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março, 2016

Nossa Visão – 28/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em leve queda de 0,07%, aos 49.657 pontos, acompanhando o recuo das bolsas internacionais pressionadas por um forte recuo no preço do petróleo, além da expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) eleve o juro na próxima reunião a ser realizada em abril. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou baixa de 2,28%, após cinco semanas consecutivas de alta impulsionada pelo “rali do impeachment”. Ainda assim, acumula alta de 16,03% no mês.

Pesou sobre os mercados a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, mandou o juiz Federal Sérgio Moro devolver ao STF as investigações sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como determinou o sigilo das interceptações telefônicas, inclusive as já divulgadas, por considerar que pessoas com foro privilegiado aparecem nas gravações. A decisão do ministro tem caráter liminar. Agora, a decisão definitiva vai para o plenário do Supremo, ainda sem data para acontecer. O ministro Teori não decidiu sobre a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil, que continua suspensa por decisão anterior do Ministro Gilmar Mendes.

Ainda no campo político, a notícia de que o Grupo Odebrecht (a qual pertence à principal empreiteira envolvida na operação Lava-jato) resolveu colaborar definitivamente com a investigação, ao anunciar que todos os executivos da empreiteira concordaram em fazer acordos de delação premiada. A decisão foi anunciada no mesmo dia em que a 26ª fase da Operação Lava Jato cumpriu mandados de busca e apreensão e prisões de pessoas ligadas ao grupo. A notícia caiu como uma bomba no meio político e deve arrastar para o centro das investigações, políticos de mais de 20 partidos.

A Polícia Federal sustenta que a empresa mantinha um “Setor de Operações Estruturadas” que servia como uma contabilidade paralela para o pagamento de propina. Nas buscas realizadas na casa do ex-presidente de Infraestrutura da empreiteira, Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio de Janeiro, foram apreendidos arquivos que revelaram inúmeras tabelas e planilhas com nomes de políticos das principais siglas da base aliada e da oposição. A descoberta tende a reduzir o ímpeto do processo de impeachment, visto que as lideranças que apóiam o processo não vão querer se expor neste momento.

Do lado dos fundamentos econômicos, pesou sobre os mercados o anúncio pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, de uma nova proposta de meta fiscal para o ano de 2016. A proposta é reduzir a meta fiscal deste ano para R$ 2,8 bilhões. Como argumento a proposta, avalia que houve uma forte desaceleração da economia que se reflete nas receitas do governo,

Na segunda-feira, Barbosa já havia anunciado uma série de medidas fiscais, com destaque para a flexibilização de pagamentos da dívida dos Estados com a União. Em contrapartida à negociação, os governadores precisarão aprovar leis locais de responsabilidade fiscal, não conceder novos incentivos fiscais e não nomear novos servidores, salvos os casos de reposição por aposentadoria ou falecimento nas áreas de saúde, educação e segurança.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou a mais recente Pesquisa Mensal de Emprego (PME), relativa a fevereiro. E os números só pioram no mercado de trabalho. Se em janeiro o desemprego havia sido de 7,6%, em fevereiro atingiu 8,2%, maior nível em quase sete anos. A renda média também foi afetada pelo atual cenário, com recuo de 1,5% em fevereiro sobre janeiro, atingindo R$ 2.227,5 reais. Na comparação com o mesmo mês de 2015, a queda foi de 7,5%, num cenário de inflação alta e juros elevados. Já a população desocupada registrou alta de 7,2% contra janeiro e forte aumento de 39% sobre um ano antes, chegando a 2,015 milhões de pessoas à procura de uma posição.

A boa notícia veio do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial mensal, que registrou forte desaceleração em março ao fechar com variação de 0,43%, resultado que chega a ser 0,99 ponto percentual abaixo da taxa de 1,42% de fevereiro. De acordo com o IBGE, este é o menor resultado para os meses de março, desde os 0,25% registrados em março de 2012. A queda de preços entre fevereiro e março foi praticamente generalizada com retração em sete dos nove grupos de produtos, à exceção de Artigos de Residência (crescimento de 0,86% para 0,88%) e Vestuário (de 0,14% para 0,44%).

Pesquisa Focus

O relatório de mercado Focus revelado hoje mostra que os analistas continuam não acreditando em uma nova alta dos juros, ou corte dos mesmos, no decorrer de 2016. O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa Selic em 14,25% ao ano. Já para o fechamento de 2017, a estimativa para a taxa de juros permaneceu inalterada, pela quarta semana consecutiva, em 12,50% ao ano – o que pressupõe queda dos juros no ano que vem.

Em relação à inflação, a expectativa do mercado para o IPCA de 2016 caiu de 7,43% para 7,31%. Foi o terceiro recuo seguido do indicador. Um mês atrás, as projeções indicavam que o IPCA fecharia o ano em 7,57%. Apesar da queda, ainda permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas e bem distante do objetivo central de 4,5% fixado para este ano.

A melhora na previsão de inflação do mercado financeiro para este ano aconteceu na mesma semana em que foi divulgado o IPCA-15 de março, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somou 0,43 – contra 1,42% no mês anterior. Com isso, o índice deverá manter a trajetória de queda pelo segundo mês consecutivo.

Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 6% – exatamente no teto do regime de metas para o período, e também longe da meta central de 4,5% estabelecida para o próximo ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,66% na semana passada, contra uma retração de 3,60% estimada na semana anterior. Foi a décima piora seguida do indicador.

Recentemente, o IBGE informou que o PIB brasileiro teve um tombo de 3,8% em 2015 – o maior em 25 anos. Se a previsão de um novo “encolhimento” se confirmar em 2016, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

Para o comportamento do PIB em 2017, os economistas das instituições financeiras baixaram a previsão de alta de 0,44% para 0,35%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Perspectivas

A agenda política deve manter o protagonismo e fazer preço sobre os ativos negociados no mercado de capitais.

Os olhos do mercado estarão voltados à decisão do PMDB em deixar ou não o governo. O diretório nacional do partido se reúne na terça-feira (29) para decidir sobre a permanência ou não na base aliada do governo. Nos bastidores, peemedebistas favoráveis e contrários ao rompimento tentam ampliar apoio em articulações de bastidores. O presidente do partido, Michel Temer, cancelou uma viagem que faria a Portugal, a pedido de lideranças do partido, para comandar as conversas. Até agora, 14 diretórios estaduais defendem o rompimento, entre eles o diretório do Rio de Janeiro que anunciou na semana passada que vai votar pelo afastamento. A bancada do PMDB do Rio é a maior do partido na Câmara, com 12 deputados.

Com o desembarque do PMDB do governo, aumentam as chances do impeachment acontecer. Mas, na política tudo pode acontecer, e não está descartado outro desfecho. Caso haja uma divisão muito equilibrada dentro do partido, é possível que uma ruptura definitiva seja adiada até que se consiga um consenso dentro do partido.

A operação lava-jato promete não dar tréguas, e a repercussão da lista de políticos que receberam dinheiro da Odebrecht ainda dará o que falar. A divulgação de diversos nomes da situação e da oposição entre os possíveis receptores de propina aumentam o imbróglio político e colocam mais pressão sobre o governo, na medida em que uma possível delação premiada dos executivos da companhia, incluindo o presidente Marcelo Odebrecht, traz maior poder destrutivo.

Na agenda semanal macroeconômica, destaque para a divulgação do resultado consolidado das contas públicas de fevereiro. Os dados devem mostrar uma piora da situação fiscal. Após os R$ 27,9 bilhões de superávit registrados em janeiro, a expectativa é que haja um déficit.

La fora será conhecido os PMI’s da China para indústria e serviços. Os números dirão se a economia do maior país asiático mantém ou não o ritmo de arrefecimento.

Na sexta-feira (01), será divulgado o Relatório de Emprego dos EUA. Tido como principal indicador observado pelo Fed antes de subir os juros, a expectativa do mercado é de que foram criadas 200 mil vagas em março. A taxa de desemprego deve se manter nos atuais 4,9%, bem como os ganhos por hora trabalhada deve registrar novos avanços.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

Nossa Visão – 21/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em leve alta de 0,19%, aos 50.814 pontos, em sessão bastante volátil, com as questões políticas dominando a pauta, ora em alta após a fala do peemedebista Wellington Moreira Franco, de que o partido irá romper com o governo, ora em baixa após o presidente do TRF – 2ª Região suspender liminar que impedia a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro chefe da Casa Civil. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou alta de 2,37%, enquanto no mês a alta é de 18,74%. Seguindo os principais índices acionários, dólar e juros recuaram diante da percepção de que o governo Dilma está com os dias contados diante da chance real de que o pedido de impeachment seguirá seu curso.

Mais uma vez os fundamentos macroeconômicos foram deixados de lado, com a cena política dominando o noticiário e permeando a vida do cidadão brasileiro.  Desde o início da semana os investidores foram às compras, animados pelo desfecho da convenção nacional do PMDB, que decidiu dar um “aviso prévio” ao governo, ao postergar a decisão sobre abandonar ou não a aliança nos próximos dias. Outro fato que animou os investidores foram as manifestações do domingo contra o governo, que mobilizou mais de 3 milhões de pessoas em todo o País.

Em contraponto veio a reação negativa quando começaram os primeiros rumores de que o ex-presidente Lula iria aceitar um cargo de ministro no governo. Sucederam-se uma sequencia de fatos, dentre eles a divulgação de áudios interceptados de Lula e pessoas relacionadas que, de forma geral, mostram estratégias de interferir nas investigações da operação lava Jato.

Confirmando os rumores, Lula foi empossado ministro da Casa Civil em meio ao protesto de diversos setores da sociedade. Com Lula ministro, as investigações contra ele foram transferidas da Polícia Federal para o Supremo Tribunal Federal, dado o foro privilegiado conquistado. A partir deste ponto, uma série de medidas judiciais foram promovidas com objetivo de suspender a nomeação, sendo concedidas liminares por juízes de primeira instância, derrubadas posteriormente em ações do governo julgadas pelos tribunais superiores.

No campo da economia, destaque para a decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) que manteve a taxa básica de juros inalterada entre 0,25% e 0,50% na reunião de quarta-feira (16).  Essa foi a segunda reunião seguida em que a instituição segurou as taxas, após tê-las elevado, em dezembro passado, pela primeira vez em mais de nove anos.

Apesar de manter os juros, o Fed manifestou que o crescimento econômico moderado nos Estados Unidos e “fortes ganhos no emprego” permitirão que o banco volte a apertar a política monetária ainda neste ano. No entanto, o Fed destacou que o país continua enfrentando riscos provenientes da economia global incerta. O banco também revisou para baixo sua projeção de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, que passou de 2,4% para 2,2%, e anunciou que prevê mais dois aumentos do juro em 2016, chamando este movimento de elevação gradual.

Pesquisa Focus

Após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido os juros básicos da economia estáveis em 14,25% ao ano na última reunião, o mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa Selic neste patamar no fim deste ano.

O relatório de mercado Focus revelado hoje mostra que os analistas continuam não acreditando em uma nova alta dos juros, ou corte dos mesmos, no decorrer de 2016. Já para o fechamento de 2017, a estimativa para a taxa de juros permaneceu inalterada, pela terceira semana consecutiva, em 12,50% ao ano – o que pressupõe queda dos juros no ano que vem.

Em relação à inflação, a expectativa do mercado para o IPCA de 2016 caiu de 7,46% para 7,43%. Foi o segundo recuo seguido do indicador. Um mês atrás, as projeções indicavam que o IPCA fecharia o ano em 7,62%. Apesar da queda, ainda permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas e bem distante do objetivo central de 4,5% fixado para este ano.

A melhora na previsão de inflação do mercado financeiro para este ano aconteceu na mesma semana em que foi divulgada inflação de fevereiro, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somou 0,9% – contra 1,27% no mês anterior. Com isso, o índice perdeu força no mês passado.

Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 6% – exatamente no teto do regime de metas para o período, e também longe da meta central de 4,5% estabelecida para o próximo ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,60% na semana passada, contra uma retração de 3,54% estimada na semana anterior. Foi a nona piora seguida do indicador.

Recentemente, o IBGE informou que o PIB brasileiro teve um tombo de 3,8% em 2015 – o maior em 25 anos. Se a previsão de um novo “encolhimento” se confirmar em 2016, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

Para o comportamento do PIB em 2017, os economistas das instituições financeiras baixaram a previsão de alta de 0,5% para 0,44%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Perspectivas

O embate político não deu tréguas nem no final de semana. Em decisão diante de Mandado de Segurança impetrado pelos partidos de oposição PSDB e PPS, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil e decidiu que o processo do petista deve ficar com o juiz Sérgio Moro. Agora, o governo – por meio da Advocacia-Geral da União (AGU) – está debruçado sobre os argumentos da defesa e pretende recorrer à Corte Suprema no início da semana, mas a decisão deve ficar para depois da Páscoa, quando os ministros devem se reunir para avaliar o mérito.

Embora a perspectiva de mudança na cena política sustente expectativas favoráveis para a economia, para os agentes financeiros o retorno de Lula enfraquece o processo de impeachment de Dilma e possibilitaria sobrevida ao atual governo, o que preocupa, uma vez que os mesmos avaliam que a melhora das perspectivas econômicas passa pela troca do governo.

Por outro lado, o cenário de ruptura política trava a pauta no Congresso e piora ainda mais a aprovação das medidas de ajuste fiscal.

Apesar do aspecto coadjuvante, a agenda semanal de indicadores chama atenção e não deve ser desprezada pelo mercado.

Na quarta-feira (23), será conhecido o IPCA-15, considerado como uma prévia da inflação mensal. O número ganha importância na medida em que é esperado novo recuo do indicador, e que pode afetar principalmente o mercado de câmbio e de juros futuros caso venha abaixo ou acima do esperado. A mediana das expectativas entre os economistas consultados revela um avanço de 0,58% em março, um recuo em relação ao último número divulgado.

Também na quarta feira será conhecida a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) de fevereiro, que deve confirmar o enfraquecimento do mercado de trabalho no País. A estimativa é de que o desemprego tenha subido para 7,9%, ante 7,6% de janeiro.

Na sexta-feira (25), em pleno feriado por aqui, será divulgada a terceira estimativa para o PIB dos Estados Unidos referente ao quarto trimestre de 2015. A expectativa é de que a maior economia do planeta mantenha o crescimento de 1% reportado na segunda prévia

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

Nossa Visão – 14/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em leve alta de 0,14%, aos 49.638 pontos, em sessão bastante volátil, com os investidores na defensiva e atentos ao final de semana, que terá convenção do PMDB e manifestações no domingo. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou alta de 1,13%%, com o noticiário político dominando a pauta. No mês, a alta é de 15,99%. Seguindo os principais índices acionários, dólar e juros recuaram diante da percepção de que os escândalos de corrupção no âmbito da operação Lava Jato estariam elevando a chance de a presidente Dilma Rousseff não concluir seu mandato.

Destaque para a notícia de que o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com a denúncia de que o triplex no Guarujá teria sido preparado para a família. No pedido, os promotores alegam que a prisão de Lula é necessária para garantir a ordem pública, a instrução processual e a aplicação da lei penal. Em suas justificativas, os promotores apontam que Lula, em liberdade, pode destruir provas e agir para evitar determinações da justiça. Além de Lula, o pedido se estende aos executivos da empreiteira OAS, ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e a ex-dirigentes da Bancoop, a cooperativa habitacional do sindicato dos bancários que gerenciava as obras.

Na esteira do pedido de prisão, circulou a notícia de que a presidente Dilma teria oferecido um ministério a Lula, convidando-o a ocupar uma pasta de sua preferência. Horas mais tarde, Lula confirmou o convite, e afirmou que pensará com calma antes de decidir. Caso aceite, o pedido de prisão se esvazia em razão de que o cargo de ministro de estado possui foro privilegiado por prerrogativa da função.

Pesquisa Focus

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na semana passada, que manteve a Selic inalterada indicou, segundo analistas, que o BC pode cortar os juros ainda em 2016. A pesquisa Focus revelada hoje apontou que a inflação corrente e as projeções seguem elevadas e acima da meta, mas sinalizou que a grande ociosidade da economia contribuirá para reduzir a inflação no futuro. A despeito disso, o Focus continua a mostrar a expectativa de que a Selic permaneça em 14,25% até o fim deste ano, para depois ser reduzida a 12,50% até dezembro de 2017.

A projeção dos economistas para a inflação deste ano voltou a cair, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro ter ficado abaixo do esperado. Esse movimento nas expectativas, mostrado no relatório, foi acompanhado de um novo ajuste para baixo na estimativa para a atividade econômica. De acordo com o Focus, a mediana das projeções para o IPCA em 2016 caiu de 7,59% para 7,46%. Há três semanas, a estimativa para a inflação oficial do país recuou um pouco, voltou a subir na semana seguinte, para agora cair de novo. Em fevereiro, o IPCA avançou 0,90%, taxa que ficou abaixo do 0,98% esperado pelos analistas, e também abaixo da inflação de 1,27% de janeiro. Parte dessa desaceleração foi resultado de repasses mais contidos em preços de serviços tradicionais, como no segmento educacional. Para alguns economistas, a recessão econômica já aparece no IPCA, índice que deve ver uma temporada de taxas mais baixas à frente.

No Focus, os analistas também reduziram as expectativas para outra variável que influencia a inflação: o câmbio. Eles vêem um real menos depreciado ao fim deste ano – R$ 4,25, de R$ 4,30 antes – e em dezembro de 2017 – R$ 4,34, de uma estimativa anterior de R$ 4,40.

A projeção para o PIB apurada no Focus caiu de uma retração de 3,50% para 3,54% neste ano. Há um mês, a mediana das projeções estava em 3,33%. Mas a estimativa para 2017 seguiu inalterada, em crescimento de 0,50%. A estimativa para a produção industrial, por outro lado, teve uma melhora relativa, saindo de queda de 4,50% para recuo de 4,45% neste ano. A projeção para 2017 cedeu, de aumento de 0,57% para avanço de 0,50%.

Perspectivas

A política continuará no centro das atenções e dando o tom dos mercados. Não há nenhum prognóstico de como os mercados se comportarão, diante de notícias e fatos que nos levam a caminhos dicotômicos.

Os mercados se manterão otimistas com as notícias que empurram o governo para o fogo cruzado. No sábado foi realizada a convenção nacional do PMDB que reconduziu Michel Temer para a presidência nacional do partido. Mas, o que chamou atenção foi a decisão do partido em avaliar a proposta de romper com o apoio ao governo Dilma Rousseff. O Diretório Nacional do PMDB terá até 30 dias para avaliar se rompe ou não com a aliança, a depender dos fatos, e nesse período ficou decidido que nenhum peemedebista assumirá cargos no governo federal.

As manifestações deste domingo também jogam lenha na fogueira do governo. Mais de 3 milhões de pessoas foram às ruas em todo o País, superando com folga as manifestações de março de 2015, e também as Diretas Já, em 1984. As manifestações foram infladas pelas recentes ações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e os especialistas avaliam que os congressistas sentir-se-ão pressionados pela voz das ruas.

Em oposição ao otimismo, são fortes as possibilidades do ex-presidente Lula aceitar um ministério no governo Dilma. O pedido de prisão deflagrado na semana passada, em análise pela justiça comum, acelera a decisão. Como efeito secundário, o ingresso de Lula no governo fatalmente adicionará novo ingrediente no processo de impeachment, dado o bom trânsito de Lula entre os congressistas, dando fôlego ao governo.

Do lado externo, destaque para a reunião do Fomc (comitê de política monetária dos EUA) que ocorrerá na quarta-feira (16). É um dos eventos mais aguardados do cenário macroeconômico e deve ser acompanhado de perto pelos investidores. Os prognósticos consideram bastante provável um novo aumento na taxa de juros americana, corroborando com o fortalecimento do mercado de trabalho e aumento da inflação local, além da recuperação do preço do petróleo.

Neste contexto, alteramos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 40%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 20% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.

Nossa Visão – 07/03/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em forte alta de 4,01%, aos 49.084 pontos, com volume financeiro de R$ 16,97 bilhões. Os fundamentos foram deixados de lado, e o “rally da Lava Jato” se estendeu desde o pré market com as notícias da operação da Polícia Federal atingindo o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou alta de 18,01% diante de uma série de notícias que abalam o governo Dilma.

O ambiente externo também contribuiu, com os preços dos ativos sustentados pelas altas das principais commodities no exterior, como petróleo e minério de ferro influenciando as blue chips Petrobras e Vale. A decisão do Banco do Povo da China (PBoC) de cortar em 0,5 ponto percentual a taxa de compulsório para estimular o crédito e dar sustentação ao crescimento da economia chinesa também fez preço e animou os investidores.

No campo político, as novidades não pararam. E todas prejudiciais ao governo. Executivos da Andrade Gutierrez afirmaram, em delação premiada, que a empresa pagou despesas da campanha eleitoral de 2010 que elegeu Dilma Rousseff para presidente, através de contratos fictícios com a agência de comunicação Pepper no valor de R$ 5 milhões.

O foco também se estendeu ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Por 10 votos a zero, o Supremo Tribunal Federal – STF – acolheu a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que acusa o deputado de exigir e receber ao menos R$ 5 milhões em propina da Petrobras. Com a decisão, Cunha passa a ser réu na primeira ação penal do Supremo originada das investigações da Operação lava Jato.

Porém, o caldo começou a entornar com força quanto passou a ser veiculada a notícia de que o senador Delcídio do Amaral teria formalizado acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. Político influente e muito próximo do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Delcídio tem muito que dizer. E se confirmada a notícia, o governo estará em maus lençóis.

Coroando a semana de pesadelo para o governo, na sexta-feira a Polícia Federal realizou a 24ª fase da Operação Lava Jato no prédio do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa fase da operação, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o triplex no Guarujá. Lula foi alvo de mandado de busca e apreensão e de condução coercitiva, prestando depoimento nas instalações da Polícia Federal no aeroporto de Congonhas.

Diante do noticiário político conturbado, passou quase que despercebida a reunião do Comitê de Política Monetária – COPOM, que decidiu pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) nos atuais 14,25% ao ano. A decisão não foi unânime (dois membros votaram pela elevação em 0,50 pontos base). No comunicado pós reunião, a leitura é de que as apostas de um corte na taxa no curto prazo foram reduzidas, porém deixando a porta aberta para um corte mais a frente, supondo que a inflação anual caia suficientemente.

O dado fraco do PIB é mais um elemento que reforça as apostas de que o BC pode cortar a taxa de juros ainda neste ano. A economia brasileira retraiu 1,4% no quarto trimestre ante o terceiro e 5,9% frente ao mesmo trimestre de 2014. Em todo o ano de 2015, a contração foi de 3,8% sobre o ano anterior.

O dado frado do PIB reforça as apostas de queda no juro ainda este ano. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o PIB do 4º trimestre do ano passado, que fechou com redução de 1,4% na série com ajuste sazonal na comparação com o trimestre anterior. No ano, o PIB recuou 3,8%, a maior queda desde o início da série histórica atual, iniciada em 1996.

Pesquisa Focus

Após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a Selic inalterada em 14,25% ao ano pela quinta vez consecutiva, analistas do mercado financeiro praticamente não mexeram em suas projeções para a taxa básica de juros.

Pela quinta semana consecutiva, os economistas mantiveram as estimativas para a Selic em 2016. De acordo com a pesquisa Focus revelada hoje, em levantamento realizado com aproximadamente 120 instituições, a taxa básica de juros permanecerá nos atuais 14,25% ao ano até o encerramento de 2016. Para o fim do ano que vem, o relatório mostra que a Selic estará em 12,50%, a mesma taxa prevista na semana passada e também há quatro levantamentos.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa (médio prazo), também não houve alterações: a previsão para a Selic no fim de 2016 manteve-se em 14,00% ao ano pela quarta vez seguida. Para o encerramento de 2017, esses mesmos analistas mantiveram a expectativa de taxa a 12,25% ao ano também há quatro semanas.

O levantamento trouxe um novo repuxo das estimativas para o IPCA deste ano, após a queda vista na semana passada. No documento, a mediana das previsões para a inflação de 2016 apresentou alta ao sair de 7,57% para 7,59%. Segue, portanto, distante do teto da meta deste ano de 6,50%. O Bacen vem reforçando que continua trabalhando para evitar que o índice extrapole esse patamar. Quatro semanas atrás, a mediana na Focus estava em 7,56%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das expectativas permaneceu em 7,95% de uma semana para outra – um mês antes, estava em 8,13%.

No caso de 2017, a previsão ficou congelada em 6,00% pela quarta vez, justamente no teto da meta do ano que vem. Essa barreira, no entanto, já havia sido ultrapassada pelo grupo Top 5 de médio prazo. Entre esses analistas, a perspectiva para a taxa foi mantida em 6,50% como na semana anterior. Um mês antes, essas instituições apontavam para um IPCA de 6,40%.

A primeira pesquisa após a divulgação do recuo de 3,8% na atividade econômica do ano passado mostra uma piora de 0,05 ponto percentual na expectativa para o PIB deste ano, que deve encolher 3,5%. Foi a sétima semana seguida em que a perspectiva para o desempenho da economia neste ano piorou. Para 2017, o relatório feito pelo Bacen com analistas do mercado financeiro manteve a taxa pela segunda semana consecutiva em 0,50%.

A produção industrial é o principal setor responsável pelas previsões para o PIB em 2016 e 2017. A mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de baixa de 4,50%, a mesma prevista na semana passada. Na pesquisa realizada quatro semanas atrás, a mediana das estimativas estava em -4,00%.

Para 2017, a previsão mudou de 0,80% para 0,57%. Quatro semanas antes, estava em 1,50%.

Perspectivas

Os investidores deverão estar preparados para mais volatilidade nos preços dos ativos, já que o cenário político deverá se manter no foco do mercado. É possível que o chamado “rally da Lava Jato” mantenha o fôlego e alimente ainda mais o apetite dos investidores ao risco, especialmente se os fatos pavimentarem o caminho da presidente Dilma Rousseff rumo ao impeachment.

Um importante passo para se entender o movimento político futuro será a convenção nacional que o PMDB promove nesta semana, para escolha de seu presidente. Michel Temer é candidato a reeleição, e tem rodado o País em busca de apoio. É possível que seja discutido o desembarque do partido do governo, fato que deixaria a presidente Dilma isolada e definitivamente enfraquecida.

Do lado da economia, na quinta-feira (10) será divulgado o IPCA de fevereiro. As projeções indicam que o índice deve avançar 1,26%, de acordo com a mediana das expectativas, com os itens alimentos e transporte puxando o número. Em janeiro, o índice avançou 1,27%.

No mesmo dia será divulgada a ata do Copom, que manteve a taxa básica de juros inalterada em 14,25% ao ano. Não se espera que a ata seja muito diferente do que já foi dito antes. Apesar da melhora recente do cenário internacional, a inflação insiste em não convergir para o centro da meta.

Lá fora, terá grande repercussão a reunião do Banco Central Europeu (BCE), que deve ocorrer na quinta-feira (10). O mercado prevê novos estímulos a economia da região, via redução da taxa de depósito e aumento do programa de compra de ativos dos países da zona do euro.

Outro evento importante será o Congresso do Partido Comunista da China, que deve anunciar novos estímulos a economia local, como redução de impostos.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 30%. Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira.