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outubro, 2015

Nossa Visão – 26/10/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em baixa de 0,37%, a 47.596 pontos, devolvendo os ganhos exibidos pela manhã com apreensão com a situação política e fiscal local se sobrepondo à empolgação gerada por medidas para sustentar o crescimento da China e expectativa de que a política monetária na zona do euro continuará expansionista. Na semana o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou ganhos de 0,76%.

A semana iniciou com a presidente Dilma Rousseff afirmando, durante viagem à Suécia, que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, permanece no cargo, após especulações de que deixaria o governo. Os comentários de Dilma ajudaram a tranquilizar o mercado, mas a preocupação com o futuro do ministro continua diante da instabilidade política atual.

Além disso, repercutiu a entrega novo pedido de impeachment contra a presidente Dilma nesta quarta-feira ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O texto do novo pedido inclui denúncia do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) de que as chamadas pedaladas fiscais, manobra considerada irregular pelo TCU, teriam continuado neste ano.

A percepção de risco no mercado brasileiro aumentou depois de notícias de que o governo vai mudar a meta fiscal deste ano para reconhecer um déficit primário. Segundo fontes do governo, o déficit primário deste ano pode chegar a R$ 85 bilhões, incluindo o pagamento das “pedaladas fiscais”.

Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostraram que o país fechou 95.602 vagas formais de trabalho em setembro, contra 61 mil esperadas e 86.543 registradas em agosto. Todos os setores da economia fecharam vagas. O setor de serviços foi o responsável pelo maior número de vagas. No total, foram encerrados 33.535 postos no setor. O número é resultado de 530.846 admissões e 564.381 desligamentos no período.

No “front” externo, investidores acompanharam a fala do presidente do Banco Central europeu (BCE), Mario Draghi, que disse que o programa de compra de ativos da autoridade monetária europeia acontecerá até setembro de 2016 ou além disso, se necessário, sugerindo que os estímulos podem ser mantidos por mais tempo que o previsto.

O Banco Central da China anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, como parte das medidas para dinamizar a atividade da segunda economia mundial, em plena desaceleração. A decisão veio alguns dias após o anúncio de que a segunda maior economia do mundo cresceu 6,9% entre julho e setembro sobre o mesmo período do ano anterior, ligeiramente melhor do que a expectativa de alta de 6,8%, mas abaixo dos 7% vistos nos três meses anteriores.

O BC chinês também cortou em 0,5% o nível das reservas bancárias (fundos obrigatórios dos bancos), como iniciativa que pretende facilitar o crédito. De acordo com a agência Reuters, o BC cortou as taxas de juros pela sexta vez desde novembro e reduziu mais uma vez o volume de dinheiro que os bancos precisam deter como reservas em outra tentativa de impulsionar a economia.

Pesquisa Focus

Em relação à Selic, após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% na semana passada, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Entretanto, o relatório mostra que os analistas de mercado ajustaram suas previsões para 2016 e agora esperam que o juro chegue ao fim do ano em 13%, ante 12,75% previstos na semana anterior. O Top 5 manteve sua estimativa em 12,75%.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Para o PIB deste ano, o mercado financeiro passou a prever uma retração de 3,02%. Foi a 15ª revisão para baixo consecutiva do indicador. Até então, a expectativa era de uma contração um pouco menor neste ano: de 3%. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras aumentaram de 1,22% para 1,43% a expectativa de contração na economia do país. Esta foi a terceira queda seguida na previsão do mercado para o PIB do próximo ano.

Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem início em 1948.

As projeções do mercado para a inflação no ano que vem dispararam na última semana, de acordo com a pesquisa. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses (setembro de 2016) saltou de 6,27% para 6,50%. Para o ano “cheio” de 2016, subiu de 6,12% para 6,22%, aproximando-se, assim, do teto da meta de 6,50% estabelecida para o período. Esta é a 12ª semana consecutiva de elevação. Há quatro edições, o ponto central da pesquisa era de 5,87%. Os analistas Top 5 – os que mais acertam as previsões – foram mais radicais e ajustaram sua mediana de médio prazo para o ano que vem de 6,72% para 7,30%.

Para 2015, as estimativas também subiram: de 9,75% para 9,85% no mercado em geral e de 9,81% para 9,95% no Top 5. Entre as prováveis causas desse forte aumento nas expectativas para os preços ao consumidor estão a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), um aumento mais acentuado nos preços administrados e a depreciação cambial. Na semana passada, no comunicado que se seguiu à decisão de manter a Selic em 14,25% ao ano, o Copom mostrou que não espera mais a convergência da inflação à meta no fim de 2016 como vinha fazendo. Desta vez, afirmou apenas que a manutenção da taxa de juros deve se manter por período suficientemente prolongado e que este é o caminho para a “convergência da inflação no horizonte relevante de política monetária”, ou seja, cerca de dois anos. Isso empurra a convergência para apenas 2017.

Perspectivas

A agenda econômica deverá dar o tom dos negócios nesta semana, com o noticiário político sem novidade aparente dando uma trégua aos negócios.

O governo enviará ao Congresso, provavelmente hoje, o resultado primário deste ano. Previsto para ser anunciado na semana passada, o adiamento deveu-se ao recálculo que teve de ser feito depois de a arrecadação do governo federal com impostos e contribuições registrar queda real de 4,12% em setembro sobre igual mês do ano passado, para R$ 95,2 bilhões, pior resultado para o mês em cinco anos. Fontes próximas ao governo informaram que o déficit primário deverá ficar em torno de R$ 70 bilhões neste ano, incluindo o pagamento das pedaladas fiscais. Mas há expectativas, segundo outras fontes com conhecimento sobre o assunto, de que o rombo pode chegar a R$ 85 bilhões.

Outro evento importante será a decisão de juros do Fomc (Comitê de Mercado Aberto do Fed), previsto para quarta-feira (28) antes do fechamento dos mercados, para a qual espera-se a manutenção da taxa de juros, porém com mudanças no comunicado. A probabilidade de aumento na taxa é baixíssima, dado que os últimos números conhecidos referentes ao mercado de trabalho nos EUA mostraram-se enfraquecidos, além da cautela com o mercado internacional permanecer no radar.

Na quinta-feira (29) será conhecido o PIB americano do terceiro trimestre do ano. Estima-se um avanço de 1,7% no período, ante 3,9% do trimestre anterior, confirmando a desaceleração da economia do país.

Por aqui, serão conhecidos os indicadores da Pnad Contínua, que deverá mostrar um avanço na taxa de desemprego próxima a 8,5% em setembro.

Na quinta-feira será conhecida a ata da última reunião do Copom, que levou à manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano, e que poderá trazer algum impacto aos mercados. A leitura do documento deverá trazer uma preocupação maior com a inflação futura próxima ao teto da meta, corroborando para uma indicação de manutenção dos juros altos por um período de tempo suficientemente prolongado.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Comunicado – Aquisição do Grupo Crédito & Mercado

Seguindo nossos princípios de transparência, comunicamos que em 16/10/2015, o Grupo Crédito & Mercado foi adquirido pela empresa Starboard Participações Ltda.

A Starboard é formada por investidores com experiência no mercado financeiro e tem como objetivo investir na constante melhoria do segmento dos Regimes Próprios de Previdência Social – RPPS e na busca por melhores práticas de atuação dos prestadores de serviços.

Além da compra do Grupo Crédito & Mercado, foram adquiridas também a empresa PAR Investimentos e parte do sistema da empresa Plena Consultoria em Investimentos.

Será mantida a segregação de atividades de cada uma das empresas.

Os atuais controladores acreditam no modelo de atuação desenvolvido pela Crédito & Mercado, e entendem que foi através disto que se criou a solidez e a história da mesma.

Por esse motivo ressaltamos que a única mudança foi o controle social do Grupo Crédito & Mercado, sendo inalterada a sua diretoria, o quadro de consultores e corpo administrativo.

A Starboard entende que a manutenção da equipe bem como dos princípios e valores que sempre estiverem presentes em todas as nossas atividades, é o que irá possibilitar a continuidade do crescimento do Grupo e reforçar a confiança depositada em nossas empresas e serviços.

Além disto, os atuais projetos da empresa, como a modernização de nossa plataforma eletrônica, permanecem, melhorando ainda mais nosso atendimento.

Nossa visão – 19/10/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,16%, aos 47.236 pontos, mas longe da máxima do dia, com ruído sobre demissão do ministro da Fazenda Joaquim Levy no final do pregão praticamente anulando os ganhos nos ajustes finais da sessão. Na semana, mais curta em razão do feriado, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou queda de 4,26%.

No primeiro pregão pós feriado, o noticiário externo deu o tom dos negócios com a queda acima do esperado nas importações pela China reforçando as preocupações com a desaceleração global.

As exportações da China caíram menos do que o esperado em setembro, com os dados mensais mostrando recuperação, mas uma queda mais forte nas importações deixou o mercado dividido sobre se o setor comercial do país está mostrando sinais de recuperação. As exportações caíram 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Entretanto, as importações por valor total caíram pelo 11º mês consecutivo, perdendo mais de 20% em setembro na comparação anual, devido aos preços fracos das commodities e à demanda doméstica fraca.

Na cena local, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminares que, na prática, suspendem momentaneamente o andamento de um eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que ganha mais tempo em meio à intensa disputa política que trava no Congresso.

Os mercados mantiveram-se pressionados após a agência classificadora de riscos Fitch ter anunciado um corte na nota de crédito do Brasil de “BBB” para “BBB-“, último degrau que garante o chamado grau de investimento, enquanto manteve a perspectiva negativa para a nota. De certa forma a decisão já estava precificada, dadas as limitações de políticas econômicas e o contexto político instável e incerto, mas a manutenção da perspectiva negativa para a nota é um alerta de que o país precisa reagir.

Pesquisa Focus

Pela décima segunda semana consecutiva, o Relatório de Mercados Focus trás a perspectiva de juros estáveis em 14,25% ao ano Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,63% para 12,75% ao ano – o que pressupõe a manutenção do juro elevado ao longo do ano que vem.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 16 semanas, enquanto a mediana das previsões para 2016 subiu para 12,42%.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar uma retração de -3,00%. Foi a décima quarta queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de -2,97% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de -1,22% na economia do país. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de -1,20% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,80% para a economia brasileira no ano que vem.

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,75% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,53%. Se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou a poucas semanas que estima um IPCA de 9,70% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis, gás e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2015 saiu de 9,61% para 9,81%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras mantiveram sua expectativa de inflação em 6,26%. Cabe destacar que o indicador continua distante da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem.

Perspectivas

O cenário político deve continuar gerando volatilidade nos mercados, após as notícias de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, seria demissionário. Levy sente-se desgastado por não contar com o apoio do Planalto às pressões por sua saída de dentro do Partido dos Trabalhadores, liderada pelo ex-presidente Lula. Por outro lado, o Planalto não veio a público desmentir as notícias, somente uma nota da assessoria do ministério da Fazenda negando o que seria um boato.

No âmbito da Operação Lava Jato, foram descobertas e comprovadas diversas contas bancárias secretas na Suíça movimentadas pelo Deputado Federal e presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Na quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federa, (STF), Teori Zavascky, autorizou a abertura de um novo inquérito para investigar Cunha.

Na terça-feira, o PSDB deverá protocolar o pedido de impeachment dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal. Enfraquecido e para salvar a própria pele, Cunha protelará sobre a abertura de um processo de impeachment da presidente. Quanto mais essa história se arrastar, mais força ele teria para negociar com o governo e a oposição a preservação do seu mandato que corre o risco de ser cassado.

Além do cenário político conturbado, a semana reserva uma série de indicadores que prometem mexer com os mercados.

Na China, serão conhecidos os dados de vendas no varejo, produção industrial e o PIB do terceiro trimestre, que confirmarão ou não a desaceleração da economia do gigante asiático.

Por aqui, teremos a divulgação da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que deverá mostrar um avanço na taxa de desemprego para 7,7% em setembro, ante 7,6% de agosto.

Também é aguardada a divulgação do IPCA-15, considerada uma prévia da inflação do mês. O índice deverá superar a casa dos 0,65%, ante 0,39% do período anterior.

Na agenda, teremos a penúltima reunião anual do COPOM. Na quarta-feira será conhecida a decisão do comitê, para a qual se espera pela manutenção da Selic em 14,25%, apesar da inflação alta e do câmbio depreciado.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 13/10/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 0,47%, aos 49.338 pontos, com os investidores precificando que o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês) não eleve os juros este ano. Na semana, o índice acumulou alta de 4,90%, depois de ter subido 4,91% na semana anterior, um movimento atípico dado que o cenário político só piorou para a presidente Dilma Rousseff.

Já o dólar recuou 0,90%, a R$ 3,75, retornando ao nível anterior ao rebaixamento do rating pela Standard & Poor’s, no começo de setembro.

Após ser derrotado por dois dias consecutivos no Congresso, ao não conseguir quórum para análise dos vetos presidenciais, o governo assumiu acordos de nomeações para cargos do segundo escalão e conseguiu a promessa de líderes de partidos da base aliada de que a votação ocorrerá na próxima semana, apesar do presidente do Senado, Renan Calheiros, ter afirmado que não há previsão de convocação de nova sessão do Congresso Nacional antes de novembro.

O governo ainda teve outros reveses. Um deles, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de abrir ação de impugnação de mandato da presidente Dilma Rousseff, que pode cassar o diploma eleitoral da petista e também do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).

É a primeira vez que a Justiça Eleitoral autoriza uma investigação como essa contra um presidente da República empossado.

Outro revés veio do Tribunal de Contas da União (TCU), que por unanimidade aprovou o parecer do relator do processo, Augusto Nardes, e recomendou a reprovação das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, o que eleva a pressão para um eventual processo de impeachment. Agora, o relatório segue para deliberação do Congresso Nacional.

Fez preço a divulgação da ata do encontro de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), ao revelar que o Fed acredita que a economia estava próxima de justificar aumento de juros em setembro, mas integrantes decidiram que era prudente esperar por evidências de que a desaceleração da economia global não está tirando os EUA dos trilhos. O mercado de juros futuros norte-americanos aponta que o aperto monetário (ou seja, a alta nos juros no país) só terá início em março que vem, segundo a Reuters.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de Preços ao Consumi dor Amplo (IPCA) de setembro. A inflação acelerou em setembro para 0,54%, refletindo principalmente o reajuste do botijão de gás e das passagens aéreas. De acordo com o IBGE, com peso importante no cálculo das despesas das famílias, a alta de 12,98% no gás – abaixo dos 15% autorizados pela Petrobras – foi responsável por 25% do avanço do índice. Entre janeiro e setembro, a inflação soma alta de 7,64%. É a maior para esse período do ano desde 2003, quando chegou a 8,05%. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula avanço de 9,49%, menor do que aquela verificada nos 12 meses até agosto, de 9,53%.

Pesquisa Focus

Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,50% para 12,63% ao ano – o que pressupõe a manutenção do juro elevado ao longo do ano que vem.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 16 semanas, enquanto a mediana das previsões para 2016 foi reduzida para 12,13%.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de -2,97%. Foi a décima terceira queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de -2,85% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de -1,20% na economia do país. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de -1,00% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,80% para a economia brasileira no ano que vem.

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,70% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,53%. Se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou a poucas semanas que estima um IPCA de 9,5% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis, gás e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, revelado a algumas semanas, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% tanto no cenário de referência quanto quando usou os parâmetros de mercado. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2015 saiu de 9,66% para 9,61%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,94% para 6,05% na última semana. Foi a décima alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem. Pelos cálculos do BC revelados no RTI de setembro, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado.

Perspectivas

A volatilidade certamente estará presente nos negócios durante a semana, com o Ibovespa provavelmente interrompendo a sequencia histórica de nove pregões consecutivos de alta.

No campo político, governo e oposição iniciam a batalha pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. No centro das atenções, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, tem nas mãos uma série de pedidos para abertura do processo. Nos bastidores, os líderes do governo no Congresso passaram o final de semana preparando-se para o confronto, em reuniões com a base aliada buscando os votos necessários para barrar o processo.

Além do cenário político conturbado, a semana reserva uma série de indicadores que serão conhecidos mundo afora.

A China divulgará seus indicadores de inflação na terça-feira. A importância será minimizada após o governo chinês indicar que está confortável com o patamar atual de crescimento do gigante asiático. A previsão para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) é de 1,9% em setembro, contra 2% registrados em julho. Já o Índice de Preços ao Produtor (IPP) deverá recuar 5,8%. Ainda assim, deve trazer algum impacto aos negócios, principalmente se o clima em Brasília azedar.

Na quarta-feira será conhecido o “Livro Bege” do Fed e vendas no varejo. Na quinta-feira será a vez da inflação ao consumidor norte-americana, enquanto os dados da produção industrial serão revelados na sexta-feira. Esperam-se números que indiquem a manutenção da recuperação da economia americana, o que pode trazer alguma pressão nos mercados domésticos, diante da expectativa de alta do juro nos EUA.

Por aqui, destaque para a divulgação do IBC-Br, considerado a prévia do PIB nacional. As expectativas são de retração de 0,5% em agosto, após ficar praticamente estável em julho.

Atenção também para o discurso de diversos presidentes regionais do FED, que devem trazer indicativos sobre os rumos da política monetária americana.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 05/10/2015

Retrospectiva

A bolsa viveu uma semana que começou com baixas, e termina respirando aliviada. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 3,80%, aos 47.033 pontos, com os investidores animados por conta do anúncio da reforma ministerial. Na semana, o índice acumulou alta de 4,91%.

A presidente Dilma Rousseff anunciou a tão aguardada reforma ministerial do governo, com eliminação de 8 das 39 pastas por meio de fusão e eliminação de ministérios, medidas de enxugamento da máquina administrativa e redução em 10% do próprio salário, do vice e dos ministros (de R$ 30.934,70 para R$ 27.841,23). No total, nove partidos controlam 23 ministérios – nos casos dos outros oito, os ministros não têm filiação partidária.

Com o novo arranjo do governo, a pasta de Assuntos Estratégicos foi extinta; Relações Institucionais, Secretaria Geral, Gabinete de Segurança Institucional, Micro e Pequena Empresa foram incorporados ao novo ministério intitulado Secretaria de Governo; Pesca foi incorporada a Agricultura; Previdência e Trabalho se fundiram em um único ministério, assim como Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

O principal objetivo da reforma é assegurar a governabilidade, com a formação de uma nova base de apoio partidário no Congresso, a fim de o governo obter maioria parlamentar, evitar as derrotas que vinha sofrendo e conseguir a aprovação das matérias de seu interesse na Câmara e no Senado. O PMDB manteve as 7 pastas recebidas no início do mandato, mas ganhou ministérios com maior peso, como o da Saúde que tem o maior orçamento do governo.

No campo econômico, o Tesouro Nacional anunciou que o governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de R$ 5,08 bilhões em agosto, número bem mais modesto do que esperavam os analistas. A mediana das expectativas da pesquisa Bloomberg era de que o déficit aumentaria de R$ 7,2 bilhões para R$ 10,7 bilhões. O número reforça o cenário de que o governo terá dificuldade para fazer o ajuste definido para este ano. Em 12 meses, o governo central registra um déficit de R$ 37,5 bilhões, ou 0,65% do PIB.

Também repercutiu no mercado o anúncio surpresa do rejuste de combustíveis pela Petrobras. A gasolina foi reajustada em 6% e o diesel em 4%. A notícia é positiva para a companhia, que véu seu Ebitda (lucro antes dos impostos) saltar para a casa dos R$ 6 bilhões por ano, trazendo um fôlego para a empresa diante da depreciação maior do real. A cotação das ações da empresa deu um salto na semana (PETR3 +13,2%; PETR4 + 13,9%).

Do lado externo, a China anunciou a diminuição nas exigências sobre os créditos imobiliários, em mais uma tentativa de estimular o crescimento da segunda maior economia mundial, ao diminuir a entrada mínima (de 30% para 25%) para os interessados em comprar sua primeira casa própria em algumas cidades chinesas.

Nos EUA, foram divulgados os dados do “payroll” referente a setembro. Os números mostraram uma menor criação de vagas de empregos que o esperado, enfraquecendo a previsão de uma alta no juro americano no curto prazo. A economia norte-americana criou 142 mil empregos em setembro, sendo que a previsão era de 200 mil. Apesar disso, a taxa de desemprego permaneceu em 5,1% no mês passado, exatamente como previsto. A questão é que foram revisados os números de agosto e julho. A criação de vagas em agosto foi revisada de 173 mil para 136 mil. E a de julho, passou de 245 mil para 223 mil.

Pesquisa Focus

As previsões do mercado financeiro para a Selic seguiram inalteradas no Relatório de Mercado Focus.

O boletim, revelado nesta segunda-feira, informa que as expectativas ficaram congeladas em 14,25% ao ano pela décima semana seguida. Para 2016, o documento mostrou estabilidade da mediana das previsões em 12,50% ao ano.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças, mantendo as mesmas perspectivas de mercado.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de 2,85%. Foi a décima segunda queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de 2,8% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras mantiveram a previsão de contração de 1,00% na economia do país.

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,53% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,46%. Na semana passada, foi anunciado um novo reajuste nos preços de venda da gasolina e do diesel nas refinarias, tal fator impactará diretamente a inflação já no mês de outubro. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2015 saiu de 9,61% para 9,66%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,87% para 5,94% na última semana. Foi a nona alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2016 encontra-se em  6,46%, bem acima da projeção de um mês atrás, quando estava em 5,70%.

Perspectivas

Na semana, o fator “política” continuará ditando o rumo dos negócios.

Na terça-feira (06) está prevista a votação dos vetos presidenciais referentes a questões como a correção das aposentadorias pelo salário mínimo e o reajuste dos servidores do judiciário. A votação mostrará se as concessões feitas ao PMDB na reforma ministerial terão efeito na governabilidade. Espera-se que os vetos sejam confirmados, minimizando assim o cenário de crise política, com o Congresso Nacional passando a trabalhar mais alinhado com o governo, especialmente na votação do ajuste fiscal.

O mercado também ficará atento nos julgamentos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) das supostas irregularidades na campanha de Dilma Rousseff, e no TCU (Tribunal de Contas da União) das chamadas “pedaladas fiscais”.

Na pauta teremos a divulgação do IPCA de setembro, na quarta-feira (07), e a ata do Fomc, o Comitê de Política Monetária do Banco Central americano, na quinta-feira (08).

Em relação ao IPCA, o número deverá vir abaixo dos 0,50%, dentro do previsto pelo mercado e colocando o acumulado no ano próximo dos dois dígitos. Já a ata do Fed deverá mostrar um texto cauteloso, sem indicar um direcionamento do comitê em relação ao movimento do juro, ainda mais depois de conhecidos os dados fracos do último relatório de emprego americano.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.