Telefone: 13 3878-8400  |  E-mail: consultoria@creditoemercado.com.br

Consultoria em InvestimentosConsultoria em Investimentos

maio 18th, 2016

Nossa Visão – 16/05/2016

Retrospectiva

Em uma longa sessão, o Senado da República aprovou, com 55 votos favoráveis frente a 22 contrários, a abertura do processo de impeachment, da presidente Dilma Roussef, que foi afastada do cargo por até 180 dias. Nesse período, o Senado passará a colher provas, realizar perícias, ouvir testemunhas de acusação e de defesa para instruir o processo e embasar a decisão final. O julgamento será conduzido pelo presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, que também comandará a Comissão Processante do Senado. O impedimento definitivo da presidente dependerá do voto favorável de 54 dos 81 senadores (dois terços), em julgamento ainda sem data marcada para ocorrer.

Assim, o vice-presidente Michel Temer foi notificado, assumiu a presidência, anunciou os 24 ministros integrantes da sua equipe, e já realizou a primeira reunião ministerial. A nomeação de diversos parlamentares, dos mais importantes partidos favoráveis ao impeachment, faz parte da estratégia do presidente em exercício de obter apoio no Congresso Nacional, a fim de assegurar os votos necessários para aprovar reformas consideradas prioritárias diante da crise econômica.

Em relação aos principais fatos da semana na economia internacional, na zona do euro foi divulgado o PIB revisado de primeiro trimestre de 2016, que avançou 0,5% e não 0,6% sobre o trimestre anterior e 1,5% na base anual. Quantoà produção industrial do bloco econômico, em março, houve uma queda de 0,8%, em relação a fevereiro, pressionada por todos os setores, com exceção do de energia. Já a revisão do PIB alemão, apresentou um crescimento de 0,7%, e não 0,5% antes divulgado, o que equivale a 1,3% na base anual. Quanto à produção industrial, também houve uma queda, mas de 1,3% em março, em relação ao mês anterior.

O Dax, índice da bolsa alemã terminou a semana com valorização de 0,84% e o FTSE-100, da bolsa inglesa com alta de 0,21%.

Nos EUA, foram divulgadas as vendas no varejo, que cresceram 1,3% em abril, quando a expectativa era de uma evolução de 0,8%. Foi o maior ganho mensal desde março de 2015. Já em maio, a confiança do consumidor atingiu 95,8 pontos, o nível mais alto em um ano.

O índice S&P 500, da bolsa norte-americana, terminou a semana com queda de 0,51%.

Na China, o índice de preços ao consumidor registrou em abril um aumento de 2,3% anualizado, o mesmo número do mês anterior.

Do lado doméstico, o Banco Central divulgou o IBC-Br, considerado pelo mercado a prévia do PIB, que apresentou baixa de 0,36% em março, na comparação com fevereiro, levando o acumulado no primeiro trimestre de 2016 para uma queda de 1,44%. Na comparação com março de 2015, a queda foi de 6,31%. Já a produção industrial cresceu 1,4% nesse mesmo mês, sendo que na comparação com o ano anterior a baixa foi de 11,4%. Já as vendas do comércio varejista registraram queda de 0,9% em março, sendo que no primeiro trimestre o recuo acumulado foi de 7%. Quanto ao setor de serviços, a queda foi de 5,9% em março, acumulando uma baixa de 5% no trimestre e de 4,4% em doze meses.

Quanto à inflação, o IPC-Fipe suavizou a sua alta para 0,38% na primeira semana de maio, enquanto o IPC-S acelerou de 0,49% na última semana de abril, para 0,64% na primeira quadrissemana de maio. Também o IGP-M acelerou para 0,59%, na primeira prévia de maio, após se situar em 0,31% na mediação do mês anterior.

No setor externo, foi divulgado o resultado da Balança Comercial na primeira semana de maio, que apresentou um superávit de US$ 1,2 bilhão, acumulando no ano um saldo positivo de US$ 14,43 bilhões.

Na semana, o índice bovespa subiu 0,17%, diminuindo a queda no mês para 3,91%, mas ainda acumulando no ano uma expressiva alta de 19,50%%. Já o dólar recuou 0,91% na semana, ampliando a queda no ano para 10,26%, enquanto as taxas de juros longas caíram. Assim, o IMA-B Total subiu 1,85% na semana e acumulou alta de 16,44% no ano.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado hoje, apontou a manutenção da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 7% neste ano. Para 2017, a expectativa recuou de 5,62% para 5,50%, fincando o pé abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 6,00%.

Para os preços administrados, as projeções também foram mantidas. A mediana das expectativas para este ano ficou em 7,00%, mesmo valor da semana passada. Estava em 7,20% há quatro semanas.

O Banco Central conta com uma forte desaceleração dos preços monitorados pelo governo para deixar o IPCA abaixo do teto da meta em 2016. Para 2017, a mediana das estimativas para os preços administrados permaneceu em 5,50% – há quatro semanas estava em 5,70%.

Em relação à taxa Selic, também houve manutenção da expectativa de que esteja em 13,00% no final deste ano e que caia de 11,75% para 11,50%, no final do próximo ano. Quanto à atividade econômica, o mercado continua esperando um aprofundamento da recessão, com o PIB caindo 3,88% e não mais 3,86%, em 2016. Para 2017 foi mantida a expectativa de alta de 0,50%.

Para a produção industrial, houve uma pequena melhora de expectativa, que aponta uma queda, no ano de 5,85% e não mais os 5,95% da semana anterior. Para a Balança Comercial a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 46,80 bilhões, para US$ 48 bilhões.  E no ano seguinte manteve-se em US$ 50 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas indicam US$ 58,50 bilhões e não mais US$ 57,35 bilhões. Para 2017 foi mantida em US$ 60 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes é esperada a divulgação das encomendas à indústria e a produção industrial, em março, na Alemanha e na zona do euro, e o IPC de abril, além da última revisão do PIB em ambas as regiões.

Nos EUA, será divulgado o índice de preços ao consumidor, os indicadores de imóveis em construção, o índice de produção industrial e a venda de imóveis usados de abril, além da ata da última reunião do FOMC.

No Brasil, teremos a divulgação do IPC-S e do IPC- Fipe, na segunda semana de maio e o IPCA-15 de maio.

Os mercados brasileiros de títulos e valores mobiliários deverão ter o seu andamento condicionados mais ao noticiário interno, do que o externo. São aguardadas a definição da integralidade da equipe econômica e as primeiras medidas do novo governo para o equacionamento da grave crise econômica do país. É consenso a necessidade da promoção de importantes reformas, como a trabalhista, a da previdência e a tributária, sem mencionar a política.

Em um de seus primeiros atos após assumir o cargo, o presidente Temer criou o Programa de Parcerias de Investimentos, objetivando a ampliação e o fortalecimento da interação entre o Estado e a iniciativa privada, que precisa recobrar a confiança, para voltar a investir. No entanto, o equacionamento das contas públicas é fundamental. Carece ainda de aprovação a nova meta fiscal para 2016, que por enquanto prevê um déficit de R$ 96 bilhões, proposta apresentada ainda pelo governo Dilma.  Aguardamos também as medidas no sentido de financiar o déficit a ser definido, que deverá ser aprovado pelo Congresso.

Para as agências de risco Standar&Poor’s e Moody’s, o afastamento da presidente Dilma não encerra a incerteza política e os desafios do presidente em exercício serão similares à da presidente afastada. A operação Lava-Jato deverá seguir o seu curso e o Brasil continuará a enfrentar desafios significativos, sobre a ótica do crédito. Mesmo contando com o apoio de boa parte do Congresso, o presidente Temer deverá ser ambicioso em relação às suas futuras realizações.

Enquanto aguardamos a definição da nova equipe econômica e as primeiras medidas para a solução do problema fiscal, mantemos, para a renda fixa, a recomendação de uma exposição da carteira para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Permanece a recomendação de se evitar estratégias com exposição para os vértices mais longos (IMA-B, IMA-B 5+ e IDKA IPCA 2A). Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, ou seja, para ativos indexados ao IRFM-1, ou mesmo ao DI, já que, mesmo que o rendimento não propicie a superação da meta atuarial, o risco de perda, num cenário tão incerto, fica substancialmente reduzido.

Nas estratégias que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20%, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação –FIPs. Embora não haja melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira e mesmo com as altas recentes, o investimento em ações deve ser avaliado com maior atenção, na medida em que ainda existe a possibilidade de importantes ganhos quando as apostas mais otimistas puderem se materializar. Disso continua se aproveitando o investidor estrangeiro, em detrimento do investidor institucional local. Uma estratégia que contemple o investimento gradativo e contínuo, feito tanto nos movimentos de alta quanto de baixa, aproveitando-se as janelas de oportunidades que se apresentem e visando a obtenção de resultado no longo prazo, não deve ser desprezada.