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fevereiro, 2016

Nossa Visão – 29/02/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de -0,70%, aos 41.593 pontos. O enfraquecimento dos pregões em Wall Street e dos preços do petróleo corroboraram as perdas locais, em sessão marcada por volumoso noticiário corporativo. Na semana, o índice de referência do mercado acionário acumulou variação positiva de 0,12%, enquanto no mês a alta acumula 2,52%. No ano, a perda é de -4,05%

A recuperação do preço do petróleo ditou o ritmo dos negócios no começo da semana, com o petróleo tipo Brent subindo 5,09% na segunda-feira.

No front doméstico, a nova fase da Operação Lava Jato, a 23ª etapa denominada Acarajé, deflagrada pela manhã, animou o mercado financeiro nacional ao colocar no centro das atenções o principal marqueteiro da campanha petista, João Santana, que teve sua prisão temporária decretada pelo juiz federal Sérgio Moro. João Santana é suspeito de receber US$ 7,5 milhões desviado da Petrobras em uma conta não declarada no exterior.

As perdas se consolidaram após o anúncio do rebaixamento da nota de rating pela agência classificadora de riscos Moody’s. A notícia já era esperada, mas o rebaixamento em dois níveis (de “Baa3” para “Ba2”) com perspectiva negativa surpreendeu dada a magnitude do corte. A decisão coloca o país cada vez mais distante de retornar ao status de bom pagador, e joga mais pressão sobre a recuperação da economia.

No exterior, os mercados eram pressionados entre outros fatores pelo petróleo em queda, ainda reagindo a declarações anunciada na terça-feira pela Arábia Saudita, que descartou a chance de corte de produção entre os grandes produtores da commodity.

No campo da economia, o governo anunciou um déficit primário do setor público consolidado de R$ 27,9 bilhões em janeiro, superando com folga a expectativa mediana dos economistas, que esperavam um superávit de R$ 18,4 bilhões. É bem verdade que o resultado foi inflado pela receita com a venda de hidrelétricas no fim do ano passado, da ordem de R$ 11 bilhões, mas mesmo assim registrou o primeiro resultado positivo desde abril.

Os EUA anunciaram o PIB do quarto trimestre de 2015, onde a expansão foi de 1% na comparação anual. O crescimento foi abaixo dos 2% registrados no terceiro trimestre, mas muito acima da mediana das expectativas do mercado, que eram de que o crescimento fosse de 0,4%.

Pesquisa Focus

O boletim Focus revelado hoje confirmou a expectativa de manutenção da Selic nos atuais 14,25% na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom), e projetam que encerrará o ano no mesmo patamar. Já para 2017 a projeção para a Selic foi ajustada a 12,50%, ante 12,63% na pesquisa anterior.

A expectativa para a inflação surpreendeu e, após oito semanas de alta, os economistas passaram a prever um alívio no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016. A estimativa para a inflação oficial no país recuou de 7,62% para 7,57%. Os economistas prevêem leve desaceleração no ritmo de alta dos preços livres, uma vez que a estimativa de alta para os preços administrados, que são estabelecidos por contrato ou órgão público, foi mantida em 7,50% neste ano.

Para 2017, a perspectiva para a inflação oficial, medida pelo IPCA, permaneceu em 6%, no limite da margem de flutuação estipulada pelo governo. A perspectiva para preços administrados também continuou em 5,50%.

A retração do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano deve ser ainda maior do que a prevista. A estimativa dos economistas passou de baixa de 3,40% para uma queda de 3,45%, a sexta semana consecutiva de revisão para baixo. Para 2017, foi mantida a expectativa de recuperação em 0,50%.

A produção industrial é o principal setor responsável pelas previsões para o PIB em 2016 e 2017. No boletim, a mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de baixa de 4,50% para este ano ante – 4,40% prevista na semana passada. Para 2017, a previsão mudou de 1,00% para 0,80%. Se a previsão do mercado se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos de retração econômica, considerando a série histórica do IBGE, iniciada em 1948.

Perspectivas

A semana começa sob a notícia de que o Banco Popular da China cortou o compulsório em 0,5 ponto percentual. A medida adiciona mais dinheiro no mercado, pois diminui a exigência de reservas dos bancos junto à autoridade monetária chinesa. A notícia é boa para o mercado, que interpreta como um forte sinal de que o governo chinês está empenhado em fazer com que a economia local interrompa as expectativas de queda da cadeia produtiva.

No âmbito doméstico, a notícia de que o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deve deixar o governo esta semana joga mais atrito na já desgastada relação da presidente Dilma Rousseff com o Partido dos Trabalhadores. O diretório nacional propôs um programa nacional de emergência para mudar a política econômica do país, com vários pontos que vão de encontro com o ajuste fiscal em curso. O mal estar ficou evidente na ausência da presidente Dilma no evento do partido que comemorou os 36 anos de existência.

Estas notícias devem trazer certo ânimo aos mercados no curto prazo, porém o cenário ainda inspira cuidados e deve ser visto com cautela pelos investidores.

A semana reserva uma bateria de indicadores importante, que devem mexer com o mercado no curto prazo.

Na quinta-feira (03) sai o PIB do Brasil relativo ao quarto trimestre de 2015, para o qual se espera uma queda de 1,8%, na comparação trimestral.

Na quarta-feira (02) serão conhecidos mos indicadores de atividade econômica regional dos EUA (Livro Bege), que ganha importância diante do cenário de incerteza acerca da política monetária que será implementada pelo banco central americano.

A semana termina com o relatório de emprego dos EUA (payroll), que é o indicador mais observado pelo FED antes de revelar sua política monetária. As expectativas de consenso revelam que os EUA tenham criado 195 mil novas vagas em fevereiro e que a taxa de desemprego se mantenha estável em 4,9%.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 30%. Neste momento, recomendamos ficar fora de estratégias com exposição para os vértices mais longos (IMA-B, IMA-B 5+, IDKA IPCA 20A e 30A). Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira. As quedas recentes do Ibovespa levaram o índice a romper o suporte dos 40.000 pontos, abrindo uma janela de oportunidade para os investidores com baixa exposição no segmento montarem posições, objetivando o ganho de capital no longo prazo.

Crédito & Mercado realiza seu 1º Simpósio!

Iniciado na tarde de ontem (24/02) e com duração até a sexta-feira (26/02), está sendo realizado no Rio de Janeiro o “1º Simpósio Crédito & Mercado”, destinado aos participantes, integrantes e gestores de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

O objetivo é levar ao público a capacitação para Certificação ANBIMA CPA 20 , além de um ciclo de palestras com temas relevantes, como atuação do Banco Central, funcionamento da Bolsa de Valores e cenário econômico para 2016.

O evento conta com a participação de Felipe Affonso, Diretor Executivo do Grupo Crédito & Mercado.

Entre os temas abordados no curso, destacam-se: princípios básicos de economia, finanças e estatística; fundos e demais produtos de investimentos; tributação, órgãos de regulação, compliance legal e ética; mensuração e gestão de performance e risco; entre outros.

A aplicação do curso está sendo feita pela Crédito & Mercado Educação Executiva. Nascida em 2005, a Educação Executiva é uma empresa focada no desenvolvimento e aplicação de cursos para profissionais do mercado financeiro. Desde 2007 se tornou especialista em capacitação para o segmento previdenciário.

Com a publicação da Portaria nº 185 do Ministério da Previdência, que institui o Programa de Certificação Institucional e Modernização da Gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social – “Pró-Gestão RPPS ‘’ as questões de governança, melhores práticas e educação previdenciária tomaram ainda mais destaque nos últimos meses.

Seguindo o texto publicado no Manual do Programa, a educação previdenciária diz respeito ao conjunto de ações de capacitação, qualificação, treinamento e formação específica ofertadas aos servidores públicos do ente federativo, da unidade gestora do RPPS, aos segurados e beneficiários em geral (servidores ativos, aposentados e pensionistas), aos gestores e conselheiros, a respeito de assuntos relativos à compreensão do direito à previdência social e de seu papel como política pública, à gestão, governança e controles do RPPS nos seus mais variados aspectos (gestão de ativos e passivos, gestão de pessoas, benefícios, investimentos, orçamento, contabilidade, finanças, estruturas internas e externas de controle,dentre outros).

As certificações como CPA 10 e CPA 20 são requisitos para atender a determinados níveis do programa.

Por este motivo, a Crédito & Mercado, hoje uma empresa do Grupo StarBoard, leva esse treinamento ao Rio de Janeiro,  acreditando sempre na possibilidade de contribuir para o crescimento e fortalecimento dos Regimes Próprios através de seus  trabalhos.

Nossa Visão – 22/02/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,16%, aos 41.543 pontos, após passar a maior parte da sessão em queda e só avançar na última hora, favorecido com um movimento comprador que puxou a cotação das ações do setor bancário. O desempenho neutro não afetou a alta de 4,36% no acumulado na semana. O índice teve fortes altas nos primeiros pregões da semana, pautada pela recuperação do preço do petróleo. No mês, acumula alta de 2,82%, e no ano a perda é de 4,17%.

Os mercados seguiram influenciados pelo exterior, com a recuperação do preço do petróleo ditando o rumo. A boa notícia foi que Arábia Saudita, Rússia, Venezuela e Catar concordaram em congelar os níveis de produção de petróleo nos níveis de janeiro. Ainda que os números de produção sejam expressivos, a iniciativa é um importante marco por se tratar da primeira cooperação entre produtores de dentro e fora da OPEP em 15 anos. Complementando o quadro benigno, a notícia de que o Irã, segundo maior produtor da OPEP expressou seu apoio à iniciativa foi bem recebida pelos mercados.

Foi divulgada a ata do Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC, na sigla em inglês). O documento revelou que seus membros consideram a desaceleração do crescimento global nas suas perspectivas para a taxa de juros, e consideram recuar dos sinais enviados ao mercado em dezembro, quando indicou que poderia manter o ciclo de aumento dos juros este ano.

Por aqui, as notícias ruins se acumulavam. Os ganhos no Ibovespa foram limitados pela ação da agência classificadora de riscos Standard & Poor’s em rebaixar novamente a nota brasileira, cinco meses após retirar o selo de bom pagador do Brasil. A nota agora está dois níveis abaixo do grau de investimento, “BB+”. A agência concedeu ainda perspectiva negativa, significando que pode reduzir ainda mais a classificação do país nos próximos meses. Em nota, a agência informou que os desafios políticos e econômicos enfrentados pelo Brasil persistem e que agora espera um processo mais longo de ajuste econômico, com prolongamento da recessão e correção mais lenta da política fiscal.

O quadro doméstico ruim se consolidou após o Banco Central divulgar que o índice de atividade econômica – IBC-Br, registrar retração de 4,18% em 2015, a maior queda anual da série histórica da instituição, iniciada em 2003. Os números revelam também que o ritmo em que a economia vem se retraindo, no último trimestre de 2015, não perdeu o ímpeto em relação aos trimestres anteriores. Ao contrário, ganhou intensidade. É justamente esse “carregamento estatístico” do ano passado que preocupa. Mais forte do que o antes previsto, sugere que a economia este ano será de novo puxada para trás e que a puxada, como indica agora o Banco Central, será mais acentuada.

Pesquisa Focus

O boletim Focus revelado hoje mostrou que a expectativa dos economistas para a taxa de juros manteve-se inalterada, e que o mercado continua a acreditar que uma queda virá apenas em 2017. Foi mantida a expectativa de que a taxa encerre 2016 no nível atual, 14,25%, percentual que deve diminuir a 12,63% até o fim do ano que vem. Antes, esperava-se uma queda a 12,75%. A Selic média do ano foi mantida em 14,25% em 2016, mas a de 2017 caiu um pouco, de 13% para 12,98%.

Entre os economistas do Top 5 nada mudou, com as estimativas para a Selic mantendo-se em 14,00% e 12,75%, respectivamente.

As estimativas para a inflação deste ano foram elevadas novamente. A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu de 7,61% para 7,62%, o oitavo aumento seguido. Com isso, permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas do ano que vem e bem distante do objetivo central de 4,5%.

Para 2017, a estimativa do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 6%. Com isso, segue distante da meta central de 4,5% do ano que vem e continua exatamente no teto de 6% do regime de metas para o período.

O IPCA ganhou força no início de 2016, chegando a 1,27% em janeiro – maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,71%.

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,40% na semana passada, contra uma retração de 3,33% estimada na semana anterior. Foi a quinta piora seguida do indicador.

Para 2017, encolheu mais um pouco a expectativa de recuperação, com a mediana das estimativas oscilando de uma alta de 0,59% para 0,50%. O ajuste desta vez foi o quinto consecutivo – um mês atrás, a projeção era de crescimento de 0,80% da atividade.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a piora de suas estimativas e passou a prever uma contração de 3,50% para o PIB brasileiro neste ano e um crescimento zero para 2017.

Perspectivas

A agenda recheada de indicadores a serem divulgados não serão tão importantes quanto os movimentos do governo na direção ao ajuste fiscal, que nesta semana deve trazer (ou não) algum sinal de comprometimento do Planalto com o compromisso.

Na sexta-feira, os ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão, anunciaram o primeiro contingenciamento do orçamento deste ano, e um esboço do chamado “novo modelo fiscal’ que deve ser implantado, com bandas de flutuação para o déficit público e gatilhos para limitar os gastos públicos. O mercado permanece cético quanto à implementação das medidas, pelo descrédito natural que as promessas suscitam, e pelas resistências políticas.

Na terça-feira (23), será divulgado o IPCA-15, que deve mostrar um avanço da inflação em 1,25% em fevereiro, de acordo com a mediana das expectativas. Em janeiro, o avanço foi de 0,92%.

Também no radar a divulgação da Pesquisa Mensal de emprego (PME) pelo IBGE na quinta-feira (25). O número deve superar os 7%, segundo estimativas do mercado.

Lá fora, será conhecida a segunda estimativa para o PIB dos EUA para o quarto trimestre de 2015. A expectativa mediana é de que a economia norte-americana cresça 0,4%, ante os 0,7% registrados na primeira prévia.

Neste contexto, mantemos nossa recomendação de expor a carteira de renda fixa para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 30%. Neste momento, recomendamos ficar fora de estratégias com exposição para os vértices mais longos (IMA-B, IMA-B 5+, IDKA IPCA 20A e 30A). Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira. As quedas recentes do Ibovespa levaram o índice a romper o suporte dos 40.000 pontos, abrindo uma janela de oportunidade para os investidores com baixa exposição no segmento montarem posições, objetivando o ganho de capital no longo prazo.

Rebaixamento do Rating do País pela Standard & Poor´s

Na tarde da última quarta-feira, a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s divulgou em nota o rebaixamento do rating em moeda estrangeira de longo prazo do Brasil, de “BB+” para “BB”, com perspectiva “negativa”.

No comunicado ao mercado, a Standard & Poor’s justificou sua decisão alegando que o perfil de crédito do Brasil se debilitou desde setembro do ano passado, data da última ação de rating da agência que jogou o País para grau especulativo, de “BBB-“ para “BB+”.

A agência afirmou esperar por um processo de ajuste mais prolongado do que o imaginado anteriormente, com uma correção mais lenta do lado da política fiscal devido ao ambiente político conturbado, que mantém a presidente Dilma Rousseff à beira de um julgamento no Congresso visando sua destituição, fator que complica a aprovação de medidas de ajuste para reativar a já combalida economia. Também não deixou de citar os escândalos de corrupção, que envolvem dezenas de políticos, como um ingrediente a mais que mantém o clima de incertezas no País no curto prazo.

Para 2017, porém, a agência mantém o clima de otimismo, projetando crescimento do PIB em 1%.

A notícia passou quase que despercebida pelo mercado, com pouca repercussão sobre o preço dos ativos, pois de certo modo já se esperava pela notícia. Não há mais efeito prático para o Brasil, que já havia perdido o selo de bom pagador. A única conseqüência é que pode levar mais tempo para o País retomar a nota que havia alcançado em 2008.

No mercado de ações, é possível que haja um movimento de queda do índice, dado que a Standard & Poor’s também cortou o rating da Petrobras, da Ambev e de grandes bancos. Este movimento pode ser minimizado pela recuperação no preço do petróleo no mercado internacional, que tem impulsionado as bolsas mundiais nos recentes pregões.

No mercado de juros, não esperamos qualquer mudança na tendência para os vértices mais curtos, que mantiveram o movimento de ajustes pautado pelo fortalecimento das apostas de que não haverá aumento da Selic este ano. Nos vértices mais longos, a notícia do corte deve repercutir com mais intensidade, dado que a postergação de uma eventual recuperação da nota joga a melhora da economia mais para longe.

Neste contexto, recomendamos aos nossos clientes cautela na condução dos investimentos e nas tomadas de decisões que envolvam os recursos do Regime Próprio, e perseguir a estratégia recomendada na política de investimentos e em nossos comunicados.

Nossa Visão – 15/02/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 1,25%, aos 39.808 pontos, com a presença de investidores estrangeiros na ponta compradora. As ações da Petrobras foram destaque na alta, acompanhando a recuperação do preço do petróleo no mercado internacional.  Ainda assim, a alta da bolsa apenas amenizou a queda na semana, de 1,93%. A leitura é de que o fôlego foi apenas um repique dos ativos, que seguem sem mudança de tendência. No mês, acumula perda de 1,48% e, no ano, de 8,17%.

Em semana curta devido aos feriados do Carnaval, o pregão de quarta-feira abriu pressionado pela queda dos ADR’s nos dois pregões anteriores, quando não houve negociação na bolsa paulista. O preço do petróleo voltou a ser o centro das atenções, após a AIE (Agência Internacional de Energia) informar que o excesso de petróleo no planeta continuará pela maior parte do ano de 2016. Os EUA devem manter a produção atual do óleo, além da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) provavelmente não chegará a um acordo que reduza a produção mundial.

De positivo, as declarações da presidente do FED (Federal Reserve, o banco central americano), Janet Yellen que afirmou, em discurso no Congresso americano, não haver motivos para acreditar que os EUA permanecerão em uma trajetória de crescimento moderado, a despeito de reconhecer que os riscos de uma maior desaceleração da economia chinesa podem afastar a economia americana da solidez. Ainda assim, afirmou que a renda e o patrimônio das famílias americanas estão crescendo, os gastos domésticos continuam a avançar, e o investimento empresarial acelerou.

Por aqui, o pessimismo foi ampliado após a divulgação de que o corte do Orçamento da União foi adiado para março. O contingenciamento é fundamental para que o governo cumpra a meta de superávit primário prometido, de 0,5% do PIB, e seu adiamento sinaliza a percepção de que o governo tem poucas saídas, e demonstra a dramaticidade da situação.

De positivo, a recuperação ainda que parcial no preço do barril do petróleo na sexta-feira, que terminou a semana na casa dos US$ 31 (tipo Brent), após o ministro de energia dos EUA (Emirados Árabes Unidos), Suhail Bin Mohammed, declarar que os membros da OPEP estão prontos para cooperar com cortes na produção, a despeito da dificuldade de um consenso, especialmente entre o Irã e a Arábia Saudita.

Pesquisa Focus

O boletim Focus revelado hoje mostrou que a expectativa dos economistas para a taxa de juros manteve-se inalterada. A estimativa para a Selic ao fim deste ano foi mantida em 14,25%, o mesmo número de duas semanas atrás. Isso quer dizer que os economistas continuam não acreditando em uma nova alta dos juros no decorrer de 2016. Eles esperam que a taxa seja reduzida a partir de 2017 até chegar a 12,75%. Antes, esperava-se queda até 12,50%.

Entre os economistas do Top 5 nada mudou, com as estimativas para a Selic mantendo-se em 14,00% e 12,75%, respectivamente.

As estimativas para a inflação deste ano foram elevadas novamente. A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu de 7,56% para 7,61%, o sétimo aumento seguido. Com isso, permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas do ano que vem e bem distante do objetivo central de 4,5%.

Para 2017, a estimativa permaneceu estável em 6%. Há quatro semanas, os economistas projetavam a inflação do ano que vem em 5,40%.

O IPCA ganhou força no início de 2016, chegando a 1,27% em janeiro – maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,71%.

Para o PIB de 2016, o mercado financeiro passou a prever uma contração de 3,33% na semana passada, contra uma retração de 3,21% estimada na semana anterior. Foi a quarta piora seguida do indicador.

Como o mercado segue estimando “encolhimento” do PIB em 2015, se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve início em 1948.

Para o comportamento do PIB em 2017, os economistas das instituições financeiras mostraram mais pessimismo e baixaram a previsão de crescimento de 0,6% para 0,59% na semana passada – também na quarta queda consecutiva da previsão.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a piora de suas estimativas e passou a prever uma contração de 3,50% para o PIB brasileiro neste ano e um crescimento zero para 2017.

Perspectivas

A semana reserva uma série de eventos importantes que devem mexer com os mercados, e são garantia de volatilidade à vista.

Destaque para o retorno dos trabalhos no Congresso Nacional, após o fim do recesso parlamentar. Além da retomada dos debates sobre pautas do ajuste fiscal e a reforma previdenciária, os encontros também debaterão dois assuntos que ficaram adormecidos nos últimos 45 dias: o processo de impeachment, em tramitação nas Casas, e o pedido de afastamento do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por aqui, destaque para a divulgação do IBC-Br, considerado uma prévia do PIB. O indicador deverá mostrar recuo da economia de 0,6% em dezembro, após uma retração de 0,52% em novembro.

Lá fora, será conhecida a ata do FOMC (Comitê Federal do Mercado Aberto, na sigla em inglês), que decidiu pela manutenção da banda de juros nos EUA entre 0,25% e 0,50%.

Também será conhecido o índice de produção industrial dos EUA. Apesar de o setor pesar pouco na economia americana, o indicador é responsável por grande parte das variações cíclicas do PIB. A expectativa é de uma aceleração de 0,3% em janeiro, ante recuo de 0,4% em dezembro e de 0,9% em novembro.

Para a renda fixa, recomendamos uma exposição da carteira para os vértices de médio prazo (IMA-B 5 e IDKA IPCA 2A) em no máximo 30%. Neste momento, recomendamos ficar fora de estratégias com exposição para os vértices mais longos (IMA-B, IMA-B 5+, IDKA IPCA 20A e 30A). Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI ou IRF-M 1, que mesmo que tenham rendimento menor que a inflação, como ocorreu em janeiro, constituem alternativas mais defensivas em um cenário de juros de mercado crescentes.

Nas estratégias que envolvam essencialmente a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo), observamos que a escassez de linhas de crédito para a produção e consumo gerou uma abertura de spread (prêmio de risco) nas operações, que resultam em oportunidades interessantes para investimentos. Com a devida cautela, e respeitados os limites das políticas de investimentos, recomendamos avaliar investimentos nestes segmentos.

Na renda variável, recomendamos uma exposição de no máximo 10% para o segmento, já incluídas alocações em fundos imobiliários – FIIs e fundos em participação – FIPs, dado a falta de percepção de melhora nos fundamentos econômicos que justifique elevar ainda mais o risco da carteira. As quedas recentes do Ibovespa levaram o índice a romper o suporte dos 40.000 pontos, abrindo uma janela de oportunidade para os investidores com baixa exposição no segmento montarem posições, objetivando o ganho de capital no longo prazo.