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setembro, 2015

Nossa Visão – 28/09/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a sexta-feira em queda pelo sexto pregão consecutivo. O Ibovespa caiu 1,02%, aos 44.831 pontos, o menor patamar em um mês, diante das persistentes incertezas políticas e econômicas no País. Na semana, o índice de referência contabilizou perdas de 5,15%, enquanto no mês a queda acumula 3,85%.

No mercado de câmbio, o dólar encerrou o pregão de sexta-feira cotado a R$ 3,9757 na venda, após ter atingido máximas históricas nos últimos dias. Após realizar leilões extras de contratos de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro), o BC informou que não descarta a possibilidade de venda de dólares das reservas internacionais no mercado à vista. Com isso, o dólar que chegou a ser cotado a R$ 4,248 na quinta-feira, passou a cair. Na semana, acumulou alta de 0,4%.

No front doméstico, o Congresso Nacional manteve boa parte dos vetos presidenciais a medidas com potencial impacto nas contas públicas, mas adiou dois dos temas mais polêmicos: o reajuste dos servidores do judiciário e o que atrela o reajuste das aposentadorias pelo mesmo índice de correção do salário mínimo, considerados cruciais para o ajuste fiscal.

Ainda no cenário político, o anúncio da reforma ministerial ficou para a próxima semana. Num primeiro momento, a presidente Dilma Rousseff pretendia entregar aos peemedebistas apenas cinco ministérios, menos do que eles têm hoje. Alertada por Lula, aumentou a cota para seis, desistindo de fundir a Aviação Civil com os Portos e segurando o deputado Eliseu Padilha na equipe.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referente a agosto, mostraram o pior resultado para o mês em 20 anos e o quinto mês seguido de perdas. O Brasil fechou 86.543 vagas formais de trabalho no mês, e já registra demissão líquida de 572,8 mil trabalhadores no ano. O maior número de demissões ocorreu nos setores industrial (-47.944), construção civil (-25.069) e comércio (-12.954). A agricultura perdeu 4.448 postos, mas o desempenho foi melhor do que no mesmo período do ano passado. Os dados apresentados reforçam o quadro de fraqueza do mercado de trabalho e permanência do cenário negativo, em meio ao aprofundamento da recessão, inflação elevada e crise política e econômica persistente.

No front externo, foi divulgada a terceira prévia do PIB americano do segundo trimestre de 2015. Foi registrado um avanço de 3,9% na atividade econômica do País, acima dos 3,7% apurados na segunda prévia e também acima da mediana das expectativas, que era de 3,7% de expansão. O melhor desempenho da economia americana é um ponto que fortalece as apostas para um aumento de juros pelo Fed ainda este ano. Nesta linha, o presidente do Fed em Saint Louis, James Bullard, voltou a pressionar pela elevação da taxa de juros, ao dizer que o estado atual da economia norte-americana não exige mais juros de curto prazo em níveis próximos de zero.

Pesquisa Focus

Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,25% para 12,50% ao ano – o que pressupõe reduções da taxa Selic ao longo do ano que vem.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 14 semanas, enquanto a mediana das previsões para 2016 foi mantida em 12,38%, mesmo número da semana passada.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de 2,8%. Foi a décima primeira queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de 2,7% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de 1,00% na economia do país – na oitava revisão para baixo seguida. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de 0,80% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,80% para a economia brasileira no ano que vem.

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,46% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,34%. Se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou na semana passada que estima um IPCA de 9,5% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, revelado na semana passada, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% tanto no cenário de referência quanto quando usou os parâmetros de mercado. No Top 5 de médio prazo da Focus, a mediana para o IPCA de 2015 saiu de 9,37% para 9,61%, bem acima da projeção de um mês atrás, quando estava em 9,41%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,70% para 5,87% na última semana. Foi a oitava alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem. Pelos cálculos do BC revelados no RTI de setembro, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado.

Perspectivas

A volatilidade permanecerá presente em nossos mercados, suportada por uma agenda intensa tanto no Brasil como nos EUA.

No front político, as atenções estarão voltadas para o anúncio da reforma ministerial conduzida pela presidente Dilma Rousseff, bem como na votação dos vetos presidenciais que faltaram na sessão conjunta da Câmara e Senado na semana passada.

Do lado da economia, destaque para o resultado primário das contas públicas no Brasil, previsto para ser divulgado na quarta-feira (30), e também para o relatório de emprego nos EUA, a ser divulgado na sexta-feira (02). As expectativas de consenso no mercado são de que os EUA tenham criado 200 mil novas vagas em agosto, e que a taxa de desemprego fique estável em 5,1%.

Também na quarta-feira, serão conhecidos os dados do PMI (Índice de Gerente de Compras) industrial e de serviços das China em setembro, importante indicador para avaliar a economia do gigante asiático.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 21/09/2015

Retrospectiva

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a sexta-feira em forte queda, dissolvendo boa parte dos ganhos da semana, com rumores de eventual novo corte da classificação de crédito do Brasil. O Ibovespa caiu 2,65 %, a 47.264 pontos. Na semana, o índice de referência contabilizou um ganho de 1,86 %, enquanto no mês a alta acumula 1,37%.

No mercado futuro de juros, as taxas mantiveram-se pressionadas diante da apreciação do dólar frente ao real. A moeda encerrou o pregão de sexta-feira cotada a R$ 3,9586, segundo maior nível de fechamento da história, com alta de 1,98% diante do fechamento anterior.

O dia começou tenso nos mercados internacionais, após uma releitura do discurso feito na véspera pela presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen. Ao adiar o início do aperto monetário, o Fed sinalizou que a economia ainda segue frágil, não apenas nos Estados Unidos, mas globalmente. Yellen ressaltou a desaceleração da economia chinesa como fator de preocupação para o Fed.

A decisão do Fed em manter estável a taxa de juros na semana passada, ao invés de elevá-la, soou como um recuo tático, ao se curvar às preocupações com a economia global, à volatilidade no mercado financeiro e à fraca inflação nos Estados Unidos, mas deixou aberta a possibilidade de um modesto aperto da política monetária ainda este ano.

Também fez preço o anúncio, no início da semana, de medidas de austeridade fiscal pelo governo federal para garantir o superávit primário da ordem de 0,7% do PIB em 2016. A meta é um ajuste orçamentário de cerca de R$ 64,9 bilhões, sendo R$ 26 bilhões em cortes e R$ 28,4 bilhões em novas receitas, como elevação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital das pessoas físicas e a recriação da CPMF no valor de 0,2% para cada movimentação financeira, para um período de quatro anos. Áreas como a saúde, além de bandeiras importantes do governo, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa Minha Vida, serão afetadas

Do conjunto de medidas, a única com potencial de fazer diferença é a volta da CPMF, pois mais uma vez faltou um sinal forte do lado do corte de gastos. Agora, a batalha será a aprovação do pacote no Congresso Nacional, diante da um governo cada vez mais desgastado politicamente.

No mercado doméstico, os dados de vendas do comércio varejista restrito caíram 1,0% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal. É o pior resultado para o mês na série histórica desde 2000. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas, que esperavam desde uma queda de 1,90% até um recuo de 0,40%, e em linha com a mediana, negativa em 1,0%.

A Receita Federal divulgou que a arrecadação e tributos ligados à produção e à lucratividade das empresas registrou queda expressiva no mês passado. O recolhimento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) teve queda real de 38,47% em relação ao mesmo período de 2014, de R$ 5,54 bilhões em agosto do último ano para R$ 3,4 bilhões no mês passado. Somente a CSLL paga por entidades financeiras caiu 49,21%, de R$ 1 bilhão no ano passado para R$ 464 milhões em agosto deste ano.

Pesquisa Focus

Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12% para 12,25% ao ano.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 13 semanas, enquanto a mediana das previsões para 2016 foi ajustada para 12,38%, contra 12,13% da semana anterior.

Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar uma retração de 2,70%. Foi a décima queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de 2,55% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%. Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de 0,80% na economia do país – na sétima revisão para baixo seguida. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de 0,60% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,80% para a economia brasileira no ano que vem.

Pela sétima semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação. A taxa subiu de 5,64% para 5,70%. O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. Uma nova edição desse documento será divulgada no fim deste mês.

No caso da inflação de 2015, a mediana para esse indicador aumentou pela segunda semana seguida, passando de 9,28% para 9,34%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Perspectivas

Uma agenda recheada no Brasil mantém o clima de tensão no mercado doméstico.

Os rumores sobre um possível rebaixamento da nota do rating pela agência Fitch Ratings devem sustentar a instabilidade dos negócios. Ainda assim, mesmo se for confirmado, o corte manterá o Brasil no grau de investimento, já que a agência é a única que mantém o rating do País em dois níveis acima do “investment grade”. No entanto, se o corte vier pela agência Moody’s, provocaria uma debandada de recursos de fundos cujo mandato permite aplicar em países que tenham grau de investimento em pelo menos duas agências internacionais -  como é o caso dos fundos de pensão e seguradoras.

O cenário político também garante as atenções dos investidores. O Congresso deve analisar nesta terça-feira (22) vetos que preocupam o Palácio do Planalto e que, se derrubados, podem elevar os gastos do governo. Dentre eles, o veto que barrou o reajuste de até 78% para os servidores do Judiciário.

Entre os indicadores macroeconômicos domésticos, destaque para o PME (Pesquisa Mensal do Emprego), que deve mostrar um aumento na taxa do desemprego. Importante também ficar atendo a divulgação do IPCA-15, que poderá mostrar se a inflação por aqui se mantém resiliente.

Do lado externo, além do PIB americano, serão conhecidos os dados do PMI (Índice de gerentes de compras, na sigla em inglês) da China em setembro, que deve mostrar uma leitura fraca e permanecendo abaixo da marca de 50,0 que indica contração da atividade.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 14/09/2015

Retrospectiva

A Bovespa encerrou o pregão de sexta-feira no vermelho, com o mercado precificando a perda do grau de investimentos pela Standard & Poor’s por várias empresas brasileiras, entre elas a Petrobras, e potenciais medidas para o controle das contas públicas. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, caiu 0,22%, a 46.400 pontos. Na semana, o índice recuou 0,20% e em setembro, acumula queda de 0,48%. Em 2015, a bolsa acumula perda de 7,21%.

Pesou sobre os mercados a notícia de que a Standard & Poor’s reduziu a nota do país em dois níveis, levando o Brasil a perder o selo de bom pagador. A agência cortou o rating para “BB+” ante “BBB-“ e sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo.

A reação dos mercados se mostrou mais leve do que muitos agentes financeiros previam. O rebaixamento em si já era esperado, particularmente após a proposta orçamentária da União para 2016 prever um rombo inédito. A surpresa foi o momento da decisão e a manutenção da perspectiva negativa.

Entre os suportes para a relativa resiliência do Ibovespa, o destaque ficou para a avaliação da Fitch Ratings de que ainda há elementos que confirmam o grau de investimento do Brasil. A informação trouxe certo alívio aos mercados, pois o rebaixamento do rating por mais uma agência obrigaria vários fundos estrangeiros a desmontarem suas posições no Brasil.

Todas as demais notícias da semana foram ofuscadas e pouco comentadas. Do lado doméstico, pouco pesou a divulgação do IPCA de agosto, que desacelerou para 0,22% após se situar em 0,62% um mês antes. É o menor resultado para os meses de agosto desde 2010, quando registrou elevação de 0,04%.  Com o resultado, o índice oficial de inflação do país acumulou alta de 7,06% no ano, a taxa mais elevada desde 2003 (7,22%). Em 12 meses, o IPCA marcou aumento de 9,53%, após ter subido 9,56% nos 12 meses imediatamente anteriores.

No front externo, o mercado viu com bons olhos as medidas tomadas pela China para reduzir a volatilidade de seu mercado acionário. A introdução do mecanismo “circuit break” na bolsa local e a isenção de impostos sobre o dividendo de empresas para investidores que mantiverem as ações das companhias por mais de um ano foram bem recebidas, e de certa forma ofuscaram as notícias da queda das importações do gigante asiático.

Nos EUA, foi destaque a notícia de que o número de empregos disponíveis subiu expressivamente em julho e alcançou o maior nível em 15 anos. Relatório do Departamento do Trabalho mostrou que a oferta de vagas subiu 8% em julho, para 5,75 milhões, o mais alto desde o início desse levantamento, em 2000. O dado reforça a percepção de recuperação da economia americana e coloca um ingrediente importante na decisão da autoridade monetária local sobre o juro americano.

Pesquisa Focus

As previsões do mercado financeiro para a Selic permaneceram estáveis no Relatório de Mercado Focus revelado nesta segunda-feira. Para este ano, as expectativas permaneceram em 14,25% ao ano pela sétima semana seguida. Para 2016, a mediana das previsões manteve-se estável em 12,00%.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há doze semanas e a mediana das previsões permaneceu em 12,13% ao ano pela quinta semana consecutiva para 2016, o que denota uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo entre um encerramento em 12,00% ou 12,25% no fechamento de ano.

Para o PIB, os analistas consultados pioraram pela nona semana seguida as perspectivas para a contração do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, levando junto a projeção para 2016. A pesquisa mostrou que a projeção para a retração da economia em 2015 chegou agora a 2,55%, contra queda de 2,44% na semana anterior. Para 2016, a previsão de contração do PIB foi a 0,60%, ante recuo de 0,50% anteriormente.

Pela sexta semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação. A taxa subiu de 5,58% para 5,64% – há um mês, estava em 5,44%.

No caso da inflação de 2015, o índice apresentou uma ligeira queda nas previsões no boletim Focus, a mediana passou de 9,29% para 9,28%. Há quatro semanas, estava em 9,32%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Perspectivas

A semana traz ingredientes importantes que deverão mexer com o humor do mercado, gerando nervosismo na condução dos negócios.

Após uma semana influenciada pelo corte da nota de risco do Brasil, a tensão deve continuar mais alguns dias pelo menos, já que a agenda prevê a realização de uma das mais importantes reuniões do Fomc (comitê de política monetária do banco central americano) desde o fim do Quantitative Easing 3 no fim do ano passado.

Muita coisa mudou e as apostas já não são mais as mesmas, mas ainda há quem acredite na tão esperada alta dos juros nos EUA. Aguardado desde a última reunião, realizada em junho, o aumento vem sendo postergado por conta de um mercado de trabalho mais fraco e indicadores econômicos menos consistentes. Agora, o cenário externo passou a preocupar muito mais do que a melhora da própria economia americana. Uma das maiores pressões vem da China, que tem mostrado forte redução do crescimento econômico e volatilidade do mercado financeiro local.

Além da China, os líderes da autoridade monetária americana também pesam os efeitos do aumento do juro nas economias emergentes. No Brasil, o maior impacto seria sentido no câmbio, já que com os juros mais altos, o mercado americano atrairia muitos recursos dos investidores, parte deles hoje aplicados no Brasil. Combinado com o corte no rating e a crise política e econômica do país, a pressão sobre o dólar estará garantida.

No campo doméstico, as atenções estarão voltadas para as medidas que o governo brasileiro deverá tomar para solucionar a questão do déficit orçamentário, que se tornam urgentes diante da deterioração do quadro. O mercado aguarda com ansiedade o anúncio de cortes de despesas da administração pública, bem como em programas sociais, conjugado com elevação de receitas via elevação de tributos. Tudo isso com objetivo de perseguir um superávit primário da ordem de 0,7% do PIB em 2016, e evitar novos rebaixamentos de rating que fatalmente levariam o país a uma situação crítica.

Na agenda estão previstas também a divulgação de importantes indicadores domésticos. Está prevista a divulgação de dados relativos a criação de novas vagas de empregos (Caged), para a qual se espera a destruição de mais alguns milhares de vagas. Em julho foram perdidas 157.905 vagas.

Na quarta-feira deverá ser divulgada a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE com as vendas no varejo do mês de julho. AS expectativas são de retração de 1,1% contra 0,4% de contração no mês anterior.

Por ora, mantemos a recomendação de expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).  Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.


Nossa Visão – 08/09/2015

Retrospectiva

O Ibovespa encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 1,83%, aos 46.497 pontos, afetada pelo cenário externo negativo e tendo como pano de fundo um ambiente doméstico fragilizado no campo político e com perspectivas deterioradas no âmbito econômico, sem sinais claros de reversão. Dados de emprego nos EUA divulgados pela manhã deixaram em aberto perspectivas de uma alta dos juros pelo Federal Reserve, o banco central norte-americano, ainda este mês, adicionando pressão aos negócios. Na semana, o índice contabilizou perda de -1,39%.

A combinação entre notícias negativas nos cenários interno e externo pressionou o dólar e levou os juros a uma disparada no mercado futuro.

No exterior, os números do payroll (relatório de emprego dos EUA) elevaram a busca por dólares ao redor do mundo. O país criou 173 mil empregos em agosto, abaixo da previsão de 220 mil vagas, mas os saldos de julho e junho foram revisados em alta – de 215 mil para 245 mil e de 223 mil para 245 mil, respectivamente. Na visão do mercado, a melhora do setor permitirá uma alta de juros nos EUA em um futuro próximo, o que é ruim para moedas de países emergentes.

Os sinais de contração da economia chinesa, a partir de indicadores industriais de agosto, espalharam nervosismo pelos mercados de todo o mundo, o que aumentou a aversão ao risco e a busca dos investidores por ativos de proteção.

No plano doméstico, o cenário de forte pessimismo na economia e na política se acentuou após especulações de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pudesse ser demitido do cargo. Imediatamente, o governo fez uma força tarefa para blindá-lo e mostrar apoio para que continue no cargo. Mas não é o que parece ser o desejo do ministro. Levy acredita estar “isolado” dentro do próprio governo, sem qualquer apoio pelas críticas que vem recebendo, principalmente por causa da política fiscal e pelos cortes no Orçamento.

Na segunda-feira, o governo encaminhou ao Congresso Nacional proposta do Orçamento da União de 2016 prevendo um déficit primário do governo federal de 30,5 bilhões de reais no próximo ano, ou equivalente a 0,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que o setor público consolidado, que inclui Estados e municípios, registre déficit primário equivalente a 0,34 por cento do PIB em 2016, o que confirma toda a dificuldade do governo em reduzir gastos e intensifica o risco de perda da avaliação grau de investimento do país.

Em meio ao cenário recessivo, foi realizada a 193ª reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que manteve a taxa de juros inalterada, em 14,25% ao ano, sem viés. A decisão foi unânime e dentro das expectativas dos analistas, que já antecipavam em suas previsões o fim do ciclo de alta do juro. No comunicado pós reunião, o colegiado sugere que a manutenção deste patamar de juro por um período suficientemente prolongado deve ser capaz de surtir os efeitos desejados para a convergência da inflação para a meta ao final de 2016.

Pesquisa Focus

Logo depois da decisão do Copom, as previsões do mercado financeiro para a Selic seguiram inalteradas no Relatório de Mercado Focus.

O boletim, revelado nesta terça-feira, informa que as expectativas ficaram congeladas em 14,25% ao ano pela sexta semana seguida. Com isso, a mediana para a Selic média de 2015 também se manteve em 13,63% pela sexta edição consecutiva. Para 2016, o documento mostrou estabilidade da mediana das previsões em 12,00% ao ano.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% – previsão apontada já há 11 semanas e a mediana das previsões permaneceu em 12,13% ao ano pela quarta semana consecutiva para 2016, o que denota uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo entre um encerramento em 12,00% ou 12,25% no fechamento de ano.

Para o PIB, os analistas consultados pioraram pela oitava semana seguida as perspectivas para a contração do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, levando junto a projeção para 2016. A pesquisa mostrou que a projeção para a retração da economia em 2015 chegou agora a 2,44%, contra queda de 2,26% na semana anterior. Para 2016, a previsão de contração do PIB foi a 0,50%, ante recuo de 0,40% anteriormente.

A piora vem depois de dados confirmarem que a economia brasileira entrou em recessão técnica, com a queda do PIB em 1,9% no segundo trimestre sobre os três meses anteriores.

Pela quinta semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação. A taxa subiu de 5,51% para 5,58% – há um mês, estava em 5,43%. Neste fim de semana, o presidente do BC, Alexandre Tombini, falou que, apesar do dólar e dos preços administrados, a instituição vem conseguindo ancorar as expectativas. O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. Uma nova edição desse documento será divulgada no fim deste mês.

No caso da inflação de 2015, depois de duas semanas de queda das previsões no boletim Focus, a mediana para esse indicador passou de 9,28% para 9,29%. Há quatro semanas, estava em 9,32%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Perspectivas

A semana deverá ser menos tensa, devido a agenda fraca de noticiários a serem divulgados.

Destaque para uma série de indicadores inflacionários aqui no Brasil. Na terça foi divulgado o IPC-S, que ficou em 0,21% na primeira semana de setembro, valor 0,01% abaixo da registrada na última divulgação, com desaceleração nos preços relativos a educação, leitura e recreação (de 0,48% para 0,12%) e habitação (de 0,36% para 0,32%).

Na quinta-feira está prevista a divulgação do IPCA de agosto, com as projeções indicando desaceleração no índice frente a julho.

Entretanto, os olhos estarão voltados para possíveis decisões que devem vir da área econômica, para minimizar o problema do déficit orçamentário. Na agenda, aumento de impostos via Decreto, tais como IPI, Cide, IOF, e corte de programas nas áreas sociais, indispensáveis para se chegar ao superávit primário de 0,7% do PIB em 2016, colocado pelo ministro Joaquim Levy como fundamental para manutenção da nota de crédito do país.

No campo político não há trégua. É evidente que o PMDB entrou em rota de colisão com o governo, visível na ausência de cinco ministros nas festividades do “7 de setembro” em Brasília. O Vice Michel Temer tem agenda cheia esta semana, em reuniões com governadores estaduais da legenda para conversas sobre a situação política e econômica dos estados.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.