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Consultoria em Investimentos

setembro 13th, 2016

Nossa Visão – 12/09/2016

Retrospectiva

Em uma semana mais curta, por conta do feriado de sete de setembro, o noticiário político foi menos intenso que na semana anterior, porém, ainda muito distante da normalidade.  A definição do impeachment não removeu a grande incerteza que paira sobre o Legislativo, principalmente depois de o Senado ter mantido intactos os direitos políticos da ex-presidente e o STF afastado medidas que questionavam o fato.

Aconselhado pela área econômica e pela Casa Civil, o presidente Temer decidiu encaminhar a proposta de reforma da Previdência para o Congresso ainda em setembro, antes do primeiro turno das eleições municipais. Na prática, a reforma só começará a tramitar de fato, no final do ano. É de suma importância que na condução das medidas propostas, principalmente aquelas relacionadas ao indispensável ajuste fiscal, o executivo não ceda ao menor sinal de dificuldade política.

Embora o governo tenha obtido uma vitória com a aprovação no Senado da Medida Provisória 726, que reduziu de 32 para 26 o número de ministérios, foi confusa e até provocou irritação no Palácio do Planalto a forma da divulgação, pelo Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, da reforma trabalhista pretendida, que prevê jornada de trabalho diária de até 12 horas.  Também gerou forte desconforto o embate entre o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha e Fábio Medina Osório da AGU, por conta da sua atuação na pasta. O presidente Temer acabou demitindo Osório e nomeou Grace Mendonça para o cargo. Ela se tornou a primeira mulher a ocupar cargo no primeiro escalão do governo.

No âmbito da Operação Lava Jato, o ministro Teori Zavascki, relator da operação no STF, negou o pedido do ex-presidente Lula para que retirasse do juiz Sérgio Moro os inquéritos para investiga-lo, afirmando que o recurso constitui mais uma das diversas tentativas da defesa de embaraçar as apurações.  Na Câmara dos Deputados, o seu presidente, Rodrigo Maia marcou para segunda-feira, às 19 horas, a sessão para a votação da cassação do deputado Eduardo Cunha.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, a revisão da evolução do PIB no segundo trimestre do ano apontou um crescimento de 0,3% em relação ao trimestre anterior e de 1,6% na base anual, graças às fortes exportações e a demanda elevada das famílias.

Mas com a inflação ainda muito baixa, o Banco Central Europeu manteve, na quinta-feira, a sua taxa de depósitos em -0,4% e a taxa básica de juros em 0%. A autoridade monetária prometeu continuar com as compras mensais de ativos de 80 bilhões de euros, pelo menos até março do ano que vem.

Na Alemanha, a produção industrial caiu em julho no ritmo mais rápido dos últimos 23 meses, sinalizando que a maior economia da Europa deve desacelerar.

Nos EUA, de acordo com o Livro Bege do FED, divulgado na quarta-feira, a economia manteve a sua modesta expansão, salvo em algumas regiões que mostraram certa estagnação e o crescimento continuará sendo moderado nos próximos meses.

Já o ISM de serviços de agosto revelou que a atividade registrou uma queda de 4,1 pontos percentuais, bem maior do que a esperada. Na comparação mensal foi a maior desde a crise financeira de 2008.

Na Ásia, a inflação anual chinesa desacelerou para 1,3% em agosto, pressionada pela queda nos preços dos alimentos, apesar de uma moderação encorajadora na deflação dos preços ao produtor ter ampliado evidências de que a economia está se estabilizando. Com o fato, não passaram incólumes as bolsas da região, também após o teste nuclear da Coréia do Norte.

Para as bolsas internacionais, a semana anterior foi de baixas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã, encerrou a semana em queda de 1,03%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, recuou 1,71 %. Já o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, registrou perda acumulada de 2,39% no período, com o nervosismo exacerbado depois de a Coreia do Norte ter realizado testes nucleares.

No Brasil, em relação à inflação, com o aumento das passagens aéreas, o IPC-S ficou em 0,34% na primeira quadrissemana de setembro, depois de fechar agosto em 0,32% e de ter registrado 0,37% em julho.

Por sua vez, o IPCA de agosto, divulgado na sexta-feira, desacelerou em relação a julho, quando ficou em 0,52%, e marcou 0,44%, por conta da menor alta dos preços dos alimentos. No ano, a taxa acumulou 5,42% e em doze meses 8,97%, maior que o 8,74% acumulados nos doze meses do mês anterior.

Já o INPC registrou alta de 0,31% em agosto, acumulando 6,09% no ano e 9,62% em doze meses.

Foi também divulgada a ata da última reunião do Copom, em que a taxa Selic foi mantida em 14,25%. Foi dito que a redução da taxa básica dependerá de fatores que permitam maior confiança no alcance da meta de inflação, principalmente em 2017. A perspectiva de desaceleração dos preços abriria espaço, pelo menos em tese, para juros mais baixos num futuro próximo.

Na semana, o índice Ibovespa teve queda de 2,71%, empurrando a alta no ano para 33,79%.  O dólar acumulou alta de 0,81% no período, enquanto o IMA-B Total recuou 0,71% na semana, acumulando uma alta no ano de 19,94%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro elevaram a expectativa para a inflação deste ano. Segundo o levantamento, IPCA deste ano passou de 7,34% na semana passada para 7,36%. Para 2017, a projeção foi mantida em 5,12%.

Sob influência da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e dos dados de inflação divulgados pelo IBGE, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas previsões para a taxa básica de juros neste e no próximo ano. A mediana das expectativas para a Selic em 2016 seguiu em 13,75% ao ano. Já a taxa básica para o fim de 2017 permaneceu em 11,00% ao ano. Há um mês, as projeções também eram de 13,75% e 11,00%, respectivamente.

Já a projeção para o desempenho da economia este ano registrou leve melhora. Os analistas esperam um tombo de 3,18% no Produto Interno Bruto (PIB). No Focus da semana passada, a expectativa era de retração da economia de 3,20% em 2016. Já para 2017, a previsão de crescimento foi mantida como no relatório anterior em 1,30%.

Quanto a produção industrial, houve uma reversão das expectativas. O relatório mostrou uma previsão de queda menor, de -6,03% na semana anterior para -5,93% nesta. Para 2017, a projeção manteve-se numa alta de 0,50%.

A cotação do dólar no fim deste ano caiu um centavo, passando a R$ 3,25. Para 2017, o valor da moeda americana ante o real foi mantido no mesmo patamar das três últimas semanas a R$ 3,45.

Ainda conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial para este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões, e para o próximo caiu ligeiramente de US$ 49,80 para US$ 47,55. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro serão divulgadas a produção industrial em julho e a inflação do consumidor em agosto.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas no varejo e a produção industrial em agosto e a confiança do consumidor em setembro.

No Brasil, além dos índices parciais de inflação teremos a divulgação das vendas no varejo.

Nos mercados internacionais, a semana passada terminou com importante alta do dólar e das taxas de juros dos títulos de governos e queda das bolsas. A não adoção de estímulos adicionais pelo BCE e declarações desencontradas de membros do FED sobre o andamento da política monetária, deixaram os mercados inquietos, depois de dois meses de certa calmaria, sobre a efetividade dos juros baixos na promoção do crescimento econômico.

Enquanto importante dirigente do FED disse acreditar que há forte argumento para a alta dos juros na reunião de 21 de setembro, instituições financeiras de porte, como Goldman Sachs e Morgan Stanley divergem frontalmente sobre essa possibilidade. O fato é que as atenções dos mercados estarão voltadas significativamente para o resultado do encontro.

No Brasil, a sexta-feira também terminou com fortes altas dos juros e do dólar e significativa queda da bolsa. Esses movimentos foram intensificados após declaração de Eric Rosengren, membro do FED, de que a autoridade monetária americana enfrenta cada vez mais riscos se esperar muito tempo para elevar a taxa de juros.

É muito provável que os mercados financeiros sigam reprecificando ativos no decorrer da semana, o que implicaria em novas altas do dólar e dos juros e queda da bolsa. Tal movimento pode se constituir em um bom momento a ser aproveitado pelos investidores na tomada cautelosa de posições.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, a nossa recomendação é de uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 09/09/2016


Índices de Referência – Agosto / 2016