerado o medidor da inflação do aluguel, apresentou um recuo de 0,03% em novembro, acumulando alta de 7,12% no ano. A expectativa era de um avanço de 0,06%.

Em relação à atividade econômica, o IBGE informou que o PIB brasileiro caiu 0,8% no terceiro trimestre do ano. Enquanto o setor agropecuário recuou 1,4%, o da indústria 1,3% e o de serviços 0,6%. A queda em um ano foi de 4,4%. Já em outubro, a produção industrial não inverteu a sequência recessiva e caiu 1,1%, o pior resultado para o mês desde 2013. Em relação ao mesmo mês do ano anterior a queda foi de 8,4%.

O IBGE também informou que a taxa de desemprego aumentou para 11,8% no trimestre encerrado em outubro, quando o contingente de desempregados chegou a 12,042 milhões de pessoas.

Outro fato importante da semana anterior foi a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75%. Embora o quadro recessivo inspirasse um corte maior, prevaleceu a preocupação com o cenário externo, em função das indefinições acerca do governo Trump nos EUA.

E foi também divulgado o resultado do setor público consolidado, em que em outubro ocorreu um superávit primário de R$ 39,6 bilhões por conta dos recursos obtidos com a repatriação de capitais que estavam no exterior. Assim, o déficit primário acumulado no ano recuou para R$ 45,9 bilhões.

Para o Ibovespa foi uma semana de queda, com forte turbulência na sexta-feira. O recuo foi de 2,02%, o que reduziu a alta acumulada no ano para 39,14%. Já o dólar teve alta de 1,08% na semana, elevando a alta acumulada no mês para 2,01%. O IMB-B Total apresentou baixa de 0,84% na semana, elevando a queda no mês para 1,64%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro reduziu novamente a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para 2016 passou de 6,72% para 6,69%, a quarta redução seguida. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,93%.

Para a taxa Selic, o boletim informou que a mediana das previsões para o fim de 2016 permaneceu em 13,75%, no que se consolidou e para o fim de 2017, caiu de 10,75% para 10,50% ao ano.

Já o desempenho da economia previsto para este ano teve uma leve melhora. Os analistas preveem uma queda de 3,43% no Produto Interno Bruto- PIB em vez dos 3,49% da semana anterior. Para o ano que vem, a previsão foi levemente piorada, passando de expansão de 0,98% para 0,80%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,35, como na semana anterior. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio se elevou de R$ 3,40 para R$ 3,45.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 65 bilhões em 2016 e de US$ 70,00 bilhões em 2017.

Perspectiva

Na zona do euro serão divulgados nesta semana as vendas no varejo em outubro, nova revisão do PIB do terceiro trimestre, além da reunião do BCE que deliberará sobre as taxas de juros.

Nos EUA, serão divulgados o ISM de serviços em novembro e a confiança do consumidor em dezembro.

No Brasil, além dos indicadores parciais e finais de inflação, teremos a ata da última reunião do Copom.

No mercado internacional as atenções continuam focadas na formação da equipe de Donald Trump e na reunião do FOMC, em meados de dezembro.

No mercado brasileiro, as atenções estarão voltadas para os desdobramentos da crise institucional e o seu impacto no mercado financeiro.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 05/12/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016