junho, 2016

Nossa Visão – 27/06/2016

Retrospectiva

Surpreendendo os mercados ao redor do mundo, o Reino Unido decidiu pela saída da União Europeia, o bloco político e econômico que congrega 28 países, e ao qual aderiram em 1973. A decisão, ainda que dividida, referendou a opinião dos eleitores do bloco pela ruptura. Até a véspera, a previsão para o desfecho do referendo era pela permanência do Reino Unido na comunidade, e o imprevisto abalou os mercados financeiros e provocou uma onda de choque e incredulidade global.

Com a decisão britânica, investidores se voltaram no mundo todo para ativos considerados mais seguros e realizaram ajustes após os últimos pregões. A libra chegou a afundar 10% em valor, atingindo o ponto mais fraco desde 1985, provocando uma corrida de capital pela tradicional segurança do iene e do franco suíço.

Ao final do dia, a agência classificadora de riscos Moody’s cortou a perspectiva do rating do Reino Unido para “negativa” ante “estável”, mas manteve a perspectiva “estável” para a nota de crédito da União Europeia. De acordo com agência, a saída britânica do bloco trará um período de incerteza para o Reino Unido, com implicações negativas para o crescimento do país no médio prazo.

Para além do Reino Unido, a preocupação recai sobre o futuro do bloco econômico, com possível fortalecimento do separatismo em outros países.

Por aqui, a operação Lava Jato continuou fazendo vítimas. Desta feita, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Paulo Bernardo, no âmbito da operação denominada “Custo Brasil”, um desdobramento da Lava Jato. O ex-ministro é investigado no esquema que direcionou à contratação da empresa Consist para operacionalizar o empréstimo consignado a funcionários públicos da União.

No campo político, o governo interino do presidente Michel Temer deu demonstração de força no Congresso Nacional. O Senado aprovou o texto do Projeto de Lei que cria a Lei de Responsabilidade das Estatais, que estabelece normas de governança corporativa e regras para compras, licitações e contratação de dirigentes realizadas por empresas públicas e sociedades de economia mista, como a Petrobras. As novas regras inibem fortemente o aparelhamento político das empresas públicas e criam condições para uma administração mais profissional e técnica. Agora, a matéria irá à sanção presidencial.

No campo corporativo, os mercados domésticos foram pegos de surpresa com a decisão da Oi em pedir sua recuperação judicial, o maior da história considerando a inclusão no processo de um total de R$ 65,4 bilhões em dívidas. A Oi é a maior operadora em telefonia fixa do Brasil e a quarta em telefonia móvel, com cerca de 70 milhões de assinantes. Em fato relevante divulgado ao mercado, a Oi afirmou que o pedido de recuperação foi ajuizado em razão dos obstáculos enfrentados pela administração da companhia para encontrar uma alternativa viável junto aos credores. A empresa acrescentou que o ajuizamento do pedido de recuperação judicial é mais um passo na direção da reestruturação financeira.

No campo da economia, tivemos a divulgação do IPCA-15, colhido entre os dias 15 de maio e 15 de junho. O índice teve um aumento de 0,40%, ante expectativa mediana dos economistas consultados de avanço de 0,50% na inflação na comparação mensal, após o índice ter subido 0,80% no período anterior, e segue desacelerando. A queda nos itens alimentação e transportes contribuíram para a desaceleração do número.

Entre os indicadores de atividade, tivemos a divulgação da prévia do Índice de Confiança da Indústria – ICI, apurado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. O índice subiu 3,9 pontos na comparação com maio, indo para 83,1 pontos, estabelecendo-se como o maior índice desde fevereiro de 2015, quando apurou 84,9 pontos. A alta foi determinada pela melhora das expectativas em relação aos meses seguintes.

Refletindo a saída do Reino Unido da União Europeia, o DAX, índice da bolsa alemã, desabou 6,82%, devolvendo os ganhos do rali de cinco pregões em alta, acumulando uma baixa de 11,04% no ano. O FTSE-100, da bolsa inglesa, desvalorizou 3,15% em relação ao pregão imediatamente anterior, acumulando no ano uma queda de 1,66%, enquanto o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, encerrou o pregão com queda de 3,60%, devolvendo todos os ganhos no ano.

O índice Ibovespa fechou em baixa de 2,82%, aos 50.105 pontos, mas ainda acumulando uma alta no mês de 3,37% e no ano de 15,58%. Já o dólar acumula queda de 6,40% em junho, enquanto o IMA-B Total sobe 2,26% no mês.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma nova alta da expectativa de inflação para 2016. Nas projeções de instituições financeiras para a inflação neste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a trajetória de alta das estimativas foi mantida pela sexta vez consecutiva, ao passar de 7,25% para 7,29%.

Para 2017, o mercado segue insensível em relação à projeção do Bacen para o IPCA do ano que vem, pelo cenário de referência, estabelecido em 4,50%. A mediana das previsões para o indicador permaneceu em 5,50% pela sexta semana consecutiva.

Em relação à taxa Selic, subiu a expectativa que era de 13,00%, para 13,25% no final deste ano. Um mês atrás estava em 12,88% ao ano. Para o encerramento de 2017, porém, as estimativas para a Selic saíram de 11,25% ao ano para 11,00%. Quatro levantamentos atrás estava em 11,25% ao ano.

Quanto à atividade econômica, o mercado manteve a estimativa de que o PIB de 2016 cairá 3,44%. Um mês atrás estava em -3,81%. Para 2017, a mediana das previsões do mercado ficou estacionada em 1,00%. Quatro semanas atrás a pesquisa apontava alta de 0,55%.

Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, aumentou de 5,85% para 5,89%. Para o próximo ano, a projeção continua no terreno positivo, de 0,80%, e mais robusta do que no levantamento passado, de 0,67%.

Quanto a Balança Comercial, a projeção neste ano se manteve em um superávit de US$ 50,76 bilhões.  E no ano seguinte, as estimativas voltaram para US$ 50 bilhões, após terem atingido a cifra de US$ 50,07 bilhões na semana passada.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas subiram de US$ 60 bilhões para US$ 60,50 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

A saída do Reino Unido da União Europeia segue em destaque no mercado internacional, e o mercado local manterá no radar atenção redobrada aos desdobramentos da ruptura e seus impactos.

Na segunda-feira (27), será realizada reunião pelos líderes dos 27 países que continuam na União Europeia. David Cameron, primeiro-ministro demissionário do reino Unido, participará do encontro em Bruxelas no primeiro dia para informar seus colegas oficialmente do resultado do referendo. No dia seguinte, seguirão as discussões sobre as implicações políticas e econômicas dessa decisão tomada pela população do Reino Unido.

Na cena doméstica, as atenções se voltam para a divulgação do Relatório Trimestral da Inflação – RTI, com previsão para ser revelado amanhã (28). A apresentação do documento ganha importância, na medida em que será o primeiro documento assinado por Ilan Goldfajn, que estará presente na apresentação a ser comandada pelo diretor de Política Econômica do Bacen, Altamir Lopes. No documento, o Bacen deve reforçar o discurso de inflação caminhando ao centro da meta no horizonte próximo. O discurso deve reforçar que os choques inflacionários do passado ainda se acomodam, e que uma trajetória benigna no horizonte relevante é possível se vislumbrar.

Também na quarta-feira (29), será conhecido o resultado consolidado das contas públicas, que deverá confirmar o consenso de nenhuma melhora nos resultados fiscais no curto prazo, mesmo porque as medidas fiscais dependem de aprovação pelo Congresso.

No mesmo dia será revelada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – Pnad Contínua. O principal dado que a pesquisa trará é o desemprego referente ao primeiro trimestre do ano, que deverá mostrar estabilidade no número.

Lá fora, será conhecida a terceira estimativa do PIB dos EUA para o quarto trimestre de 2015, bem como os PMIs da China para os setores de serviços e indústria. São divulgações aguardadas com ansiedade pelo mercado, pois indicam as perspectivas de crescimento das principais economias mundiais.

Neste contexto, mantemos a recomendação de uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

Nossa Visão Especial – 24/06/2016

Ainda que por uma margem apertada (51,9% a 48,1%), o povo foi às urnas e votou pela saída do bloco – formado pela Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales – da União Europeia.

Trata-se de uma decisão histórica, que muda a relação do Estado com seus vizinhos e com o mundo. O Estado pertenceu ao bloco desde a fundação de seu embrião, a Comunidade Econômica Europeia, há 43 anos.

Além da importância histórica, o Reino Unido individualmente representa a terceira maior economia do bloco, perdendo apenas para Alemanha e França.

Resta saber como se dará a saída. Se ocorrer de maneira suave, como é a pretensão do Parlamento do Reino Unido, o impacto no crescimento da economia local seria limitado. Por outro lado, se prevalecer um cenário de ruptura total com a União Europeia e descumprimento de regras comerciais, o impacto será adverso e provocaria uma forte desaceleração da economia do Reino Unido.

No campo político, a decisão dividida das urnas deverá reascender os movimentos separatistas na Escócia e Irlanda, países em que o resultado da votação foi amplamente favorável a permanência na União Europeia.

De imediato, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, renunciou ao cargo. Defensor da permanência no bloco, David ponderou que uma nova liderança deve ser escolhida para levar adiante a decisão do referendo.

Os mercados financeiros amanheceram derretendo, em demonstração de certa surpresa com o resultado, até ontem dado como menos provável.

O principal índice da bolsa de Londres – FTSE – perdia mais de 200 pontos (-3,50%, amenizando as perdas na medida em que os mercados se aproximam do fechamento, enquanto a libra esterlina apurava perdas de 7,96% contra o dólar, atingindo seu menor patamar desde 1985.

Mundo afora o movimento se repete. No Japão, o índice Nikkei fechou em queda de 7,92%, enquanto o iene teve forte alta com os investidores buscando proteção. Já o chinês Xangai Composite teve baixa menos expressiva, fechando em queda de 1,30%.

Na Europa, o DAX da bolsa alemã perde 6,50%, enquanto em Paris o CAC 40 cai 7,92%.

O reflexo aqui também é sentido. O Ibovespa perdeu os 50.000 pontos na abertura, e agora tem baixa acumulada próxima a 3,0%. Já o dólar comercial sobre 1,72% a R$ 3,4019 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 segue próximo a estabilidade, enquanto o DI para janeiro de 2021 tem alta de 14 pontos-base (1,1%) a 12,54%.

Para o Brasil, os impactos nos mercados financeiros são reflexo do que aconteceu nos mercados lá fora. Numa visão mais a frente, esperamos que os ativos se acomodem após o nervosismo inicial. Neste contexto, recomendamos aos nossos clientes cautela na condução dos investimentos e nas tomadas de decisões que envolvam os recursos do Regime Próprio, e perseguir a estratégia recomendada na política de investimentos e em nossos comunicados.

Nossa Visão – 20/06/2016

Retrospectiva

Por conta da Operação Lava Jato, o terceiro ministro do presidente em exercício, Michel Temer, acabou deixando o governo. Desta feita foi o Deputado Henrique Eduardo Alves, do PMDB, que pediu demissão do cargo de ministro do Turismo, por seu nome ter sido envolvido na delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que foi homologada pelo STF.

Em sua delação, Machado citou diversos políticos do PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PC do B, inclusive o presidente Temer, que lhe teria pedido que obtivesse doações eleitorais para o ex-deputado Gabriel Chalita, na campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2012. Na última quinta-feira o presidente em exercício classificou de irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa a declaração dada por Machado. A verdade, o tempo dirá.

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a queda de três ministros em pouco mais de um mês do governo Temer, não altera a agenda econômica. Ele disse que a crise política é de curto prazo e que deverá ser resolvida de uma maneira ou de outra e que está focado em resolver os problemas de longo prazo da economia. Segue firme a expectativa de que o Congresso aprove a PEC que estipula um teto para as despesas públicas.

Ainda na segunda-feira, ocorreu a transmissão de cargo do presidente do Banco Central, de Alexandre Tombini para Ilan Goldfajn, que afirmou ser seu objetivo perseguir uma inflação baixa e estável para garantir a recuperação da economia e que a eficácia da política monetária, no entanto, dependerá da aprovação das medidas na área fiscal propostas pelo governo. No mesmo dia anunciou a nova equipe de diretores do BC, que agradou ao mercado financeiro.

Já na quinta-feira, o economista-chefe para a América Latina da agência Standard & Poor’s, Joaquin Cottani, afirmou que o governo do presidente em exercício está fazendo o certo, mas que leva algum tempo para que os resultados apareçam. As mudanças podem e devem ser feitas da noite para o dia, mas há de se esperar, no mínimo um ano, pelo resultado. Além disso, as incertezas políticas atrapalham a tomada de medidas e a apresentação de resultados.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, a agência Eurostat comunicou que a produção industrial teve alta de 1,1% em abril, puxada pela produção de bens duráveis. Já o índice de preços ao consumidor de maio teve queda de 0,1% anualizada, sendo que o núcleo do índice teve avanço de 0,8%.

Nos EUA, o banco central local – FED decidiu manter entre 0,25% e 0,5% a taxa básica de juros, dadas as leituras mistas do desempenho econômico americano, além de também considerar como um fator importante o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, que ocorrerá nesta semana. Foi também divulgado que a produção industrial nos EUA caiu 0,4% em maio, tendo retrocedido mais que o previsto. Já as vendas no varejo aumentaram 0,5% nesse mês, depois de uma alta de 1,3% em abril, levemente acima do esperado pelos analistas. Por sua vez, os preços ao consumidor subiram 0,2% em maio e 1% na base anual, depois de terem subido 0,4% em abril, ainda bem abaixo da meta de 2%.

Na Ásia, o banco central japonês decidiu manter a política monetária expansionista, com a taxa de depósito dos bancos no banco central mantida em -0,1%, além de cortar a projeção para a inflação.

Com o temor da saída do Reino Unido da União Europeia, as bolsas reagiram mal. O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana com queda de 2,07%%. Já o FTSE-100, da bolsa inglesa fechou com queda de 1,55%, enquanto o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, terminou a semana com baixa de 1,19%.

No Brasil, o IPC-Fipe, depois de ter desacelerado para 0,40% na primeira quadrissemana de junho, manteve a alta na segunda. O IPC-S, que subiu 0,59% na quadrissemana inicial de junho, desacelerou para 0,45% na segunda. Já o IGP-M, acelerou na segunda prévia de junho, subindo de 1,12% para 1,33%. E por fim, o IGP-10 de junho aumentou 1,42%, quando em maio havia subido 0,60%, elevando a alta em doze meses para 11,85%.

O Banco Central informou que o IBC-Br, a sua prévia do PIB, teve uma ligeira alta de 0,03% em abril, comparado a março. Em doze meses a queda acumulada foi de 5,35%. Foi também divulgada a ata da última reunião do Copom, em que o Banco Central considerou que a inflação poderá chegar ao centro da meta no final de 2017, caso seja mantida, por enquanto, a taxa Selic em 14,25%. Para 2016 as estimativas de inflação pioraram, mesmo no cenário que considera os juros estáveis.

Já as vendas no varejo, conforme o IBGE, subiram 0,5% em abril, em relação ao mês anterior, impulsionadas pelos setores de supermercados, artigos de uso pessoal e vestuário. A evolução foi abaixo da esperada e em relação a abril do ano passado as vendas varejistas acumulam queda de 6,7%. O IBGE também informou que o volume de serviços prestados em abril caiu 4,5% na comparação com o mesmo período de 2015, e que no ano a queda foi de 4,9%, já descontados os efeitos da inflação.

Por sua vez, o índice de confiança do empresário industrial, calculado pela Confederação Nacional do Comércio alcançou em junho o maior nível desde novembro de 2004 e o de confiança do consumidor, calculado pela Federação do Comércio de São Paulo, subiu, após 40 meses de queda.

Na semana, o índice Ibovespa subiu 0,23%, acumulando uma alta no mês de 2,19% e ano de 14,27%.  Já o dólar subiu na semana 0,32%% e o IMA-B Total 0,36%.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado na segunda-feira, apontou novamente alta da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média, acreditam agora que o IPCA subirá 7,25% neste ano e não mais 7,19%. Com relação a 2017, a expectativa dos economistas é de que o IPCA feche o ano em 5,50% – projeção semelhante àquela divulgada nas cinco últimas semanas.

Em relação à taxa Selic, foi mantida a expectativa de 13,00% para o final deste ano e de 11,25% para o próximo.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera agora uma queda do PIB de 3,44% e não de 3,60%. Em relação a 2017 a expectativa de alta foi mantida em 1,00%.  Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, diminuiu de 5,87% para 5,85%. Para o próximo ano, a projeção de alta caiu de 0,80%, para 0,67%.

Quanto a Balança Comercial a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 50,52 bilhões para US$ 50,76 bilhões.  E no ano seguinte aumentou de US$ 50 bilhões, para US$ 50,07 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas caíram de US$ 61,30 bilhões para US$ 60 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo também em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação da confiança do consumidor, do PMI industrial, de serviços e o composto da zona do euro e da Alemanha, em junho, além do importante resultado do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas de casas usadas, de casas novas e os indicadores antecedentes, de maio, o PMI industrial e a confiança do consumidor, em junho.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC- Fipe e do IPC-S, da terceira quadrissemana de junho, do IPCA-15 desse mês, as transações correntes e a arrecadação federal, em maio.

No plano internacional, os mercados estarão focados no resultado do mencionado referendo no Reino Unido e, internamente, na divulgação do IPCA-15, que deve ser mais brando por conta de menor pressão dos preços administrados, além do andamento das medidas econômicas do governo Temer e nos fatos políticos.

Em relação ao total das aplicações, mantemos a recomendação de uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

Nossa Visão – 13/06/2016

Retrospectiva

Tivemos outro início de semana conturbado, com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, requerendo ao STF a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-presidente, José Sarney, do Senador Romero Jucá e do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha. Os três primeiros, com base nas gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

O mesmo procurador também solicitou ao STF que remeta ao Juiz Sérgio Moro, as investigações referentes ao ex-presidente Lula e ao ex-senador Delcídio do Amaral.

Também na segunda-feira, o Ministério da Fazenda divulgou nota à imprensa para informar que o reajuste dos servidores públicos, aprovado pela Câmara na semana retrasada, está sujeito ao limite de gastos públicos que será proposto ao Legislativo por meio de Proposta de Emenda Constitucional – PEC. Dessa forma, o governo vai retirara o apoio ao aumento de salários dos ministros do STF, embora esteja mantido o apoio à aprovação do reajuste dos servidores do Judiciário.

Ainda na segunda-feira, o presidente Temer anunciou a paralisação de todas as indicações para diretoria e presidência de estatais e fundos de pensão, até que sejam aprovados dois projetos que altera as regras para essas nomeações e o que estabelece normas de transparência e gerenciamento de empresas estatais. Já no final da semana, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão anunciou que o governo irá cortar 4.307 cargos e funções comissionadas e prevê, com o corte, uma economia de R$ 230 milhões por ano.

No meio da semana, a Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno, a PEC que prorroga até 2023 a permissão para que a União utilize livremente a sua arrecadação, a chamada DRU e foi aprovada, pela Comissão de Assuntos Econômicos – CAE, a indicação do economista Ilan Golfajn para comandar o Banco Central, que já tomou posse. Na ocasião, afirmou que o objetivo da sua gestão será cumprir plenamente a meta de inflação.

Em relação aos principais fatos da semana, na economia internacional, especificamente na zona do euro, a agência Eurostat comunicou que o PIB da região, após a segunda revisão, cresceu 0,6% no primeiro trimestre de 2016, em relação ao anterior e 1,7% em comparação a 2015. Já os preços ao consumidor alemão tiveram alta de 0,1% em maio, na base anual.

Por sua vez, o Banco Mundial reduziu as suas previsões de crescimento global para 2,4% neste ano, marcando uma estagnação em relação ao ano anterior.

Nos EUA, a presidente do FED, Janet Yellen fez pronunciamento em que afirmou que o aumento dos juros do banco central norte-americano provavelmente está a caminho, dado que as forças econômicas positivas compensaram as negativas e ressaltou que surpresas podem emergir e que mudem as expectativas para os juros. Mesmo assim, os analistas esperam uma eventual alta apenas na reunião do FED de julho.

Na China, a inflação desacelerou em maio, para 2% em base anual, graças à queda dos preços dos alimentos, que haviam subido com força no inverno e as importações caíram menos que nos meses anteriores, reforçando a visão de estabilização da economia.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana com queda de 2,66%, o FTSE-100, da bolsa inglesa com queda de 1,51% e o índice S&P 500, da bolsa norte-americana, terminou a semana com baixa de 0,15%.

No Brasil, em relação à inflação de maio, o IPCA subiu 0,78% e foi o maior índice para o mês desde 2008. No ano o seu avanço acumulou 4,05% e em doze meses 9,32%. Já o INPC subiu 0,98% no mês e acumulou alta de 9,82% em doze meses.

O IPC-Fipe, depois de ter subido 0,57% na última semana de maio, desacelerou para 0,40% na primeira semana de junho. O IPC-S, que terminou o mês de maio com alta de 0,64%, também desacelerou para uma alta de 0,59% na semana inicial de junho. Já o IGP-M acelerou na primeira prévia de junho subindo 1,12%, depois de avançar 0,59% no mesmo período de maio.

Por conta da inflação ainda alta, o Copom manteve pela sétima vez seguida a taxa Selic, na última reunião presidida por Alexandre Tombini, sendo que a decisão foi por unanimidade.

Na semana, o índice Ibovespa caiu 2,36%, mas ainda acumulando uma alta no mês de 1,96% e no ano de 14,01%. Já o dólar caiu na semana 3,24%% e o IMA-B Total ficou quase estável subindo apenas 0,04%.

Comentário Focus

Depois de sofrer menos pressão no início do ano, a inflação voltou a ganhar força nas últimas semanas com uma alta maior que a esperada nos alimentos e também por conta de tarifas como as de telefone. O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou uma nova alta da expectativa de inflação para 2016. A projeção de instituições financeiras para a inflação neste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu pela quarta vez seguida, ao passar de 7,12% para 7,19%. Para 2017, a estimativa é mantida em 5,50% há quatro semanas.

Em relação à taxa Selic, subiu a expectativa que era de 12,88%, para 13,00% no final deste ano. Para o próximo ano a previsão foi mantida em 11,25%.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera agora uma queda do PIB de 3,60% e não de 3,81%. Em relação a 2017 a expectativa de alta melhorou de 0,80%, para 1,00%.

Para a produção industrial, a expectativa de queda, no ano, diminuiu de 5,90% para 5,87%. Para o próximo ano, a projeção de alta caiu de 1% para 0,80%.

Quanto a Balança Comercial, a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 50 bilhões para US$ 50,52 bilhões.  E no ano seguinte foi mantida em US$ 50 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas subiram de US$ 60 bilhões para US$ 61,30 bilhões, neste ano e não mudaram para o próximo se mantendo em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgaçãoda produção industrial e da balança comercial da zona do euro, em abril e o índice de preços ao consumidor, em maio.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas no varejo, a produção industrial, o índice de preços do produtor e do consumidor, em maio, e o resultado da reunião do FED.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC- Fipe e do IPC-S, da segunda quadrissemana de junho, as vendas no varejo e o IBC-Br, em abril.

No plano internacional, os mercados estarão focados no resultado da reunião do FED, que ocorrerá dias 14 e 15 de junho próximo, e internamente continuará focado no andamento das medidas econômicas do governo Temer e nos fatos políticos.

Enquanto analistas já começam a prever uma reação mais rápida da atividade econômica, os economistas divergem se será em outubro ou agosto a reunião do Copom que promoverá uma queda da taxa Selic. São apostas as serem confirmadas.

Em relação ao total das aplicações, recomendamos uma exposição de 35% aos vértices mais longos, representado pelo IMA-B Total (cuja composição historicamente equivale a 35% do IMA-B 5 e 65% do IMA-B 5+), 30% para os vértices médios (IRF-M Total, IMA-B 5 e IDkA 2A) e 10% para o vértice mais curto, representado pelo IRF-M 1, e mesmo pelo DI, face a constituir uma reserva estratégica de liquidez e proteção das carteiras. Importante destacar que o alongamento das posições deve ser feito de forma paulatina, visando aproveitar as movimentações do mercado, que ainda poderá apresentar alta volatilidade.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDIC e FI Crédito Privado, por exemplo), em detrimento das alocações em vértices mais longos. A atual escassez de crédito para a produção e o consumo tem gerado prêmios de risco, que possibilitam uma remuneração que supera as metas atuariais.

Quanto à renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 25%, já incluídas as alocações em fundos multimercado (5%), em fundos de participações – FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%). Para os 10% direcionados para o mercado de ações, sugerimos a mesma estratégia de entrada paulatina, já que o cenário esperado é o mesmo que prevalece no alongamento das posições em renda fixa.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente, para o longo prazo.

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