novembro, 2016

Nossa Visão – 28/11/2016

Retrospectiva

E a crise política voltou ao noticiário local, superando os assuntos econômicos a até mesmo a eleição de Donald Trump, nos EUA. Acusado de ter pressionado o então ministro da Cultura, Marcelo Calero para a liberação da obra de um prédio em Salvador, onde comprou apartamento, o ministro Geddel Vieira Lima pediu demissão do cargo na última sexta-feira. Isso ocorreu um dia após ter se tornado público, o depoimento de Calero à Polícia Federal em que acusou o presidente Temer e o ministro Eliseu Padilha de também o terem pressionado para interceder em favor da obra ligada à Geddel.

A demissão do ministro titular da Secretária de Governo foi a saída encontrada pelo Palácio do Planalto para tentar salvar o governo da crise política que se avolumou. Geddel, articulador político do Governo com o Congresso, acabou saindo às vésperas da votação da PEC 241 no Senado, marcada para a próxima quarta-feira. O presidente Temer disse a aliados que, enquanto avalia nomes para a sucessão de Geddel, irá fazer pessoalmente a coordenação política para a votação da PEC que fixa um teto para os gastos públicos, considerada fundamental para o ajuste fiscal e a recuperação da economia.

Ainda para tentar minimizar os efeitos da “barbeiragem” política, no domingo, em entrevista coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, o presidente Temer, ao lado dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado anunciou um acordo institucional para impedir eventuais tentativas de tramitação no Congresso de medidas de anistia a políticos que tenham praticado o caixa dois.

Também ganhou contornos mais dramáticos a crise dos estados e municípios em decorrência da severa recessão econômica. O governo do Rio Grande do Sul, com sérias dificuldades para pagar salários e dívidas, assim como o do Rio de janeiro, decretou estado de calamidade financeira.  Na terça-feira a União e os governadores fecharam acordo para a liberação de mais de R$ 5 bilhões para os estados. Essa verba se refere à parcela de multas pagas no programa de repatriação de recursos mantidos no exterior, mas por ora o prazo para a liberação ainda não foi definido.

Em relação à economia internacional, na zona do Euro, foi divulgado que o PIB da Alemanha cresceu 0,2% no terceiro trimestre ante o segundo, quando o avanço foi de 0,4%. Já o PIB do Reino Unido, ainda membro da União Europeia cresceu efetivamente 0,5% no terceiro trimestre do ano, em relação ao anterior, apesar dos primeiros efeitos do Brexit.

Nos EUA, em uma semana de feriados, foi divulgado que as vendas de imóveis novos diminuíram em outubro 1,9%, em relação a setembro, mais do que o esperado pelos analistas. Por outro lado, a confiança dos consumidores aumentou mais do que o previsto em novembro, segundo estimativa final da Universidade de Michigan e o PMI dos manufaturados também.

Foi também divulgada a ata da última reunião do FOMC, realizada no início de novembro, em que a maioria dos participantes expressou a visão de que seria apropriada a elevação dos juros relativamente breve, desde que os dados a serem divulgados continuem trazendo evidencias do fortalecimento da economia.

Para as bolsas internacionais foi outra semana de alta, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,33%, o FTSE-100, da bolsa inglesa valorizou 0,96%, o Nikkey 225, da bolsa japonesa subiu 2,30%, e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana avançou 1,44%.

Em relação à economia nacional, o IBGE informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação do mês, depois de ter subido 0,19% em outubro, acelerou a alta para 0,26% em novembro, mas mesmo assim foi o menor avanço em um mês de novembro desde 2007. A alta foi puxada por gastos com saúde e cuidados pessoais e pelas despesas com transporte e habitação.

Segundo a FGV, a confiança do consumidor brasileiro caiu em novembro, depois de ter registrado seis sequências seguidas de alta, diante da forte piora das expectativas em meio à piora crescente no mercado de trabalho. Nesse aspecto, o Ministério do Trabalho informou que em outubro a quantidade de demissões de vagas com carteira assinada superou as contratações no país em 74,7 mil.

Para o Ibovespa foi uma semana de alguma recuperação, mesmo com a turbulência política. A alta de 2,66% nesse período reduziu a queda no mês para 5,18%, embora a alta no ano seja de 42%. Já o dólar teve alta de 1,07% na semana, elevando a alta acumulada no mês para 7,76%, com menores intervenções do Bacen para conter o efeito Trump. O IMB-B Total acumulou alta de 0,34% na semana, embora a queda no mês esteja em 2,01%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro reduziu novamente a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para 2016 passou de 6,80% para 6,72%, a terceira redução seguida. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,93%.

Para a taxa Selic, o boletim informou que a mediana das previsões para o fim de 2016 permaneceu em 13,75% ao ano e para o fim de 2017, em 10,75% ao ano.

Já o desempenho da economia previsto para este ano teve nova alteração para pior: a oitava seguida. Os analistas preveem uma queda de 3,49% no Produto Interno Bruto- PIB em vez dos 3,40% da semana anterior. Para o ano que vem, a previsão foi levemente piorada, passando de expansão de 1,00% para 0,98%.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,35 no encerramento de 2016, ante R$ 3,30 de uma semana antes. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio permaneceu em R$ 3,40.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 65 bilhões em 2016 e de US$ 70,00 bilhões em 2017.

Perspectiva

Na zona do euro serão divulgados nesta semana a taxa de desemprego em outubro, o indicador de confiança do consumidor, a inflação do consumidor e o PMI industrial de novembro.

Nos EUA, será divulgada nova revisão do PIB do terceiro trimestre, o livro Bege, os gastos pessoais e a renda pessoal em outubro, a confiança do consumidor, o PMI industrial, e o relatório de emprego de novembro.

No Brasil, além dos indicadores parciais e finais de inflação e de nova reunião do Copom, será divulgado o resultado primário consolidado do setor público, a taxa de desemprego e a produção industrial em outubro, bem como o PIB do terceiro trimestre.

Com as agendas cheias de dados, as expectativas no mercado internacional estarão focadas na formação da equipe de Donald Trump e nos dados de emprego nos EUA, que poderão selar a alta dos juros na reunião do FOMC, em meados de dezembro. Para o mercado financeiro americano, os preços dos ativos de renda fixa embutem 100% de chance de que esse evento ocorra.

No mercado brasileiro, as atenções estarão voltadas para a votação da PEC 241 no Senado, em um momento em que o governo Temer passa por sua maior crise e em que o presidente reconheceu pela primeira vez em público estar preocupado com os efeitos da delação premiada da Odebrecht, que poderá atingir partidos políticos de todas as legendas.

Outro fato relevante será a reunião do Copom cujo resultado será anunciado na quarta-feira. Depois do efeito Trump e das complicações políticas, a maioria dos participantes do mercado acredita numa redução da taxa Selic de 0,25 p.p. Mas há os que não descartam a manutenção da taxa, dado o conservadorismo do BC.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 28/11/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016


Nossa Visão – 21/11/2016

Retrospectiva

Os mercados globais reagiram às primeiras falas da presidente do FED, Janet Yellen, sobre política monetária após a eleição de Donald Trump. Em discurso realizado no Comitê Econômico do Congresso norte-americano, a board do Banco Central sinalizou que o Fomc pode elevar a taxa de juros na próxima reunião, marcada para os dias 13 e 14 de dezembro, se os dados a serem divulgados continuarem indicando melhora no mercado de trabalho e inflação em alta.

E os sinais continuam robustos. O Departamento de Trabalho dos EUA divulgaram que os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram até alcançar seu nível mais baixo desde o final de 1973. As autoridades registraram 235 mil pedidos na semana encerrada em 12 de novembro, uma queda de 7,5% na comparação com a semana anterior. Já a inflação mensal nos Estados Unidos continuou se acelerando em outubro, pelo terceiro mês consecutivo, segundo o Departamento do Trabalho. O índice de preços ao consumidor (IPC) subiu 0,4% em dados corrigidos por variações sazonais, confirmando as previsões dos analistas depois de ter avançado 0,3% em setembro. A construção de imóveis também subiu mais que o previsto em outubro, e alcançou seu nível mais alto em nove anos, indicou o departamento do Comércio.

Na zona do Euro, foi divulgado que o PIB cresceu 0,3% no terceiro trimestre ante o segundo, conforme a agência de estatísticas Eurostat. Na comparação anual, o avanço foi de 1,6%. Os resultados vieram em linha com as projeções.

Por aqui, destaque para as primeiras palavras da autoridade monetária brasileira sobre os impactos da sucessão da presidência americana no Brasil. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que a política monetária no Brasil não muda em nada, além de não acreditar que a política monetária dos países desenvolvidos sofra algum ajuste. Disse também que o país tem instrumentos adequados para absorver os choques externos, destacando a grande quantidade de reservas internacionais da ordem de US$ 380 bilhões. Sobre a recente volatilidade da moeda norte-americana, classificou como “movimentos de curto prazo” relacionados a fluxo de capitais. Entretanto, o Bacen vem atuando para defender a moeda e tranquilizar o mercado, via ração diária de swaps cambiais.

No campo político, destaque para o embate entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o judiciário. Renan tem se esforçado pessoalmente no encaminhamento de medidas que afetam financeiramente, ou delimitam a atuação do Poder Judiciário, sendo a mais recente a criação de uma comissão especial que vai identificar salários maiores que o teto constitucional nos três poderes, a chamada “Comissão do Extrateto”. Seu objetivo é votar uma emenda constitucional  que derruba a vinculação remuneratória automática entre subsídios de agentes públicos, além de um projeto que prevê penas mais duras a quem comete o crime de abuso de autoridade.

No campo da economia, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Semanal – IPC-S, que marcou queda em 0,35% na semana de 15 de novembro. O resultado indicou que houve redução de 0,04 ponto percentual em relação ao 0,39% registrado na semana anterior. A redução da velocidade do aumento de preços em quatro das oito categorias que compõe o índice.

Depois de dois meses seguidos de queda, a atividade econômica registrou crescimento em setembro de 0,15%, na comparação com agosto, conforme o Índice de Atividade Econômica do IBC-Br, dessazonalizado. Em agosto, o índice caiu 1,01% e, em julho, 0,18%. No trimestre, o índice recuou 0,78% na comparação com o trimestre anterior, de abril a junho.

Para as bolsas internacionais a semana foi de alta, influenciadas pelo forte avanço nos contratos de petróleo e pelas declarações da chairwoman do FED, Janet Yellen, de que pretende levar o seu mandato à frente da instituição até o final, e sublinhar que o juro está próximo de subir em razão dos sinais de robustez da economia.

Na semana, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 0,34%, o FTSE-100, da bolsa inglesa valorizou 0,67%, o CAC-40, da bolsa francesa subiu 0,34%, e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana avançou 0,80%.

Por aqui, o Ibovespa chegou ao fim da semana com alta acumulada de 1,31%, mas no mês a bolsa tem baixa de 7,64%. O dólar teve leve queda de -0,16%, em meio às intervenções do Bacen no câmbio, enquanto o IMA-B Total recuou -0,11, reduzindo a alta no ano para 19,90%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro trouxe leve mudança para a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para este ano passou de 6,84% para 6,80%, a segunda redução seguida. Há um mês estava em 6,89%. Já o índice para o ano que vem foi mantido em 4,93%. Há quatro semanas apontava 5,00%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano melhorou, passando de 6,83% para 6,78%. Para 2017, foram de 4,93% para 4,80%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 6,81% e 4,97%.

Para a taxa Selic, o boletim informa que a mediana das previsões para o juro no fim de 2016 permaneceu em 13,75% ao ano. Na prática, se confirmado, isso significará um corte igual ao promovido pelo Bacen em 19 de setembro. Há um mês, antes do “efeito Trump” sobre as perspectivas, os economistas esperavam que a Selic terminasse 2016 em 13,50%. Para o fim de 2017, a projeção do Focus seguiu em 10,75% ao ano, ante 11,00% ao ano de um mês atrás. Na ata do último encontro do Copom, o colegiado do Bacen havia afirmado que cortes maiores da Selic dependerão da retomada da desinflação de serviços e de avanços no ajuste fiscal.

Já o desempenho da economia previsto para este ano voltou a sofrer alteração para pior: a sétima seguida. Os analistas preveem um tombo de 3,40% no Produto Interno Bruto – PIB em vez dos 3,37% da semana anterior. Para o ano que vem, a previsão foi piorada pela quinta vez consecutiva, passando de expansão de 1,13% para 1,00%. O Índice de Atividade Econômica do BC – IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, mostrou na semana passada que a contração acelerou no terceiro trimestre para uma taxa de 0,78%. No dia 30, o IBGE vai divulgar o desempenho da economia de junho a setembro.

Para a taxa de câmbio, o relatório mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,30 no encerramento de 2016, ante R$ 3,22 de uma semana antes. Há um mês, estava em R$ 3,20. O câmbio médio de 2016 passou de R$ 3,43 para R$ 3,45, ante R$ 3,43 de um mês antes. Nas últimas semanas, após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA, o Bacen não apenas interrompeu as atuações com swap cambial reverso como retomou os leilões de swap cambial tradicional, como forma de reduzir a volatilidade e segurar a alta forte do dólar.

Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio permaneceu em R$ 3,40 de uma divulgação para a outra, mesmo valor de um mês antes.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de que o ingresso será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano. A mediana das previsões para o IED em 2016 permaneceu, no Focus, em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra – mesmo patamar de um mês antes. No acumulado deste ano até setembro, o IED somou US$ 46,335 bilhões e a previsão do Bacen é de que a cifra chegue a US$ 70,00 bilhões até o fim de 2016.

Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto foi mantida em US$ 70.00 bilhões. Quatro semanas atrás, estava em US$ 68,00 bilhões.

Perspectiva

Apesar de uma agenda de indicadores mais fraca, a semana deve manter o clima de tensão recente enquanto o presidente eleito dos Estados Unidos seguir anunciando nomes de sua equipe e fazendo declarações polêmicas.

Dentre os principais indicadores, destaque para os dados de inflação no Brasil, PIB da Alemanha e Reino Unido, além da ata da última reunião do Fomc, que apesar de ter ocorrido antes das eleições americanas, deve dar sinais de como os integrantes do Fed estão vendo o atual momento econômico do país.

Na quarta-feira (15), será conhecido o IPCA-15 de novembro, considerado uma prévia da inflação oficial. As estimativas são de um número acima da divulgação do mês passado. Ainda assim, o índice deverá cair na comparação com os 12 meses anteriores, ficando abaixo de 8%.

Ainda na quarta-feira, será revelada a ata da última reunião do Fomc, bem como uma bateria de indicadores por lá deve movimentar o mercado. Entre os principais dados, e que devem sedimentar as apostas sobre os juros americanos, estão o de pedidos de auxílio desemprego, o PMI da Indústria, vendas de novas moradias e estoque de petróleo.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, em face de constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 18/11/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016


Nossa Visão – 14/11/2016

Retrospectiva

O clima de aversão a riscos se instalou por aqui, e nos mercados emergentes como um todo, após a inesperada eleição do candidato Donald Trump à presidência dos EUA. Contrariando as pesquisas de intenção de votos, o candidato do partido republicano derrotou a candidata democrata, Hillary Clinton, após consolidar vitórias surpreendentes em estados-chave como Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, que não votavam em um candidato republicano desde os anos 1980.

Pesou também sobre os mercados a notícia de que, na China, as exportações e importações caíram mais do que o esperado em outubro, com a demanda doméstica e global fraca aumentando as dúvidas sobre se uma recuperação da atividade econômica na maior nação comercial do mundo pode ser sustentada. As exportações caíram 7,3% em outubro, na comparação com o ano anterior, enquanto as importações encolheram 1,4%, levantando suspeitas de que a recuperação vista nos últimos meses pode desacelerar.

No campo da política, destaque para a votação no Plenário da Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 4567/16, do Senado, que desobriga a Petrobras de ser a operadora de todos os blocos de exploração do pré-sal no regime de partilha de produção. Por não ter sofrido alterações, a matéria será enviada à sanção presidencial. Desde o começo do processo de votação da matéria, em outubro, a oposição obstruiu os trabalhos por ser contra a flexibilização da regra com o argumento de que isso abrirá caminho para uma futura privatização da Petrobras e perda de arrecadação da União. Na sessão derradeira, o Plenário rejeitou um destaque do PT que pretendia excluir a parte do texto sobre a oferta a ser dada à Petrobras pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de exercer seu direito de preferência como operadora em blocos de exploração do pré-sal. Na prática, a retirada deixaria a legislação como está atualmente.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, apresentou um novo projeto de lei para reabrir o prazo de repatriação de ativos de brasileiros no exterior. A proposta pretende dar nova oportunidade para que as pessoas que enviaram dinheiro ao exterior sem declarar à Receita Federal regularizem os recursos mediante o pagamento de multa e Imposto de Renda. O projeto é bastante semelhante ao primeiro que já foi aprovado e cujo prazo para foi encerrado em 31 de outubro. O novo texto, no entanto, aumento as alíquotas do IR e da multa de 15% para 17,5% cada, somando 35% de taxação total sobre o recurso a ser regularizado. Se aprovado, o projeto dará nova chance a pessoas físicas e jurídicas que recolham aos cofres públicos os valores declarados e não recolhidos ao Fisco.

Repercutiu negativamente a notícia de que o então candidato à vice-presidência, Michel Temer, teria recebido em doação de campanha um cheque no valor de R$ 1 milhão da construtora Andrade Gutierrez, proveniente de propina. Em sua defesa, Michel Temer alega que o cheque é nominal, emitido pelo diretório nacional do PMDB, e repassado para a campanha na data de 10 de julho de 2014, tudo de forma transparente e sem qualquer indício de irregularidade. De qualquer maneira, o episódio reforça os holofotes direcionados para o Tribunal Superior Eleitoral – TSE, que analisa a cassação da chapa Dilma-Temer.

No campo da economia, destaque para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acelerou na passagem de setembro para outubro, de 0,08% para 0,26%, mas ainda assim registrou a menor taxa para o mês de outubro desde 2000. No antepenúltimo mês de 2015, o IPCA tinha aumentado 0,82%.

No ano, a alta acumulado é de 5,78%. Em 12 meses, ficou em 7,87%, pela primeira vez abaixo de 8% desde fevereiro de 2015. Nos 12 meses até setembro, o avanço registrado foi de 8,48%.

O IPCA de outubro ficou abaixo da média de 0,28% estimada por consultorias e instituições financeiras consultadas pela agência de notícias Reuters. No acumulado em 12 meses, a expectativa era de que a inflação subisse 7,9%.

Para as bolsas internacionais, a semana foi de alta. A eleição de Donald Trump fez com que os investidores passassem a apostar num aumento dos investimentos em infraestrutura, apoiados no viés expansionista e na promessa do então candidato em gastar US$ 1 trilhão em projetos. Nem mesmo o recuo no preço do barril de petróleo, que registraram perdas após a divulgação do relatório mensal da Opep sobre o mercado do petróleo em outubro, mudou a direção dos mercados.

Na semana, enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, subiu 3,98%, o FTSE-100, da bolsa inglesa valorizou 0,56%, o CAC-40, da bolsa francesa subiu 2,55%, e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana avançou 3,80%.

Por aqui, a semana foi de fortes desvalorizações. Os investidores estão cautelosos ante as medidas do novo governo estadunidense e seus impactos na economia brasileira. A vitória de Donald Trump joga dúvidas sobre a condução da política de comércio exterior dos Estados Unidos e sobre o rumo da taxa de juros na maior economia do mundo. A preocupação é de que sua política econômica seja inflacionária e, assim, obrigaria o Federal Reserve, banco central norte-americano, a elevar os juros na maior economia do mundo, com potencial para atrair recursos aplicados em outros mercados, como o brasileiro. O índice bovespa perdeu 5.000 pontos em três dias, acumulando perda de -3,92% na semana, reduzindo a alta no ano para 36,52%. O dólar acumulou alta de 4,99% na semana, mesmo com o Bacen atuando no mercado com ofertas de swaps cambiais, enquanto o IMA-B Total despencou -2,37%, reduzindo a alta no ano para 20,03%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro trouxe leve mudança para a projeção da inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para este ano passou de 6,88% para 6,84%. Há um mês estava em 7,01%. Já o índice para o ano que vem passou de 4,94% para 4,93%. Há quatro semanas apontava 5,04%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano melhorou, passando de 6,97% para 6,83%. Para 2017, foram de 5,03% para 4,81%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,02% e 5,13%.

Para a taxa Selic, os economistas brasileiros já esperam que o Bacen será mais cauteloso em seu plano de redução de juros, iniciado em setembro após quatro anos sem cortes. A previsão dos analistas para a taxa básica Selic é que ela feche 2016 em 13,75% (hoje está em 14%). Na semana passada, previa-se que ela terminaria o ano em 13,50%. Para o fim do ano que vem, os economistas mantiveram a expectativa de que a Selic esteja em 10,75% ao ano.

Os analistas voltaram também a reduzir suas estimativas de crescimento econômico no Brasil para este ano e para 2017. Eles esperam que, em 2016, o PIB cairá 3,37%. Na semana passada, a previsão era de uma contração de 3,31%. Foi a sexta queda consecutiva da previsão de PIB para 2016 que, há quatro semanas, estava em queda de 3,19%. Para o ano que vem, em vez do crescimento de 1,20% esperado há uma semana, os analistas preveem agora uma alta de 1,13%, na quarta queda seguida das previsões.

Quanto à produção industrial, as estimativas ainda sugerem um cenário difícil. A queda prevista para este ano passou de 6,00% para 6,06%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial permaneceu em 1,11%.

Para a taxa de câmbio, o mercado mostrou mudança marginal na estimativa deste ano, sem captar ainda a pressão sobre a moeda e o esforço feito pelo Banco Central para conter a alta volatilidade decorrente da eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. As previsões divulgadas pelo Banco Central indicaram que a cotação da moeda estará em R$ 3,22 no encerramento de 2016, acima dos R$ 3,20 da projeção da semana anterior. Um mês atrás, estava em R$ 3,25. O câmbio médio de 2016 permaneceu em R$ 3,43 – onde já estava um mês antes. Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio passou de R$ 3,39 para R$ 3,40 de uma divulgação para a outra – quatro semanas atrás estava em R$ 3,40. Já o câmbio médio de 2017 passou de R$ 3,31 para R$ 3,32 – estava em R$ 3,36 um mês atrás.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de que o ingresso será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano. A mediana das previsões para o IED em 2016 permaneceu, no Focus, em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra – mesmo patamar de um mês antes. No acumulado deste ano até setembro, o IED somou US$ 46,335 bilhões e a previsão do Bacen é de que a cifra chegue a US$ 70,00 bilhões até o fim de 2016.

Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto foi de US$ 68,50 bilhões para US$ 70.00 bilhões. Quatro semanas atrás, estava em US$ 65,45 bilhões.

Perspectiva

No campo externo, nos EUA serão revelados os desempenhos do comércio varejista, da atividade industrial e do índice de preços ao consumidor. Além disso, a presidente do FED, Janett Yellen fala em comitê do Congresso americano na quinta-feira, assim como outros integrantes do FED deverão se pronunciar.

Ainda na agenda internacional, na zona do euro serão divulgados o PIB (15), a produção industrial e o CPI, enquanto o presidente do BCE, Mario Draghi, discursa nos dias 14 e 18.

Na agenda doméstica, destaque para a divulgação do IBC-BR referente a setembro. Considerado a prévia do PIB, o número ganha importância após a divulgação de queda maior que a esperada do comércio varejista em setembro. Já o Congresso deverá reduzir suas atividades em meio ao feriado da Proclamação da República, mas há expectativa de que o Senado vote o projeto de lei que reabre o prazo para repatriação de recursos não declarados.

No mais, os mercados seguem de olho no efeito Donald Trump sobre os ativos nacionais e sobre o câmbio. A expectativa por medidas expansionistas na maior economia do planeta traz sentimentos mistos. Enquanto nos EUA e Europa os mercados reagem positivamente em meio a expectativa de que o presidente eleito estimule o crescimento econômico através de gastos com infraestrutura, no Brasil e mercados emergentes a reação é negativa devido a expectativa de que haja uma aceleração mais rápida no ritmo de crescimento do juro pelo FED.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, tendo-se em vista o médio e longo prazos, por ora nossa recomendação é de uma exposição de 50% nos vértices mais longos (dos quais 20% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 30% para o IMA-B Total), 20% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 11/11/2016


Índices de Referência – Outubro / 2016


Os Impactos da Vitória de Donald Trump

Os mercados globais operam no vermelho, após a confirmação da vitória do candidato republicano Donald Trump para a presidência dos EUA. O empresário bilionário obteve vitórias surpreendentes em estados-chave, que eram dados como certos para a candidata democrata Hillary Clinton.

Num típico movimento de “ressaca”, os índices das principais bolsas de valores mundo afora despencaram. O índice Nikkei (Japão), -5,4%; O CAC (França), -1,4; O DAX (Alemanha), -1,2; O FTSE-100 (Reino Unido), -0,4%; SSE Composite (China), -0,6%.

Nos EUA as bolsas ainda não abriram, mas os negócios no mercado futuro já sinalizam a derrocada dos índices. O Futuro S&P 500 chegou a atingir um limite de baixa de 5%, acionando o mecanismo de “circuit break”, mas ameniza as perdas durante a sessão. Agora, recua -1,3%.

No mercado brasileiro, o pregão da Bovespa negocia nesse momento aos 62.800 pontos, uma queda de -2,1%. Já esteve pior, aos 61.800 pontos na abertura do pregão. No mercado futuro de juros, as taxas dos contratos com vencimentos mais longos abrem com força, mas já mostram sinais de moderação.

No primeiro discurso após ser eleito, Donald Trump adotou um tom mais moderado do que na campanha, ao conclamar todas as lideranças norte-americanas para uma união por todos. Resta saber se, de fato, as ações serão conciliadoras, ou se ele cumprirá com o que prometeu durante a campanha, com viés fortemente protecionista no que diz respeito as relações externas, e intervencionista nas questões internas. Não podemos nos deixar levar pelo extremismo da retórica de Donald Trump durante a campanha.

Como reflexo imediato desse evento importante, esperamos intensa volatilidade com um viés de baixa no curtíssimo prazo, embalado pela queda dos mercados acionários globais. Entretanto, os mercados tendem a se acomodar na medida em que o sentimento de catástrofe seja dissipado.

Neste contexto, recomendamos aos nossos clientes cautela na condução dos investimentos e nas tomadas de decisões que envolvam os recursos do Regime Próprio, e perseguir a estratégia recomendada na política de investimentos.

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