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agosto, 2016

Nossa Visão – 29/08/2016

Retrospectiva

Decorridos quase dez meses da aceitação do processo de impeachment e pouco mais de três meses do afastamento do cargo, a presidente Dilma começou, na última quinta-feira, a enfrentar a fase final do seu julgamento pelo Senado, que estará concluída no próximo dia 30 ou 31.

Os senadores atuarão como juízes e decidirão finalmente se ela cometeu ou não, crime de responsabilidade pela edição de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso e por atrasos de repasses do Plano Safra ao Banco do Brasil. Para a perda do mandato da presidente afastada e para que o presidente interino assuma definitivamente, serão necessários os votos de pelo menos 2/3 dos 81 senadores com assento na casa, ou seja, 54 votos.

Na quinta, na sexta-feira e ainda no sábado foram apreciadas questões de ordem e ouvidas testemunhas de defesa e de acusação. No dia 29, a presidente fez a apresentação de sua defesa e respondeu aos questionamentos de um grande número de senadores.

Os dias 30 e 31, sem a presença da acusada, estão reservados para argumentações e debates entre os senadores e os advogados de acusação e defesa. Em seguida, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que preside a sessão do Senado, dará a palavra para as manifestações finais dos parlamentares.

Concluída essa fase, o ministro Lewandowski perguntará se Dilma Roussef cometeu crime de responsabilidade e se deve ser condenada. Cada parlamentar responderá sim ou não por meio de votação nominal e aberta, pelo painel eletrônico.

Mas no campo político, a semana anterior se iniciou com declaração do ministro Geddel Lima, responsável pela Secretaria de Governo, de que o governo do presidente interino não deverá mais apoiar propostas que tratem do aumento salarial para servidores públicos.  Disse também que o país precisa aprovar suas reformas estruturantes e mostrar o compromisso com o combate ao déficit público.

Na madrugada da quarta-feira, o Congresso Nacional aprovou o texto-base da Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO de 2017, na versão proposta pelo presidente Temer, sendo que o texto atual é o mesmo aprovado pela Comissão Mista do Orçamento, em julho e limita o aumento de gastos no próximo ano à inflação de 2016. Até o próximo dia 31 de agosto o governo irá enviar ao Congresso a proposta definitiva de Orçamento para 2017.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, a atividade empresarial ficou praticamente estável em agosto, mas as fábricas possivelmente terão um mês de setembro mais difícil, com o crescimento de novas encomendas se enfraquecendo. O PMI da indústria recuou para 51,8 na leitura preliminar de agosto, após marcar 52 em julho. Já o PMI de serviços subiu de 52,9 em julho, para 53,1 em agosto, quando se esperava uma queda.

Na Alemanha, o crescimento do PIB de 0,4% no segundo trimestre mostrou desaceleração em relação ao primeiro, cujo crescimento havia sido de 0,7% em relação ao trimestre anterior, com a queda dos investimentos. Em relação a igual período do ano passado a evolução foi de 1,8% e veio em linha com as expectativas.

Nos EUA, o crescimento do PIB foi revisado de 1,2% para 1,1% no segundo trimestre, refletindo principalmente a melhora no consumo das famílias e o crescimento das exportações. No entanto, os dados foram ofuscados pela queda nos estoques das empresas, pela piora nos investimentos privados e pelos fracos gastos governamentais.

O Departamento de Comércio americano também informou que, em julho, as encomendas de bens de capital subiram pelo segundo mês consecutivo, com a demanda por máquinas se destacando. O crescimento de 1,6% em relação ao mês anterior foi o maior desde janeiro. Já em relação ao mercado imobiliário, se a venda de imóveis usados caiu 3,2% em julho, a de imóveis novos registrou um avanço de 12,4% em relação ao mês anterior, alcançando o seu nível mais alto em nove anos.

Na sexta-feira, em simpósio anual realizado pelo FED, a sua presidente, Janet Yellen, afirmou que “à luz do sólido e sustentável desempenho do mercado trabalhista, de nossas perspectivas de atividade econômica e da inflação, acho que o argumento para aumentar a taxa básica de juros se fortaleceu nos últimos meses”. Já o vice-presidente, Stanley Fischer, acrescentou que o discurso da presidente foi consistente com as expectativas de alta nas taxas de juros ainda neste ano.

Para as bolsas internacionais, a semana anterior foi de altas e baixas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 0,41%, o FTSE-100, da bolsa inglesa caiu 0,30% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,68%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-S favorecido pela queda do preço da gasolina e da energia elétrica, desacelerou a alta de 0,48% na segunda prévia de agosto, para 0,39% na terceira, enquanto o IPC-Fipe, com a queda das despesas de habitação e de transporte registrou deflação de 0,03% na terceira quadrissemana de agosto, depois de um avanço de apenas 0,05% na segunda prévia do mês.

Já o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, perdeu força em agosto ao passar de 0,54% em julho, para 0,45%. Apesar da desaceleração, graças a menor pressão dos preços dos alimentos, a taxa de agosto é a maior para o mês desde 2004, quando o indicador subiu 0,79%. Em doze meses, o índice ficou em 8,95%.

Conforme informou o Banco Central, o déficit em transações correntes, um dos principais indicadores do setor externo de um país, somou US$ 12,54 bilhões nos sete primeiros meses do ano, com queda de 71% frente ao mesmo período de 2015. Tal melhora deveu-se à recessão econômica, que diminuiu a demanda por produtos e serviços do exterior e à taxa de câmbio que favoreceu as exportações do Brasil.

Também medidos pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, o índice de confiança do consumidor atingiu em agosto o quarto mês consecutivo de alta, aos 79,3 pontos, maior leitura desde janeiro do ano passado, assim como o índice de confiança do comércio que passou de 74,9 pontos em julho para 82,1 pontos em agosto. Já a confiança no setor de serviços subiu para o maior patamar desde fevereiro de 2015, alcançando 78,8 pontos, o que representa dizer que as expectativas em relação à evolução dos negócios nos meses à frente continuam melhorando para as empresas do setor de serviços.

Na semana, o índice Ibovespa recuou, depois de atingir o maior patamar em dois anos e fechou com queda de 2,34%, reduzindo a alta no ano para 33,14%.  O dólar acumulou queda de 0,35% no período, enquanto o IMA-B Total subiu 0,68%, elevando a alta no ano para 19,87%.

Comentário Focus

No Relatório Focus mais recente, a média dos economistas que militam no mercado financeiro acredita que o IPCA neste ano será de 7,34% e não mais de 7,31%, como na semana anterior. E que o de 2017 será de 5,14% e não mais de 5,12% conforme o penúltimo relatório.

Para a taxa Selic a expectativa manteve-se em 13,75% para 2016 e subiu de 11% para 11,25% em 2017. Em relação ao PIB, a expectativa melhorou para uma queda de 3,16%, ao invés de 3,2% em 2016. Para o próximo ano cresceu de 1,20% para 1,23% a alta projetada.

Para a produção industrial neste ano ocorreu uma piora da expectativa, neste caso de uma queda de 5,95% para 5,98%. Para 2017 a projeção de alta caiu de 1,05% para 0,5%.

Para a taxa de câmbio o mercado aposta que ela estará em R$ 3,29 no final de 2016, contra R$ 3,30 na semana anterior e em R$ 3,45 no final de 2017, assim como a última previsão.

Ainda conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões e para o próximo aumentou de US$ 48,40 para US$ 49,81. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro será divulgada a taxa de desemprego em julho, o índice de confiança na economia, a inflação do consumidor e o PMI industrial de agosto.

Nos EUA, serão divulgados o gasto pessoal, a renda pessoal e o deflator do PCE, bem como as encomendas à indústria em julho. A confiança do consumidor, o PMI industrial, a criação de novos empregos não rurais e a taxa de desemprego em agosto.

No Brasil, além dos índices parciais de inflação teremos a divulgação do PIB do segundo trimestre, da Pnad com a taxa de desemprego, do resultado fiscal primário e das encomendas à indústria em julho. Teremos também o resultado do IGP-M de agosto, bem como da reunião do Copom, que deliberará sobre os juros no dia 31.

No plano internacional, o evento a ser acompanhado com atenção pelo mercado financeiro será a divulgação do próximo relatório de emprego nos EUA, no dia 2 de setembro. Será o último relatório de peso a ser divulgado antes da reunião do FED para deliberar sobre os juros, que acontecerá na semana posterior. Números robustos poderão selar a alta da taxa básica de juros naquele país. Outro evento de destaque será a reunião do G-20 nos próximos dias 4 e 5 de setembro, na China.

No plano local, além do resultado da votação do impeachment, o mercado estará focado na reunião do Copom, que provavelmente manterá a taxa Selic no patamar atual, bem como no resultado do PIB no segundo trimestre de 2016.

Sob a ótica da alocação dos recursos dos RPPS, a nossa recomendação é de uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 29/08/2016


Índices de Referência – Julho / 2016


Nossa Visão – 22/08/2016

Retrospectiva

Ficou definido, em reunião entre o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e os demais senadores, o roteiro da última etapa do processo de impeachment. A fase final terá início no dia 25 de agosto, e poderá durar pelo menos sete dias.

Dilma Rousseff decidiu que fará, pessoalmente, a sua defesa no julgamento do Senado, provavelmente em 29 de agosto. Antes disso, em carta intitulada “Mensagem ao Senado e ao Povo Brasileiro”, pediu aos senadores que não façam a injustiça de condená-la por um crime que alega não ter cometido e defendeu a realização de um plebiscito que decidiria a ocorrência de novas eleições presidenciais e de uma reforma política.

Ainda no início da semana anterior, o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF, autorizou a abertura de inquérito contra a presidente afastada, contra o ex-presidente Lula e os ex-ministros petistas Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo. Para a Procuradoria Geral da República, que fez o pedido de investigação, a nomeação de Lula para a chefia da Casa Civil fazia parte de um cenário em que foram identificadas diversas tentativas de atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato.

Em relação à economia internacional, na zona do euro, a revisão da inflação do consumidor em julho reiterou o avanço dos preços de 0,2%, na base anual. Já no Reino Unido ela foi de 0,6%, quando a expectativa era de 0,5%, também na base anual.

Nos EUA, a produção industrial em julho superou as expectativas e subiu 0,7% em relação ao mês anterior, cuja alta havia sido de 0,4%. Já a inflação do consumidor permaneceu estável em julho e recuou para 0,8% na base anual.

Foi também divulgada a ata da última reunião do Fomc, em que foi decidida a manutenção dos juros anuais entre 0,25% e 0,5%. O documento, de teor mais ameno do que o mercado esperava, em função dos indicadores econômicos mais recentes, revelou divisão entre os participantes quanto a alta futura dos juros. Os membros do Fomc em geral concordaram que, antes de dar outro passo em remover o ajustamento monetário, é prudente acumular mais dados, para poder avaliar a dinâmica do mercado de trabalho e da atividade econômica. No entanto, as portas ficaram abertas para uma elevação ainda este ano.

Para as bolsas internacionais foi uma semana ruim. O Dax, índice da bolsa alemã caiu 1,58%, o FTSE-100, da bolsa inglesa 0,83% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,01%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-S pressionado pelo preço do etanol subiu 0,48% na segunda prévia de agosto, frente a um aumento de 0,46% na prévia anterior, enquanto o IPC-Fipe, graças a menor alta dos preços dos alimentos, desacelerou para um avanço de apenas 0,05% na segunda prévia do mês, depois de haver subido 0,24% na primeira.

Já o IGP-M, considerada a inflação do aluguel, também teve a sua alta desacelerada para 0,09% na segunda prévia do mês, depois de ter subido 0,32% na primeira. Por seu turno, o IGP-10, calculado pela FGV como uma prévia da inflação do mês, registrou deflação de 0,27% em agosto, enquanto em julho subiu 1,06%.

Conforme o IBGE, a taxa de desemprego no país, apurada através da Pnad Contínua ficou em 11,3% no segundo trimestre de 2016, tendo subido em todas as regiões do país. A maior taxa foi observada no Nordeste, onde em um ano subiu de 10,3% para 13,2%.

Do lado fiscal, a Secretaria da Receita Federal informou que a arrecadação de impostos e contribuições federais teve em julho uma queda real de 5,8% em relação ao mesmo mês de 2015. Foi o pior mês de julho desde 2010. Considerando que a atividade econômica não tem caído no mesmo ritmo, os dados são um indício de que a inadimplência tributária está aumentando. Nos sete primeiros meses do ano a queda acumulada foi de 7,11% em relação ao ano anterior.

Na semana, o índice Ibovespa chegou a atingir o maior patamar em dois anos e fechou com alta de 1,37%, elevando a alta no ano para 36,33%.  Já o dólar acumulou alta de 2,10% no período, enquanto o IMA-B Total subiu no mês 1,87%, elevando a alta no ano para 21,28%.

Comentário Focus

No Relatório Focus, divulgado hoje, a média dos economistas que militam no mercado financeiro acredita que o IPCA neste ano será de 7,31%, assim como acreditavam na semana anterior, e que o de 2017 será de 5,12% e não mais de 5,14% conforme o penúltimo relatório.

Para a taxa Selic, a expectativa manteve-se em 13,75% para 2016 e em 11% para 2017. Em relação ao PIB, a expectativa para este ano manteve-se em uma queda de 3,2% e para o próximo cresceu de 1,1% para 1,2% a alta projetada.

Para a produção industrial neste ano, ocorreu uma nova manutenção de expectativa, neste caso de uma queda de 5,95%. Para 2017 a projeção de alta evoluiu de 0,75% para 1,05%.

Para a taxa de câmbio o mercado aposta que ela estará em R$ 3,30 no final de 2016, assim como na semana anterior e em R$ 3,45 no final de 2017, enquanto na semana anterior a projeção era de R$ 3,50.

Conforme o relatório, a estimativa de superávit comercial este ano permaneceu em US$ 50,00 bilhões e para o próximo recuou de US$ 49,84 para US$ 48,40. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

No campo externo, na zona do euro será divulgado o índice de confiança do consumidor e o PMI industrial e de serviços em agosto, bem como a revisão do PIB alemão do segundo trimestre.

Nos EUA, será divulgado o índice de confiança do consumidor e o PMI industrial de agosto, a venda de novas moradias e de moradias usadas, bem como as encomendas de bens duráveis em julho, além de nova revisão do PIB do segundo trimestre de 2016.

No Brasil, além dos índices parciais de inflação teremos a divulgação do IPCA-15 de agosto e o resultado primário do governo central em julho.

Conforme dissemos na edição anterior do Nossa Visão, alteramos nossa recomendação de alocação dos recursos financeiros dos RPPS para uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 22/08/2016

Índices de Referência – Julho / 2016


Nossa Visão – 15/08/2016

Retrospectiva

Mais uma vez o noticiário político deu o tom da semana. Após aceitar fazer novas mudanças e desidratar novamente o projeto que renegocia as dívidas dos estados com a União, o governo conseguiu aprovar o texto base da proposta no plenário da Câmara dos Deputados. Um dia depois de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, garantir que manteria duas contrapartidas no projeto, o texto foi votado sem uma delas. O relator da proposta, deputado Esperidião Amin (PP-SC), decidiu suprimir do texto, com o aval do Palácio do Planalto, o item que proibia os estados de concederem reajustes para servidores públicos durante dois anos. O recuo ocorreu para evitar uma derrota no plenário e garantir a aprovação do projeto, que passou com 282 votos favoráveis e 140 contrários. O texto segue, agora, para o Senado.

Com isso, a única contrapartida para o alongamento das dívidas dos estados com a União por 20 anos será o teto para os gastos públicos, vinculados à inflação do ano anterior.

Já no Senado, foi vencida mais uma etapa do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O plenário decidiu, por 59 votos favoráveis e 21 contrários, que a presidente afastada vai a julgamento na Casa. A partir de agora, Dilma torna-se ré e o Senado decidirá se a presidente cometeu crime de responsabilidade no cargo.

O placar indica que há maioria suficiente para confirmar o afastamento definitivo de Dilma na última fase do julgamento, prevista para ocorrer no fim deste mês.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na China, foi divulgada a inflação ao consumidor, que desacelerou para 1,8% em julho em termos anuais, em linha com as expectativas do mercado. Já os preços ao produtor recuaram 1,7% em julho, após queda de 2,6% no mês anterior.

Na zona do euro, a agência Eurostat divulgou que a produção industrial cresceu 0,6% em junho ante maio, já considerados ajustes sazonais. Na comparação anual, a produção do bloco avançou 0,4% em junho.

O Dax, índice da bolsa alemã acumulou a maior alta entre seus pares, e terminou a semana com avanço de 3,34%. O FTSE-100, da bolsa inglesa subiu 1,80% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana prosseguiu em alta e terminou a semana com valorização de 0,05%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPCA atingiu 0,52% em julho. No mês anterior, o índice havia chegado a 0,35%. Com este resultado, o acumulado no ano foi para 4,96%, menor que os 6,83% registrados em igual período no ano anterior. O vilão da inflação foi o item alimentos, que junto com Bebidas representa 65% da cesta, com destaque para as altas do feijão e do leite.

Já o IGP-M, considerada a inflação do aluguel, teve sua primeira prévia de agosto divulgada pela FGV. O índice apresentou variação zero, ante avanço de 0,55% na primeira prévia de julho. Pesou para a neutralidade do índice o IPA – Índice de Preços ao Produtor Amplo, que compõe o IGP-M, que apresentou variação de -0,13%, com o recuo do subgrupo “alimentos processados”, cuja taxa de variação passou de 3,54% para 0,19%.

Em relação a atividade, foi divulgado pelo IBGE o número de vendas no varejo do Brasil, que cresceu 0,1% em junho, acima do esperado, mas ainda sem sinais consistentes de recuperação mais robusta. Entretanto, o número reforça o cenário de que a economia entrou em uma fase de estabilização. Segundo o IBGE, três das oito atividades pesquisadas mostraram expansão em junho na comparação com maio, com destaque para tecidos, vestuários e calçados (+0,7%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (+0,8%). Na ponta oposta, o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou contração de 0,4% no período.

Na semana, o índice Ibovespa teve alta de 1,11%, elevando a alta no ano para 34,49%.  Já o dólar acumulou alta de 0,05% no período, enquanto o IMA-B Total subiu no mês 1,86%, elevando a alta no ano para 21,27%.

Comentário Focus

No primeiro relatório Focus divulgado após os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) as previsões para a inflação em 2016 pioraram. Em meio à forte pressão nos preços dos alimentos, os economistas do mercado elevaram de 7,20% para 7,31% a projeção mediana para o índice este ano. Quatro semanas atrás, estava em 7 26%. Para 2017, após uma série de cortes nas projeções, o mercado manteve em 5,14%, nesta semana, a previsão para o IPCA. Um mês antes, estava em 5,30%.

O resultado foi que os economistas do mercado passaram a prever menos cortes para a Selic ainda em 2016. Ao invés dos 13,50% ao ano, previstos na semana passada, a projeção é de que a Selic chegue ao fim do ano em 13,75%. Desde julho do ano passado, a taxa está em 14,25% ao ano. Para 2017, a Selic foi mantida em 11% ao ano pela sétima semana seguida.

Quanto à atividade econômica, os analistas das instituições financeiras ajustaram, pela terceira semana consecutiva, a estimativa de encolhimento da economia. Desta vez, a projeção de queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, passou de 3,23% para 3,20%. Para 2017, a projeção de crescimento segue em 1,1% há quatro semanas seguidas.

Na mesma linha as estimativas para a produção industrial melhoraram. Para 2016, a queda prevista passou de 6,00% para retração de 5,95%. Para o próximo ano, a projeção de alta subiu de 0,50% para 0,75%.

Mesmo com o recuo acumulado do dólar ante o real neste ano, as projeções do mercado financeiro para a balança comercial seguem fortes. Nesta semana, porém, houve leve recuo nas perspectivas para 2016. Pelo relatório, a estimativa de superávit comercial este ano passou de US$ 50,44 bilhões para US$ 50,00 bilhões. Um mês atrás, estava em US$ 50,52 bilhões. Para 2017, as estimativas no Focus foram de US$ 50,00 bilhões para US$ 49,84 bilhões – ante US$ 49,94 bilhões de um mês antes.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

Para os próximos dias, será importante continuar de olho no Congresso, onde ocorrerá a votação dos destaques da renegociação das dívidas com os estados que não foram votados na semana passada, no âmbito do projeto de Lei nº 257/2016.

No Senado, o plenário pode votar a PEC 31/2016, que trata da Desvinculação das Receitas da União – DRU, uma das mais importantes medidas do ajuste fiscal, e que prorroga até 2023 a permissão para que o executivo federal utilize livremente parte da sua arrecadação, ampliando de 20% para 30% a utilização de todos os impostos e contribuições sociais.

No campo externo, destaque para a divulgação da ata do Fomc, o banco central americano, que poderá dar sinais de quando o colegiado elevará a taxa de juros nos EUA. O último payroll animou, mas o mercado entende que novos sinais de robustez serão necessários para convencer os membros do FED de que a economia americana tomou a trajetória expansiva. Ainda assim, o cenário externo pesará na decisão, na medida em que há preocupação com a alta do dólar no mercado internacional por conta de uma economia mundial extremamente líquida.

Na quarta-feira (16), será divulgada a Pnad Contínua, e o mercado estará atento aos principais indicadores do relatório, tais como o desemprego referente ao segundo trimestre do ano, renda do trabalhador e número de pessoas ocupadas. Números parecidos com a última pesquisa poderão indicar que o pior momento da recessão chegou ao fim.

Conforme já mencionado nos relatórios periódicos anteriores, há um ambiente favorável a uma nova rodada de valorização dos ativos de maior risco. Internamente, ocorrerá ainda este mês a decisão sobre o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Se confirmado o afastamento em definitivo, abre espaço para que o atual governo construa uma agenda positiva no sentido de promover as reformas necessárias para a retomada do crescimento econômico. A equipe econômica, capitaneada pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles, tem a confiança do mercado. A confiança do consumidor e dos empresários voltou a crescer, e o apoio do Congresso em votações recentes a favor dos ajustes sinaliza o compromisso político com as reformas estruturais.

O cenário externo também é favorável, dado que os recursos dos investidores estão aplicados lá fora em ativos com rentabilidade pouco atrativas, muitas abaixo de zero.

No momento em que as taxas de juros estão nas mínimas históricas no exterior, o apetite pelos juros brasileiros, cuja diferença em relação aos praticados nos países desenvolvidos é a maior em dez anos, deverá resultar no ingresso de novos e significativos recursos externos para a compra dos títulos brasileiros, movimento que deverá se intensificar ao longo do tempo, na medida em que as perspectivas de melhora do rating externo do país se intensifiquem.

Neste contexto, alteramos nossa recomendação para uma exposição de 45% nos vértices mais longos (dos quais 10% direcionados para o IMA-B 5+ e/ou IDKA 20A e 35% para o IMA-B Total), 25% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 5% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%).

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.

Indicadores Diários – 15/08/2016


Índices de Referência – Julho/2016


Nossa Visão – 08/08/2016

Retrospectiva

No campo político, a semana iniciou tendo como tema principal a votação sobre as dívidas dos estados. O relator do Projeto de Lei Complementar  nº 257/16, deputado Esperidião Amin, do PP-SC, concordou com sugestões dos líderes partidários para que a matéria seja votada apenas nesta semana devido á complexidade do tema e à quantidade de emendas.

O texto apresentado pelo Poder Executivo renegocia as dívidas dos estados com a União, alongando-as por mais vinte anos, com carência até dezembro de 2016 e redução de parcelas em 2017 e 2018. Os artigos que obrigam todos os poderes e órgãos estaduais a se enquadrar em novas regras sobre limites de gastos com pessoal, que também constam do projeto, são considerados, pelo ministro Henrique Meirelles, como secundário, na medida em que se não forem aprovados, não afetam o ajuste fiscal nos estados.

Ainda segundo o ministro, foi proposta uma atualização da Lei de Responsabilidade Fiscal, inclusive por solicitação de alguns governadores, mas esta não é a parte central do acordo. Se ficar para outro momento, não vai alterar a essência do ajuste fiscal. O ajuste fiscal é o teto. A posição da fazenda vai ao encontro de demandas da base aliada e pode facilitar a aprovação do texto.

Para desfazer a impressão que o governo poderia estar fazendo demasiadas concessões para ver o projeto aprovado, o ministério da fazenda afirmou que os estados que não cumprirem o teto que limita a expansão dos gastos perderão os benefícios da renegociação da dívida.

Em relação à Operação Lava Jato, em manifestação de setenta páginas, o Ministério Público Federal defendeu a competência do juiz Sérgio Moro para julgar o ex-presidente Lula e afirmou que ele participou ativamente do esquema criminoso da Petrobrás. O documento é subscrito por quatro procuradores da República que compõem a força-tarefa da operação.

Acusaram ainda os procuradores, que, considerando os dados colhidos no âmbito da Operação Lava Jato, há elementos de prova de que Lula participou ativamente do esquema criminoso engendrado em desfavor da Petrobrás, e também de que recebeu, direta e indiretamente, vantagens indevidas decorrentes dessa estrutura delituosa. A manifestação foi uma resposta à ofensiva da defesa de Lula que, em exceção de competência, alegou parcialidade do juiz Moro para conduzir as investigações contra o ex-presidente.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, o PMI industrial apontou uma queda preocupante da atividade industrial, sinalizando que uma desaceleração mais acentuada fora da Alemanha pode aumentar os pedidos para que o Banco Central Europeu volte a flexibilizar a política monetária.

Já o PMI do setor varejista avançou de 48,5 pontos em junho, para 48,9 pontos em julho.  Ainda no continente europeu, para aliviar o impacto do Brexit, o banco central britânico reduziu a taxa de juros de 0,5% para 0,25%, a primeira queda desde 2009. Decidiu também comprar mais de 60 bilhões de libras em títulos públicos, para aumentar a liquidez na economia.

Nos EUA, o ISM industrial caiu 0,6 pontos, mas manteve-se acima de 50 pontos, o que indica expansão da atividade. O ISM de serviços também desacelerou, mas assim como o índice anterior ficou acima de 50 pontos. Já os pedidos de bens duráveis às fabricas americanas caíram 3,9% em junho, depois de queda de 2,9% em maio, conforme o Departamento de Comércio.

Por outro lado, os EUA criaram em julho 255 mil novas vagas de trabalho não rural, 76 mil a mais do que a estimativa dos economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,9%, o mesmo patamar do mês anterior.

Na China, a atividade industrial caiu em julho, após quatro meses de alta, e no Japão, o governo aprovou um pacote equivalente a estímulos de US$ 130 bilhões em medidas fiscais, dentro do continuado esforço em expandir a atividade econômica.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana com alta de 0,29%, o FTSE-100, da bolsa inglesa subiu 1,03% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana prosseguiu em alta e terminou a semana com valorização de 0,43%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-Fipe, depois de ter subido 0,72% na terceira prévia de julho, desacelerou para 0,35% na quarta, graças a uma alta menos intensa dos alimentos. O IPC-S, que tinha subido 0,36% na terceira medição de julho, acelerou para 0,37%, principalmente por conta da alta de 15,33% do feijão preto e de 30% do leite.

Já a produção industrial cresceu 1,1% em junho, puxada pelo setor de veículos, mas a queda em doze meses é de 9,8%, a maior desde outubro de 2009. A boa notícia veio da balança Comercial, cujo superávit em julho foi de U$ 4,57 bilhões elevando o valor acumulado no ano para US$ 28,2 bilhões, o maior para o período em vinte e oito anos.

Na semana, o índice Ibovespa teve alta de 0,62%, elevando a alta no ano para 33,01%.  Já o dólar caiu 1,64% e o IMA-B Total subiu 0,96%, elevando a alta no ano para 20,20%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma nova queda da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 7,20% neste ano e não mais 7,21%. Para 2017, a expectativa foi também de queda. De 5,20% para 5,14%.

Em relação à taxa Selic, a expectativa permaneceu em 13,50% para o final deste ano e em 11% para o próximo.

Quanto à atividade econômica, os analistas das instituições financeiras passaram a estimar um “encolhimento” menor do Produto Interno Bruto em 2016 de 3,23%, e não mais de 3,24% estimados na semana anterior. Em relação a 2017 a expectativa manteve-se numa alta de 1,10%.

Já as estimativas para a produção industrial voltaram a piorar no relatório Focus. Para 2016, a queda prevista passou de 5,95% para retração de 6,00%. Para o próximo ano, a projeção de alta recuou de 0,75% para 0,50%.

Pela primeira vez nos últimos meses, esses mesmo analistas passaram a projetar uma queda, ainda que ligeira, no superávit para a balança comercial. Até a última semana do mês de julho esses especialistas previam um saldo de US$ 51,10 bilhões e na primeira semana de agosto indicam que o saldo poderá ser um pouco menor, alcançando a cifra de US$ 50,44 bilhões. Para 2017, as projeções foram mantidas em US$ 50 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas mantiveram-se em US$ 65 bilhões para este ano e para o próximo.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação da produção industrial da Alemanha e da zona do euro em junho e a segunda prévia do PIB da zona do euro no segundo trimestre do ano.

Nos EUA, serão divulgadas a produtividade do setor não agrícola no segundo trimestre e as vendas no varejo em julho.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC- Fipe e do IPC-S, da primeira quadrissemana de agosto, das vendas no varejo e o IBC-Br de junho.

No plano internacional, os mercados estarão focados nas vendas no varejo em julho, nos EUA e internamente no IBC-Br do Banco Central, considerado uma prévia do PIB.

No campo político, a semana trará uma série de votações importantes no Congresso. Destaque para a votação do Senado, na terça-feira, do parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que recomendou a continuidade do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rouseff. No mesmo dia, a Câmara dos Deputados deverá votar a renegociação das dívidas de estados e municípios, uma das primeiras medidas do ajuste fiscal que o governo do presidente interino, Michel Temer, quer urgentemente ver aprovadas.

Neste contexto, em relação ao total das aplicações, mantemos a recomendação de uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

Nossa Visão – 01/08/2016

Retrospectiva

Em entrevista à Folha de São Paulo, no mesmo dia em que o Copom deliberou sobre a taxa Selic, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que após aprovar os temas da agenda econômica, como o projeto da renegociação das dívidas estaduais e o que cria limite para o crescimento das despesas públicas federais e estaduais, passam a existir condições para a retomada do crescimento econômico, com o reestabelecimento da confiança dos agentes econômicos e da consequente queda das taxas de juros. Para ele, esses temas são prioritários.

Com o Legislativo ainda em recesso, o destaque das notícias fora do âmbito da economia ficaram por conta do indiciamento do ex-ministro Paulo Bernardo, pela Polícia Federal, por conta de desvios de empréstimos consignados de responsabilidade do Ministério do Planejamento e da aceitação, pela Justiça Federal, de denúncia contra o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, acusado de envolvimento em esquema de corrupção para obter vantagens na Receita Federal e no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, a agência Eurostat informou que o PIB do segundo trimestre desacelerou o seu crescimento para 0,3% em relação ao primeiro, cujo crescimento havia sido de 0,6% sobre o trimestre anterior. Na base anual a redução do crescimento foi de 1,7% para 1,6%. A taxa de desemprego na região permaneceu em 10,1%.

Já a inflação na zona do euro, que subiu 0,2% na base anual, teve em julho um avanço em relação a junho quando foi de 0,1% na mesma base anual.

Nos EUA, foi anunciada a evolução do PIB do segundo trimestre deste ano, cujo crescimento de 1,2%, na base anual ficou bem abaixo dos 2,6% esperados. Embora a queda nos estoques tenha pesado, na medida em que com a sua exclusão o PIB teria subido 2,7%, no resto do ano ela deverá dar um impulso à produção. Por outro lado, os gastos dos consumidores aumentaram 4,2%, o maior ritmo desde o quarto trimestre de 2014.

Quanto aos pedidos de bens duráveis, tiveram queda de 4% em junho, quando a redução prevista era de 1%. Também a confiança do consumidor caiu nesse mês, de acordo com índice publicado pela Universidade de Michigan.

Apesar dos riscos de curto prazo à perspectiva econômica dos EUA terem diminuído, o FED – banco central americano, manteve o juro inalterado na última quarta-feira. No entanto, pelo comunicado após a reunião, ficou aberta a porta para a retomada do aperto monetário ainda este ano.

No Japão, o banco central expandiu os estímulos monetários ao dobrar as compras de fundos de índices – ETFs, mas decepcionou os investidores que aguardavam medidas mais contundentes.

Na semana, o Dax, índice da bolsa alemã teve alta de 1,87%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, queda de 0,09% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana também uma pequena queda de 0,07%.

No Brasil, em relação à inflação, o IPC-Fipe, depois de ter subido 0,85% na segunda prévia de julho, desacelerou para 0,72% na terceira. Já o IPC-S também desacelerou de 0,41% para 0,36% na terceira medição de julho, graças a queda de preços das hortaliças, legumes e de algumas frutas, que compensaram em parte as altas de alimentos como o feijão e o leite. O IGP-M, conhecido como a “inflação do aluguel”, também perdeu força e desacelerou de uma alta de 1,69% em junho, para 0,18% em julho. Em doze meses a alta foi de 11,63%.

Foi também divulgada a ata da última reunião do Copom, em que a taxa Selic foi mantida em 14,25%. Os diretores do BC argumentaram que as projeções dos analistas de mercado para a inflação ainda estão muito longe da meta de 4,5%, sendo que a velocidade da queda dos preços vai depender do próprio ajuste fiscal, o que ainda pode levar um tempo.

Notícia ruim, embora esperada, foi a de que o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10,1 bilhões em junho, elevando o acumulado no ano para R$ 23,8 bilhões, o pior resultado da história e para R$ 151,2 bilhões o acumulado em doze meses.

Também não surpreendeu a elevação da taxa de desemprego para 11,3% no trimestre findo em junho de 2016, conforme a Pnad Contínua.

Finalmente, foi positivo o aumento da confiança do consumidor em julho, bem como a alta da confiança da indústria no mesmo mês, de acordo com a FGV.

Na semana, o Índice Bovespa subiu 0,54%, elevando a alta no mês para 11,22% e no ano para 32,20%. Já o dólar caiu 1,62% na última semana e o IMA-B Total subiu 0,87%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado ontem, apontou manutenção da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média acreditam que o IPCA subirá 7,21% neste ano. Para 2017, a expectativa foi de queda, desta vez de 5,29% para 5,20%.

Em relação à taxa Selic, a expectativa subiu de 13,25% para 13,50% no final deste ano e foi mantida em 11,00% para o final do próximo.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera agora uma melhora na queda do PIB, desta feita de -3,24% e não de -3,27%, em 2016. Em relação a 2017 a expectativa foi mantida para uma alta de 1,10%.

Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, manteve-se em 5,95%. Para o próximo ano, permaneceu numa alta 0,75%.

Quanto a Balança Comercial, a projeção neste ano manteve-se em um superávit de US$ 51,10 bilhões.  E no ano seguinte foi mantida em US$ 50 bilhões. Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas subiram de US$ 63,50 bilhões para US$ 65 bilhões, neste ano e para o próximo permaneceu em US$ 65 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação do PMI industrial, do PMI de serviços e o composto, bem como as vendas no varejo, na zona do euro, em julho.

Nos EUA, serão divulgados o PMI e o SMI industrial, o ISM de serviços, as encomendas à indústria, o relatório de emprego e a taxa de desemprego em julho.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC- Fipe e do IPC-S, da quarta quadrissemana de julho e da produção industrial em junho.

No plano internacional, os mercados estarão focados na criação de novas vagas de trabalho não rurais e na taxa de desemprego de julho nos EUA, e internamente nos indicadores de inflação e na produção industrial em um momento em que a confiança da indústria se eleva.

Em relação ao total das aplicações, recomendamos uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.