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abril, 2016

Nossa Visão – 25/04/2016

Retrospectiva

Depois da admissibilidade do impeachment, aprovada pela Câmara dos Deputados no último dia 17, tivemos uma semana de poucos negócios e abreviada pelo feriado de Tiradentes. Recebida a decisão da Câmara, os blocos partidários, com representação no Senado, já indicaram os nomes dos seus representantes para a formação da comissão, composta por 21 integrantes titulares e por 21 suplentes.

Durante esta semana, os integrantes da comissão serão eleitos pelo plenário e será instalada.

Lembramos que o parecer do impeachment será votado na comissão e depois no plenário, onde a aprovação se dá por maioria simples. Se efetivamente aprovado, a presidente é afastada por 180 dias, quando assume a presidência o vice, Michel Temer, até o Senado julgar a presidente pelo suposto crime de responsabilidade, em sessão que será conduzida pelo presidente do STF. A votação do parecer deve acontecer em meados de maio e o processo todo poderá se estender até o mês de outubro.

O que também pudemos observar, durante a semana anterior, foram as movimentações do vice-presidente no sentido de escolher nomes que comporão o seu eventual governo.

Em relação à economia internacional, na Europa, o Banco Central Europeu – BCE realizou mais uma reunião do conselho de política monetária, que manteve em 0% a taxa básica de juros e em -0,4% a taxa de depósito sobre as reservas dos bancos comerciais estacionadas no BCE.

Por sua vez, a confiança dos consumidores nos 19 países da zona do euro aumentou em 0,4 ponto, para uma leitura -9,3. O PMI de serviços subiu de 53,1 em março, para 53,2 em abril e o PMI da indústria, de 53,1 em março, para 53,2 em abril.

Se o DAX, índice da bolsa alemã terminou a semana subindo 3,20%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, caiu 0,53%.

Nos EUA, se a construção de imóveis novos encolheu 8,8% e as novas permissões de construção 7,7%, as vendas de imóveis usados subiram 5,1%, em março.  O que causou surpresa, foi a inesperada queda dos pedidos de auxílio desemprego, que atingiram o menor nível desde 1973, demonstrando a continuada força do mercado de trabalho norte-americano. Declarações de presidentes regionais do FED vieram no sentido de uma nova alta dos juros, na reunião do próximo dia 27 de abril.

O índice S&P 500, da bolsa americana, terminou a semana com alta de 0,52%.

No Brasil, o IPC-S (FGV) desacelerou de 0,45% para 0,38%, da segunda para a terceira medição de abril, o IPC-Fipe desacelerou de 0,94% para 0,75%, da primeira para a segunda prévia do mês, o IGP-M também desacelerou de 0,43% para 0,30% na segunda prévia de abril. Já o IPCA-15, considerado uma prévia do IPCA de abril, acelerou de 0,43%, em março, para 0,51%, neste mês.

Por seu turno, a taxa de desemprego aumentou para 10,2%, no trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com a Pnad Contínua. Nessa data havia 10,4 milhões de pessoas desempregadas.

Também foi divulgado, pelo Banco Central, o índice de atividade econômica IBC-Br, que mostrou uma contração da economia, em fevereiro, de 0,29%. Nos doze meses, encerrados em fevereiro, o IBC-Br acumulou queda de 4,63%.

Em consequência da atividade econômica, que seguiu enfraquecendo, a Receita Federal informou que a arrecadação de tributos federais registrou uma nova queda real em março, desta feita de 6,96%. No primeiro trimestre do ano, o recuo foi de 8,2%.

Foi também divulgado pelo BC, o déficit em transações correntes de US$ 855 milhões, em março, sendo que no trimestre foi de US$ 7,6 bilhões, folgadamente coberto pelo Investimento Estrangeiro Direto – IED de US$ 16,9 bilhões, no trimestre.

O dólar (P-Tax 800) fechou a semana com alta de 1,57%, acumulando no mês um avanço de 0,67%, enquanto o índice Bovespa fechou a semana com queda de 0,60%, diminuindo o ganho no mês para 5,70%.

Comentário Focus

O Relatório Focus, divulgado na segunda-feira, apontou uma nova queda das expectativas de inflação para 2016 e 2017. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 6,98% neste ano e não mais 7,08%. Esta foi a sétima semana consecutiva de queda nas previsões do mercado para o indicador. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em março, a estimativa do BC para o IPCA de 2016 estava em 6,6% no cenário de referência e 6,9% no cenário de mercado.

Para o próximo ano, também houve uma queda na expectativa, de 5,93% para 5,80%. Há quatro semanas estava em 6,00%.

Em relação à taxa Selic, houve queda da expectativa para o final de 2016 e 2017. Para este ano, de 13,38% para 13,25% e para o ano que vem, de 12,25% para 12%.

Com sinais de arrefecimento da inflação, o mercado financeiro agora prevê que o Copom vai começar a baixar a taxa básica de juros em setembro. A taxa, hoje em 14,25% ao ano, seria reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano. Iria para 13,50% ao ano em outubro, 13,25% ao ano em dezembro, 12,75% ao ano em janeiro de 2017, chegando a 12,25% ao ano em fevereiro e 12,00% ao ano em abril, mantendo-se estável até o final de 2017. Todos os números estão em níveis mais baixos que os projetados na semana passada.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera que a recessão se aprofunde ainda mais, com o PIB caindo 3,88% e não mais 3,80%. Para 2017 a situação se inverteu. É esperada uma alta de 0,30% e não mais de 0,20%.

Para a produção industrial, foi mantida uma queda de 5,80%, para este ano, enquanto para o próximo, espera-se uma queda de 0,54% e não mais 0,69%. Já para a Balança Comercial, espera-se agora um superávit de US$ 48 bilhões, ao invés de US$ 45,51 bilhões neste ano e de US$ 50 bilhões no próximo.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de US$ 55,1 bilhões, neste ano e continuam em US$ 55 bilhões, no próximo.

Perspectiva

Na Europa, serão divulgados o índice de confiança do consumidor, da indústria e dos serviços, bem como a inflação do consumidor em abril, o PIB do primeiro trimestre do ano e a taxa de desemprego de março. Todos os indicadores da zona do euro.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas de casas novas, em março e os índices de confiança do consumidor e da atividade industrial em Chicago, em abril. Além da reunião do FED, que deliberará sobre a taxa básica de juros.

No Brasil, serão divulgados o IPC-S da terceira quadrissemana, o IPC-Fipe, do mesmo período, o IGP-M de abril e os dados da política fiscal, em março. Haverá também reunião do Copom, para nova deliberação sobre a taxa Selic.

No campo político, enquanto o Senado continuará dando prosseguimento ao processo de impeachment, o vice-presidente Michel Temer continuará a sua mobilização para angariar apoios para o seu projeto de governo. Para o ministério da Fazenda, a principal pasta, dada a situação atual da economia, os favoritos parecem ser Henrique Meirelles e o Senador José Serra, cujas competências são reconhecidas pelos mercados, depois da recusa de Armínio Fraga.

De qualquer forma, com a continuada deterioração das contas públicas, a atenção do mercado se volta não apenas sobre quais medidas poderiam ser tomadas pelo novo governo, para começar a reverter a situação e recobrar a confiança dos investidores, como também sobre qual seria a sua base de sustentação, para atingir os objetivos propostos para o país.

Como a semana nos reserva eventos importantes, como as reuniões de política monetária, tanto no Brasil, quanto nos EUA e a sessão do STF que deliberará sobre a questão das dívidas dos estados, muita volatilidade é esperada em todos os mercados, além de todas as incertezas políticas.

Na semana passada, os subíndices AMBIMA, das carteiras de títulos públicos prefixados, de longa duração, tiveram rentabilidade negativa, apesar de ainda acumularem os maiores ganhos no mês. Para esta semana, embora os indicadores de inflação estejam mais amenos, continuamos aguardando dados muito ruins em relação à execução da política fiscal. No nosso entender, a mãe dos principais males do Brasil.

Nesse contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa aos vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDkA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, ou seja, para ativos indexados ao IRFM-1, ou mesmo ao DI, já que, mesmo que o rendimento não propicie a superação da meta atuarial, o risco de perda, num cenário tão incerto, fica substancialmente reduzido.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

Nossa Visão – 18/04/2016

Retrospectiva

Sob o aspecto político, o último final de semana foi realmente singular. Pela segunda vez na história do Brasil, a Câmara dos Deputados votou a admissibilidade de um processo de impeachment, desta vez, da presidente Dilma Roussef. Assim, as articulações tanto do governo, quanto da oposição, em busca da vitória, acabaram por dominar o noticiário da semana.

Passou praticamente despercebido o aumento da tensão entre o governo federal e o dos estados, por conta de suas dívidas com a União. Ministros do Supremo Tribunal Federal – STF, concederam, na semana, liminares aos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro permitindo-lhes pagar as dívidas conforme suas possibilidades, sem sofrer qualquer punição por parte da União, como o bloqueio no repasse de verbas. Também foi permitido a esses estados aplicar uma taxa de juros simples, ao invés de juros compostos, para saldar o que devem.

Uma análise feita pela assessoria econômica do Senado Federal, com dados de 2013, e divulgada pelo Ministério da Fazenda, estimou um impacto de R$ 313,3 bilhões nas contas públicas, se todos os estados endividados conseguirem obter na Justiça a redução da dívida, com a mudança de cálculo. A previsão é que o plenário do STF julgue no próximo dia 27 de abril, o mérito das liminares já concedidas.

Se aprovada a mudança de cálculo da dívida dos estados com a União, as aplicações financeiras que trabalham com o regime de juros compostos, como a Caderneta de Poupança, títulos do Tesouro Nacional, CDB, LCA e outras, poderão ser afetadas pela decisão. Na prática, isso afetaria todo o Sistema Financeiro Nacional, conforme alertou a Secretaria do Tesouro Nacional.

Em relação à economia internacional, o Fundo Monetário Internacional – FMI divulgou o seu Panorama Econômico Mundial 2016, em que fez a revisão de uma série de projeções divulgadas no final do ano anterior. Para este ano, reduziu a perspectiva de crescimento da economia global de 3,4% para 3,2%, da zona do euro e da Alemanha de 1,7% para 1,5%, do Reino Unido de 2,2% para 1,9% e para os EUA de 2,6% para 2,4%. Para o Brasil, estimou uma queda do PIB de 3,8% e não mais 3,5% e para a China um crescimento de 6,6%, quando a projeção anterior era de 6,3%.

Na zona do Euro, foi divulgado que a produção industrial caiu 0,8% em fevereiro, em relação ao mês anterior, mantendo, porém, uma alta de 0,8% em doze meses. O declínio foi ligeiramente maior do que os 0,7% previstos em pesquisa da Reuters com economistas. A inflação ao consumidor, tanto na região, quanto na Alemanha ficou estável, bem como no Reino Unido.

Se o DAX, índice da bolsa alemã terminou a semana subindo 4,46%, recuperando-se da queda da semana anterior, o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 2,25%.

Nos EUA, os dados do Livro Bege mostraram expansão da atividade econômica em todos os distritos monitorados pelo FED, melhora do mercado de trabalho e do setor imobiliário, além do aumento dos gastos com o consumo e com investimentos. Os pedidos de auxílio desemprego, na semana anterior, retrocederam ao menor patamar desde 1973, com 253mil pedidos. No entanto, alguns dados divulgados durante a semana não foram tão positivos. As vendas no varejo encolheram 0,3%, a produção industrial 0,6%, e a inflação do consumidor (CPI) subiu apenas 0,1%, em março.

Mesmo assim, o índice S&P 500, da bolsa americana, terminou a semana com alta de 1,62%.

Na China, foi divulgado o crescimento de 6,7% do PIB, no primeiro trimestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar de ter sido o mais fraco desde o começo de 2009, ficou dentro do esperado pelo governo e pelos analistas.

No Brasil, as vendas no varejo aumentaram 1,2% em fevereiro, em relação ao mês anterior, embora em doze meses, a queda seja de 5,3%.

No entanto, a notícia que mereceu destaque, ficou por conta da atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Na semana, a autoridade monetária teve a sua maior intervenção da história em um período de tempo tão curto. Para evitar uma queda mais forte do dólar, com a eventual aprovação do impeachment e que prejudicaria as exportações do país, desde segunda-feira passada o BC comprou o equivalente a US$ 24 bilhões, através do mecanismo conhecido como “swap reverso”. Como resultado, o BC conseguiu estabilizar a cotação do dólar e ao mesmo tempo realizar lucro em relação aos dólares vendidos ao redor de R$ 4, através do “swap simples”. Mesmo assim, o dólar (P-Tax 800) fechou a semana com uma queda de 3,05%.

Por outro lado, embalado com a perspectiva da aprovação da admissibilidade do impeachment, o índice Bovespa terminou a semana com uma alta de 5,84%, elevando o ganho mensal para 6,34%.

Comentário Focus

O Relatório Focus, revelado ontem, apontou para nova queda na expectativa em relação a taxa Selic. As projeções indicam queda para o final de 2016 para 13,38%, ante 13,75% na semana anterior. Para 2017, as projeções foram mantidas em 12,25%. A mudança na estimativa é decorrente do aprofundamento da recessão enquanto a inflação já dá sinais de alívio.

O mercado apontou para uma nova queda das expectativas de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 7,08% neste ano e não mais os 7,14% previstos na semana anterior. Apesar da contínua trajetória de queda, a perspectiva ainda permanece bem acima do teto da meta do governo para 2016, de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais. Já para 2017 a mediana aponta para inflação de 5,93%, contra 5,95% previstos no levantamento anterior, mas ainda longe do teto da meta do governo para o ano que vem, também de 4,5%, porém com tolerância de 1,5 ponto.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera que a recessão se aprofunde ainda mais, com o PIB caindo 3,80% e não mais 3,77%. Para 2017 é esperada uma alta de 0,20% e não mais de 0,30%.

Para a produção industrial houve uma ligeira piora, que aponta uma queda de 5,80%, enquanto na semana anterior esperava-se uma queda de 5,60%. Já para a Balança Comercial, espera-se um superávit de US$ 45,51 bilhões neste ano e de US$ 50 bilhões no próximo.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas continuam em US$ 55 bilhões neste ano e no próximo.

Perspectiva

Na Europa, haverá reunião do Banco Central Europeu para deliberar sobre os juros e serão divulgados o índice de confiança do consumidor, o PMI industrial e o de serviços, em abril.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas de imóveis usados e os imóveis em construção, em março e o índice de produção do FED da Filadélfia, em abril.

No Brasil, o IPC-Semanal (FGV), o IPC (Fipe), segunda quadrissemana, o IPCA-15 de abril e a Pnad Contínua Mensal, de fevereiro.

No campo da política, aprovada a admissibilidade do impeachment na Câmara, cabe agora ao Senado a sua aprovação final. Estima-se que nesta semana, serão escolhidos os membros da comissão especial em que será analisado o parecer. Caso aprovado na comissão, segue para a votação em plenário. Caso aprovado por maioria simples dos presentes, a presidente é afastada por 180 dias e assume o vice-presidente. Isso pode ocorrer até o final da primeira quinzena de maio. O julgamento final, presidido pelo Presidente do STF poderá ocorrer até meados de outubro.

Portanto, embora hoje a maior probabilidade seja a de que a presidente realmente caia, há incertezas que ainda cercam todo o processo e o tempo, que pode demorar.

Enquanto isso, as condições econômicas do país continuam a se deteriorar, principalmente pelo lado fiscal. Na última sexta-feira, o governo anunciou que além do déficit primário de R$ 97 bilhões previsto para este ano, também espera um déficit de R$ 65 bilhões em 2017. Para que essa situação não se agrave ainda mais, corremos contra o tempo.

Sob o aspecto político, é certo que o mercado financeiro continuará a se desenvolver de forma incerta e volátil. Não só por conta de como será a continuidade do processo de impeachment, como também por conta de todas as dúvidas que cercam a formação de um eventual novo governo.

Sob o aspecto econômico, embora as expectativas quanto à inflação e aos juros tenham momentaneamente recuado, os prognósticos da evolução da atividade continua a piorar, bem como os seus efeitos sobre as finanças públicas, que é a origem maior das pressões inflacionárias. Isso sem considerar a questão da dívida dos estados que será apreciada pelo STF.

Em relação às aplicações em renda fixa, predominantes nas carteiras de investimento dos RPPS, por enquanto, os fundamentos macroeconômicos não chancelam a assunção de posições mais arriscadas, como as aplicações em títulos prefixados de longa duração. Os ganhos obtidos recentemente decorreram em grande parte de mudanças repentinas de expectativas e em menor parte de fatos. Qualquer alteração brusca nas expectativas, pode facilmente reverter os ganhos.

Para a renda variável, em particular para as ações, embora os expressivos ganhos obtidos recentemente também possam ser revertidos com mudanças de expectativas, o tempo do retorno esperado é muito mais longo e a sua exposição na carteira muito menor.

Nesse contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa aos vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDkA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, ou seja, para ativos indexados ao IRFM-1, ou mesmo ao DI, já que, mesmo que o rendimento não propicie a superação da meta atuarial, o risco de perda, num cenário tão incerto, fica substancialmente reduzido.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

Nossa Visão – 12/04/2016

Retrospectiva

A semana que passou, foi mais uma em que a política partidária continuou ofuscando a política econômica. Logo na segunda-feira, o Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo apresentou a defesa da Presidente Dilma, perante a Comissão do Impeachment da Câmara dos Deputados. Dois dias depois, se por um lado o relator da Comissão deu parecer favorável à admissão do pedido de impeachment, por outro, o presidente do Partido Progressista, o senador Ciro Nogueira, anunciou que o partido permaneceria na base governista até a votação do impeachment no plenário da Câmara, aumentando as incertezas quanto à evolução da matéria.

Na sexta-feira, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao STF a anulação definitiva da posse do ex-presidente Lula, na Casa Civil, por entender que houve sérios indícios de desvio de finalidade e tentativa de obstrução da Justiça, com a nomeação.

Em relação aos fatos econômicos, na Europa foi divulgada a taxa de desemprego na zona do euro, que caiu para 10,3% em fevereiro, quando um ano antes era de 11,2%. Já o PMI de Serviços da região, que indica a atividade no setor, avançou para 54,5 pontos, quando a expectativa era de 54 pontos. Na Alemanha, a produção industrial de fevereiro encolheu 0,5%, quando a queda prevista era de 1,8%. Se o DAX, índice da bolsa alemã terminou a semana caindo 1,76%, o FTSE-100, da bolsa inglesa, subiu 0,95%.

Nos EUA, foi divulgada a ata da última reunião do FED, sugerindo que dada a preocupação dos membros em relação ao desempenho da economia global, além da inflação ainda baixa, não deverá haver aumento da taxa de juros na próxima reunião, marcada para o dia 27 de abril próximo. Por sua vez, as encomendas à indústria recuaram 1,7% em fevereiro e o saldo da Balança Comercial, em fevereiro, apresentou um déficit de US$ 47,1 bilhões. O índice S&P 500, da bolsa americana, terminou a semana com queda 1,21%.

Na China, o PMI de Serviços subiu para 52,2 pontos em março, quando se esperava 51,4 pontos e o primeiro-ministro Li Keqiang disse esperar que as reformas tributárias que estão sendo implementadas deverão criar dez milhões de novos empregos.

No Brasil, o fluxo cambial de março ficou negativo em US$ 2,54 bilhões, acumulando no ano um saldo negativo de US$ 10 bilhões. No mês, o saldo financeiro ficou negativo em US$ 4,2 bilhões, embora para o mercado de ações, tenha havido um ingresso líquido de US$ 2,2 bilhões.

Quanto à inflação, enquanto o IPC-Fipe do mês de março acelerou para uma alta de 0,97%, o INPC diminuiu o ritmo e avançou 0,44%, acumulando uma alta de 9,91% em doze meses. Já o IPCA, com uma alta de 0,43% no mês, e de 9,39% em doze meses, também veio ligeiramente abaixo das expectativas.

Para o presidente do Banco Central Alexandre Tombini, embora a inflação esteja mais controlada, ainda está descartada uma redução da taxa de juros. Com a forte queda do dólar, o Banco Central registrou um lucro recorde de US$ 42,6 bilhões, revertendo parte do prejuízo acumulado com os chamados swaps cambiais.

Mesmo assim, o dólar (P-Tax 800) fechou a semana com uma alta de 1,64% e o Índice Bovespa com uma queda de 0,53%.

Comentário Focus

O Relatório Focus, divulgado ontem, apontou uma nova queda das expectativas de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média, acreditam que o IPCA subirá 7,14% neste ano e não mais 7,28%. Para 2017, também houve uma queda na expectativa, de 6% para 5,95%.

Em relação à taxa Selic, o mercado já vê espaço para queda mais à frente, em um ambiente de menor pressão inflacionária. Foi mantida a expectativa de que caia para 13,75% no final do ano. Para 2017 ,porém, espera-se que ela termine o ano em 12,25%, e não mais em 12,5%.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera que a recessão se aprofunde ainda mais, com o PIB caindo 3,77% e não mais 3,73%. Para 2017 foi mantida a expectativa de uma ligeira alta de 0,3%.

Para a produção industrial houve uma ligeira melhora, que aponta uma queda de 5,60%, enquanto na semana anterior esperava-se uma queda de 5,8%. Já para a Balança Comercial, espera-se um superávit de US$ 45 bilhões neste ano e de US$ 50 bilhões no próximo.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas continuam em US$ 55 bilhões neste ano e cresceram para US$ 55 bilhões, também no próximo.

Perspectiva

Na Europa, serão divulgadas, nesta semana a taxa de inflação da Alemanha e da zona do euro, também a taxa de inflação, a produção industrial e o saldo da Balança Comercial, no mês de março.

Nos EUA, serão divulgadas as vendas no varejo, o livro bege, a inflação e a produção industrial também em março.

No Brasil, o índice de confiança da indústria e o IGP-10 de abril, as vendas no varejo e arrecadação federal em março e o IBC-Br de fevereiro.

Em relação ao impeachment, a situação permanece indefinida, principalmente depois do governo ter começado a seduzir os congressistas com cargos e verbas. Tudo indica que a votação no plenário da Câmara poderá se dar no próximo final de semana.

Segundo notícia do jornal O Estado de São Paulo, Lula já cogita aceitar novas eleições gerais, mesmo que a presidente Dilma consiga se safar do impeachment, caso ele não tenha autonomia para tocar o governo.

O fato é que o mercado financeiro continuará a apresentar forte volatilidade e terá a sua direção fortemente correlacionada à evolução do noticiário político.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

Nossa Visão – 04/04/2016

Retrospectiva

No campo político, a semana anterior teve início com um novo pedido de impeachment da Presidente Dilma, desta feita, encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. No requerimento, a entidade incluiu como justificativas o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral, as chamadas “pedaladas fiscais”, as renuncias fiscais em favor da FIFA na Copa de 2014 e a tentativa de nomeação do ex-presidente Lula, como chefe da Casa Civil. No dia seguinte, em uma reunião que durou poucos minutos, o PMDB, por aclamação, anunciou o rompimento oficial do partido com o governo e que, a partir daquele momento, nenhum integrante do partido estaria autorizado a ocupar cargos no governo, em nome da legenda.

Foi, principalmente, com base na expectativa desse rompimento, que na semana passada, o Ibovespa subiu 1,82%, o dólar caiu 3,11%, as taxas de juros longas caíram e os IMA’s subiram.

Nos EUA, por conta do pronunciamento da presidente do FED, Janet Yellen, que declarou haver a necessidade de cautela na elevação dos juros, o índice S&P terminou a semana subindo 1,81%, e o dólar e os juros dos títulos de 10 anos emitidos pelo governo, caindo.

Durante a semana, foram anunciadas elevações na produção industrial e na confiança dos consumidores, no mês de março, e uma abertura de 215 mil novos postos de trabalho, enquanto a expectativa dos analistas era de 210 mil. A taxa de desemprego foi de 5%.

Na Europa, com a divulgação de mais uma taxa negativa de inflação na zona do euro, – 0,1%,  apesar de todos os estímulos quantitativos já adotados, a bolsa alemã encerrou a semana com baixa 0,58%.

No Brasil, a boa notícia ficou por conta da Balança Comercial, que apresentou um superávit de US$ 4,43 bilhões, no mês de março. Foi o melhor resultado desde 1989, para o mês.

Foi também divulgado o IGP-M, que em março subiu 0,51%, depois de ter subido 1,29% em fevereiro. Em um ano acumulou alta de 11,56%.

A má notícia veio com a queda da produção industrial de 2,5% em fevereiro. Para o mês, é a maior queda da série histórica, apurada desde 2002. E do déficit fiscal.

Comentário Focus

O último Relatório Focus, divulgado ontem, apontou uma queda da expectativa de inflação para 2016. Os economistas consultados, na média acreditam que o IPCA subirá 7,28% neste ano e não mais os 7,31% estimados na semana anterior. Diminuiu também a expectativa para o IGP-DI e para o IGP-M, embora neste caso, a expectativa de elevação em 2017 subiu de 5,50% para 5,70%.

Em relação à taxa Selic, agora é esperado que caia de 14,25% para 13,75% no final do ano, apesar do Relatório de Inflação, recentemente divulgado, apontar que o Banco Central não acena com essa possibilidade. Foi a primeira redução na projeção da Taxa Selic após oito semanas consecutivas apostando que a mesma encerraria 2016 inalterada em 14,25% ao ano.

Quanto à atividade econômica, o mercado espera um aprofundamento da recessão, com o PIB caindo 3,73%, e não mais 3,66% em 2016. Para 2017, a previsão ainda é de alta da atividade, mas cada vez menor, já que passou de 0,35% para 0,30%. Quatro semanas antes estava em 0,50%.

Para a produção industrial, o pessimismo cresceu significativamente, com o aumento da expectativa de queda, no ano de -4,40% para -5,80%.

Inversamente, para a Balança Comercial a projeção neste ano aumentou de um superávit de US$ 43,53 bilhões, para um de US$ 44,80 bilhões.  E no ano seguinte de US$ 47,50 bilhões, para US$ 50 bilhões.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas não mudaram para este ano, e para o próximo recuaram de um volume de US$ 55,25 bilhões, para US$ 54 bilhões.

Perspectiva

Na Europa, dos indicadores mais importantes, é esperada a divulgação da taxa de desemprego, das vendas no varejo e o resultado da Balança Comercial, na zona do euro em fevereiro, o PMI de Serviços, em março, bem como a produção industrial na Alemanha.

Nos EUA, serão divulgadas a encomendas à indústria e a Balança Comercial, em fevereiro, e o PMI de serviços, em março.

No Brasil, serão divulgados o IPC-Fipe, o IGP-DI e o IPCA de março, bem como a Produção de veículos, no mesmo mês e o Fluxo Cambial Estrangeiro, no mês e o acumulado no ano.

Mas, é na política que estarão concentradas as atenções do mercado financeiro. Com o rompimento do PMDB com o governo, cerca de 600 cargos deverão ficar vagos. Assim, o governo já anunciou que vai se apressar em liberar verbas e cargos para os partidos que ainda lhe dão sustentação. A partir disso, já começaram a surgir declarações de políticos do PMDB, inclusive do presidente do Senado, sobre a dúvida do rompimento ter sido uma medida acertada.

A semana terminou com a percepção de que, no atual estágio dos acontecimentos, nem o governo tem os votos necessários para derrubar o impeachment, e nem as forças opostas para aprová-lo.

Caso o governo se sustente, ficará numa péssima situação para governar o país. Até a decisão final, depois da votação na Câmara e no Senado, já deveremos estar no mês de outubro. Nesse ínterim e/ou com a não progressão do impeachment, os fundamentos macroeconômicos continuarão a se deteriorar e as melhorias observadas tanto no mercado financeiro, quanto no de capitais deverão ser revertidas.

O déficit primário do setor público consolidado, só no mês de fevereiro foi R$ 23 bilhões. E embora no ano haja um superávit acumulado de R$ 4,9 bilhões, em doze meses o déficit cresceu para R$ 125,1 bilhões. Eis aqui a origem de muitos males na economia brasileira, inclusive a inflação, que mesmo apresentando certa queda, continua muito elevada. A dívida pública bruta atingiu 67,6%, tendo subido 0,2 p.p. em relação ao mês anterior.

Com o atual cenário político, uma coisa é certa: a volatilidade no mercado financeiro continuará bastante elevada.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.