Telefone: 13 3878-8400  |  E-mail: consultoria@creditoemercado.com.br

Consultoria em Investimentos

janeiro 7th, 2016

Nossa Visão – 04/01/2016

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a sessão de quarta-feira em queda de 0,70%, aos 43.349 pontos, em pregão com liquidez reduzida, seguindo o mau humor nos mercados internacionais conforme os preços do petróleo voltavam a cair, aproximando-se de mínimas em 11 anos. No mês de dezembro, o Ibovespa acumulou perda de 3,93%, enquanto no ano a queda do índice foi de 13,31%, considerando a pontuação de fechamento do dia 30 de dezembro de 2014, de 50.007 pontos. Foi a terceira desvalorização anual seguida da bolsa brasileira.

A divulgação de dados ruins na economia chinesa ditou o viés negativo do mercado. A segunda maior economia do planeta divulgou que os lucros das indústrias caíram 1,4% em novembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, determinando o sexto mês consecutivo de queda. No ano, a queda acumulada é de 1,9%.

No cenário local, o BACEN divulgou o resultado das contas do setor público consolidado, que englobam o governo, os estados, municípios e empresas estatais, que registrou em novembro o pior resultado para este mês desde o início da série histórica, em dezembro de 2001, e também na parcial dos 11 primeiros meses deste ano. O resultado apurado foi um déficit primário (receitas menos despesas, sem a inclusão dos juros da dívida) de R$ 19,5 bilhões. Na parcial do ano, o rombo das contas públicas somou R$ 39,5 bilhões. O principal vilão foi o governo central, que apurou déficit de R$ 21,6 bilhões, enquanto que os estados e municípios tiveram superávit primário de R$ 2,3 bilhões, e as estatais registraram resultado negativo de R$ 249 milhões.

O governo atribui seu resultado ruim aos números da arrecadação federal, que em meio à recessão na economia, aumento do desemprego e queda nas vendas reais, tem registrado forte queda neste ano. Além disso, o aumento do déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também contribuiu para o aumento do rombo nas contas públicas. De janeiro a novembro deste ano, o déficit da Previdência somou R$ 88,8 bilhões, contra R$ 58,4 bilhões em igual período de 2014.

Pesquisa Focus

Os economistas mantiveram a expectativa para a taxa básica de juros no fim de 2016 após o BACEN reforçar a possibilidade de novo aumento no começo do ano. Ainda assim as projeções para a inflação continuaram elevadas e as contas para a atividade econômica pioraram.

De acordo com a Pesquisa Focus revelada hoje, que consolida a opinião de uma centena de economistas sobre a economia do país, mostrou que a projeção para a Selic, hoje a 14,25% ao ano, no fim do próximo ano permaneceu em 15,25%

Os analistas consultados mantiveram a expectativa de alta da taxa básica de juros, atualmente em 14,25%, em 0,5 ponto percentual já em janeiro, depois de o BACEN mostrar que já não vê a inflação no centro da meta em 2017, destacando em seu Relatório de Inflação que conduzirá a política monetária “especialmente vigilante”.

Em relação ao Produto Interno Bruto – PIB, o documento revela que os analistas das instituições revisaram mais uma vez suas projeções para 2016 para baixo. De acordo com o relatório, a perspectiva de retração da atividade do ano que vem passou de 2,81% para 2,95%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -2,31%. Para 2015, a previsão de contração do PIB aumentou de 3,70% para uma queda maior ainda, de 3,71%.

Já a mediana das expectativas para a produção industrial de 2015 saiu de -7,69% para -7,80 % – um mês antes estava em -7,60%. Para 2016, a queda permaneceu em -3,50%. Há quatro semanas, estava em -2,40%.

A expectativa dos economistas é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA feche o ano em 10,72%, a mesma da semana anterior, o que interrompe uma série de 15 semanas consecutivas em alta. Há quatro edições do documento, a mediana estava em 10,44%. No Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa manteve-se em 10,77%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 10,61%.

Para 2016, a previsão para a inflação passou por um ajuste ao sair de 6,86% para 6,87%. Apesar da queda, ainda continua bem acima da meta central de inflação, de 4,5%, fixada para o ano que vem. Também permanece acima do teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro. A inflação não fica oficialmente acima do teto da meta de inflação por dois anos seguidos desde 2002 e 2003.

Perspectivas

Os diversos acontecimentos previstos para os primeiros dias do ano devem manter os mercados movimentados.

Os mercados mundiais têm um dia de queda na abertura do Ibovespa, com destaque para a forte queda das bolsas chinesas, que experimentaram pela primeira vez a interrupção dos mercados após a queda atingir a barreira dos 7% – a regra, conhecida como “circuit braker”, foi introduzida recentemente pelas autoridades chinesas. A queda ocorre após a divulgação de dados negativos sobre a economia chinesa. Nesta segunda, uma pesquisa mostrou que a indústria do país encolheu em dezembro, pelo 10º mês seguido.

Alemanha, Brasil e EUA têm uma extensa agenda de divulgação de dados, tanto do lado da oferta quanto da demanda. Indicadores de atividade industrial e de serviços serão conhecidos entre segunda-feira e terça-feira. Também serão revelados dados de produção e vendas, assim como indicadores de inflação, emprego e balança comercial.

Mantemos nossa recomendação para a renda fixa, sugerindo uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 35% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, no máximo 15% no IMA-B, e o restante no IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.