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novembro 17th, 2016

Nossa Visão – 14/11/2016

Retrospectiva

O clima de aversão a riscos se instalou por aqui, e nos mercados emergentes como um todo, após a inesperada eleição do candidato Donald Trump à presidência dos EUA. Contrariando as pesquisas de intenção de votos, o candidato do partido republicano derrotou a candidata democrata, Hillary Clinton, após consolidar vitórias surpreendentes em estados-chave como Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, que não votavam em um candidato republicano desde os anos 1980.

Pesou também sobre os mercados a notícia de que, na China, as exportações e importações caíram mais do que o esperado em outubro, com a demanda doméstica e global fraca aumentando as dúvidas sobre se uma recuperação da atividade econômica na maior nação comercial do mundo pode ser sustentada. As exportações caíram 7,3% em outubro, na comparação com o ano anterior, enquanto as importações encolheram 1,4%, levantando suspeitas de que a recuperação vista nos últimos meses pode desacelerar.

No campo da política, destaque para a votação no Plenário da Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 4567/16, do Senado, que desobriga a Petrobras de ser a operadora de todos os blocos de exploração do pré-sal no regime de partilha de produção. Por não ter sofrido alterações, a matéria será enviada à sanção presidencial. Desde o começo do processo de votação da matéria, em outubro, a oposição obstruiu os trabalhos por ser contra a flexibilização da regra com o argumento de que isso abrirá caminho para uma futura privatização da Petrobras e perda de arrecadação da União. Na sessão derradeira, o Plenário rejeitou um destaque do PT que pretendia excluir a parte do texto sobre a oferta a ser dada à Petrobras pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de exercer seu direito de preferência como operadora em blocos de exploração do pré-sal. Na prática, a retirada deixaria a legislação como está atualmente.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, apresentou um novo projeto de lei para reabrir o prazo de repatriação de ativos de brasileiros no exterior. A proposta pretende dar nova oportunidade para que as pessoas que enviaram dinheiro ao exterior sem declarar à Receita Federal regularizem os recursos mediante o pagamento de multa e Imposto de Renda. O projeto é bastante semelhante ao primeiro que já foi aprovado e cujo prazo para foi encerrado em 31 de outubro. O novo texto, no entanto, aumento as alíquotas do IR e da multa de 15% para 17,5% cada, somando 35% de taxação total sobre o recurso a ser regularizado. Se aprovado, o projeto dará nova chance a pessoas físicas e jurídicas que recolham aos cofres públicos os valores declarados e não recolhidos ao Fisco.

Repercutiu negativamente a notícia de que o então candidato à vice-presidência, Michel Temer, teria recebido em doação de campanha um cheque no valor de R$ 1 milhão da construtora Andrade Gutierrez, proveniente de propina. Em sua defesa, Michel Temer alega que o cheque é nominal, emitido pelo diretório nacional do PMDB, e repassado para a campanha na data de 10 de julho de 2014, tudo de forma transparente e sem qualquer indício de irregularidade. De qualquer maneira, o episódio reforça os holofotes direcionados para o Tribunal Superior Eleitoral – TSE, que analisa a cassação da chapa Dilma-Temer.

No campo da economia, destaque para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acelerou na passagem de setembro para outubro, de 0,08% para 0,26%, mas ainda assim registrou a menor taxa para o mês de outubro desde 2000. No antepenúltimo mês de 2015, o IPCA tinha aumentado 0,82%.

No ano, a alta acumulado é de 5,78%. Em 12 meses, ficou em 7,87%, pela primeira vez abaixo de 8% desde fevereiro de 2015. Nos 12 meses até setembro, o avanço registrado foi de 8,48%.

O IPCA de outubro ficou abaixo da média de 0,28% estimada por consultorias e instituições financeiras consultadas pela agência de notícias Reuters. No acumulado em 12 meses, a expectativa era de que a inflação subisse 7,9%.

Para as bolsas internacionais, a semana foi de alta. A eleição de Donald Trump fez com que os investidores passassem a apostar num aumento dos investimentos em infraestrutura, apoiados no viés expansionista e na promessa do então candidato em gastar US$ 1 trilhão em projetos. Nem mesmo o recuo no preço do barril de petróleo, que registraram perdas após a divulgação do relatório mensal da Opep sobre o mercado do petróleo em outubro, mudou a direção dos mercados.

Na semana, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 3,98%, o FTSE-100, da bolsa inglesa valorizou 0,56%, o CAC-40, da bolsa francesa subiu 2,55%, e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana avançou 3,80%.

Por aqui, a semana foi de fortes desvalorizações. Os investidores estão cautelosos ante as medidas do novo governo estadunidense e seus impactos na economia brasileira. A vitória de Donald Trump joga dúvidas sobre a condução da política de comércio exterior dos Estados Unidos e sobre o rumo da taxa de juros na maior economia do mundo. A preocupação é de que sua política econômica seja inflacionária e, assim, obrigaria o Federal Reserve, banco central norte-americano, a elevar os juros na maior economia do mundo, com potencial para atrair recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro. O índice bovespa perdeu 5.000 pontos em três dias, acumulando perda de -3,92% na semana, reduzindo a alta no ano para 36,52%. O dólar acumulou alta de 4,99% na semana, mesmo com o Bacen atuando no mercado com ofertas de swaps cambiais, enquanto o IMA-B Total despencou -2,37%, reduzindo a alta no ano para 20,03%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro trouxe leve mudança para a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para este ano passou de 6,88% para 6,84%. Há um mês estava em 7,01%. Já o índice para o ano que vem passou de 4,94% para 4,93%. Há quatro semanas apontava 5,04%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano melhorou, passando de 6,97% para 6,83%. Para 2017, foram de 5,03% para 4,81%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,02% e 5,13%.

Para a taxa Selic, os economistas brasileiros já esperam que o Bacen será mais cauteloso em seu plano de redução de juros, iniciado em setembro após quatro anos sem cortes. A previsão dos analistas para a taxa básica Selic é que ela feche 2016 em 13,75% (hoje está em 14%). Na semana passada, previa-se que ela terminaria o ano em 13,50%. Para o fim do ano que vem, os economistas mantiveram a expectativa de que a Selic esteja em 10,75% ao ano.

Os analistas voltaram também a reduzir suas estimativas de crescimento econômico no Brasil para este ano e para 2017. Eles esperam que, em 2016, o PIB cairá 3,37%. Na semana passada, a previsão era de uma contração de 3,31%. Foi a sexta queda consecutiva da previsão de PIB para 2016 que, há quatro semanas, estava em queda de 3,19%. Para o ano que vem, em vez do crescimento de 1,20% esperado há uma semana, os analistas preveem agora uma alta de 1,13%, na quarta queda seguida das previsões.

Quanto à produção industrial, as estimativas ainda sugerem um cenário difícil. A queda prevista para este ano passou de 6,00% para 6,06%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial permaneceu em 1,11%.

Para a taxa de câmbio, o mercado mostrou mudança marginal na estimativa deste ano, sem captar ainda a pressão sobre a moeda e o esforço feito pelo Banco Central para conter a alta volatilidade decorrente da eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. As previsões divulgadas pelo Banco Central indicaram que a cotação da moeda estará em R$ 3,22 no encerramento de 2016, acima dos R$ 3,20 da projeção da semana anterior. Um mês atrás, estava em R$ 3,25. O câmbio médio de 2016 permaneceu em R$ 3,43 – onde já estava um mês antes. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio passou de R$ 3,39 para R$ 3,40 de uma divulgação para a outra – quatro semanas atrás estava em R$ 3,40. Já o câmbio médio de 2017 passou de R$ 3,31 para R$ 3,32 – estava em R$ 3,36 um mês atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de que o ingresso será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano. A mediana das previsões para o IED em 2016 permaneceu, no Focus, em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra – mesmo patamar de um mês antes. No acumulado deste ano até setembro, o IED somou US$ 46,335 bilhões e a previsão do Bacen é de que a cifra chegue a US$ 70,00 bilhões até o fim de 2016.

Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto foi de US$ 68,50 bilhões para US$ 70.00 bilhões. Quatro semanas atrás, estava em US$ 65,45 bilhões.

Perspectiva

No campo externo, nos EUA serão revelados os desempenhos do comércio varejista, da atividade industrial e do índice de preços ao consumidor. Além disso, a presidente do FED, Janett Yellen fala em comitê do Congresso americano na quinta-feira, assim como outros integrantes do FED deverão se pronunciar.

Ainda na agenda internacional, na zona do euro serão divulgados o PIB (15), a produção industrial e o CPI, enquanto o presidente do BCE, Mario Draghi, discursa nos dias 14 e 18.

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação do IBC-BR referente a setembro. Considerado a prévia do PIB, o número ganha importância após a divulgação de queda maior que a esperada do comércio varejista em setembro. Já o Congresso deverá reduzir suas atividades em meio ao feriado da Proclamação da República, mas há expectativa de que o Senado vote o projeto de lei que reabre o prazo para repatriação de recursos não declarados.

No mais, os mercados seguem de olho no efeito Donald Trump sobre os ativos nacionais e sobre o câmbio. A expectativa por medidas expansionistas na maior economia do planeta traz sentimentos mistos. Enquanto nos EUA e Europa os mercados reagem positivamente em meio a expectativa de que o presidente eleito estimule o crescimento econômico através de gastos com infraestrutura, no Brasil e mercados emergentes a reação é negativa devido a expectativa de que haja uma aceleração mais rápida no ritmo de crescimento do juro pelo FED.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 11/11/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016