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novembro, 2015

Nossa Visão – 30/11/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 2,70%, aos 45.872 pontos, pressionada pela apreensão de agentes financeiros com a deterioração política e fiscal no país, em sessão negativa para mercados emergentes em geral e com liquidez reduzida por sessão mais curta e entrecortada por feriado nos Estados Unidos. Na semana, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou baixa de 4,71%, pressionado particularmente pela percepção de maior risco político. Foi o pior desempenho semanal desde o final de setembro.

No mercado de juros, a volatilidade foi potencializada após o Copom se mostrar dividido em relação a taxa básica de juros. Os juros futuros mantiveram o movimento de alta, mais concentrado nos vértices curtos e intermediários.

O mercado acionário passou a maior parte da semana operando no vermelho, em meio ao nervosismo dos investidores após as prisões do líder do governo no Senado, senador Delcídio do Amaral (PT-MS), e do presidente do Banco BTG Pactual, André Esteves, por suspeita de obstruírem a operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção que envolve a Petrobras.

Em relação ao senador, o Senado teve que referendar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prisão, e por 59 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção, manteve a decisão.

Na percepção dos investidores, tais eventos afetam a confiança no mercado pois envolvem pessoas relevantes nas cenas política e financeira, assustando inclusive investidores estrangeiros, que vinham sustentando ganhos recentes do Ibovespa apesar dos fundamentos negativos para as ações.

Diante do ocorrido, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspendeu sessão no Congresso Nacional, quando deveria ser votado o Orçamento de 2016 e a mudança da meta fiscal de 2015.

O cenário fiscal também endossou a cautela, com agentes financeiros atentos à visita de representantes da agência classificação de risco Standard & Poor’s ao Brasil, conforme informações na mídia, em meio a novos dados negativos sobre contas públicas na semana. Após o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspender sessão no Congresso Nacional, que deveria votar o Orçamento de 2016 e a mudança da meta fiscal de 2015, o governo federal vai editar na segunda-feira um decreto contingenciando mais de R$ 10 bilhões do orçamento deste ano.

Também fez preço o resultado da reunião do Copom, a última do ano, que manteve a Selic em 14,25% ao ano, sem viés. Entretanto, a decisão não foi unânime. Dois diretores votaram por uma elevação de 0,50 ponto percentual, e a falta de consenso indica que há desconforto entre os diretores do BC sobre a trajetória da inflação. Uma elevação da taxa pode dificultar ainda mais uma retomada da atividade econômica.

Pesquisa Focus

Depois de a última reunião do Copom do ano manter a Selic inalterada em 14,25% ao ano, mas com dois votos dissidentes de alta, o mercado financeiro voltou a mudar suas expectativas para o comportamento da taxa básica de juros ao fim do ano que vem.

No Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 30, pelo Banco Central, a mediana das expectativas para a Selic de 2016 passou de 13,75% ao ano para 14,13% ao ano, o que revela uma divisão dos participantes da Focus entre um patamar de 14,00% e 14,25% ao ano. De qualquer forma, a nova projeção indica uma trajetória ainda mais conservadora para a taxa básica. Um mês antes, a mediana das estimativas no boletim Focus para a Selic do mesmo período era de 13,00% ao ano.

Com essa mudança, a Selic média de 2016 foi ajustada de 14,16% para 14,25% ao ano. Um mês antes, a mediana das previsões para essa variável estava em 13,95% ao ano. O foco do Banco Central para a meta é o ano de 2017.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2016 seguiu em 13,00% ao ano pela terceira vez consecutiva – quatro semana antes estava em 12,75%.

Na véspera de mais uma divulgação oficial sobre a economia doméstica, o relatório trouxe novos ajustes para as expectativas em torno dos dados de atividade do Brasil. De acordo com o documento, a perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem passou de 2,01% para 2,04%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,51%. Para 2015, a perspectiva de contração aumentou de 3,15% para 3,19% – um mês antes estava em queda de 3,05%.

Depois de ultrapassar o teto da meta no relatório da semana passada, a mediana das projeções para o IPCA de 2016 se estabilizou em 6,64%. Quatro semanas atrás, estava em 6,22%.

A mediana das previsões para 2015 avançou de 10,33% para 10,38%, registrando a 11ª semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável. Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,91%. No caso do Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa passou de 10,53% para 10,56%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 10,03%.

Para 2016, o grupo dos analistas que costuma acertar mais as estimativas aumentou a perspectiva para o IPCA de 6,98% para 7,07%, após duas semanas de estabilidade. Quatro edições atrás do boletim Focus, estava em 7,33%.

Perspectivas

A semana será recheada de eventos importantes que estarão no radar dos investidores.

No campo fiscal, a expectativa estará concentrada nas discussões do Congresso Nacional, que deve ser reunir para votar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2016, em sessão adiada por conta da prisão do senador Delcídio do Amaral.

Os investidores continuarão atentos aos desdobramentos das prisões do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, do BGT Pactual. No caso do parlamentar, o Planalto teme que o petista decida fazer uma delação premiada comprometedora, após ter sido abandonado pelo PT. Adicionalmente, o substituto de Delcídio na liderança do governo no Senado segue indefinido e a presidente Dilma Rousseff corre contra o tempo para fazer mais este ajuste numa combalida base aliada faltando pouco mais de 20 dias para o Congresso entrar em recesso.

O mercado também estará atento a divulgação da Ata do último encontro do Copom. A leitura do texto será importante para entender como os membros do comitê estão pensando os próximos passos. O texto do comunicado pós reunião retirou a avaliação divulgada anteriormente, de que a manutenção dos juros por um “período suficientemente prolongado” de tempo seria necessária para a “convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária”, abrindo espaço para especulações sobre mais aperto à frente.

Outro ponto de inquietação é a notícia de que uma missão da agência de classificação de risco Standard & Poor’s desembarca no Brasil para uma nova análise do quadro político e econômico do país.  A chegada dos analistas da S&P surpreende o mercado financeiro, e ocorre menos de dois meses depois de a agência ter retirado o grau de investimento – o selo de bom pagador -, colocando a nota do País em grau especulativo para os investidores. Como o viés da nota do Brasil está negativo, a percepção é de que aumentou o risco de um novo rebaixamento do país em meio ao agravamento da crise brasileira.

Na terça-feira (1) será divulgado o PIB relativo ao terceiro trimestre de 2015. De acordo com pesquisa da Reuters, a retração deverá ser de 4,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Na comparação trimestral, a mediana das expectativas dos analistas se encontra em uma queda de 1,2% da atividade.

La fora, teremos a divulgação do relatório de emprego dos EUA, que deve mostrar um arrefecimento na criação de vagas. Ainda assim, será um número forte o bastante para manter a taxa de desemprego do país em níveis próximos a 5%, que é uma situação considerada pelos analistas de pleno emprego.

Nossa recomendação para a renda fixa é de uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 45% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, o restante no IMA-B e IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Grupo Omnicom adquiriu o Grupo ABC

Circulou ontem na mídia a notícia de que o grupo Omnicom adquiriu o Grupo ABC no valor de aproximadamente R$ 1 bilhão.

A importância dessa notícia para a classe de FIPs decorre do fato de o Grupo ABC ser uma das empresas investidas de um fundo desta categoria, mais especificamente o fundo Kinea Private Equity II FIP.

O fundo possuía na data-base de junho/2015, cerca de R$ 136 milhões investidos no Grupo ABC, equivalente a cerca de 38% do seu PL.

A venda conclui um ciclo de investimento e desinvestimento de sucesso, conforme o ciclo do processo de investimento de qualquer FIP do mercado.

Leia mais sobre o assunto nos portais de notícias:

Valor Econômico

Estadão Economia

Folha de São Paulo

Crédito & Mercado participa do 2º Seminário de Previdência para RPPSs

A Associação Paulista de Entidades de Previdência do Estado e dos Municípios (APEPREM) promove hoje e amanhã seu “2º Seminário Temático”, em Ribeirão Preto (SP), com a participação dos consultores Vinícius Gaspar e Manoel Junior, ambos da Crédito & Mercado, além de representantes do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério do Trabalho e Previdência Social, entre outros.

Ainda nesta tarde, serão abordados os temas: Comunicado SDG 44/2015 do TCESP – “Relatório de Investimentos dos Regimes Próprios de Previdência”; e As Perspectivas Econômicas de 2016 e as Oportunidade a serem Observadas na Elaboração da Política de Investimentos. Já para amanhã estão previstos os seguintes debates: Benefícios Previdenciários – Um Enfoque Objetivo das Aposentadorias Especiais; Nota Técnica MPS 12/2015 – Uma Análise do Processo de Averbação e Desaverbação; Portaria MPS 300/2015 – Conceitos Básicos de Investidor Qualificado x Investidor Profissional e O Parcelamento dos Débitos Previdenciários perante o MPTS; e Alternativas ao Equacionamento do Déficit Atuarial dos RPPS (Fontes de Financiamento, Planos de Segregação de Massas e Resolução 43/2001 do Senado Federal atualizada pela 11/2015 que cria a possibilidade de Securitização de Recebíveis aos RPPS).

Crédito & Mercado marca presença no “27º Encontro Regional da AEPREMERJ”

A Associação das Entidades de Previdência dos Municípios do Estado Do Rio de Janeiro (AEPREMERJ) realiza hoje e amanhã, o seu “27º Encontro Regional em Nova Friburgo”, no Hotel Bucsky. Ainda nesta tarde, haverá uma palestra de capacitação ministrada pelo Diretor Executivo da Crédito & Mercado, Felipe Affonso, sobre Política e Comitê de Investimentos.

Amanhã, as apresentações seguirão o dia inteiro, a partir das 9 horas, com destaque para as presenças de Cyntia Antunes e Thiago Norte, ambos da Crédito & Mercado, além de representantes de outros RPPSs e entidades dos setor. Serão tratados na ocasião os seguintes temas: “PPA – Programa de Pré-aposentadoria”;  “Deliberação 260/2013 TCE/RJ – Procedimentos de Remessa de Aposentadorias e Pensões para o Registro do TCE”; Cenário Econômico e sua Influência na Gestão dos RPPS para ano de 2016; e Boas Práticas de Gestão Previdenciária.

Nossa Visão – 23/11/2015

Retrospectiva

Em semana encurtada devido ao feriado da Consciência Negra em São Paulo, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de quinta-feira em alta de 1,48%, aos 48.138 pontos, em sua quarta sessão seguida no azul, atingindo seu melhor fechamento desde 09 de outubro. Na semana, embalada pela agenda política, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou alta de 3,48%.

Contribuíram pelo maior apetite por riscos de mercado as vitórias do Planalto no Congresso, com a manutenção de todos os vetos que haviam sido aplicados pela presidente Dilma Rousseff às chamadas pauta-bomba – matéria com potencial para fazer barulho e prejudicar o estado das contas públicas.

Após a dramática vitória da terça-feira, quando por seis votos conseguiu manter a decisão que impede um reajuste de até 78% no reajuste dos servidores do judiciário, o governo conseguiu na quarta-feira o veto presidencial ao reajuste do benefício pago aos aposentados e pensionistas do INSS de acordo com o reajuste do salário mínimo. Foram 211 votos pela derrubada, contra 160 pela sua manutenção e doze abstenções na Câmara. Como são necessários 257 votos para a derrubada entre deputados, não foi preciso que os senadores também avaliassem o caso.

Se o veto não fosse derrubado, o impacto para os cofres da União para os próximos quatro anos poderia chegar a R$ 11 bilhões de acordo com projeções do Ministério do Planejamento. Dessa forma, os aposentados que recebem mais de um salário mínimo continuarão recebendo seus pagamentos com a reposição da inflação apenas.

Já a Comissão Mista de Orçamento, formada por deputados e senadores, aprovou nesta terça-feira (17) projeto de lei que reduz a meta fiscal de 2015. Entre os deputados, o projeto foi aprovado por 22 votos favoráveis e oito contrários. Já entre os senadores, a votação foi simbólica (sem a contagem de votos). Segundo o texto, o governo está autorizado pelo Legislativo a fechar as suas contas com um rombo recorde de até R$ 119,9 bilhões em 2015. O valor considera o abatimento de até R$ 57 bilhões para compensação das chamadas “pedaladas fiscais”, que são os pagamentos atrasados a bancos públicos em 2014. Agora, o presidente do Congresso, Rena Calheiros, deve convocar uma sessão conjunta para votar o projeto.

No embalo das vitórias conseguidas no Congresso nos últimos dias, o governo encaminhou alteração à Lei Orçamentária de 2016 incluindo a receita com a CPMF na previsão de receitas. O governo estima um impacto líquido positivo nas na arrecadação de R$ 24 bilhões.

Também fez preço a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed). No documento, o banco central norte-americano sinalizou que as condições estão propícias para um aumento do juro em dezembro, mas reforçou que o aperto monetário se dará de forma gradual. As apostas no aumento de juros no mês que vem, que pode atrair para a maior economia recursos aplicados no Brasil, já vinham crescendo nas últimas semanas. Nesse contexto, investidores priorizavam a mensagem de que o aperto monetário deve ser lento, trazendo algum alívio para os mercados emergentes.

No campo econômico as notícias foram péssimas, como já era esperado, porém praticamente ignoradas pelo mercado.

O IBC-Br mostrou recuo de 0,50% em setembro sobre agosto e terminou o terceiro trimestre com queda de 1,41% ante os três meses imediatamente anteriores, de acordo com dados dessazonalizados divulgados pelo Banco Central. O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses e é considerado uma prévia do PIB.

A taxa de desemprego subiu para 7,9% em outubro, ante 7,6% no mês anterior – o índice mais elevado para outubro desde 2007, quando a desocupação chegou a 8,7%. A população desocupada somou 1,9 milhões de pessoas e mostrou um aumento de 67,5% em relação a outubro de 2014, quando a taxa era de 4,7%. Na comparação com setembro, o principal crescimento da desocupação ocorreu no grupo de pessoas de 18 a 24 anos.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou entre outubro e novembro, de 0,66% para 0,85%. Esse foi o índice mais elevado para novembro desde 2010, quando subiu 0,86%. Nos 12 meses encerrados em novembro, o índice subiu 10,28%, ultrapassando a barreira dos 10%. Essa taxa acumulada ficou não somente acima dos 12 meses imediatamente anteriores (9,77%) como foi a mais alta desde novembro de 2003 (12,69%).

Pesquisa Focus

Na semana da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o mercado financeiro promoveu ainda uma mudança nas expectativas para o comportamento da taxa básica de juros ao final do ano que vem. No Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, a mediana das expectativas para a Selic de 2016 passou de 13,25% para 13,75% ao ano, o que indica uma trajetória ainda mais conservadora para a taxa básica. Um mês antes, a mediana das projeções no boletim Focus para a Selic do mesmo período era de 13,00% ao ano.

Com essa mudança, a Selic média de 2016 foi ajustada de 14,06% para 14,16% ao ano. Um mês antes, a mediana das previsões para essa variável estava em 13,88% ao ano.

Para este ano, as projeções ficaram inalteradas: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% ao ano, taxa em que se encontra atualmente e o juro médio deste ano deve ser de 13,63% ao ano. O foco do Banco Central para a meta foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá “vigilante”.

Depois de mais uma queda do IBC-Br em setembro, o Focus trouxe ajustes para as expectativas em torno dos dados de atividade do País. De acordo com o documento, a perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem passou de 2,00% para 2,01%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,43%. Para 2015, a perspectiva de contração aumentou de 3,10% para 3,15% – um mês antes estava em queda de 3,02%.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm início em 1948.

A pesquisa mostrou que a expectativa para a alta do IPCA em 2015 avançou de 10,04% para 10,33%, registrando a décima semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável. Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,85%. No caso do Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa passou de 10,28% para 10,53%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 9,95%.

Já para 2016, a mediana das projeções para o IPCA do ano ultrapassou o teto da meta e está agora em 6,64%. No levantamento anterior, o ponto central da pesquisa estava em 6,50%. No levantamento de quatro semanas atrás, em 6,22%. O grupo Top 5 manteve a perspectiva para o IPCA em 6,98% pela segunda semana seguida.

Perspectivas

A sexta-feira foi dia de bolsa fechada, em razão do feriado, mas as ações de empresas brasileiras negociadas na forma de ADR’s (American Depositary Receipts) negociadas em Wall Street fecharam com ganhos, levando o índice Brazil Titans 20 – índice que reúne as 20 ações mais negociadas na bolsa americana – a fechar em alta de 1,04%. Isso, por si só, já é um prenúncio de abertura positiva no pregão paulista de hoje.

Mas a agenda trás indicadores que podem mudar o rumo do mercado, que aparentemente engatou um movimento de calmaria.

Na lista, destaque para a reunião do Copom, a última do ano. Embora a expectativa é de que os juros sejam mantidos em 14,25% ao ano, os olhos se voltam ao comunicado pós reunião, que podem trazer algum indicativo de pressão extra devido à manutenção do crescimento da inflação apresentada pelo IPCA-15 da semana passada.

No exterior, as atenções serão concentradas nos EUA, que deve divulgar o PIB, índice de confiança e dados inflacionários. As projeções indicam uma expansão do PIB no terceiro trimestre próximo a 2% em relação ao trimestre anterior. Na zona do Euro serão divulgados dados do PMI e de confiança na economia – em ambos o mercado projeta queda.

No campo político, o governo se prepara para nova batalha na terça-feira: tentar aprovar em nova sessão do Congresso a meta fiscal de 2015, de déficit de até R$ 119,9 bilhões este ano, e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016, que trará a meta fiscal de 0,7% do PIB para o ano que vem.

Nossa recomendação para a renda fixa é de uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 45% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, o restante no IMA-B e IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa visão – 16/11/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 0,78%, aos 46.517 pontos, com o mercado ainda especulando sobre as notícias que dão conta da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do comando da pasta. Na semana, entre sessões de alta e de baixa, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou baixa de 0,78%.

No mercado de câmbio, o dólar acumulou alta de 1,88% frente o real na semana, com a cotação da moeda atingindo R$ 3,8331 na venda, maior nível de fechamento  desde 30 de outubro.

A semana iniciou com o mercado repercutindo os dados da balança comercial chinesa. A China anunciou retração de 18,80% das importações em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, queda maior do que a de 15,00% projetada pelo mercado. Já as exportações cederam 6,90%, ante os 4,10% de baixa previstos, resultando num superávit da balança de US$ 61,64 bilhões, ante projeção de US$ 60,3 bilhões.

Os dados chineses, em especial os de importação, penalizaram as divisas de países exportadores de commodities, e joga pressão sobre o câmbio.

No cenário político, o Planalto obteve uma importante vitória ao conseguir aprovar na Câmara dos Deputados a chamada Lei de Repatriamento de Recursos. Enviado pelo Executivo, o projeto de Lei é uma das medidas do ajuste fiscal do governo que regulariza, através do pagamento de multa, dinheiro enviado por brasileiros ao exterior sem declaração à Receita Federal. A votação da matéria foi concluída logo após a aprovação de emenda, de autoria do PSDB, que exclui políticos da regra.

Também fez preço os rumores sobre uma eventual ida do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o comando do Ministério da Fazenda, em substituição a Joaquim Levy. A leitura dos analistas é de que a substituição seria positiva para o mercado no curto prazo, porém no médio prazo o ceticismo prevaleceria pois o governo continuaria a enfrentar dificuldades enormes para implementar um plano de austeridade fiscal e aprovar reformas estruturais no Congresso

Pesquisa Focus

De acordo com o Relatório de Mercado Focus, revelado nesta segunda-feira, a mediana da taxa básica de juros de 2016 foi mantida em 13,25%, após ter subido 25 pontos bases na semana passada, quando a Selic para 2016 era estimada em 13,00%.

Com isso, a mediana da Selic média do ano que vem foi mantida em 14,06%. Um mês atrás, estava em 13,75% ao ano. Um mês antes estava em 12,63%. O foco da instituição sobre a meta agora foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá “vigilante”.

Para este ano, os analistas deixaram suas projeções para a Selic inalteradas. A mediana permaneceu em 14,25% ao ano pela 16ª semana seguida, assim como a mediana para a Selic média de 2015, que continuou em 13,63% ao ano pelo mesmo período.

Do lado da atividade, a perspectiva para a economia em 2015 parou de se deteriorar após 17 semanas seguidas de piora. A contração do Produto Interno Bruto de 2015 continua sendo projetada em 3,10%.

Mas em meio ao atual ambiente de incertezas fiscais e políticas, a projeção para a retração econômica em 2016 foi piorada para 2,0%, ante 1,90% da pesquisa semanal anterior.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm início em 1948.

A piora na expectativa para a atividade econômica em 2016 veio acompanhada de mais uma revisão para baixo na produção da indústria, de queda de 2,00% para recuo de 2,15%. Há um mês, a estimativa era de um recuo de 1,00%. Para 2015, a expectativa seguiu em contração de 7,40%.

A pesquisa mostrou que a expectativa para a alta do IPCA em 2015 subiu a 10,04%, cinco pontos bases a mais do que na semana anterior.

Já para 2016 a piora foi de três pontos bases, para 6,50%, exatamente o teto da meta do governo, que é de 4,50% com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A expectativa para a alta dos preços administrados no ano que vem piorou pela nona semana seguida e chegou a 7,00%, contra 6,95% antes. Para este ano permaneceu em 17,00%.

O Banco Central mudou recentemente o discurso e passou a destacar que fará o que for preciso para levar a inflação ao centro da meta em 2017, quando antes dizia que esse nível seria atingindo ao final de 2016.

Perspectivas

A semana deve seguir tensa, após a série de atentados que vitimaram mais de cem pessoas em Paris na sexta-feira. Em retaliação, a França bombardeia alvos do Estado Islâmico na Síria, em coordenação com as forçar americanas.

Na agenda da semana está prevista a divulgação de diversos indicadores econômicos, que certamente irão mexer com o humor do mercado.

Dentre os principais indicadores, destaque para a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, que incorpora a trajetória de variáveis consideradas essenciais ara o desempenho  de três setores da economia: agropecuário, indústria e serviços.

Na quinta-feira (19), está prevista a divulgação da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE. A pesquisa, cujo levantamento engloba as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife, certamente evidenciará a piora no mercado de trabalho. Em setembro, a desocupação da população chegou a 7,6%, o pior resultado para o mês desde 2009.

No campo político, além da pauta de votações de vetos presidenciais pelo Congresso, as atenções estarão voltadas para o Deputado Federal Fausto Pinato (PRB-SP), relator do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara. O deputado deve entregar o parecer preliminar sobre a admissibilidade, ou não, do processo por falta de decoro parlamentar, que pode levar a cassação do mandato do parlamentar.

Na quarta-feira (18), o Fomc (Comitê de Mercado Aberto do Fed) revelará a ata do último encontro, e o mercado espera por mais sinalizações sobre se, de fato, os juros americanos serão elevados ainda este ano.

Alteramos nossa recomendação para a renda fixa, com uma exposição da carteira para os vértices mais longos em no máximo 45% (no máximo 5% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20 A, o restante no IMA-B e IMA-B 5).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 09/11/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em forte queda de 2,35%, aos 46.918 pontos, com o mercado atribuindo maior chance de alta do juro norte-americano em dezembro e também pressionada pelas ações da Vale, após o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, joint venture da brasileira com a australiana BHP, em Minas Gerais. Ainda assim, na semana o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou alta de 2,29%. A ausência de novas notícias políticas que deprimissem o mercado colaborou para o bom humor nos negócios.

No primeiro pregão pós feriado, a sessão foi marcada por uma entrada forte de investidores estrangeiros na bolsa. A Hypermarcas anunciou a venda da divisão de cosméticos a francesa Coty por R$ 3,8 bilhões, reforçando a percepção geral de que os ativos brasileiros estão baratos.

Já o dólar operou no terreno negativo na maior parte do tempo. Além da operação da Hypermarcas, que garante uma entrada de US$ 1,0 bilhão em divisas, a atuação da autoridade monetária via leilão de linhas trouxe liquidez ao mercado cambial.

Passada a euforia inicial, o mercado passou a ceder após a afirmação da chair do Fed, Janet Yellen, de que uma alta do juro nos EUA em dezembro de fato pode ocorrer. Yellen disse que a economia dos Estados Unidos está apresentando “boa performance” e poderia justificar aumento da taxa de juros em dezembro.

No noticiário a divulgação do relatório de emprego dos EUA, com a criação de vagas nos setores público e privado, que mostrou abertura de 271 mil postos de trabalho fora do setor agrícola em outubro, ante expectativa de 180 mil vagas, segundo pesquisa da Reuters, aumentando nas chances de que os juros nos EUA devem subir no próximo mês.

Na economia local, tivemos a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. O índice acelerou para 0,82% em outubro, ante 0,54% registrada um mês antes. É a maior taxa para outubro desde 2002, quando o indicador oficial de inflação do país subiu 1,31%. Em outubro do ano passado, o IPCA tinha avançado 0,42%. Com o resultado, houve alta de 8,52% no ano, a maior taxa desde 1996, quando foi de 8,70%. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 9,93%, maior taxa desde novembro de 2003, quando foi de 11,02%. O IPCA de outubro ficou acima da média das estimativas, de 0,80%. O intervalo das estimativas era de 0,75% a 0,84% de aumento. Em outubro, os combustíveis, que detêm parte significativa das despesas das famílias, participando com 4,89% de peso no IPCA, lideraram o ranking dos principais impactos na inflação. Mais caros em 6,09%, os combustíveis responderam por 0,30 ponto percentual, ou 37% da taxa geral do mês. Sozinha, a gasolina representou 0,19 ponto percentual do IPCA de outubro ao subir 5,05%.

Pesquisa Focus

O discurso do novo diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, produziu mudanças nas previsões do mercado financeiro para a Selic do ano que vem. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, revelado nesta segunda-feira, a mediana da taxa básica de juros de 2016 subiu de 13,00% para 13,25% ao ano.

Com isso, a mediana da Selic média do ano que vem avançou de 13,95% para 14,06%. Um mês atrás, estava em 13,75% ao ano. Um mês antes estava em 12,63%. O foco da instituição sobre a meta agora foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá “vigilante”.

Para este ano, os analistas deixaram suas projeções para a Selic inalteradas. A mediana permaneceu em 14,25% ao ano pela 15ª semana seguida, assim como a mediana para a Selic média de 2015, que continuou em 13,63% ao ano pelo mesmo período.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5, não houve mudanças para 2015 e a Selic segue em 14,25% – previsão apontada já há 20 semanas. Já a mediana das previsões para 2016 subiu de 12,75% para 13,00% ao ano – quatro semana antes estava em 12,13% ao ano.

O boletim trouxe nova rodada de deterioração para o Produto Interno Bruto (PIB) deste e do próximo ano. De acordo com o documento, a perspectiva de retração da economia este ano passou de 3,05% para 3,10% – um mês antes estava em queda de 2,97%. Para 2016, a mediana das previsões saiu de -1,51% para -1 90%. Quatro semanas atrás estava negativa em 1,20%.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm início em 1948.

As previsões para a inflação de 2015 bateram na trave dos dois dígitos. A mediana avançou de 9,91% para 9,99%. Esta é a oitava semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável.

Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,70%. No caso do Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa já havia atingido dois dígitos na semana passada e agora avançou mais, passando de 10,03% para 10,16%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 9,61%.

Para 2016, a mediana das previsões também disparou: passou de 6,29% para 6,47% na 14ª vez seguida de elevação. Há quatro edições, o ponto central da pesquisa era de 6,05%. No Top 5, houve queda de 7,33% para 6,98%. Quatro edições atrás estava em 6,72%. A meta de inflação de 2015 e 2016 é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% para este ano tanto no cenário de referência quanto no de mercado. Pelos cálculos da instituição revelados no RTI, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado. Na ata do Copom mais recente, o BC informou que suas projeções subiram ainda mais tanto no cenário de mercado quanto no de referência.

Para a inflação de curto prazo, a estimativa para novembro subiu de 0,60% para 0,62% de uma semana para outra ante taxa de 0,57% verificada há um mês. No caso de dezembro, que aparece pela primeira vez no relatório, a taxa passou de 0,70% para 0,71%. Quatro semanas atrás estava em 0,67%.

As expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente também voltaram a ultrapassar o teto da meta, saindo de 6,47% para 6,70% – quatro edições atrás estavam em 6,24%.

Perspectivas

Os negócios na semana abriram em baixa, após a China divulgar dados desapontadores relativos ao comércio. As exportações de outubro recuaram 6,9% comparado com o mesmo período do ano passado, em queda pelo quarto mês, enquanto as importações despencaram 18,8%.

Na quarta-feira (11) serão conhecidos os dados da Produção Industrial e vendas no varejo da China, que pelas características da economia do país será um verdadeiro teste para conhecermos a força do gigante asiático.

Por aqui, os olhos estarão voltados à votação do Projeto de Lei de Repatriação na terça-feira (10), que devem elevar a arrecadação do governo em até R$ 100 milhões segundo estimativas. Obviamente, não há garantias de que será votado, pois depende da vontade do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um ponto de conflito com os projetos do governo.

Nos EUA, destaque para indicadores que podem indicar se o juro americano aumenta ainda este ano. Na sexta-feira (13) serão conhecidos os indicadores de vendas no varejo. Também estão previstos diversos discursos de membros do Fed, que sempre trazem expectativas em suas falas.

Semana sem viés definido, não havendo uma clara indicação de qual rumo o mercado deve tomar.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 03/11/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em baixa de 0,53%, a 45.868 pontos, após uma seqüência de cinco quedas, impulsionada pela recuperação das ações da Vale, mas com a queda das ações da Brasil Foods limitando os ganhos. Na semana o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou perdas de 3,63%, com o mercado digerindo o comunicado do Fed, que deixou a porta aberta para uma alta de juros já em dezembro. No mês de outubro, o índice acumulou ganhos de 1,8%, a maior alta mensal desde abril.

Destaque para a esperada reunião do Fomc, Comitê de Mercado Aberto do Fed, que manteve inalterada a taxa básica de juros próxima a zero. Entretanto, o comunicado pós reunião surpreendeu o mercado ao deixar em aberto a possibilidade de aumento do juro ainda esse ano.  Na nova linguagem no comunicado, o Fed disse que vai determinar “se será conveniente aumentar o intervalo alvo na sua próxima reunião”. Declarações anteriores não tiveram qualquer elemento para essa afirmação, dizendo apenas que os formuladores de políticas “iria determinar com longo prazo para manter” as taxas próximas de zero.

A decisão não foi unânime. Votaram a favor da manutenção: Janet L. Yellen, presidente; William C. Dudley, Vice-Presidente; Lael Brainard; Charles L. Evans; Stanley Fischer; Dennis P. Lockhart; Jerome H. Powell; Daniel K. Tarullo; e John C. Williams. O voto contra a ação foi de Jeffrey M. Lacker, presidente do Fed de Richmond, que preferia a elevar a taxa dos fundos federais em 25 pontos base nesta reunião. Para Jeffrey, os dados recebidos desde a reunião de setembro reforçaram a confiança de que os eventos de desaceleração econômica global não devem alterar as perspectivas de médio prazo para o crescimento da inflação nos EUA, afirmando que, com o crescimento da economia norte-americana, o mercado de trabalho fica mais apertado e a inflação tende a voltar ao patamar de 2%.

O Departamento de Comércio dos EUA anunciou que o PIB americano desacelerou no terceiro trimestre de 2015 ao registrar avanço anualizado de 1,5%. Segundo informou o governo dos EUA, o crescimento perdeu força no trimestre porque as empresas diminuíram a reposição dos estoques. O consumo interno – que soma as compras das famílias e das empresas – tem se mostrado sólido no país. Principal motor da economia, a despesa dos consumidores cresceu 3,2% no período, acima do resultado do 2º trimestre. A expectativa é de que este indicador continue mostrando força até o fim do ano, impulsionado pelos baixos preços do petróleo e pela chegada da época de compras de Natal, o que pode encorajar o Fed a elevar a taxa de juros em dezembro.

O noticiário doméstico também não encorajou o mercado. Os esperados números do setor público brasileiro mostraram déficit primário de R$ 7,32 bilhões em setembro, desempenho melhor que o projetado pelo mercado, mas favorecido principalmente pelo adiamento do pagamento da primeira parcela do 13º salário aos aposentados. O desembolso ficou para outubro, enquanto no ano passado foi realizado em setembro.

O deputado Hugo Leal (PROS-RJ), relator do projeto de lei que modifica a Lei Orçamentária de 2015, entregou seu relatório à Comissão Mista de Orçamento da Câmara do Congresso Nacional. No parecer, Leal prevê flexibilização da meta de resultado primário para este ano, de modo a incluir a possibilidade de falta de receita em concessões e permissões a leilões de usinas hidrelétricas, estimadas em R$ 11,05 bilhões, e o pagamento, ainda em 2015, de até R$ 55 bilhões, referentes ao débito com bancos públicos, as chamadas pedaladas fiscais.

Assim, além da previsão de corte de R$ 51,8 bilhões que já constavam no projeto original enviado pelo governo, o relator estipula a previsão de mais R$ 66,05 bilhões em receitas que podem deixar de entrar ou que sairão do caixa do governo. Com isso, o déficit previsto para este ano poderá ficar em R$ 117,8 bilhões, de acordo com o relatório.

A divulgação da ata da última reunião do Copom manteve o pessimismo do mercado. O documento voltou a dizer que os dados conhecidos até o momento indicam que os preços continuarão altos, em especial no setor de serviços, entre os administrados e por causa de choques de oferta. O Bacen retirou da ata o trecho em que afirmava que os avanços alcançados no combate à inflação indicavam que a estratégia de política monetária estava na direção correta. Na ata divulgada, essa avaliação foi suprimida como também a análise de que havia sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo.

No documento, o Bacen afirmou a necessidade de se manter vigilante para assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas e a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante. Esse prazo para efeitos de política monetária é de 24 meses. Ou seja, o centro da meta só deve ser atingido ao final de 2017.

Pesquisa Focus

Em relação à Selic, após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25%, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve, pela décima quarta semana consecutiva, a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para 2016, os analistas de mercado mantiveram a expectativa de que o juro chegue ao fim do ano em 13%. O Top 5 manteve sua estimativa em 12,75%.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Para o PIB deste ano, o mercado financeiro passou a prever uma retração de 3,05%. Foi a décima sexta revisão para baixo consecutiva do indicador. Até então, a expectativa era de uma contração um pouco menor neste ano: de 3,02%. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras aumentaram de 1,43% para 1,51% a expectativa de contração na economia do país. Esta foi a quarta queda seguida na previsão do mercado para o PIB do próximo ano.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm início em 1948.

As previsões para a inflação subiram mais alguns degraus. A mediana para o IPCA do ano que vem avançou de 6,22% para 6,29%. Esta é a 13ª semana consecutiva de elevação. Há quatro edições, o ponto central da pesquisa era de 5,94%.

Para o Top 5, a mudança foi de 7,30% para 7,33%. Quatro edições atrás estava em 6,46%. A meta de 2016 é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima, o que abrigaria uma taxa de até 6,50%.

Já as projeções para a inflação deste ano subiram de 9,85% para 9,91% na pesquisa geral. Há quatro semanas, estavam em 9,53%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o Bacen havia apresentado estimativa de 9,5% para este ano tanto no cenário de referência quanto no de mercado.

Pelos cálculos da instituição revelados no RTI, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado. Na ata do Copom da semana passada, o Bacen informou que suas projeções subiram ainda mais tanto no cenário de mercado quanto no de referência.

Perspectivas

A semana começou com o mercado conhecendo o índice de atividade dos gerentes de compras do setor industrial (PMI, na sigla em inglês) da China, que subiu 48,3 na leitura final de outubro, ante 47,2 em setembro. Apesar da melhora, o resultado atingiu o oitavo mês seguido abaixo da marca de 50,0, o que indica contração da atividade. Mesmo assim, essa foi deterioração mais fraca desde junho.

Já o PMI oficial de outubro, divulgado na madrugada de domingo, permaneceu no nível de setembro, em 49,8. No entanto, uma queda inesperada no nível de atividade fora das fábricas – que recuou de 53,4 para 53,1, na mesma base comparativa – abalou o humor dos investidores.

Os dados sugerem que o governo chinês conseguiu estabilizar a economia, mas não tem sido capaz de alcançar uma retomada, apesar de ter aumentado seus gastos e cortado taxas de juros.

Nos EUA, o PMI do setor industrial subiu para 54,1 em outubro, ante 53,1 em setembro, segundo dados finais divulgados pela Markit. A leitura acima de 50,0 indica que o setor manufatureiro dos EUA permanece em expansão. O índice atingiu neste mês seu maior nível desde maio, com o dado referente à produção no ritmo mais forte desde março, colocando o ritmo de expansão da atividade do setor em linha com a média observada no período posterior à crise. Os participantes da pesquisa citaram, em especial, a melhora das condições de demanda no mercado doméstico, embora o ritmo como um todo tenha sido contido pelas incertezas no cenário externo e pela redução dos investimentos no setor de energia, em decorrência da correção negativa dos preços do petróleo.

Na agenda econômica, destaque para a divulgação do IPCA referente a outubro. O índice, que é o balizador oficial das metas de inflação do país, deve ter uma leitura alta, pressionada pelo aumento dos combustíveis, alimentos e energia elétrica. A expectativa mediana do mercado é de avanço de 0,79%, ante 0,54% registrado em setembro.

Também serão conhecidos os dados da Pesquisa Industrial Mensal, pelo IBGE, com a Produção Industrial de setembro. O mercado prevê uma retração de 0,70% no mês.

No cenário político, o mercado deverá ficar de olho na votação do projeto de repatriação na Câmara dos Deputados, que deverá ocorrer na terça-feira (03), uma medida que deverá trazer uma receita extra para o governo avaliada entre R$ 70 bilhões e R$ 150 bilhões. Em um contexto de ajuste fiscal, qualquer medida que o governo faça avançar no Congresso será bem vista pelo mercado.

Mas o principal indicador da semana vem de fora. O mercado ficará atento a divulgação do Relatório de Emprego dos EUA. Os dados a serem divulgados devem gerar imensa volatilidade nos mercados, uma vez que será decisivo para acomodar as expectativas sobre se o Fed terá elementos para alterar o rumo da política monetária.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.