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Consultoria em Investimentos

fevereiro 22nd, 2016

Nossa Visão – 22/02/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,16%, aos 41.543 pontos, após passar a maior parte da sessão em queda e só avançar na última hora, favorecido com um movimento comprador que puxou a cotação das ações do setor bancário. O desempenho neutro não afetou a alta de 4,36% no acumulado na semana. O índice teve fortes altas nos primeiros pregões da semana, pautada pela recuperação do preço do petróleo. No mês, acumula alta de 2,82%, e no ano a perda é de 4,17%.

Os mercados seguiram influenciados pelo exterior, com a recuperação do preço do petróleo ditando o rumo. A boa notícia foi que Arábia Saudita, Rússia, Venezuela e Catar concordaram em congelar os níveis de produção de petróleo nos níveis de janeiro. Ainda que os números de produção sejam expressivos, a iniciativa é um importante marco por se tratar da primeira cooperação entre produtores de dentro e fora da OPEP em 15 anos. Complementando o quadro benigno, a notícia de que o Irã, segundo maior produtor da OPEP expressou seu apoio à iniciativa foi bem recebida pelos mercados.

Foi divulgada a ata do Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC, na sigla em inglês). O documento revelou que seus membros consideram a desaceleração do crescimento global nas suas perspectivas para a taxa de juros, e consideram recuar dos sinais enviados ao mercado em dezembro, quando indicou que poderia manter o ciclo de aumento dos juros este ano.

Por aqui, as notícias ruins se acumulavam. Os ganhos no Ibovespa foram limitados pela ação da agência classificadora de riscos Standard & Poor’s em rebaixar novamente a nota brasileira, cinco meses após retirar o selo de bom pagador do Brasil. A nota agora está dois níveis abaixo do grau de investimento, “BB+”. A agência concedeu ainda perspectiva negativa, significando que pode reduzir ainda mais a classificação do país nos próximos meses. Em nota, a agência informou que os desafios políticos e econômicos enfrentados pelo Brasil persistem e que agora espera um processo mais longo de ajuste econômico, com prolongamento da recessão e correção mais lenta da política fiscal.

O quadro doméstico ruim se consolidou após o Banco Central divulgar que o índice de atividade econômica – IBC-Br, registrar retração de 4,18% em 2015, a maior queda anual da série histórica da instituição, iniciada em 2003. Os números revelam também que o ritmo em que a economia vem se retraindo, no último trimestre de 2015, não perdeu o ímpeto em relação aos trimestres anteriores. Ao contrário, ganhou intensidade. É justamente esse “carregamento estatístico” do ano passado que preocupa. Mais forte do que o antes previsto, sugere que a economia este ano será de novo puxada para trás e que a puxada, como indica agora o Banco Central, será mais acentuada.

Pesquisa Focus

O boletim Focus revelado hoje mostrou que a expectativa dos economistas para a taxa de juros manteve-se inalterada, e que o mercado continua a acreditar que uma queda virá apenas em 2017. Foi mantida a expectativa de que a taxa encerre 2016 no nível atual, 14,25%, percentual que deve diminuir a 12,63% até o fim do ano que vem. Antes, esperava-se uma queda a 12,75%. A Selic média do ano foi mantida em 14,25% em 2016, mas a de 2017 caiu um pouco, de 13% para 12,98%.

Entre os economistas do Top 5 nada mudou, com as estimativas para a Selic mantendo-se em 14,00% e 12,75%, respectivamente.

As estimativas para a inflação deste ano foram elevadas novamente. A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu de 7,61% para 7,62%, o oitavo aumento seguido. Com isso, permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas do ano que vem e bem distante do objetivo central de 4,5%.

Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 6%. Com isso, segue distante da meta central de 4,5% do ano que vem e continua exatamente no teto de 6% do regime de metas para o período.

O IPCA ganhou força no início de 2016, chegando a 1,27% em janeiro – maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,71%.

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,40% na semana passada, contra uma retração de 3,33% estimada na semana anterior. Foi a quinta piora seguida do indicador.

Para 2017, encolheu mais um pouco a expectativa de recuperação, com a mediana das estimativas oscilando de uma alta de 0,59% para 0,50%. O ajuste desta vez foi o quinto consecutivo – um mês atrás, a projeção era de crescimento de 0,80% da atividade.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a piora de suas estimativas e passou a prever uma contração de 3,50% para o PIB brasileiro neste ano e um crescimento zero para 2017.

Perspectivas

A agenda recheada de indicadores a serem divulgados não serão tão importantes quanto os movimentos do governo na direção ao ajuste fiscal, que nesta semana deve trazer (ou não) algum sinal de comprometimento do Planalto com o compromisso.

Na sexta-feira, os ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão, anunciaram o primeiro contingenciamento do orçamento deste ano, e um esboço do chamado “novo modelo fiscal’ que deve ser implantado, com bandas de flutuação para o déficit público e gatilhos para limitar os gastos públicos. O mercado permanece cético quanto à implementação das medidas, pelo descrédito natural que as promessas suscitam, e pelas resistências políticas.

Na terça-feira (23), será divulgado o IPCA-15, que deve mostrar um avanço da inflação em 1,25% em fevereiro, de acordo com a mediana das expectativas. Em janeiro, o avanço foi de 0,92%.

Também no radar a divulgação da Pesquisa Mensal de emprego (PME) pelo IBGE na quinta-feira (25). O número deve superar os 7%, segundo estimativas do mercado.

Lá fora, será conhecida a segunda estimativa para o PIB dos EUA para o quarto trimestre de 2015. A expectativa mediana é de que a economia norte-americana cresça 0,4%, ante os 0,7% registrados na primeira prévia.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 30%. Neste momento, recomendamos ficar fora de estratégias com exposição para os vértices mais longos (IMA-B, IMA-B 5+, IDKA IPCA 20A e 30A). Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira. As quedas recentes do Ibovespa levaram o índice a romper o suporte dos 40.000 pontos, abrindo uma janela de oportunidade para os investidores com baixa exposição no segmento montarem posições, objetivando o ganho de capital no longo prazo.