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Consultoria em Investimentos

fevereiro 15th, 2016

Nossa Visão – 15/02/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 1,25%, aos 39.808 pontos, com a presença de investidores estrangeiros na ponta compradora. As ações da Petrobras foram destaque na alta, acompanhando a recuperação do preço do petróleo no mercado internacional.  Ainda assim, a alta da bolsa apenas amenizou a queda na semana, de 1,93%. A leitura é de que o fôlego foi apenas um repique dos ativos, que seguem sem mudança de tendência. No mês, acumula perda de 1,48% e, no ano, de 8,17%.

Em semana curta devido aos feriados do Carnaval, o pregão de quarta-feira abriu pressionado pela queda dos ADR’s nos dois pregões anteriores, quando não houve negociação na bolsa paulista. O preço do petróleo voltou a ser o centro das atenções, após a AIE (Agência Internacional de Energia) informar que o excesso de petróleo no planeta continuará pela maior parte do ano de 2016. Os EUA devem manter a produção atual do óleo, além da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) provavelmente não chegará a um acordo que reduza a produção mundial.

De positivo, as declarações da presidente do FED (Federal Reserve, o banco central americano), Janet Yellen que afirmou, em discurso no Congresso americano, não haver motivos para acreditar que os EUA permanecerão em uma trajetória de crescimento moderado, a despeito de reconhecer que os riscos de uma maior desaceleração da economia chinesa podem afastar a economia americana da solidez. Ainda assim, afirmou que a renda e o patrimônio das famílias americanas estão crescendo, os gastos domésticos continuam a avançar, e o investimento empresarial acelerou.

Por aqui, o pessimismo foi ampliado após a divulgação de que o corte do Orçamento da União foi adiado para março. O contingenciamento é fundamental para que o governo cumpra a meta de superávit primário prometido, de 0,5% do PIB, e seu adiamento sinaliza a percepção de que o governo tem poucas saídas, e demonstra a dramaticidade da situação.

De positivo, a recuperação ainda que parcial no preço do barril do petróleo na sexta-feira, que terminou a semana na casa dos US$ 31 (tipo Brent), após o ministro de energia dos EUA (Emirados Árabes Unidos), Suhail Bin Mohammed, declarar que os membros da OPEP estão prontos para cooperar com cortes na produção, a despeito da dificuldade de um consenso, especialmente entre o Irã e a Arábia Saudita.

Pesquisa Focus

O boletim Focus revelado hoje mostrou que a expectativa dos economistas para a taxa de juros manteve-se inalterada. A estimativa para a Selic ao fim deste ano foi mantida em 14,25%, o mesmo número de duas semanas atrás. Isso quer dizer que os economistas continuam não acreditando em uma nova alta dos juros no decorrer de 2016. Eles esperam que a taxa seja reduzida a partir de 2017 até chegar a 12,75%. Antes, esperava-se queda até 12,50%.

Entre os economistas do Top 5 nada mudou, com as estimativas para a Selic mantendo-se em 14,00% e 12,75%, respectivamente.

As estimativas para a inflação deste ano foram elevadas novamente. A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu de 7,56% para 7,61%, o sétimo aumento seguido. Com isso, permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas do ano que vem e bem distante do objetivo central de 4,5%.

Para 2017, a estimativa permaneceu estável em 6%. Há quatro semanas, os economistas projetavam a inflação do ano que vem em 5,40%.

O IPCA ganhou força no início de 2016, chegando a 1,27% em janeiro – maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,71%.

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,33% na semana passada, contra uma retração de 3,21% estimada na semana anterior. Foi a quarta piora seguida do indicador.

Como o mercado segue estimando “encolhimento” do PIB em 2015, se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve início em 1948.

Para o comportamento do PIB em 2017, os economistas das instituições financeiras mostraram mais pessimismo e baixaram a previsão de crescimento de 0,6% para 0,59% na semana passada – também na quarta queda consecutiva da previsão.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a piora de suas estimativas e passou a prever uma contração de 3,50% para o PIB brasileiro neste ano e um crescimento zero para 2017.

Perspectivas

A semana reserva uma série de eventos importantes que devem mexer com os mercados, e são garantia de volatilidade à vista.

Destaque para o retorno dos trabalhos no Congresso Nacional, após o fim do recesso parlamentar. Além da retomada dos debates sobre pautas do ajuste fiscal e a reforma previdenciária, os encontros também debaterão dois assuntos que ficaram adormecidos nos últimos 45 dias: o processo de impeachment, em tramitação nas Casas, e o pedido de afastamento do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por aqui, destaque para a divulgação do IBC-Br, considerado uma prévia do PIB. O indicador deverá mostrar recuo da economia de 0,6% em dezembro, após uma retração de 0,52% em novembro.

Lá fora, será conhecida a ata do FOMC (Comitê Federal do Mercado Aberto, na sigla em inglês), que decidiu pela manutenção da banda de juros nos EUA entre 0,25% e 0,50%.

Também será conhecido o índice de produção industrial dos EUA. Apesar de o setor pesar pouco na economia americana, o indicador é responsável por grande parte das variações cíclicas do PIB. A expectativa é de uma aceleração de 0,3% em janeiro, ante recuo de 0,4% em dezembro e de 0,9% em novembro.

Para a renda fixa, recomendamos uma exposição da carteira para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 30%. Neste momento, recomendamos ficar fora de estratégias com exposição para os vértices mais longos (IMA-B, IMA-B 5+, IDKA IPCA 20A e 30A). Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira. As quedas recentes do Ibovespa levaram o índice a romper o suporte dos 40.000 pontos, abrindo uma janela de oportunidade para os investidores com baixa exposição no segmento montarem posições, objetivando o ganho de capital no longo prazo.