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setembro 8th, 2016

Nossa visão – 05/09/2016

Retrospectiva

Como era esperado, a semana anterior foi dominada pelo noticiário político. Depois de um longo processo, por 61 votos favoráveis e 20 contrários, os senadores decidiram afastar definitivamente a ex-presidente Dilma Roussef do cargo de presidente da república. Em outra votação, não foram alcançados os 54 votos necessários para que ela também perdesse o direito de ocupar cargos públicos.

No mesmo dia, em cerimônia no Congresso Nacional, Michel Temer tomou posse como presidente. Em seu primeiro discurso em cadeia nacional, afirmou que, com a definição do processo de impeachment, a incerteza chegou ao fim e que o momento é de colocar os anseios nacionais à frente dos interesses de grupos. Após a posse, o presidente viajou para a China, para participar de reunião do G-20 e Rodrigo Maia assumiu interinamente a presidência do país.

No dia seguinte, a defesa da presidente afastada impetrou mandado de segurança no STF requerendo a anulação da sessão em que o Senado decidiu pelo seu impedimento, e a realização de novo julgamento. Pleiteia que o Supremo Tribunal Federal declare nulos artigos da lei que embasaram a acusação de que ela teria cometido crime de responsabilidade. O relator, o ministro Teori Zavascki, não tem prazo para decidir se acolhe ou não o pleito.

A decisão de poupar direitos da ex-presidente acabou provocando uma aparente rachadura na base aliada do presidente Temer no Congresso, que na sua volta da China, terá que apaziguar os partidos aliados, principalmente o PSDB e o DEM, além dos enormes desafios que terá no sentido de colocar o país novamente no rumo do crescimento econômico.

Na China, aproveitando o ensejo da reunião de cúpula do G-20, o presidente destacou a intenção do seu governo em promover um ajuste fiscal amplo e sustentável, além do desejo de pôr em prática uma ambiciosa agenda de reformas estruturais. Em encontros bilaterais, com premiês do Japão e Espanha, destacou o interesse em atrair investimentos externos em projetos de infraestrutura, com maior participação da iniciativa privada.

Em encontro com Temer, o presidente chinês Xi Jinping expressou confiança na capacidade do Brasil em manter sua estabilidade política e econômica e na cooperação entre os dois países. Ao abrir a reunião do G-20 afirmou que o grupo precisa adotar novas medidas para gerar crescimento, incrementar o comércio e evitar o protecionismo. Pediu aos países para coordenar suas políticas fiscais e monetárias, assim como suas reformas estruturais, para estimular a economia e garantir que se mantenha a dinâmica de longo prazo.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, a inflação do consumidor repetiu em agosto a mesma taxa do mês anterior, 0,2% na base anual, quando a expectativa era de que atingisse pelo menos 0,3%. Ainda muito distante da meta de 2% anuais fixada pelo BCE.

Já a taxa de desemprego na região também se manteve estável em julho, registrando 10,1%, o nível mais baixo desde julho de 2011. Enquanto na Alemanha ela se situou em 4,2%, na Grécia foi de 23,5%.

Nos EUA, se de um lado o otimismo das famílias melhorou de forma inesperada e o índice da confiança dos consumidores saltou de 96,7 pontos em julho, para 101,1 em agosto, a atividade do setor industrial se contraiu nesse mês com o índice caindo para 49,4 pontos, ficando assim abaixo dos 50 pontos que delimita a fronteira entre contração e expansão da atividade.

Embora ainda mostrando robustez, o mercado de trabalho criou em agosto menos vagas do que os economistas projetavam. Foram criados 151 mil novos postos de trabalho, enquanto as expectativas estavam entre 175 mil e 180 mil novas vagas. Pelo terceiro mês consecutivo a taxa de desemprego ficou em 4,9%, contra projeções de 4,8%.

Para as bolsas internacionais, a semana anterior foi de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 0,91%, o FTSE-100, da bolsa inglesa evoluiu 0,83% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,50%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-S desacelerou ainda mais para fechar agosto em 0,32%, depois de ter registrado 0,37% em julho. O IPC-Fipe também mostrou desaceleração para fechar agosto com uma variação de 0,11%, depois de ter registrado 0,35% no mês anterior.

Já o IGP-M, considerado a inflação do aluguel, também perdeu força em agosto ao passar de 0,15% em julho, para 0,11%. Os preços relativos à construção civil subiram menos e influenciaram o indicador.

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro apresentou queda de 0,6% no segundo trimestre do ano, com queda de 2% do setor agrícola e de 0,8% do setor de serviços, embora o setor industrial tenha crescido 0,3%. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda do PIB foi de 3,8%.

Ainda em relação à atividade econômica, a produção industrial subiu 0,1% em julho, mas recua 9,6% em doze meses. E conforme a FGV, depois de uma sequência de cinco altas seguidas, a confiança da indústria no país caiu em agosto, mostrando uma piora das expectativas em relação aos próximos meses.

O IBGE também divulgou o último resultado da Pnad Contínua, mostrando que a taxa de desemprego no Brasil aumentou para 11,6% no trimestre encerrado em julho. Trata-se da maior taxa de desocupação desde o início dessa metodologia de pesquisa, em 2012. O contingente de desempregados bateu recorde e chegou a 11,8 milhões de pessoas.

Conforme informou o Banco Central, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 12,8 bilhões em julho. No ano o resultado acumulado é negativo em R$ 36,6 bilhões e R$ 154 bilhões, ou 2,54% do PIB, em doze meses.

E pela nona vez seguida o Copom, através de decisão unânime de seus integrantes, manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano, o maior patamar em dez anos. Em comunicado após a reunião, o colegiado condicionou a redução da taxa básica à queda da inflação e à redução da incerteza sobre o ajuste fiscal proposto pelo novo governo.

Na semana, o índice Ibovespa teve uma boa alta de 3,29%, elevando a alta no ano para 37,52%.  O dólar acumulou alta de 0,86% no período, enquanto o IMA-B Total subiu 0,56%, elevando a alta no ano para 20,79%.

Comentário Focus

No Relatório Focus publicado nesta segunda-feira, a média dos economistas que militam no mercado financeiro continua acreditando que o IPCA neste ano será de 7,34%. Para o de 2017, a expectativa decresceu de 5,14% para 5,12%.

Para a taxa Selic a expectativa novamente se manteve em 13,75%, para 2016, e caiu de 11,25% para 11% em 2017. Em relação ao PIB, houve uma piora das estimativas para este ano, de uma queda de 3,16% para 3,2% em 2016. Para o próximo ano cresceu de 1,23% para 1,30% a alta projetada.

Quanto a produção industrial, neste ano ocorreu uma nova piora da expectativa, neste caso de uma queda de 5,98% para 6,03%. Para 2017, a projeção manteve-se numa alta de 0,5%.

Para a taxa de câmbio, o mercado aposta que ela estará em R$ 3,26 no final de 2016, contra R$ 3,29 na semana anterior, e em R$ 3,45 no final de 2017, assim como a última previsão.

Ainda conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial para este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões, e para o próximo caiu ligeiramente de US$ 49,81 para US$ 49,80. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro serão divulgadas as vendas no varejo em julho, uma nova revisão do PIB do segundo trimestre e a decisão do BCE sobre a taxa básica de juros, este considerado o evento mais importante  da semana

Nos EUA, serão divulgados o ISM de serviços em agosto e o livro bege do FED.

No Brasil, em uma semana intermeada pelo feriado de 7 de setembro, além dos índices parciais de inflação teremos a divulgação da ata da última reunião do Copom e o IPCA do mês de agosto, sendo que a expectativa do mercado é que a sua evolução seja de 0,44%, frente a 0,52% de julho.

Passado o impeachment, o mercado financeiro estará focado nas medidas governamentais em direção ao ajuste fiscal e no andamento das reformas acenadas pelo presidente Temer.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, a nossa recomendação é de uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 06/09/2016


Índices de Referência – Julho / 2016