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Consultoria em Investimentos

novembro 1st, 2016

Nossa Visão – 31/10/2016

Retrospectiva

Conhecido os resultados das eleições para prefeito, nas cidades em que ocorreu o segundo turno, ficou evidente a preferência do eleitor por candidatos de perfil mais conservador. Com vitória em 28 das 92 cidades do país com mais de 200 mil eleitores, prefeitos filiados ao PSDB irão administrar municípios que somam 23,7% da população brasileira. É o maior índice para um partido em eleições municipais desde o ano 2000. Em números absolutos o PMDB venceu em mais de 1.000 cidades e o PSDB em 803.

Na Câmara dos Deputados, na última terça-feira, foi aprovada em segundo turno a PEC 241, que congela os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos. O texto-base foi referendado por 359 votos favoráveis, 116 contrários e 2 abstenções, sendo que os destaques apresentados pela oposição foram todos rejeitados.

Agora, o projeto será analisado pelo Senado, onde também passará por dois turnos de votações. Segundo o presidente da casa, Renan Calheiros, o seu desejo é de que as votações sejam concluídas antes do final do corrente ano.

Por outro lado, a presidente do Supremo Tribunal Federal – STF, ministra Cármen Lúcia, marcou para a próxima quinta-feira, 3 de novembro, o julgamento em plenário de uma arguição de descumprimento de preceito fundamental, ADPF, apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade, que argumenta que o Presidente da República não pode, no exercício de suas funções, responder a ações penais por crimes comuns.

O presidente do Senado é o segundo na linha sucessória do presidente Temer e é alvo de ao menos 11 inquéritos que tramitam no STF. No início de outubro o ministro do STF, Edson Fachin liberou para julgamento uma denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra o presidente do Senado. Caso o STF aceite a denúncia, Calheiros se tornará réu e responderá a uma ação penal por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. Assim, caso a ADPF seja aceita, o atual presidente do Senado, caso se torne réu poderia ficar afastado da linha sucessória.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, a atividade empresarial atingiu em outubro o maior nível do ano, com o PMI composto subindo de 52,6 pontos em setembro, para 53,7 neste mês, o que revela intensa expansão da atividade.

Enquanto o PMI industrial subiu para 52,4 pontos em outubro, frente a 52,2 pontos no mês anterior, o de serviços subiu de 52,6 pontos em setembro para 52,8 pontos em outubro. Por sua vez, a confiança econômica da região superou as expectativas e subiu de 104,9 pontos em setembro para 106,3 pontos neste mês.

No Reino Unido, apesar do Brexit, o PIB do terceiro trimestre do ano superou as previsões e evoluiu 0,5% em relação ao período anterior. O setor de serviços, dominante no país foi o responsável por todo o crescimento.

Nos EUA, em setembro, as vendas de novas moradias cresceram 3,1%, um pouco abaixo das previsões, mas revelando um mercado imobiliário sólido, enquanto as encomendas de bens duráveis cederam 0,1%, quando a estimativa era de uma alta de 0,2%.

Já a confiança do consumidor em outubro para 98,6 pontos, depois de ter registrado 103,5 pontos em setembro. A melhor notícia ficou por conta do crescimento de 2,9% do PIB do terceiro trimestre, acima do esperado e quase o dobro dos 1,4% registrados no segundo trimestre. Graças às exportações, foi o ritmo de crescimento mais alto em dois anos.

Para as bolsas europeias, a semana foi ruim por conta de fracos resultados corporativos. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã caiu 0,92%, o FTSE-100, da bolsa inglesa desvalorizou-se 0,34%. Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana recuou 0,69%, com os temores em relação às eleições no país.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-Fipe teve alta de 0,18% na terceira prévia de outubro, depois de ter registrado um avanço de apenas 0,02%, na segunda. Já o IPC-S acelerou de 0,14% na segunda quadrissemana do mês, para 0,24% na terceira, por conta da alta da gasolina, cuja redução dos preços pela Petrobrás não alcançou os consumidores.

Considerada a inflação do aluguel, o IGP-M, calculado pela FGV desacelerou para 0,16% em outubro, depois de ter subido 0,20% em setembro, sendo a menor taxa para o período desde 2012.

Em relação à ata do Copom, o tom foi conservador e reforçou a percepção de uma queda de apenas 0,25 pontos na última reunião do ano, em novembro. O documento revelou que uma queda de meio ponto na reunião deste mês sequer foi discutida, além de reiterar o seu compromisso em cumprir a meta de inflação de 4,5% tanto em 2017 quanto em 2018.

No front externo, o BC divulgou um déficit em transações correntes de US$ 465 milhões em setembro, acumulando nos últimos doze meses um déficit de US$ 23,3 bilhões, amplamente financiado pelo investimento estrangeiro direto de US$ 73,2 bilhões no período.

Do lado fiscal, o BC informou que o déficit primário do setor público consolidado foi de R$ 26,6 bilhões em setembro, elevando o acumulado em doze meses para R$ 188,3 bilhões. Para aliviar esses dados, o governo informou que a arrecadação com o programa de repatriação de recursos poderá superar os R$ 60 bilhões, sendo que R$ 45,8 bilhões já haviam sido percebidos até o último dia 27. E para reforçar o equilíbrio fiscal, o STF decidiu que aposentados que voltaram ao mercado de trabalho não têm direito à correção de seus benefícios por terem contribuído mais tempo para a Previdência.

Em relação ao mercado de trabalho, o IBGE divulgou o resultado da Pnad Contínua, nos três meses encerrados em setembro, em que a taxa de desemprego no país manteve-se em 11,8%, com cerca de 12 milhões de pessoas desempregadas.

Na semana, o índice Ibovespa apresentou alta de 0,31%, ampliando o avanço no ano para 48,35% e para 36,70% em doze meses. O dólar oscilou por conta da entrada de recursos da repatriação, por um lado, e das incertezas com a eleição americana por outro e fechou a semana com alta de 0,70%. O IMA-B Total recuou 1,02%, reduzindo a alta no ano para 22,51%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro passou a acreditar que o IPCA neste ano subirá 6,88% e não mais 6,89%. Para o de 2017, a expectativa manteve-se em 5%.

Para a taxa Selic a expectativa se manteve em 13,50% para o final de 2016 e caiu de 11%, para 10,75%, no final de 2017.

Em relação ao PIB, as estimativas para este ano mudaram de uma queda de 3,22% para 3,30% e para o próximo de alta de 1,23% para 1,21%. Quanto à produção industrial, neste ano a expectativa se manteve em uma queda de 6% e para 2017, a projeção se manteve em 1,11%.

Para a taxa de câmbio, o mercado continua apostando que ela estará em R$ 3,20 no final de 2016 e em R$ 3,40 no final de 2017.

Ainda conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial para este ano caiu de US$ 48,06 bilhões para US$ 48 bilhões, e para o próximo se manteve em US$ 45 bilhões. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo subiram para US$ 68 bilhões.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro serão divulgados o PIB do terceiro trimestre, a inflação do consumidor e o PMI industrial em outubro, bem como a taxa de desemprego em setembro.

Nos EUA serão divulgados os gastos pessoais e as encomendas à indústria em setembro, o PMI industrial e a taxa de desemprego em outubro.

No Brasil, em outra semana com feriado, além dos índices parciais de inflação, será divulgado o resultado consolidado do setor público, já abordado nesta edição.

Em uma semana esvaziada pelo feriado de finados no Brasil, nos mercados internacionais as atenções estarão voltadas para a eleição presidencial nos EUA, no próximo dia 3, bem como para a próxima reunião do FED que será realizada no próximo dia 2.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, a nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 31/10/2016


Índices de Referência – Setembro / 2016