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dezembro, 2015

Rebaixamento Rating / Juros EUA

Nas últimas horas, foram noticiados dois acontecimentos já esperados pelo mercado financeiro e de capitais, mas que mexem com profundidade nas expectativas dos agentes: o rebaixamento da nota de crédito do Brasil e o aumento da taxa básica de juros americana.

No meio do dia, começou a circular a notícia de que a agência classificadora de riscos Fitch Rating rebaixou a nota de crédito soberana de longo prazo do Brasil, de BBB- para BB+, com a manutenção da perspectiva negativa para a nota, classificação esta que coloca o País em grau especulativo. A agência fundamentou sua decisão na recessão mais profunda do que o anteriormente previsto, a deterioração das contas públicas, e as crescentes incertezas no campo político, que somados podem prejudicar ainda mais a capacidade do País em implementar as medidas fiscais que estabilizem o crescente endividamento.

No final do dia, foi conhecida a decisão do FED (Federal Reserve, o Banco Central americano), que em decisão unânime elevou os juros dos EUA em 0,25 ponto percentual, marcando uma guinada na política monetária dos Estados Unidos. Nos últimos 7 anos, os juros haviam sido mantidos em patamares extremamente baixos – entre zero e 0,25% – com o objetivo de estimular uma retomada da economia após a crise dos sub primes de 2008 que decretou a falência do Banco Lehman Brothers.

Ambas as notícias tem um poder destruidor sobre a já combalida economia brasileira, na medida em que provocam uma fuga de capital estrangeiro que ajudava a financiar o déficit público do País.

No caso do rebaixamento do rating, um grupo de investidores estrangeiros – principalmente os fundos de pensão – tem em suas regras a exigência de que o País destinatário do investimento obtenha nota considerada “grau de investimento” por ao menos duas agências classificadoras de riscos internacionais. Com a perda da segunda nota – a primeira havia sido perdida há três meses –, o Brasil perde o selo de bom pagador e este grupo de investidores precisa sacar os recursos investidos, provocando uma fuga de capital.

Em relação ao aumento do juro americano, a taxa define a remuneração de investidores que compram títulos de dívida americana. Como as taxas permaneceram próximas de zero nos últimos anos, muitos investidores se dispuseram a assumir um maior risco para investir em outros países que pagam taxas maiores – principalmente os países emergentes, como o Brasil. Na medida em que os papeis americanos voltam a oferecer uma remuneração mais alta, a tendência é que os investidores resgatem investimentos em outros países para levá-los de volta aos EUA, provocando também uma fuga de capitais.

Como reflexo imediato dessas notícias, observaremos um aumento considerável na taxa de remuneração dos ativos brasileiros, que precisará oferecer um juro maior para reter ao menos uma parte desses investidores. Aliás, esse movimento de alta do juro já vem sendo observado nos últimos dias, com a curva a termo abrindo consideravelmente em todos os prazos.

No mercado financeiro, esperamos intensa volatilidade com um viés de alta no curtíssimo prazo, embalado pela alta dos mercados acionários asiáticos. Dado que esses eventos já eram esperados, e de certa forma precificados em parte pelo mercado, o foco dos investidores se voltam às questões políticas que não dão trégua.

Neste contexto, recomendamos aos nossos clientes cautela na condução dos investimentos e nas tomadas de decisões que envolvam os recursos do Regime Próprio, e perseguir a estratégia recomendada na política de investimentos.

Nossa Visão – 07/12/2015

Retrospectiva

Em dia de correção após a forte alta da véspera, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 2,23%, aos 45.361 pontos, com o mercado sob os efeitos do impacto causado pela abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, autorizado na quarta-feira pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Na semana, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou baixa de 1,11%, mas ainda sobe 0,53% em dezembro. No ano, o índice recua 9,29%.

A deflagração do processo de impeachment dominou o noticiário, com os demais assuntos que teriam o dom de fazer preço sobre os ativos ficando à margem.

O “day after” teve o comportamento esperado, com os mercados reagindo com euforia logo nas primeiras horas do pregão. Bolsa subindo, dólar e juros caindo, com os investidores indo às compras com entusiasmo, já que para o mercado financeiro a saída de Dilma é vista como positiva e representa mudanças.

O mercado também reagiu bem à aprovação pelo Congresso, também na quarta-feira, da redução da meta fiscal deste ano, autorizando o governo a trocar a previsão de um superávit de R$ 66,3 bilhões em 2015 por um déficit que pode bater em R$ 119,9 bilhões. Com isso, o Executivo teria condições de revogar o decreto editado na segunda-feira para contingenciar R$ 11,2 bilhões de despesas não obrigatórias, e que ameaçava paralisar a administração pública.

Além do quadro político doméstico conturbado, dados sobre emprego nos EUA endossaram o viés defensivo. O Departamento de Trabalho divulgou que o emprego total da folha de pagamento não-agrícola (Payroll) aumentou em 211 mil novos postos em novembro. As expectativas do mercado eram de que fossem criados 196 mil novos postos.  A taxa de desemprego permaneceu inalterada em 5,0%, com o número de desocupados mantendo-se em 7,9 milhões. Nos últimos 12 meses, a taxa de desemprego e o número de pessoas desempregadas mostram baixa de 0,8 pontos percentuais e 1,1 milhões, respectivamente.

O resultado reforça as probabilidades de que o Federal Reserve – FED eleve os juros norte-americanos em sua reunião de dezembro, o que provocaria uma fuga de capital de mercados emergentes como o brasileiro.

Também fez preço a divulgação, pelo IBGE, do PIB do terceiro trimestre do ano, que contraiu 1,7% na comparação com os três meses anteriores. É o terceiro recuo trimestral consecutivo da atividade econômica do país e o mais intenso para o período desde o início da série do instituto, em 1996. No segundo trimestre, a economia retraiu-se 2,1%, ante os três meses até março, após revisão. Inicialmente, a queda informada foi de 1,9%.

O número fez com que as apostas de que o Comitê de Política Monetária -COPOM vá aumentar a taxa Selic em um futuro próximo fossem reduzidas, em contraponto a expectativa de alta formada após a divulgação da ata da última reunião do Copom. Essa mudança de percepção garantiu a volatilidade da curva pré-fixada nos prazos mais curtos.

Pesquisa Focus

O mercado financeiro ajustou sua estimativa para a Selic ao fim do ano que vem, e agora não tem mais dúvidas de que a taxa básica da economia ficará inalterada no patamar atual de 14,25% ao ano ao longo de todo 2016. A mediana das previsões do Relatório Focus para dezembro do ano que vem saiu de 14,13% para 14,25% ao ano, depois que a última reunião do Comitê de Política Monetária do ano manteve a Selic inalterada, mas com dois votos dissidentes de alta (0,50 pontos percentuais).

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2016 seguiu em 13,00% ao ano pela quarta vez consecutiva.

Com um resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre do ano um pouco pior do que as estimativas iniciais, o documento trouxe mais ajustes para as expectativas em torno dos dados de atividade do País. De acordo com o boletim, a perspectiva de retração da atividade do ano que vem passou de 2,04% para 2,31%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,90%.

Para 2015, a perspectiva de contração acelerou de – 3,19% para – 3,50%. Um mês antes estava em queda de 3,10%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o Banco Central revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano. Uma nova edição desse documento será divulgada até o Natal.

No caso da produção industrial, a mediana das expectativas para 2015 saiu de -7,50% para -7,60%. Um mês antes estava em -7,40%. Para 2016, passou de -2,30% para -2,40%. Há quatro semanas, estava em -2,00%.

A mediana das projeções para o IPCA do ano que vem voltou a subir após uma semana de estabilidade em 6,64% no Relatório de Mercado Focus. Agora, a taxa está em 6,70% ante 6,47% de quatro semanas atrás. O Banco Central já avisou não focar mais 2016, mas, sim, 2017 em sua tarefa de levar a inflação para o centro da meta.

No caso de 2015, a mediana avançou de 10,38% para 10,44%, registrando a 12ª semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável. Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,99%.

No Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa passou de 10,56% para 10,61%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 10,16%. Para 2016, o grupo dos analistas que costumam acertar mais as estimativas, manteve a perspectiva para o IPCA em 7,07%. Quatro edições atrás do boletim Focus, estava em 6,98%.

Perspectivas

Nos próximos dias o cenário político ficará no primeiro plano, em meio à abertura da comissão que tratará do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, e das preocupações com a paralisação da pauta no Congresso, tornando-se mais difícil as discussões sobre o Orçamento do ano que vêm, e a votação de medidas ao ajuste fiscal. Dentro deste cenário, o rebaixamento do rating soberano volta ao radar dos investidores, e na visão do mercado não há nada que impeça as agências classificadoras de risco de cortar a nota.

A agenda semanal começa na segunda-feira (7). Às 14 horas se encerra o prazo para a abertura da Comissão Especial que analisará o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, além da sessão extraordinária da Câmara para confirmar os integrantes da Comissão.

No campo econômico, a China divulgará na terça-feira (8) os índices de inflação ao consumidor e ao produtor, além de dados sobre exportação e importação ao longo da semana. Os números devem manter a indicação de desaceleração gradual da economia chinesa, mantendo os preços das commodities pressionadas.

No Brasil, será conhecido o IPCA de novembro na quarta-feira (9). As estimativas apontam para um crescimento de 0,90% no índice, jogando o acumulado em 12 meses para 10,50%.

Alteramos nossa recomendação para a renda fixa, sugerindo uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 40% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, o restante no IMA-B e IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Impeachment da Presidente Dilma Rousseff

Como é do conhecimento de todos, nesta quarta-feira (2) o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, autorizou a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, ao acolher o requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.

Fundamentalmente, o requerimento se baseia nas chamadas “pedaladas fiscais” do governo em 2015, como é chamada a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária. A manobra fiscal foi reprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na representação, os autores do pedido de afastamento também alegaram que a chefe do Executivo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal ao ter editado decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional.

Apesar da tecnicidade do processo, o embate terá inegavelmente um viés político muito forte, e poderá levar dias ou meses para ser decidido. Neste ínterim, votações importantes de medidas direcionadas, dentre outros temas, para o ajuste fiscal fatalmente ficarão em segundo plano.

No mercado financeiro, esperamos uma reação imediata que irá da euforia à incerteza. Os próximos pregões serão de intensa volatilidade, a começar pelo de hoje onde as perspectivas são de alta para a bolsa, e com o dólar e juros em queda forte nas primeiras horas. Ainda assim, os movimentos estarão ancorados nas próximas ações que serão travadas nos bastidores da política.

Neste contexto, recomendamos aos nossos clientes cautela na condução dos investimentos e nas tomadas de decisões que envolvam os recursos do Regime Próprio, e perseguir a estratégia recomendada na política de investimentos.