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Consultoria em Investimentos

abril 12th, 2016

Nossa Visão – 12/04/2016

Retrospectiva

A semana que passou, foi mais uma em que a política partidária continuou ofuscando a política econômica. Logo na segunda-feira, o Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo apresentou a defesa da Presidente Dilma, perante a Comissão do Impeachment da Câmara dos Deputados. Dois dias depois, se por um lado o relator da Comissão deu parecer favorável à admissão do pedido de impeachment, por outro, o presidente do Partido Progressista, o senador Ciro Nogueira, anunciou que o partido permaneceria na base governista até a votação do impeachment no plenário da Câmara, aumentando as incertezas quanto à evolução da matéria.

Na sexta-feira, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao STF a anulação definitiva da posse do ex-presidente Lula, na Casa Civil, por entender que houve sérios indícios de desvio de finalidade e tentativa de obstrução da Justiça, com a nomeação.

Em relação aos fatos econômicos, na Europa foi divulgada a taxa de desemprego na zona do euro, que caiu para 10,3% em fevereiro, quando um ano antes era de 11,2%. Já o PMI de Serviços da região, que indica a atividade no setor, avançou para 54,5 pontos, quando a expectativa era de 54 pontos. Na Alemanha, a produção industrial de fevereiro encolheu 0,5%, quando a queda prevista era de 1,8%. Se o DAX, índice da bolsa alemã terminou a semana caindo 1,76%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 0,95%.

Nos EUA, foi divulgada a ata da última reunião do FED, sugerindo que dada a preocupação dos membros em relação ao desempenho da economia global, além da inflação ainda baixa, não deverá haver aumento da taxa de juros na próxima reunião, marcada para o dia 27 de abril próximo. Por sua vez, as encomendas à indústria recuaram 1,7% em fevereiro e o saldo da Balança Comercial, em fevereiro, apresentou um déficit de US$ 47,1 bilhões. O índice S&P 500, da bolsa americana, terminou a semana com queda 1,21%.

Na China, o PMI de Serviços subiu para 52,2 pontos em março, quando se esperava 51,4 pontos e o primeiro-ministro Li Keqiang disse esperar que as reformas tributárias que estão sendo implementadas deverão criar dez milhões de novos empregos.

No Brasil, o fluxo cambial de março ficou negativo em US$ 2,54 bilhões, acumulando no ano um saldo negativo de US$ 10 bilhões. No mês, o saldo financeiro ficou negativo em US$ 4,2 bilhões, embora para o mercado de ações, tenha havido um ingresso líquido de US$ 2,2 bilhões.

Quanto à inflação, enquanto o IPC-Fipe do mês de março acelerou para uma alta de 0,97%, o INPC diminuiu o ritmo e avançou 0,44%, acumulando uma alta de 9,91% em doze meses. Já o IPCA, com uma alta de 0,43% no mês, e de 9,39% em doze meses, também veio ligeiramente abaixo das expectativas.

Para o presidente do Banco Central Alexandre Tombini, embora a inflação esteja mais controlada, ainda está descartada uma redução da taxa de juros. Com a forte queda do dólar, o Banco Central registrou um lucro recorde de US$ 42,6 bilhões, revertendo parte do prejuízo acumulado com os chamados swaps cambiais.

Mesmo assim, o dólar (P-Tax 800) fechou a semana com uma alta de 1,64% e o Índice Bovespa com uma queda de 0,53%.

Comentário Focus

O Relatório Focus, divulgado ontem, apontou uma nova queda das expectativas de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 7,14% neste ano e não mais 7,28%. Para 2017, também houve uma queda na expectativa, de 6% para 5,95%.

Em relação à taxa Selic, o mercado já vê espaço para queda mais à frente, em um ambiente de menor pressão inflacionária. Foi mantida a expectativa de que caia para 13,75% no final do ano. Para 2017 ,porém, espera-se que ela termine o ano em 12,25%, e não mais em 12,5%.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera que a recessão se aprofunde ainda mais, com o PIB caindo 3,77% e não mais 3,73%. Para 2017 foi mantida a expectativa de uma ligeira alta de 0,3%.

Para a produção industrial houve uma ligeira melhora, que aponta uma queda de 5,60%, enquanto na semana anterior esperava-se uma queda de 5,8%. Já para a Balança Comercial, espera-se um superávit de US$ 45 bilhões neste ano e de US$ 50 bilhões no próximo.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas continuam em US$ 55 bilhões neste ano e cresceram para US$ 55 bilhões, também no próximo.

Perspectiva

Na Europa, serão divulgadas, nesta semana a taxa de inflação da Alemanha e da zona do euro, também a taxa de inflação, a produção industrial e o saldo da Balança Comercial, no mês de março.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas no varejo, o livro bege, a inflação e a produção industrial também em março.

No Brasil, o índice de confiança da indústria e o IGP-10 de abril, as vendas no varejo e arrecadação federal em março e o IBC-Br de fevereiro.

Em relação ao impeachment, a situação permanece indefinida, principalmente depois do governo ter começado a seduzir os congressistas com cargos e verbas. Tudo indica que a votação no plenário da Câmara poderá se dar no próximo final de semana.

Segundo notícia do jornal O Estado de São Paulo, Lula já cogita aceitar novas eleições gerais, mesmo que a presidente Dilma consiga se safar do impeachment, caso ele não tenha autonomia para tocar o governo.

O fato é que o mercado financeiro continuará a apresentar forte volatilidade e terá a sua direção fortemente correlacionada à evolução do noticiário político.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.