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Consultoria em Investimentos

abril 7th, 2016

Nossa Visão – 04/04/2016

Retrospectiva

No campo político, a semana anterior teve início com um novo pedido de impeachment da Presidente Dilma, desta feita, encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. No requerimento, a entidade incluiu como justificativas o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral, as chamadas “pedaladas fiscais”, as renuncias fiscais em favor da FIFA na Copa de 2014 e a tentativa de nomeação do ex-presidente Lula, como chefe da Casa Civil. No dia seguinte, em uma reunião que durou poucos minutos, o PMDB, por aclamação, anunciou o rompimento oficial do partido com o governo e que, a partir daquele momento, nenhum integrante do partido estaria autorizado a ocupar cargos no governo, em nome da legenda.

Foi, principalmente, com base na expectativa desse rompimento, que na semana passada, o Ibovespa subiu 1,82%, o dólar caiu 3,11%, as taxas de juros longas caíram e os IMA’s subiram.

Nos EUA, por conta do pronunciamento da presidente do FED, Janet Yellen, que declarou haver a necessidade de cautela na elevação dos juros, o índice S&P terminou a semana subindo 1,81%, e o dólar e os juros dos títulos de 10 anos emitidos pelo governo, caindo.

Durante a semana, foram anunciadas elevações na produção industrial e na confiança dos consumidores, no mês de março, e uma abertura de 215 mil novos postos de trabalho, enquanto a expectativa dos analistas era de 210 mil. A taxa de desemprego foi de 5%.

Na Europa, com a divulgação de mais uma taxa negativa de inflação na zona do euro, – 0,1%,  apesar de todos os estímulos quantitativos já adotados, a bolsa alemã encerrou a semana com baixa 0,58%.

No Brasil, a boa notícia ficou por conta da Balança Comercial, que apresentou um superávit de US$ 4,43 bilhões, no mês de março. Foi o melhor resultado desde 1989, para o mês.

Foi também divulgado o IGP-M, que em março subiu 0,51%, depois de ter subido 1,29% em fevereiro. Em um ano acumulou alta de 11,56%.

A má notícia veio com a queda da produção industrial de 2,5% em fevereiro. Para o mês, é a maior queda da série histórica, apurada desde 2002. E do déficit fiscal.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado ontem, apontou uma queda da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média acreditam que o IPCA subirá 7,28% neste ano e não mais os 7,31% estimados na semana anterior. Diminuiu também a expectativa para o IGP-DI e para o IGP-M, embora neste caso, a expectativa de elevação em 2017 subiu de 5,50% para 5,70%.

Em relação à taxa Selic, agora é esperado que caia de 14,25% para 13,75% no final do ano, apesar do Relatório de Inflação, recentemente divulgado, apontar que o Banco Central não acena com essa possibilidade. Foi a primeira redução na projeção da Taxa Selic após oito semanas consecutivas apostando que a mesma encerraria 2016 inalterada em 14,25% ao ano.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera um aprofundamento da recessão, com o PIB caindo 3,73%, e não mais 3,66% em 2016. Para 2017, a previsão ainda é de alta da atividade, mas cada vez menor, já que passou de 0,35% para 0,30%. Quatro semanas antes estava em 0,50%.

Para a produção industrial, o pessimismo cresceu significativamente, com o aumento da expectativa de queda, no ano de -4,40% para -5,80%.

Inversamente, para a Balança Comercial a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 43,53 bilhões, para um de US$ 44,80 bilhões.  E no ano seguinte de US$ 47,50 bilhões, para US$ 50 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas não mudaram para este ano, e para o próximo recuaram de um volume de US$ 55,25 bilhões, para US$ 54 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação da taxa de desemprego, das vendas no varejo e o resultado da Balança Comercial, na zona do euro em fevereiro, o PMI de Serviços, em março, bem como a produção industrial na Alemanha.

Nos EUA, serão divulgadas a encomendas à indústria e a Balança Comercial, em fevereiro, e o PMI de serviços, em março.

No Brasil, serão divulgados o IPC-Fipe, o IGP-DI e o IPCA de março, bem como a Produção de veículos, no mesmo mês e o Fluxo Cambial Estrangeiro, no mês e o acumulado no ano.

Mas, é na política que estarão concentradas as atenções do mercado financeiro. Com o rompimento do PMDB com o governo, cerca de 600 cargos deverão ficar vagos. Assim, o governo já anunciou que vai se apressar em liberar verbas e cargos para os partidos que ainda lhe dão sustentação. A partir disso, já começaram a surgir declarações de políticos do PMDB, inclusive do presidente do Senado, sobre a dúvida do rompimento ter sido uma medida acertada.

A semana terminou com a percepção de que, no atual estágio dos acontecimentos, nem o governo tem os votos necessários para derrubar o impeachment, e nem as forças opostas para aprová-lo.

Caso o governo se sustente, ficará numa péssima situação para governar o país. Até a decisão final, depois da votação na Câmara e no Senado, já deveremos estar no mês de outubro. Nesse ínterim e/ou com a não progressão do impeachment, os fundamentos macroeconômicos continuarão a se deteriorar e as melhorias observadas tanto no mercado financeiro, quanto no de capitais deverão ser revertidas.

O déficit primário do setor público consolidado, só no mês de fevereiro foi R$ 23 bilhões. E embora no ano haja um superávit acumulado de R$ 4,9 bilhões, em doze meses o déficit cresceu para R$ 125,1 bilhões. Eis aqui a origem de muitos males na economia brasileira, inclusive a inflação, que mesmo apresentando certa queda, continua muito elevada. A dívida pública bruta atingiu 67,6%, tendo subido 0,2 p.p. em relação ao mês anterior.

Com o atual cenário político, uma coisa é certa: a volatilidade no mercado financeiro continuará bastante elevada.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.