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dezembro, 2016

Nossa Visão – 19/12/2016

Retrospectiva

A semana mal começou e a tensão tomou conta dos mercados, com o cenário político insistindo em permanecer nos holofotes. Desta feita, veio a público o depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que afirmou ao Ministério Público Federal (MPF), em depoimento, que o presidente Michel Temer teria pedido à empreiteira, doação no valor de R$ 10 milhões ao PMDB em 2014, durante a campanha eleitoral. O texto cita mais de 20 políticos, dentre eles os que formam a cúpula do PMDB (Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil, o secretário Moreira Franco, além dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia).

Ainda na segunda-feira, foi noticiado que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo recebimento de R$ 800 mil, em 2010, via doações oficiais pela empresa Serveng.

O agravamento do desgaste político do presidente tem desidratado a cada pesquisa de opinião divulgada. Em levantamento divulgado na sexta-feira pelo Ibope, o governo Temer é avaliado como ruim ou péssimo por 46% dos entrevistados. Esse percentual era de 39% em setembro. O Datafolha divulgou, no último domingo (11) um percentual ainda maior de ruim ou péssimo: 51%. Em julho, data da amostra anterior, o dado era de 31%. A aprovação apontada pelos dois institutos, no entanto, se assemelha: 13% para Ibope e 10% para o Datafolha.

De positivo, a semana reservou a aprovação da chamada PEC do Teto, que limita os gastos federais nos próximos 20 anos, em segundo turno no Senado, por 53 votos favoráveis e 16 contrários. A PEC foi promulgada na quinta-feira, em sessão solene no Congresso Nacional.

No campo da economia, o destaque da semana foi para a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee, na sigla em inglês) em elevar a taxa de juros americana em 25 pontos-base, para a banda entre 0,50% e 0,75%. De certa forma, o ajuste já era esperado pelo mercado. A surpresa foi a indicação, pela autoridade monetária, de mais três ajustes ao longo de 2017, contra dois previstos na reunião de setembro.

Por aqui, destaque para o anúncio de um pacote de medidas para estimular a economia pelo presidente Michel Temer. Além da equipe econômica, estavam presentes os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros. O pacote, segundo Michel Temer, tem como propósito estimular o crescimento e reduzir o desemprego.

Dentre as medidas, de um total de 12, destaque para o programa de regularização tributária para empresas com dívidas vencidas até 30 de novembro. O governo permitirá que parte dessas dívidas seja compensadas com créditos de qualquer tributo administrado pela Receita Federal, e também a utilização de créditos de prejuízos fiscais para compensar débitos fiscais ou previdenciários.

Outra medida será a regulamentação da Letra Imobiliária Garantida, instrumento para captação de crédito imobiliário, com objetivo de ampliar a oferta de crédito imobiliário de longo prazo para o setor de construção.

As medidas também atingem as pessoas físicas. Do lado da oferta de crédito, a redução do juro do cartão de crédito está no radar, além da redução do prazo de repasse aos lojistas, e será aprovada via Medida Provisória. O governo também pretende criar uma central de registro de duplicatas, de recebíveis de cartões de crédito, permitindo a concessão de crédito com spread reduzido.

Também estão previstas mudanças no FGTS. O governo pretende eliminar a multa de 10% sobre o saldo do FGTS, paga pela empresa que demite o empregado sem justa causa. O objetivo é reduzir um ponto percentual por ano, durante os próximos 10 anos. Outra medida é aumentar a remuneração do FGTS ao trabalhador, mediante distribuição do resultado líquido do FGTS.

Do lado da desburocratização, estão previstas medidas para aumentar a competitividade das empresas, tais como: simplificação do pagamento das obrigações trabalhistas; simplificação do processo de abertura e encerramento de empresas; expansão do portal único do comércio exterior, objetivando reduzir em até 40% no tempo par procedimentos de importação e exportação.

O IBGE divulgou que o volume de vendas do setor de serviços recuou 2,4% na passagem de setembro para outubro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Frente a outubro do ano passado, a queda foi de 7,6% — pior resultado para o mês e da série iniciada em janeiro de 2012, e pior do que esperavam os analistas. Pesquisa realizada pela Reuters indicava queda de 5,5% nessa comparação. Em 2016, o setor acumula recuo de 5%, enquanto em 12 meses encolheu 5,1%.

A atividade em geral segue em declínio. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central – IBC-Br, considerado a prévia do PIB, recuou 0,48% ante setembro, com ajuste sazonal. Em setembro havia cedido 0,08% ante agosto. O índice de atividade calculado pelo BC passou de 132,95 pontos para 132,31 pontos na série dessazonalizada de setembro para outubro. A previsão oficial do BACENC para a atividade doméstica deste ano é de queda de -3,3%, de acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) publicado no fim de setembro.

A FGV divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) subiu de 0,15% para 0,17%, na segunda prévia de dezembro, puxado pelo grupo alimentação. Na média, os itens alimentícios ficaram 0,17% mais caros ante uma alta de 0,09%.

Conforme informou a agência Eurostat, a inflação de novembro na zona do euro recuou -0,01% na comparação mensal, mas teve alta de 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, acelerando ante as altas de 0,5% em outubro e 0,4% em setembro na base anual. Os preços mais baixos de gás e óleo para aquecimento evitaram um avanço mais forte dos preços ao consumidor, apesar dos preços mais caros dos restaurantes, cafés e alugueis.

Nos EUA, o Departamento de Comércio informou que a construção de casas novas caiu mais do que a previsão no mês passado, depois de subir em outubro para a máxima de nove anos, indicando um progresso irregular para imóveis residenciais. Os saldos residenciais caíram 18,7% para uma taxa anualizada de 1,09 milhão em novembro, após um aumento de 27,4% para 1,34 milhão no mês anterior.

Para as bolsas internacionais foi uma semana de alta, puxada pelo aumento no preço do petróleo no mercado internacional em meio ao acordo pelo corte na produção pelos países não membros da OPEP. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, avançou 1,79%, o FTSE-100, da bolsa inglesa subiu 0,82%. O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, recuou 0,07%, em meio ao aumento do juro pelo FED, enquanto o Nikkey 225, da bolsa japonesa subiu 2,13%.

Para o Ibovespa foi uma semana de queda. O recuo foi de 3,49%. No mês, a desvalorização é de 5,68%, reduzindo a alta acumulada no ano para 39,14%. Já o dólar teve recuo de 0,56% na semana, enquanto o IMB-B Total valorizou 0,64% na semana.

Comentário Focus

Na visão dos economistas de instituições financeiras consultados na pesquisa Focus, o Banco Central vai cumprir a meta de inflação deste ano. A média dos economistas que militam no mercado financeiro reduziu novamente a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para 2016 passou de 6,52% para 6,49%. Quatro semanas atrás a estimativa era de 6,80%. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,90%.

O grupo que reúne as instituições que mais acertam as projeções, chamado Top-5, já via o cumprimento da meta este ano e ajustou um pouco mais a estimativa de médio prazo, projetando a alta do IPCA agora em 6,48% sobre 6,49% no levantamento anterior. Para 2017 o grupo vê inflação de 4,52%.

Para a taxa Selic, o boletim informou que a mediana das previsões para o fim de 2016 permaneceu em 13,75%, no que se consolidou e para o fim de 2017, caiu de 10,75% para 10,50% ao ano.

Para a taxa básica de juros, o Top-5 voltou a reduzir sua visão e passou a ver a Selic no ano que vem em 10,38% na mediana das projeções, contra 10,75% na semana anterior.

Com isso, passou a ficar um pouco abaixo da expectativa geral de 10,50%, com os economistas como um todo vendo aceleração do processo de corte para 0,5 ponto percentual na reunião de janeiro do Copom, para 13,25%.

Entretanto, o cenário para atividade econômica em 2017 continuou a piorar na pesquisa, com uma recuperação esperada cada vez mais fraca. A pesquisa aponta agora um crescimento de apenas 0,58%, sobre 0,70% no boletim anterior.

Para 2016, a expectativa de contração do Produto Interno Bruto foi mantida em 3,48%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,38 ao final de 2016, ante R$ 3,39 da semana anterior. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio se elevou de R$ 3,45 para R$ 3,49.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 67,16 bilhões em 2016 e de US$ 70,00 bilhões em 2017.

Perspectiva

Na última semana de trabalhos do ano, antes do recesso parlamentar, a Câmara dos Deputados votará o projeto que trata da dívida dos estados com o governo. O projeto foi aprovado pelo Senado na última quarta-feira, e havia a expectativa que fosse votado na Câmara na quinta-feira, porém houveram alterações no Senado que provocaram impasses na apreciação da matéria, o que gerou certo atraso.

Dentre os indicadores, destaque para a divulgação do IPCA-15 de dezembro, considerado uma prévia da inflação oficial. A divulgação ganha expectativa após o IPCA de novembro ter ficado abaixo do esperado e aumentado as apostar de corte na taxa Selic no início do próximo ano. Também será revelado o Relatório de Inflação do BACEN, que servirá para ancorar as expectativas sobre os juros.

Também nesta semana é esperada a divulgação de medidas estruturais pelo BACEN, no âmbito de suas atribuições em relação a crédito e depósito compulsório, alinhadas às medidas de estimulo anunciadas pelo presidente Michel Temer.

Nos EUA, será revelado o PIB final do terceiro trimestre. As expectativas são de que o número venha acima da prévia anterior, de 3,2%, atingindo 3,3%. Também é esperado com atenção o discurso que a presidente do FED, Janet Yellen, fará nesta segunda-feira. A fala ganha importância após o Fomc ter elevado o juro americano em 25 pontos base, além de ter acenado com três novas altas em 2017.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 19/12/2016


Índices de Referência – Novembro / 2016


Panorama Econômico – Novembro / 2016

INTERNACIONAL

EUROPA

Conforme apontou a agência de estatísticas da União Europeia – Eurostat, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu 0,3% no terceiro trimestre, ante os três meses precedentes, quando também houve expansão de 0,3%. Em relação ao terceiro trimestre de 2015, a economia da região do euro aumentou 1,7%, depois de ter registrado expansão da mesma ordem entre abril e junho, no mesmo tipo de confronto. Na União Europeia, o PIB teve ampliação de 0,4% no terceiro trimestre, seguindo avanço da mesma ordem nos três meses anteriores. Perante o intervalo de abril a junho de 2015, houve crescimento de 1,9%.

A taxa de inflação na zona euro foi estimada em 0,6% para o mês de novembro, acima dos 0,5% de outubro, segundo a Eurostat. De acordo com o gabinete de estatísticas da União Europeia, foi no setor dos serviços que os preços mais subiram (1,1%, estável face a outubro), seguindo-se o da alimentação, álcool e tabaco (0,7%, face aos 0,4% do mês anterior) e dos bens energéticos (0,3%, estável face a outubro).

Embora a inflação do consumidor tenha acelerado, o Banco Central Europeu, em sua última reunião do ano manteve as principais taxas de juros do continente em seus atuais patamares. Com isso, o índice principal de juros ficou em 0,0%, a taxa de depósitos bancários em -0,4% e a taxa sobre empréstimos marginais em 0,25%.

O órgão informou, também, que prorrogou até o fim de 2017, ou “até quando for necessário”, seu programa de “Quantitative Easing” (QE), também chamado de relaxamento quantitativo. O plano tinha fim previsto para março do ano que vem. No entanto, a partir de abril, o QE diminuirá dos 80 bilhões de euros por mês para 60 bilhões de euros.

Em relação ao mercado trabalho, foi divulgado que a taxa de desemprego em outubro foi de 9,8%, abaixo da barreira simbólica de 10% observada no mês anterior, e a menor desde abril de 2011.

Entre os 19 países da Eurozona as disparidades continuam grandes. Na Alemanha, primeira economia do bloco, a taxa de desemprego é de apenas 4,1%, enquanto na República Tcheca a taxa é de 3,8%.

A Espanha e Grécia, fortemente afetadas pela crise, têm os maiores índices: 23,4% (em agosto de 2016, último dado disponível) para a primeira e 19,2% em outubro para a segunda. Em número de desempregados, a Eurostat calcula que 15,9 milhões de europeus não têm trabalho.

EUA

Nos EUA, o candidato republicano Donald Trump venceu as eleições presidenciais ao derrotar a democrata Hillary Clinton e criou uma comoção em metade do país e no mundo inteiro. Donald Trump, um populista com um discurso xenófobo e antissistema, será o próximo presidente dos Estados Unidos. Com o apoio maciço dos norte-americanos brancos descontentes com o “establishment”, ele derrubou todas as previsões das pesquisas e obteve uma vitória surpreendente.

No campo da economia, de acordo com o Departamento de Comércio, o PIB americano do terceiro trimestre foi revisado para cima, a uma taxa anual de 3,2% ante 2,9% anunciado anteriormente, registrando o melhor desempenho em dois anos impulsionado pelos gastos fortes dos consumidores e pelo aumento nas exportações de soja.

Em relação à inflação, o Departamento do Comércio divulgou que a inflação baseada nos gastos de consumo, que o Federal Reserve (Fed) usa como referência para observar a evolução dos preços, aumentou 1,4% em um ano, seu registro mais alto desde outubro de 2014. Excluindo alimentação e energia, dois setores voláteis, os preços ao consumidor aumentaram 1,7% em um ano, tal como em setembro.

Já a criação de novos empregos, o Departamento de Trabalho informou que os EUA criaram 178 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado. Os sólidos ganhos no emprego provavelmente refletem o aumento da confiança na economia. A taxa de desemprego caiu para a mínima em mais de nove anos de 4,6%, tornando quase certo que o FED vá aumentar a taxa de juros na última reunião deste ano.

ÁSIA

Conforme a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) do Caixin/Markit, o crescimento do setor de serviços da China acelerou para uma máxima de 16 meses em novembro, ao subir para 53,1 ante 52,4 em outubro. Leitura acima de 50 sugere expansão da atividade. O dado de novembro foi o mais alto para a pesquisa desde julho de 2015, embora o aumento das novas encomendas tenha caído ligeiramente e as expectativas tenham se moderado.

Já a atividade industrial, segundo dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, voltou a subir em novembro, atingindo o nível mais alto em mais de dois anos, fixando-se em 51,7, cinco décimos acima dos 51,2 registados em outubro. O valor registado em novembro é igual ao de julho de 2014. Antes dessa data, o valor mais alto (53,3) foi registado em abril de 2012.

No Japão, o PIB cresceu a uma taxa anualizada de 2,2% no trimestre de julho a setembro, segundo dados oficiais. O desempenho da economia japonesa marcou o terceiro trimestre consecutivo de expansão, na sequência mais longa desde 2013, impulsionado por uma recuperação nas exportações, que cresceram 2% ante o trimestre anterior, com destaque para os embarques de componentes para smartphones, incluindo semicondutores.

Os indicadores domésticos, por outro lado decepcionaram. Tanto os gastos das famílias quanto os investimentos de capital, que juntos respondem por cerca de 70% do PIB, ficaram estagnados na comparação trimestral.

MERCADOS DE RENDA FIXA E RENDA VARIÁVEL

No mercado internacional de renda fixa, influenciado pela eleição do candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, o custo de financiamento do endividamento público ficou, em geral, muito mais caro e o retorno para os investidores baixou.

A rentabilidade dos títulos dos tesouros caiu significativamente, nos Estados Unidos e na zona do euro. No mês, reduziu-se de 3,9% para 1,14% e de 6,3% para 2,39%, respectivamente.

A expetativa de uma aceleração na inflação nos Estados Unidos com a Administração Trump e a quase certeza de um aumento das taxas de juro da Reserva Federal norte-americana na próxima reunião de 13 e 14 de dezembro, e de uma probabilidade crescente de um novo aumento em junho do próximo ano, geraram uma subida de mais de meio ponto percentual nos yields das obrigações do Tesouro norte-americano de 10 anos durante novembro.

Os yields das US Treasuries subiram 55 pontos base (0,55 pontos percentuais) de 1,83% em 31 de outubro para 2,38% em 30 de novembro. Este nível de fechamento não se verificava desde junho de 2015. A subida mensal de 55 pontos foi a maior desde 2009.

As bolsas europeias recuaram em sua maioria no mês de novembro. A bolsa alemã recuou -0,23%, e a inglesa (FTSE 100) -2,45%, por exemplo. A do Japão (Nikkey 225) avançou expressivos 5,07%, enquanto a americana (S&P 500) saltou 3,42%, também por conta do rally pós-eleições.

No mercado de commodities, o petróleo tipo Brent negociado no mercado futuro saltou 4,49% no mês, seguindo a decisão da OPEP em cortar a produção do óleo nos países membros.

NACIONAL

ATIVIDADE, EMPREGO E RENDA

Conforme o IBGE, o PIB do Brasil recuou 0,8% no terceiro trimestre, em relação ao trimestre anterior. É a sétima retração seguida nessa base de comparação – a mais longa de toda a série histórica do indicador, que teve início em 1996. Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 1,6 trilhão.

De janeiro a setembro de 2016, o PIB registra queda de 4% em relação ao mesmo período 2015. Segundo o IBGE, essa é a maior baixa para o período desde 1996. Já no acumulado dos quatro trimestres encerrados no terceiro trimestre de 2016, o tombo do PIB foi ainda pior, de 4,4%.

Por sua vez, a taxa de desemprego ficou em 11,8% no trimestre encerrado em outubro, conforme a Pnad Contínua, sendo que um ano antes a taxa era de 8,9%. O contingente de desempregados permaneceu em 12 milhões de pessoas. A renda média de R$ 2.025,00 apresentou queda real de 1,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

SETOR PÚBLICO

Conforme informou o banco Central, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 39,6 bilhões em outubro. O resultado positivo foi decorrente do ingresso de recursos oriundos da repatriação, que representou uma receita extra de R$ 47,0 bilhões. No ano, o déficit acumulado foi de R$ 45,9 bilhões.

As despesas com juros nominais, em doze meses, totalizaram R$ 406,8 bilhões (6,61% do PIB). Já o déficit nominal, que inclui o resultado com os juros, foi de R$ 544,0 bilhões (8,83 % do PIB), também em doze meses.

A dívida bruta do governo geral (governo federal mais INSS mais governos regionais) alcançou R$ 4,33 trilhões (70,3% do PIB), reduzindo-se 0,4 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

INFLAÇÃO

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que desacelerou na passagem de outubro para novembro, de 0,26% para 0,18%, mas ainda assim registrou a menor taxa para o mês de novembro desde 1998, quando caiu 0,12%.

No ano, a alta acumulado é de 5,97. Em 12 meses, ficou em 6,99%, inferior aos 7,87% verificado nos 12 meses imediatamente anteriores.

As principais influências para a desaceleração no mês foram os grupos artigos de residência (-0,16%) e alimentação e bebidas (-0,20%). Neste último caso, o grupo foi influenciado principalmente pelo recuo nos preços do feijão carioca (-17,52%), tomate (-15,15%) e batata inglesa (-8,28%).

JUROS

Em sua última reunião do ano, o Copom, por unanimidade decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 pontos pela segunda vez seguida, para 13,75% a.a. Sinais de desaceleração da inflação, dúvidas sobre a recuperação da economia e o avanço no Congresso da PEC 241, que limita os gastos públicos, foram fatores citados no comunicado do BC após a reunião. Cortes mais rápidos e maiores foram também condicionados aos avanços do ajuste fiscal.

Segundo a ata do Copom, alguns membros do Comitê ponderaram que a evolução favorável da inflação, os passos positivos no processo de aprovação das primeiras reformas fiscais e a piora nas perspectivas de recuperação da atividade econômica já justificariam uma intensificação do ritmo de flexibilização dos juros. No entanto, outros diretores argumentaram que a evolução de alguns componentes da inflação mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária continuava indicando pausa e que as incertezas quanto ao possível fim do cenário externo benigno para economias emergentes deveriam diminuir até a reunião do Copom em janeiro. A combinação desses fatores recomendava aguardar até a próxima reunião.

RENDA FIXA

Dos subíndices Anbima, que referenciam os fundos compostos por títulos públicos disponíveis para os RPPS, o melhor desempenho no mês acabou sendo o do IRF-M1, com alta de 1,05%, seguido do IRF-M Total com 0,32%, e do IRF-M 1+ com 0,03%. No ano, o melhor desempenho acumulado até setembro foi do IDkA 20A (IPCA) com 42,97%, seguido do IMA-B 5+ com 26,35% e do IMA-B Total com alta de 21,28%.

RENDA VARIÁVEL

Para o Ibovespa, a queda no mês foi de -4,65%, com forte atuação do investidor estrangeiro, acumulando no ano um ganho de 42,81% e o em doze meses 37,20%. O desempenho no mês foi pressionado pela surpreendente eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, que adicionou volatilidade aos negócios, além de um movimento de ajuste após a alta superior a 11% em outubro.

PERSPECTIVAS

MERCADO INTERNACIONAL

O mercado ainda digere a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA, e interpreta os sinais emitidos pelo novo presidente a respeito de como será o seu mandato. A forma como trata questões como economia, relações comerciais e diplomáticas com o resto do mundo dão pistas do que esperar. Os mercados financeiros precificam um período de maiores investimentos e maior inflação, acompanhada de um aperto monetário mais rápido nos EUA. Na semana de 13/14 de dezembro ocorrerá a última reunião do Fomc no ano, e um aumento no juro americano está precificado pelo mercado. Os mercados emergentes, incluindo o Brasil, deverão sofrer com fuga de capital e depreciação das moedas locais.

MERCADO NACIONAL

O cenário político continua dando o tom por aqui, com cada vez mais políticos envolvidos nos escândalos de corrupção, conforme as delações dos executivos da Odebrecht e demais empreiteiras são divulgadas. O Governo conseguiu aprovar com certa tranquilidade a PEC dos gastos na Câmara dos Deputados, em dois turnos, e no Senado. A reforma da previdência foi encaminhada à Câmara para tramitação, e seus termos tem gerado polêmica na medida em que dificulta o acesso do trabalhador ao benefício, o que deve gerar desgastes políticos profundos ano Planalto. Em contrapartida, o presidente Michel Temer discute internamente um mini pacote de medidas para estimular a retomada da economia.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, embora no curto prazo a volatilidade tenda a se exacerbar e depreciar os preços dos ativos de maior risco, com vistas à obtenção de retorno no médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Nossa Visão – 05/12/2016

Retrospectiva

Depois da crise política ter dominado o noticiário local na penúltima semana, na última foi a vez da crise institucional. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada da última quarta-feira, por 450 votos a 1 o texto-base do projeto de lei chamado de pacote anticorrupção, sem que a polêmica anistia à pratica do caixa 2 tenha sido incluída.

No entanto, em sessão extraordinária aberta logo em seguida, algumas mudanças foram aprovadas, inclusive emenda que inclui na legislação a possibilidade de juízes e integrantes do Ministério Público responderem por crimes de abuso de autoridade com base em várias condutas, algumas de caráter subjetivo. Essa proposta foi aprovada por 313 votos a 132, sendo a maioria dos votos de políticos de partidos implicados na Operação Lava Jato.

Como o projeto de lei tem que ser aprovado pelo Senado, antes da sanção presidencial, o seu presidente, Renan Calheiros, em articulação com líderes da casa tentou uma manobra regimental através de um requerimento de urgência para que a votação ocorresse na mesma madrugada da aprovação do texto base. Foi derrotado por 44 votos a 14.

Em reação às medidas aprovadas, a quase totalidade do mundo judiciário, incluindo a força tarefa da operação Lava Jato, apontou a emenda como uma clara tentativa de retaliar e intimidar os investigadores e magistrados responsáveis pelas apurações do esquema de corrupção da Petrobrás. Também em resposta, os movimentos como o Vem Pra Rua, convocaram protestos que se realizaram em 26 estados brasileiros no último final de semana.

Por outro lado, na terça-feira, o Senado aprovou por 61 votos a 14, em primeiro turno, a PEC 241, que limita os gastos públicos por 20 anos. A votação em segundo turno está prevista para o dia 13 de dezembro próximo. Já na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal acolheu denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República contra o senador Renan Calheiros, que se tornou réu por crime de peculato.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foi divulgada a taxa de desemprego em outubro, que caiu para 9,8%. O indicador ficou abaixo de 10% pela primeira vez desde 2011. Enquanto na Alemanha a taxa foi de apenas 4,1%, na Espanha foi de 19,2% e na Grécia de 23,4%.

Quanto à inflação do consumidor, ela foi de 0,6% em base anual, em novembro, após alta de 0,5% em outubro, ainda distante da meta de 2%. Já o PMI industrial de novembro avançou para 53,7 pontos, o maior nível em 34 meses.

Nos EUA, foi divulgada a segunda revisão do PIB do terceiro trimestre que apontou uma evolução anual de 3,2%, enquanto na primeira leitura havia sido de 2,9%. O crescimento foi impulsionado por revisões para cima no investimento empresarial em construções de moradias e estruturas comerciais.

Foi também divulgado que em outubro os gastos com construção aumentaram 0,5%, em linha com as expectativas. Já a taxa de desemprego em novembro caiu para 4,6%, o menor patamar em mais de nove anos, quando a expectativa dos economistas era de que permanecesse em 4,9%. Nesse mês, fora do setor agrícola foram criadas 178 mil novas vagas de trabalho, reforçando os sólidos ganhos no emprego, o que deve ajudar na decisão do FED de elevar os juros.

Para as bolsas internacionais foi uma semana de quedas, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, recuou 0,05%, o FTSE-100, da bolsa inglesa 1,61%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,97%, enquanto o Nikkey 225, da bolsa japonesa subiu 0,24%.

Na economia nacional, a inflação medida pelo IPC-S encerrou o mês de novembro com alta de 0,17%, depois do avanço de 0,24% em outubro. Já o IPC-Fipe, depois de ter avançado 0,27% no mês anterior, desacelerou a alta para 0,15% em novembro, graças a queda mais forte nos preços dos alimentos.

Quanto ao IGP-M, considerado o medidor da inflação do aluguel, apresentou um recuo de 0,03% em novembro, acumulando alta de 7,12% no ano. A expectativa era de um avanço de 0,06%.

Em relação à atividade econômica, o IBGE informou que o PIB brasileiro caiu 0,8% no terceiro trimestre do ano. Enquanto o setor agropecuário recuou 1,4%, o da indústria 1,3% e o de serviços 0,6%. A queda em um ano foi de 4,4%. Já em outubro, a produção industrial não inverteu a sequência recessiva e caiu 1,1%, o pior resultado para o mês desde 2013. Em relação ao mesmo mês do ano anterior a queda foi de 8,4%.

O IBGE também informou que a taxa de desemprego aumentou para 11,8% no trimestre encerrado em outubro, quando o contingente de desempregados chegou a 12,042 milhões de pessoas.

Outro fato importante da semana anterior foi a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75%. Embora o quadro recessivo inspirasse um corte maior, prevaleceu a preocupação com o cenário externo, em função das indefinições acerca do governo Trump nos EUA.

E foi também divulgado o resultado do setor público consolidado, em que em outubro ocorreu um superávit primário de R$ 39,6 bilhões por conta dos recursos obtidos com a repatriação de capitais que estavam no exterior. Assim, o déficit primário acumulado no ano recuou para R$ 45,9 bilhões.

Para o Ibovespa foi uma semana de queda, com forte turbulência na sexta-feira. O recuo foi de 2,02%, o que reduziu a alta acumulada no ano para 39,14%. Já o dólar teve alta de 1,08% na semana, elevando a alta acumulada no mês para 2,01%. O IMB-B Total apresentou baixa de 0,84% na semana, elevando a queda no mês para 1,64%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro reduziu novamente a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para 2016 passou de 6,72% para 6,69%, a quarta redução seguida. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,93%.

Para a taxa Selic, o boletim informou que a mediana das previsões para o fim de 2016 permaneceu em 13,75%, no que se consolidou e para o fim de 2017, caiu de 10,75% para 10,50% ao ano.

Já o desempenho da economia previsto para este ano teve uma leve melhora. Os analistas preveem uma queda de 3,43% no Produto Interno Bruto- PIB em vez dos 3,49% da semana anterior. Para o ano que vem, a previsão foi levemente piorada, passando de expansão de 0,98% para 0,80%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,35, como na semana anterior. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio se elevou de R$ 3,40 para R$ 3,45.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 65 bilhões em 2016 e de US$ 70,00 bilhões em 2017.

Perspectiva

Na zona do euro serão divulgados nesta semana as vendas no varejo em outubro, nova revisão do PIB do terceiro trimestre, além da reunião do BCE que deliberará sobre as taxas de juros.

Nos EUA, serão divulgados o ISM de serviços em novembro e a confiança do consumidor em dezembro.

No Brasil, além dos indicadores parciais e finais de inflação, teremos a ata da última reunião do Copom.

No mercado internacional as atenções continuam focadas na formação da equipe de Donald Trump e na reunião do FOMC, em meados de dezembro.

No mercado brasileiro, as atenções estarão voltadas para os desdobramentos da crise institucional e o seu impacto no mercado financeiro.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 05/12/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016