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novembro 21st, 2016

Nossa Visão – 21/11/2016

Retrospectiva

Os mercados globais reagiram às primeiras falas da presidente do FED, Janet Yellen, sobre política monetária após a eleição de Donald Trump. Em discurso realizado no Comitê Econômico do Congresso norte-americano, a board do Banco Central sinalizou que o Fomc pode elevar a taxa de juros na próxima reunião, marcada para os dias 13 e 14 de dezembro, se os dados a serem divulgados continuarem indicando melhora no mercado de trabalho e inflação em alta.

E os sinais continuam robustos. O Departamento de Trabalho dos EUA divulgaram que os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram até alcançar seu nível mais baixo desde o final de 1973. As autoridades registraram 235 mil pedidos na semana encerrada em 12 de novembro, uma queda de 7,5% na comparação com a semana anterior. Já a inflação mensal nos Estados Unidos continuou se acelerando em outubro, pelo terceiro mês consecutivo, segundo o Departamento do Trabalho. O índice de preços ao consumidor (IPC) subiu 0,4% em dados corrigidos por variações sazonais, confirmando as previsões dos analistas depois de ter avançado 0,3% em setembro. A construção de imóveis também subiu mais que o previsto em outubro, e alcançou seu nível mais alto em nove anos, indicou o departamento do Comércio.

Na zona do Euro, foi divulgado que o PIB cresceu 0,3% no terceiro trimestre ante o segundo, conforme a agência de estatísticas Eurostat. Na comparação anual, o avanço foi de 1,6%. Os resultados vieram em linha com as projeções.

Por aqui, destaque para as primeiras palavras da autoridade monetária brasileira sobre os impactos da sucessão da presidência americana no Brasil. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que a política monetária no Brasil não muda em nada, além de não acreditar que a política monetária dos países desenvolvidos sofra algum ajuste. Disse também que o país tem instrumentos adequados para absorver os choques externos, destacando a grande quantidade de reservas internacionais da ordem de US$ 380 bilhões. Sobre a recente volatilidade da moeda norte-americana, classificou como “movimentos de curto prazo” relacionados a fluxo de capitais. Entretanto, o Bacen vem atuando para defender a moeda e tranquilizar o mercado, via ração diária de swaps cambiais.

No campo político, destaque para o embate entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o judiciário. Renan tem se esforçado pessoalmente no encaminhamento de medidas que afetam financeiramente, ou delimitam a atuação do Poder Judiciário, sendo a mais recente a criação de uma comissão especial que vai identificar salários maiores que o teto constitucional nos três poderes, a chamada “Comissão do Extrateto”. Seu objetivo é votar uma emenda constitucional  que derruba a vinculação remuneratória automática entre subsídios de agentes públicos, além de um projeto que prevê penas mais duras a quem comete o crime de abuso de autoridade.

No campo da economia, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Semanal – IPC-S, que marcou queda em 0,35% na semana de 15 de novembro. O resultado indicou que houve redução de 0,04 ponto percentual em relação ao 0,39% registrado na semana anterior. A redução da velocidade do aumento de preços em quatro das oito categorias que compõe o índice.

Depois de dois meses seguidos de queda, a atividade econômica registrou crescimento em setembro de 0,15%, na comparação com agosto, conforme o Índice de Atividade Econômica do IBC-Br, dessazonalizado. Em agosto, o índice caiu 1,01% e, em julho, 0,18%. No trimestre, o índice recuou 0,78% na comparação com o trimestre anterior, de abril a junho.

Para as bolsas internacionais a semana foi de alta, influenciadas pelo forte avanço nos contratos de petróleo e pelas declarações da chairwoman do FED, Janet Yellen, de que pretende levar o seu mandato à frente da instituição até o final, e sublinhar que o juro está próximo de subir em razão dos sinais de robustez da economia.

Na semana, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,34%, o FTSE-100, da bolsa inglesa valorizou 0,67%, o CAC-40, da bolsa francesa subiu 0,34%, e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana avançou 0,80%.

Por aqui, o Ibovespa chegou ao fim da semana com alta acumulada de 1,31%, mas no mês a bolsa tem baixa de 7,64%. O dólar teve leve queda de -0,16%, em meio às intervenções do Bacen no câmbio, enquanto o IMA-B Total recuou -0,11, reduzindo a alta no ano para 19,90%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro trouxe leve mudança para a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para este ano passou de 6,84% para 6,80%, a segunda redução seguida. Há um mês estava em 6,89%. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,93%. Há quatro semanas apontava 5,00%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano melhorou, passando de 6,83% para 6,78%. Para 2017, foram de 4,93% para 4,80%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 6,81% e 4,97%.

Para a taxa Selic, o boletim informa que a mediana das previsões para o juro no fim de 2016 permaneceu em 13,75% ao ano. Na prática, se confirmado, isso significará um corte igual ao promovido pelo Bacen em 19 de setembro. Há um mês, antes do “efeito Trump” sobre as perspectivas, os economistas esperavam que a Selic terminasse 2016 em 13,50%. Para o fim de 2017, a projeção do Focus seguiu em 10,75% ao ano, ante 11,00% ao ano de um mês atrás. Na ata do último encontro do Copom, o colegiado do Bacen havia afirmado que cortes maiores da Selic dependerão da retomada da desinflação de serviços e de avanços no ajuste fiscal.

Já o desempenho da economia previsto para este ano voltou a sofrer alteração para pior: a sétima seguida. Os analistas preveem um tombo de 3,40% no Produto Interno Bruto – PIB em vez dos 3,37% da semana anterior. Para o ano que vem, a previsão foi piorada pela quinta vez consecutiva, passando de expansão de 1,13% para 1,00%. O Índice de Atividade Econômica do BC – IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, mostrou na semana passada que a contração acelerou no terceiro trimestre para uma taxa de 0,78%. No dia 30, o IBGE vai divulgar o desempenho da economia de junho a setembro.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,30 no encerramento de 2016, ante R$ 3,22 de uma semana antes. Há um mês, estava em R$ 3,20. O câmbio médio de 2016 passou de R$ 3,43 para R$ 3,45, ante R$ 3,43 de um mês antes. Nas últimas semanas, após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA, o Bacen não apenas interrompeu as atuações com swap cambial reverso como retomou os leilões de swap cambial tradicional, como forma de reduzir a volatilidade e segurar a alta forte do dólar.

Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio permaneceu em R$ 3,40 de uma divulgação para a outra, mesmo valor de um mês antes.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de que o ingresso será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano. A mediana das previsões para o IED em 2016 permaneceu, no Focus, em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra – mesmo patamar de um mês antes. No acumulado deste ano até setembro, o IED somou US$ 46,335 bilhões e a previsão do Bacen é de que a cifra chegue a US$ 70,00 bilhões até o fim de 2016.

Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto foi mantida em US$ 70.00 bilhões. Quatro semanas atrás, estava em US$ 68,00 bilhões.

Perspectiva

Apesar de uma agenda de indicadores mais fraca, a semana deve manter o clima de tensão recente enquanto o presidente eleito dos Estados Unidos seguir anunciando nomes de sua equipe e fazendo declarações polêmicas.

Dentre os principais indicadores, destaque para os dados de inflação no Brasil, PIB da Alemanha e Reino Unido, além da ata da última reunião do Fomc, que apesar de ter ocorrido antes das eleições americanas, deve dar sinais de como os integrantes do Fed estão vendo o atual momento econômico do país.

Na quarta-feira (15), será conhecido o IPCA-15 de novembro, considerado uma prévia da inflação oficial. As estimativas são de um número acima da divulgação do mês passado. Ainda assim, o índice deverá cair na comparação com os 12 meses anteriores, ficando abaixo de 8%.

Ainda na quarta-feira, será revelada a ata da última reunião do Fomc, bem como uma bateria de indicadores por lá deve movimentar o mercado. Entre os principais dados, e que devem sedimentar as apostas sobre os juros americanos, estão o de pedidos de auxílio desemprego, o PMI da Indústria, vendas de novas moradias e estoque de petróleo.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 18/11/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016