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agosto, 2015

Nossa Visão – 31/08/2015

Retrospectiva

Em sessão volátil, o Ibovespa – principal índice do mercado acionário brasileiro – encerrou o pregão de sexta-feira em baixa de -1,18%, aos 47.157 pontos, após uma semana conturbada em que caiu forte na segunda-feira, pressionado por preocupações sobre a economia chinesa, avançando nos três pregões seguintes ao pegar carona em um movimento global de recuperação. Na semana, o índice acumulou ganhos de 3,14%, reduzindo a queda mensal para -7,30%.

Após uma sequência de pregões negativos na semana anterior, o clima de otimismo foi tomando força na medida em que notícias positivas eram divulgadas. Na China, o Banco Central local anunciou um corte das taxas de juros, de 0,25 ponto percentual, e afrouxou as taxas do depósito compulsório pela segunda vez em dois meses, aumentando o apoio à economia e ao mercado acionário, cuja forte queda afetou o resto do mundo.

A medida veio em reação à forte queda dos mercados de ações da China no início desta semana, por preocupações sobre a desaceleração da economia. Analistas sugerem que a real situação da economia chinesa não é a que se vê. A análise de alguns indicadores internos indica que a taxa de crescimento da economia não chega perto dos 7% divulgados pela autoridade chinesa, provocando certo grau de desconfiança na recuperação da 2ª maior economia do mundo.

No front doméstico, investidores permaneceram atentos ao quadro político. Repercutiu a notícia de que o governo estuda a volta da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira – CPMF, como parte de um pacote que inclui outros tributos, como a taxação sobre fortunas. Ao “vazar” a notícia, a estratégia do governo foi de sondar as bases políticas para quantificar o grau de resistência a ideia.

A ideia já encontrou forte resistência no Congresso, a começar pelos presidentes das Casas. Ambos se posicionaram contra o retorno da CPMF. Renan Calheiros, presidente do Senado, afirma que a medida seria um “tiro no pé”, pois o aumento da carga tributária no cenário atual poderia agravar ainda mais a retração da economia e provocar mais desemprego. Já Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, alegou que não se resolve o problema de caixa do governo cobrando “mais da sociedade”.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, divulgou que a taxa de desemprego subiu no segundo trimestre e atingiu 8,3%, tornando-se a maior taxa da série histórica, iniciada em 2012. De acordo com o IBGE, a população desocupada, de 8,4 milhões de pessoas, subiu 5,3% frente ao primeiro trimestre e, ante o 2º trimestre de 2014, o avanço foi de 23,5%.

Também foram divulgados dados da economia doméstica, que confirmam o quadro ruim. De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,9% no segundo trimestre de 2015, em relação aos três meses anteriores, e o país entrou na chamada “recessão técnica”, que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda. De janeiro a março deste ano, o PIB teve baixa de 0,7%. Contribuíram para o desempenho negativo da economia a queda dos investimentos (-8,1%) e do consumo das famílias (-2,1%). Em contrapartida, o consumo do governo registrou alta de 0,7%. O resultado foi pior que o esperado pelo mercado, indicando que a retração da economia em 2015 poderá ser maior do que a queda de 2,06% projetada pelos economistas e analistas, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

Foi divulgado também o resultado primário consolidado do setor público, que veio abaixo do que o mercado esperava.  Após registrar um rombo de R$ 9,3 bilhões em junho, no mês passado foi contabilizado um déficit de FR$ 10,0 bilhões, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em dezembro de 2001.

No mercado futuro de juros, as taxas mantiveram-se pressionadas com a alta do dólar, que subiu forte e chegou a “bater” na máxima em 12 anos e meio contra o real. O ceticismo dos investidores foi ampliado com um conjunto de ruídos no campo político. A saída formal do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), da articulação política do governo sugeriu uma maior dificuldade do governo em conseguir acordos com o Congresso Nacional. Outro ponto de desconforto é a proposta de novos aumentos de tributos embutidos na peça orçamentária para o ano que vem, que será encaminhada ao Congresso até o final deste mês. Em linhas gerais, o documento adota uma linha mais branda no corte de despesas e mais ênfase em alta dos tributos.

Pesquisa Focus

Em semana de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o rumo dos juros, atualmente em 14,25% ao ano, as previsões do mercado financeiro para a Selic permaneceram estáveis no Relatório de Mercado Focus revelado nesta segunda-feira. Para este ano, as expectativas ficaram congeladas em 14,25% ao ano pela quinta semana seguida, sugerindo que o colegiado não mexerá na taxa na reunião da próxima quarta-feira. Para 2016, a mediana das previsões manteve-se estável em 12,00%.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25%, previsão apontada já há 10 semanas, enquanto a mediana das previsões permaneceu em 12,13% ao ano pela terceira semana consecutiva para 2016, o que denota uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo entre um encerramento em 12,00% ou 12,25% no fechamento de ano.

Para o PIB, os analistas consultados aprofundaram as previsões de queda da economia. De acordo com o relatório, o PIB terá queda de 2,26% em 2015 e de 0,40% em 2016. Há duas semanas, os participantes da pesquisa previram pela primeira vez queda para o PIB do ano que vem. Na semana passada, a previsão de retração era de 0,24% ante uma alta de 0,20% apontada quatro semanas antes. Para este ano, a deterioração das previsões do mercado financeiro para a atividade no País é tendência já há alguns meses. Na semana passada, o boletim trazia uma previsão de recuo de 2,06% ante uma baixa de 1,80% vista quatro semanas antes.

Pela quarta semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação no Relatório de Mercado Focus. A taxa subiu de 5,50% para 5,51%. O BC vem prometendo levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia tem chamado a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. Uma nova edição desse documento será divulgada no fim do mês que vem.

No caso da inflação de 2015, após a estabilidade nas estimativas na semana passada, houve nova queda das previsões. A mediana para esse indicador passou de 9,29% para 9,28%. Mesmo assim, segue mais elevada do que a taxa projetada há quatro semanas, de 9,25%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Perspectivas

A China continuará dando o tom dos mercados. Já na segunda-feira está prevista a divulgação dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs) de serviços e indústria do país asiático.

Na agenda doméstica, destaque para a reunião do Copom, no qual é praticamente consenso que não haverá mudanças na taxa Selic, principalmente depois dos dados fracos do PIB e do resultado primário do setor público, ambos divulgados na semana passada. Contribui para esta estimativa as pesquisas de mercado Focus mais recentes, que tem mostrado uma desaceleração dos índices inflacionários.

A semana termina com a divulgação do relatório de emprego dos EUA, que é o indicador mais observado pelo FED antes de elevar a taxa de juros.  Apesar da importância dos números, somente dados muito acima do esperado farão com que o juro americano seja elevado neste mês. As expectativas do consenso de mercado são de que os EUA tenham criado 217 mil novas vagas em agosto, e que a taxa de desemprego caia para 5,2%.

A aparente desistência da presidente Dilma Rousseff em apresentar o Orçamento de 2016 ao Congresso com a inclusão de receitas provenientes da nova CPMF trará uma piora nas perspectivas para o quadro fiscal. O ministro da Fazenda Joaquim Levy, defensor da cobrança, alerta para o fato de que, sem uma saída para ajustar as contas públicas, o país poderá perder o selo de bom pagador e amargará resultados piores para as empresas e para a economia.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 24/08/2015

O Ibovespa – principal índice do mercado acionário brasileiro – encerrou o pregão de sexta-feira em baixa de -1,99%, aos 45.719 pontos, renovando a mínima em 17 meses diante de fortes perdas em bolsas no exterior por preocupações relacionadas ao crescimento da economia global. A sexta-feira ainda trouxe divulgações econômicas negativas, como o fechamento de quase 158 mil vagas de empregos formais em julho, enquanto agosto terminou com a inflação em 12 meses medida pelo IPCA-15 atingindo 9,57%, na máxima desde 2003. Na semana, o índice acumulou perdas de -3,77%, arrastando a queda mensal para -10,12%.

Pesou sobre os mercados a notícia de que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), principal sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 1,89% no segundo trimestre deste ano se comparado com os três meses imediatamente anteriores. Só em junho sobre maio, a contração foi de 0,58%, de acordo com dados dessazonalizados, um resultado pior do que o mercado estimava. O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.

As perdas se consolidaram após o IBGE divulgar a Pesquisa Mensal de empregos (PME). De acordo com o relatório, a taxa de desemprego ficou em 7,5%, a sétima alta consecutiva para o índice.  A taxa é a maior para meses de julho desde 2009, quando atingiu 8%. Em junho, o índice ficou em 6,9% e, no sétimo mês de 2014, exatos um ano atrás, em 4,9%. O aumento do desemprego já era esperado, mas o que chama atenção é a intensidade com que os números vêm crescendo, escancarando o pessimismo do empresário com a situação do país.

A população desocupada (que está procurando trabalho) atingiu 1,8 milhão de pessoas, um aumento de 9,4% frente a junho e de 56% na comparação com julho de 2014. De acordo com o IBGE, esse foi maior crescimento anual da população desocupada em toda a série histórica, iniciada em março de 2002.

No campo político, o Congresso seguiu com a votação de medidas que causam impactos no orçamento do governo central.

A Câmara dos Deputados concluiu a votação do projeto de lei que altera a correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Sem maioria e com grande parte da base aliada favorável à proposta, o governo acabou cedendo a acordo para diminuir o que considera perdas que ocorrerão nos programas habitacionais e projetos de infraestrutura. Agora, o texto vai ao Senado Federal. Pelo acordo, a alteração será escalonada. A partir do ano que vem, os depósitos no Fundo de Garantia vão ser corrigidos pela Taxa Referencial (TR) mais 4% ao ano. Em 2017, TR mais 4,75%. Em 2018, TR mais 5,5%. E, em 2019, TR mais 6% ao ano, igual à correção da poupança. Atualmente, o rendimento do fundo é de 3% ao ano mais a TR, que não chega a 1%.

No Senado, o projeto que reonera a folha de pagamentos de empresas de 56 setores produtivos foi aprovado por 45 votos a 27, sem alterações em relação ao texto vindo da Câmara. Agora, o documento segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. A aprovação é positiva para o ajuste fiscal, porém com a demora para ser votada não deve render arrecadação para os cofres do governo este ano, por conta do princípio constitucional da noventena no direito tributário.

Também esteve no radar a confirmação de que o Ministério Público Federal (MPF) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por suspeita de envolvimento em irregularidades investigadas pela operação Lava Jato. O senador Fernando Collor (PTB-AL) também foi denunciado pelo MPF, mas o teor da denúncia não é conhecido porque corre em sigilo.

No ambiente externo, nenhuma notícia positiva que viesse a alterar o humor dos investidores. A divulgação da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) deixou “no ar” os próximos movimentos da autoridade monetária norte americana. O mercado se dividiu na interpretação do texto: enquanto alguns viram nas entrelinhas uma chance maior de alta do juro básico somente na última reunião do ano, outros avaliam como provável uma alta no próximo encontro, marcado para setembro.

O clima de pessimismo se consolidou com a divulgação de dados mais fracos do que o esperado na China. O índice de atividade dos gerentes de compras (PMI) do setor industrial chinês recuou a 47,1 em agosto no levantamento preliminar da Markit Economics. Em julho, o PMI tinha sido de 47,8. É o resultado mais baixo em seis anos e alimentam temores de desaceleração da segunda maior economia global. Leituras abaixo de 50,0 indicam contração da atividade.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 2,01% da semana anterior para 2,06%. Para o ano que vem, os economistas do mercado financeiro aceleraram a previsão de queda para o indicador, prevendo uma retração de -0,24. Na semana anterior, haviam estimado um PIB de -0,15%. Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

A estimativa para os juros no fim deste ano manteve-se em 14,25% ao ano. O consenso para os participantes do Relatório de Mercado Focus é o de que o Copom interrompeu o ciclo de alta da taxa Selic. Para o fim de 2016, a estimativa foi elevada para 12,00%.

Para a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a previsão do mercado financeiro recuou para 9,29% na semana passada, contra 9,32% na semana anterior. Mesmo com a queda, se confirmado o resultado, será o maior índice em 12 anos, ou seja, desde 2003 – quando somou 9,30%. Para 2016, a expectativa de inflação do mercado subiu de 5,44% para 5,50% na última semana. Foi a terceira alta consecutiva da previsão do mercado financeiro para o IPCA do ano que vem. A alta do dólar e principalmente dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Está prevista a divulgação de uma série de indicadores importantes nesta semana, que deverão mexer com os mercados de maneira geral.

Na agenda brasileira, destaque para a divulgação do PIB para o primeiro trimestre do ano e indicadores de confiança do consumidor e níveis de inadimplência.

No exterior, dados do PIB americano, alemão e do Reino Unido são destaques. Outros indicadores norte-americanos importantes serão conhecidos, como dados relativos ao auxílio desemprego, vendas pendentes de moradias e estoque de petróleo.

No campo político, os desdobramentos da operação Lava-Jato seguem no radar. O mercado estará atento aos possíveis movimentos de retaliação pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ), após a denúncia do MPF ao STF.

Os mercados emergentes em particular enfrentam um momento difícil, marcado por preços de commodities em queda, desaceleração do comércio global e menor apetite dos investidores por ações e bônus desses países. Com a valorização do dólar e o menor crescimento chinês, as commodities tem sofrido bastante. A previsão é de que o preço desses produtos (excluindo petróleo) devem ficar menores neste ano do que no ano passado. Neste cenário, qualquer enfraquecimento adicional das importações chinesas prejudicará ainda mais os emergentes que exportam esses bens. Em julho, as compras externas da China caíram 8,1%, refletindo a fraqueza da economia do país. A combinação parece formar uma “tempestade perfeita” para essas economias, tendo como pano de fundo a esperada alta dos juros nos EUA e as incertezas sobre o ritmo de crescimento da China, acentuadas pela mudança na política cambial chinesa na semana passada.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.


Mercado diverge em relação ao ritmo de redução dos juros

O Relatório de Mercado Focus divulgado em 17/08, pelo Banco Central, revela nesta edição que os analistas do mercado financeiro estimam que a autoridade monetária deva iniciar o ciclo de redução da Selic em abril de 2016. As expectativas trazidas pelo Relatório de Mercado Focus, revela que os economistas das instituições financeiras apostam que a taxa básica de juros da economia brasileira permanecerá inalterada até abril do ano que vem. Hoje, a Selic está em 14,25% ao ano.

Entretanto, as estimativas para o primeiro ciclo de redução foram reduzidas de 0,25 ponto porcentual para 0,50 pp. A taxa esperada que era de 14,00% ao ano neste Focus foi reduzida para 13,75% ao ano.

Em uma avaliação mais detalhada percebe-se que não há consenso entre os analistas sobre qual será a postura do COPOM – Comitê de Política Monetária em relação ao ritmo da condução da politica monetária. Para o encontro de junho de 2016, a projeção para os juros recuou de 13,50% para 13,31% ao ano, o que revela desencontro de expectativas.

Para a reunião de julho de 2016, a mediana da Selic recuou de 13,00% para 12,94% e, há estimativa de manutenção da taxa em 12,50% ao ano na pauta de setembro, a mesma projeção para outubro. No entanto, os analistas revisaram para baixo as suas projeções que recuaram de 12,00% para 11,88%, devendo encerrar o ano neste patamar.

As divergências são verificadas ainda em relação ao ritmo da condução da politica monetária para 2017. Para o primeiro encontro do ano, a estimativa que era de 11,69% foi elevada para 11,75% ao ano. E em fevereiro, foi mantida em 11,50%.

Meta atuarial

A escalada dos índices de inflação para 2015 a meta atuarial dos regimes próprios de previdência tende também a encerrar o ano em nível elevado. A projeção para a meta atuarial medida pela variação do IPCA para este ano é de 15,88%, por sua vez a estimativa para a meta atuarial medida pela variação do INPC é de 16,32%. Para o próximo ano há uma expectativa de melhora em relação aos indicadores de inflação. Com isso a meta atuarial estimada, medida pelo IPCA, é de 11,65% já a meta estimada com base na variação do INPC deverá ser de 11,52%.

Meta atuarial é a taxa de juros, ou seja, a rentabilidade mínima necessária das aplicações financeiras dos investimentos de um plano de previdência, para o cumprimento dos seus compromissos futuros. Funciona como uma taxa de desconto, onde os compromissos futuros são trazidos a “valor presente”.

Perspectiva

O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado.

No caso da inflação de 2015, houve estabilidade nas estimativas após 17 rodadas seguidas de elevação no boletim Focus. A previsão para o IPCA deste ano seguiu em 9,32%. Há um mês, essa projeção estava em 9,15%. No RTI de junho, o Banco Central havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Está prevista a divulgação de uma série de indicadores importantes nesta semana, que deverão mexer com os mercados de maneira geral.

Na quarta-feira, será divulgado o IBC-Br, considerado a prévia do PIB brasileiro. As expectativas são de uma contração de 0,48% em junho ante maio.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), divulgará a ata da sua última reunião, dando explicações sobre o que veem na economia norte americana e quais serão os próximos passos da autoridade monetária.

O IBGE divulgará a pesquisa mensal de emprego (PME) relativa ao mês de julho. A expectativa é de contínua deterioração nas condições do mercado de trabalho, resultado da dinâmica desfavorável da atividade econômica em geral.

Por fim o IPCA-15, que deve mostrar uma desaceleração disseminada entre os grupos, sendo mais expressiva em bens industriais.

No campo político, esta semana pode ir à votação o fim da desoneração da folha de pagamento de empresas de 56 setores, o que liberaria a pauta para a discussão do projeto que trata da repatriação de capital de brasileiros no exterior. Também deve ir à votação, na Câmara, projeto que pretende remunerar o FGTS pelo índice da caderneta de poupança. O resultado dessas votações vai ser fundamental para medir o quanto a reaproximação entre Executivo e Legislativo é para valer. E se o clima de imobilismo do governo prosseguirá.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 17/08/2015

O Ibovespa – principal índice do mercado acionário brasileiro – encerrou o pregão de sexta-feira no terreno negativo, estendendo as perdas dos últimos pregões em meio a fraqueza das commodities e resultados corporativos negativos. Com queda de 1,04% aos 47.508 pontos, o menor fechamento desde 30 de janeiro, o índice acumulou perdas de 2,20% na semana. No mês, a baixa é de 6,60%.

Fez preço o anúncio da agencia classificadora de riscos Moody’s, em rebaixar o rating soberano do Brasil para “Baa3”, última nota dentro da faixa considerada como grau de investimento, mas alterou a perspectiva da nota para “estável” ante “negativa”, sinalizando que o selo de bom pagador do país deve ser mantido no curto prazo.

Apesar de negativa em primeira análise, a notícia representou um golpe mais brando do que o mercado esperava, uma vez que os investidores estavam começando a acreditar que a Moody’s alcançaria a Standard & Poor’s e deixaria o Brasil mais perto de perder o grau de investimento. A Moody’s citou, entre os motivos para o rebaixamento, a fraqueza da economia, a tendência de aumento de gastos públicos e os reflexos da operação Lava Jato na confiança de investidores no Brasil.

O clima ruim foi mantido em meio divulgação da proposta apresentada pela Senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), relatora da Medida Provisória (MP) nº 675, em ampliar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, paga por bancos e outras instituições financeiras de 15% para 23%. O texto original da MP, enviada pelo governo, é de uma tributação de 20%. A notícia é ruim para os bancos, que viram suas ações caírem forte e pressionaram o Ibovespa para baixo.

O cenário político deu trégua aos mercados, com a sensação de isolamento e perda do poder do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo cunha (PMDB/RJ), em meio a decisão do Supremo Tribunal Federal – STF – de reduzir seu papel na aprovação das contas públicas de 2014, que estão em análise pelo Tribunal de Contas da União – TCU. A análise agora terá que passar na Câmara e Senado, ficando a cargo de Renan Calheiros a decisão última na questão.

Do lado externo, pesou sobre os mercados a decisão da China em permitir que o yuan se desvalorizasse frente ao dólar. Especula-se que o banco central chinês pretende, com isso, incentivar as exportações chinesas, após a divulgação de queda nas vendas ao exterior em julho, de 8,3%. Com a desvalorização os exportadores chineses ganham mais competitividade.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,97% da semana anterior para 2,01%. Para o ano que vem, os economistas do mercado financeiro passaram a acreditar que a economia deverá “encolher”, prevendo uma retração de -0,15%. Na semana anterior, haviam estimado um PIB zero. Para se ter uma ideia, no início deste ano, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,8% para a economia brasileira no ano que vem.

A estimativa para os juros no fim deste ano manteve-se em 14,25% ao ano. O consenso para os participantes do Relatório de Mercado Focus é o de que o Copom interrompeu o ciclo de alta da taxa Selic. Para o fim de 2016, a estimativa foi reduzida para 11,88%, ante 12% ao ano na semana anterior. Isso significa que ainda não há um consenso sobre a manutenção dos 12% no encerramento de 2016 ou mais uma queda, para 11,75% ao ano.

O esforço em levar as projeções de inflação do mercado financeiro a convergirem para a meta de 2016 deu outro passo atrás. Na semana passada, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem já havia subido de 5,40% para 5,43%. Agora, a mediana das previsões, de acordo com o documento, sofreu um novo ajuste e está em 5,44%. Há quatro semanas, a taxa estava em 5,40%.

O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado.

No caso da inflação de 2015, houve estabilidade nas estimativas após 17 rodadas seguidas de elevação no boletim Focus. A previsão para o IPCA deste ano seguiu em 9,32%. Há um mês, essa projeção estava em 9,15%. No RTI de junho, o Banco Central havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Está prevista a divulgação de uma série de indicadores importantes nesta semana, que deverão mexer com os mercados de maneira geral.

Na quarta-feira, será divulgado o IBC-Br, considerado a prévia do PIB brasileiro. As expectativas são de uma contração de 0,48% em junho ante maio.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), divulgará a ata da sua última reunião, dando explicações sobre o que veem na economia norte americana e quais serão os próximos passos da autoridade monetária.

O IBGE divulgará a pesquisa mensal de emprego (PME) relativa ao mês de julho. A expectativa é de contínua deterioração nas condições do mercado de trabalho, resultado da dinâmica desfavorável da atividade econômica em geral.

Por fim o IPCA-15, que deve mostrar uma desaceleração disseminada entre os grupos, sendo mais expressiva em bens industriais.

No campo político, esta semana pode ir à votação o fim da desoneração da folha de pagamento de empresas de 56 setores, o que liberaria a pauta para a discussão do projeto que trata da repatriação de capital de brasileiros no exterior. Também deve ir à votação, na Câmara, projeto que pretende remunerar o FGTS pelo índice da caderneta de poupança. O resultado dessas votações vai ser fundamental para medir o quanto a reaproximação entre Executivo e Legislativo é para valer. E se o clima de imobilismo do governo prosseguirá.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 10/08/2015

Atingindo o menor fechamento desde 10 de março, o Ibovespa – principal índice do mercado acionário brasileiro – encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 2,87%, aos 48.577 pontos, intensificada por movimentos de zeragem de posições antes do fim de semana. Na semana, o índice acumulou perdas de 4,49%, colocando o retorno anual no terreno negativo com baixa de 2,86%.

As taxas dos contratos futuros de juros avançaram em toda a curva a termo, especialmente entre os mais longos, refletindo a escalada do dólar e da percepção de que a cada dia a governabilidade da presidente Dilma Rousseff fica mais comprometida, assim como as medidas de ajuste fiscal e o grau de investimento brasileiro. O contrato DI com vencimento para janeiro de 2017 avançou 88 pontos-base na semana, a 14,31%, enquanto nos mais longos o impacto foi maior. O DI janeiro 2019 disparou 117 pontos-base, a 14,00%, enquanto o DI janeiro 2021 atingiu os 13,81%, após saltar 102 pontos-base.

Em termos de fundamentos econômicos, fez preço sobre os juros a interpretação do mercado em relação ao texto da ata da reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central), divulgada na quinta-feira. Para a maioria dos analistas, o documento reforçou a sinalização para o fim do ciclo de ajustes da taxa Selic, hoje de 14,14% ao ano. No entanto, alguns analistas viram “ruídos” na ata, principalmente no parágrafo 31. Nele, o BC diz que “os riscos remanescentes para que as projeções de inflação atinjam com segurança o objetivo de 4,5% no final de 2016 são condizentes com o efeito defasado e cumulativo da ação de política monetária”. No entanto, o BC afirma logo em seguida que esses mesmos riscos “exigem que a política monetária se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta”.

Considerando que o BC utilizou o dólar a R$ 3,25 em suas previsões para a inflação, e a moeda já subiu mais de 7% desde então, os tais “desvios significativos” já estariam configurados. Imediatamente, o mercado passou a precificar mais alta na taxa Selic na próxima reunião, entre 0,25% e 0,50%.

Nos EUA, o Departamento de Trabalho divulgou que a taxa de desemprego norte americana se manteve em 5,3% em julho, enquanto que a criação de postos de trabalho desacelerou, com 215 mil vagas nesse mês. A renda média por hora trabalhada subiu 0,05 dólar, ou 0,2%, no mês passado após ter ficado estável em junho. Isso deixa a renda média 2,1% acima do patamar do ano passado, mas ainda muito abaixo da taxa de crescimento de 3,5% que economistas associam com o pleno emprego. Mesmo assim, o avanço apoia a visão de que a forte desaceleração no crescimento da remuneração no segundo trimestre e nos gastos de consumidores em junho foi temporária. Os analistas mantém a estimativa de alta no juro americano ainda este ano.

No entanto, foram as tensões políticas que deram o tom dos negócios nesta semana. A fragilidade política do governo e a da presidente Dilma Rousseff foram expostas no Congresso Nacional e junto à opinião pública, deixando a impressão de que a presidente está ficando cada vez mais isolada.

No Congresso, a fraqueza ficou evidenciada na votação da PEC que aumenta salários de procuradores e delegados, com um aumento previsto de R$ 10 bilhões anuais nos gastos públicos. Por 445 votos a favor e 16 contrários, a PEC foi aprovada em primeiro turno, mesmo depois dos ministros Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante e do coordenador político Michel Temer se empenharem pessoalmente para obterem a rejeição da proposta. Dos 65 deputados petistas, 59 votaram contra o governo.

Sobre a opinião pública, o Instituto Datafolha divulgou nova pesquisa de avaliação do governo Dilma Rousseff. A taxa de reprovação da presidente é a maior já registrada na série histórica do Datafolha, que começou em 1990.

Em abril, os que consideravam o governo Dilma “ótimo ou bom” eram 13%. Em junho, 10%. E agora, são 8%. Os que avaliavam o governo como “regular” eram 27%. Depois, 24%. E agora, 20%. Os que consideravam o governo “ruim ou péssimo” eram 60% em abril. O índice subiu para 65% em junho. E, agora, subiu de novo, para 71%. Nessas três últimas pesquisas, 1% não soube responder ou não respondeu.

Pouco pesou a notícia de que o IPCA desacelerou e subiu “apenas” 0,62% em julho, após alta de 0,79% em junho. Em julho do ano passado, o índice avançou 0,01%. É a maior taxa para o mês desde 2004, quando o IPCA subiu 0,91%. Com o resultado, o índice acumulou alta de 6,83% no ano, o maior para o período desde 2003, quando o índice somou 6,85%. Em 12 meses, avançou 9,56% — também o maior acumulado nesse tipo de comparação desde novembro de 2003, quando subiu 11,02%.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,80% da semana anterior para 1,97%. Para o ano que vem, as expectativas foram reduzidas para zero, ante 0,20% da semana anterior.

A estimativa para os juros no fim deste ano manteve-se em 14,25% ao ano. O consenso para os participantes do Relatório de Mercado Focus é o de que o Copom interrompeu o ciclo de alta da taxa Selic. Para o fim de 2016, a estimativa manteve-se estável em 12% ao ano.

Em relação a inflação, os economistas consultados elevaram pela décima sétima vez consecutiva a previsão para o IPCA deste ano. A expectativa é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 9,32%, contra 9,25% na semana anterior. Para 2016, a pesquisa apontou para aumento da inflação, com as projeções fixando 5,43%.

A cena política permanece no radar dos investidores nesta semana. Está prevista a votação em segundo turno da PEC 443, que vincula o reajuste dos advogados públicos e delegados de polícia aos salários do STF.

No campo da economia, a China divulgará seus dados de vendas no varejo, assim como os dados da produção industrial. Na zona do euro, será conhecido o PIB do segundo trimestre. Nos EUA, são aguardados os dados de vendas no varejo, com expectativa de avanço de 0,4%, contra queda de 0,3% em junho.

Por aqui, destaque para a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, que mais uma vez deve mostrar recuo revelando uma desaceleração das quedas do indicador.

Sem maiores surpresas, a semana tende a ser menos tensa na comparação com a anterior.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Qualquer dúvida ou necessidade, nossos consultores estão à disposição.

Cena politica deteriora indicadores

A deterioração da relação entre o congresso e o executivo, levou o mercado a incorporar o risco de um impeachment da presidente Dilma Rousseff. Este fato estimulou a alta das taxas de juros futuros, que atingiram o patamar máximo de cinco anos atrás. Em função da piora do cenário doméstico, o Banco Central destacou na ata da última reunião do COPOM – Comitê de Política Monetária que os riscos remanescentes demandam “vigilância” e registrou que em casos de desvios expressivos da expectativa de inflação, a autoridade monetária pode voltar a agir.

Com isso os analistas do mercado financeiro elevaram as suas estimativas para a inflação de 2015 e após a queda registrada há duas semanas elevaram as projeções para 2016. As expectativas em relação ao desempenho da economia brasileira continuam pressionadas.

Inflação

Os economistas dos bancos voltaram a majorar as suas projeções para o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo em 2015 de 9,25% para 9,32%. Para o próximo ano, a estimativa para o índice de inflação oficial foi elevada de 5,40% para 5,43%.

Para a inflação dos próximos 12 meses os analistas das instituições financeiras projetam redução 5,67% para 5,59%. O mercado ainda acredita em uma tendência de queda para a inflação dos próximos 12 meses.

Meta atuarial

A escalada dos índices de inflação para 2015 a meta atuarial dos regimes próprios de previdência tende também a encerrar o ano em nível elevado. A projeção para a meta atuarial medida pela variação do IPCA para este ano é de 15,88%, por sua vez a estimativa para a meta atuarial medida pela variação do INPC é de 16,32%. Para o próximo ano há uma expectativa de melhora em relação aos indicadores de inflação. Com isso a meta atuarial estimada, medida pelo IPCA, é de 11,65% já a meta estimada com base na variação do INPC deverá ser de 11,52%.

Meta atuarial é a taxa de juros, ou seja, a rentabilidade mínima necessária das aplicações financeiras dos investimentos de um plano de previdência, para o cumprimento dos seus compromissos futuros. Funciona como uma taxa de desconto, onde os compromissos futuros são trazidos a “valor presente”.

Inflação de curto prazo

Os economistas dos bancos do mercado financeiro, considerados Top 5, elevaram as suas  projeções para a inflação de agosto de 0,27% para 0,28%. Para julho a estimativa foi mantida em 0,62%.  Para a inflação de setembro os agentes do mercado financeiro estimam que a inflação suba de 0,37% para 0,39%.

Crescimento da Economia

As estimativas para o PIB – Produto Interno Bruto de 2015 foram revisadas mais uma vez para baixo. A estimativa para a retração da economia brasileira foi elevada de -1,80% foi substituída por uma queda de -1,97% agora. Para 2016 a projeção também foi alterada para baixo caindo de 0,20% para 0,00%.

As estimativas para a produção industrial brasileira foram reduzidas ainda mais pelos economistas do mercado financeiro de -5,00% para -5,21. Para 2016, a projeção foi igualmente reduzida, só que de 1,30% para 1,15%.

Taxa de juros

A ata do COPOM divulgada na última quinta-feira, 06/08, sugere que a autoridade monetária deva encerrar o ciclo de aperto monetário, pelo menos por hora. Desta forma a estimativa para a taxa de juros básica da economia em 2015 foi mantida em 14,25% ao ano. Para de 2016, a projeção foi também mantida em 12,00% ao ano.

Câmbio

O documento divulgado hoje pelo Banco Central trouxe uma elevação nas estimativas para a taxa de câmbio pela terceira semana seguida. O Relatório Focus revela que a mediana das estimativas para o câmbio em 2015 passou de R$ 3,35 para R$ 3,40. Com isso, a cotação média no decorrer do ano sofreu alteração, passando de R$ 3,18 para R$ 3,20. Para 2016, a mediana para o câmbio ao final do período subiu pela segunda semana seguida, passando de R$ 3,49 para R$ 3,50 – há quatro edições do Focus a taxa era de R$ 3,40. No caso da cotação média de 2016, também houve mudanças, passando de R$ 3,38 para R$ 3,44.

Balanço de pagamentos e IED

Os economistas do mercado financeiro elevaram as projeções para o saldo do balanço de pagamentos em 2015. Na conta Balança Comercial foi a projeção foi elevada de US$ 6,40 para US$ 7,70 bilhões. Para 2016, estimativas foram também elevadas de um superávit US$ 14,79 bilhões para US$ 15,00 bilhões.

Os agentes do mercado financeiro reduziram as suas projeções para o ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto em 2015 de US$ 66,00 bilhões para US$ 65,00 bilhões. Para 2016 as estimativas foram mantidas em U$ 65,00 bilhões.

Perspectiva

A cena política permanece no radar dos investidores nesta semana. Está prevista a votação em segundo turno da PEC 443, que vincula o reajuste dos advogados públicos e delegados de polícia aos salários do STF.

No campo da economia, a China divulgará seus dados de vendas no varejo, assim como os dados da produção industrial. Na zona do euro, será conhecido o PIB do segundo trimestre. Nos EUA, são aguardados os dados de vendas no varejo, com expectativa de avanço de 0,4%, contra queda de 0,3% em junho.

Por aqui, destaque para a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, que mais uma vez deve mostrar recuo revelando uma desaceleração das quedas do indicador.

Sem maiores surpresas, a semana tende a ser menos tensa na comparação com a anterior.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 03/08/2015

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o pregão de sexta-feira no azul, em alta de 1,94%, aos 50.864 pontos. Na semana, o índice valorizou 3,29%, recuperando parte das perdas do mês. Ainda assim, no mês acumulou declínio de 4,17%, sinalizando ambiente ainda hostil às ações brasileiras, tendo o corte das metas fiscais pelo governo como principal elemento para o viés negativo.

A despeito da recuperação do índice, a semana foi de notícias ruins. Na terça-feira, a agência classificadora de riscos Standard & Poor’s anunciou que manteve a nota de crédito do Brasil em “BBB-“, mas alterou a perspectiva da nota de “estável” para “negativa”. Com a revisão para baixo, o país ficou no último degrau antes de passar para o grau especulativo e perder o cobiçado selo de “bom pagador”. A agência avalia que o país vai demorar mais que o esperado para voltar a uma trajetória de crescimento firme, e que há mais de 30% de chances de o ajuste econômico sofrer novo deslize. Destacou ainda que o país enfrenta desafios políticos e econômicos, apesar de uma correção significativa das políticas durante o segundo mandato da presidente Dilma.

Reclassificações no rating por parte das agências Moody’s e Fitch também estão por vir. Atualmente, os ratings soberanos do Brasil nas duas agências são “Baa2” e “BBB”, respectivamente, ambos com perspectiva negativa. As duas devem reduzir a nota brasileira. A grande dúvida está na perspectiva, se será estável ou negativa.

Em um movimento amplamente esperado pelo mercado, o FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) manteve a taxa de juro básica de curto prazo próxima de zero, por decisão unânime. Os integrantes do comitê avaliaram, ao fim da reunião de dois dias, que a economia e o mercado de trabalho continuam se fortalecendo, com sólidos ganhos no emprego e declínio no desemprego. Apesar de ver progressos no mercado de trabalho, o comitê disse que a taxa de inflação oscila abaixo de seu objetivo de longo prazo. Ao se mostrar otimista com a economia, o FED deixa em aberto uma possível alta dos juros na próxima reunião, que ocorre em setembro.

Por aqui, ocorreu a 192ª reunião do Copom. Em decisão unânime, o comitê decidiu elevar a taxa Selic em 0,50 pontos percentuais, para 14,25% ao ano sem “viés”. O comunicado pós reunião sugere que a autoridade monetária encerrou o ciclo de alta de juros. Apesar de a interpretação mais adequada do comunicado pareça ser que o ciclo de alta se encerrou, existe ainda alguma probabilidade de que a taxa Selic seja elevada na próxima reunião. Tal probabilidade é, sem dúvida, bastante menor do que a que existia.

Fechando a semana, o Banco Central divulgou que o déficit primário das contas públicas atingiu R$ 45,7 bilhões nos últimos 12 meses terminados em junho. Considerando apenas o mês de junho, União, Estados e Municípios tiveram déficit de R$ 9,3 bilhões, apurando o maior déficit já registrado em meses de junho desde o início da série histórica, em 2001. Em maio, o resultado negativo foi de R$ 6,9 bilhões. Os números apresentados refletem o baixo desempenho da atividade econômica, além das dificuldades enfrentadas pelo governo  na execução das medidas de recuperação de receitas.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,76% da semana anterior para 1,80%. Para o ano que vem, as expectativas se mantiveram em crescimento de 0,20%.

A estimativa para os juros no fim deste ano manteve-se em 14,25% ao ano. O consenso para os participantes do Relatório de Mercado Focus é o de que o Copom interrompeu o ciclo de alta da taxa Selic. Para o fim de 2016, a estimativa manteve-se estável em 12% ao ano.

Em relação a inflação, os economistas consultados elevaram pela décima sexta vez consecutiva a previsão para o IPCA deste ano. A expectativa é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 9,25%, contra 9,23% na semana anterior. Para 2016, a pesquisa apontou manutenção das projeções em 5,40%.

Depois de pregões agitados por conta das recentes notícias que envolvem economia e política, os próximos dias tendem a ser mais tranquilos em relação à divulgação de indicadores. Dados do mercado de trabalho dos EUA prometem mexer com os mercados, dado a sua importância por conta da indefinição da política monetária americana. O relatório de emprego reúne dados de remuneração do trabalhador, horas trabalhadas, empregos gerados e taxa de desemprego.

No âmbito doméstico, além do cenário político que não deixa o noticiário, está prevista a divulgação da Ata do Copom, que trará elementos importantes para uma análise mais aprofundada sobre a política monetária.

No plano político, a volta das atividades no Congresso Nacional após duas semanas de recesso mostrará se a resistência aos projetos encaminhados pelo Executivo será mantida ou abrandada.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Expectativa de inflação se mantém pressionada em 2015

Os economistas dos bancos voltaram a elevar as suas projeções para a inflação medida pelo o IPCA – Índice Nacional de Preços a Consumidor Amplo para este ano, as informações constam do Relatório de Mercado Focus, divulgado, hoje (03/08) pelo Banco Central do Brasil.

Inflação

Os analistas das instituições financeiras voltaram a elevar as suas estimativas para o índice oficial de inflação utilizado pelo governo para as metas de inflação. A expectativa é que IPCA encerre 2015 em 9,25% ante 9,23% da semana passada. Para 2016, a inflação oficial deverá encerrar o ano em 5,40%, mantendo a projeção da semana passada.

A inflação para os próximos 12 meses vem na contra mão da inflação projeta para 2015, os agentes dos bancos esperam que a inflação para os próximos 12 meses recue de 5,76% para 5,67%. O mercado já trabalha com uma tendência de queda para a inflação dos próximos 12 meses  há  6 semanas seguidas.

Meta atuarial

Com a evolução dos índices inflacionários para este ano a meta atuarial dos regimes próprios de previdência tende também a ser elevada. A projeção para a meta atuarial medida pela variação do IPCA para este ano é de 15,81%, por sua vez a estimativa para a meta atuarial medida pela variação do INPC é de 16,22%. Para 2016 o cenário tende a melhorar para os indicadores de inflação. Com isso a meta atuarial projetada, medida pelo IPCA, é de 11,72% já a meta estimada com base na variação do INPC deverá ser de 11,52%.

Meta atuarial é a taxa de juros, ou seja, a rentabilidade mínima necessária das aplicações financeiras dos investimentos de um plano de previdência, para o cumprimento dos seus compromissos futuros. Funciona como uma taxa de desconto, onde os compromissos futuros são trazidos a “valor presente”.

Inflação de curto prazo

Os analistas do mercado financeiro, considerados Top 5, mantiveram as suas estimativas para a inflação de curto prazo. Para julho a estimativa foi mantida em 0,62%.  Para a inflação de agosto os analistas projetam que se mantenha em 0,27%.

Crescimento da Economia

Em mais uma semana de pessimismo, os economistas dos bancos voltaram a trabalhar com a possibilidade de um desempenho mais fraco da economia brasileira, que deve recuar de -1,76% para -1,80 em 2015. Para o próximo ano, os analistas das instituições financeiras mantiveram a sua estimativa em 0,20%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

As projeções para a produção industrial brasileira forma mantidas pelos analistas dos bancos em -5,00%. Para 2016, a estimativa foi mantida em 1,30%.

Taxa de juros

A projeção para a taxa de juros básica da economia em 2015 foi mantida em 14,25% ao ano. Para de 2016, a estimativa foi também mantida só que em 12,00% ao ano.

Câmbio

Os economistas dos bancos elevaram as suas estimativas para a taxa de câmbio ao final de 2015 de R$3,25 para R$3,35 por unidade da moeda norte-americana. Para o próximo ano, as projeções para a taxa de câmbio foram também elevadas só que de R$ 3,40 para R$3,49 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

Os analistas das instituições financeiras mantiveram inalteradas as estimativas para o saldo do balanço de pagamentos em 2015. Na conta Balança Comercial foi mantida a estimativa em US$ 6,40 bilhões. Para 2016, projeções foram reduzidas de um superávit US$ 14,89 bilhões para US$ 14,79 bilhões.

Os agentes do mercado financeiro elevaram as suas estimativas para o ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto em 2015 de US$ 65,70 bilhões para US$ 66,00 bilhões. Para o próximo ano as projeções foram mantidas em U$ 65,00 bilhões.

Perspectiva

Depois de pregões agitados por conta das recentes notícias que envolvem economia e política, os próximos dias tendem a ser mais tranquilos em relação à divulgação de indicadores. Dados do mercado de trabalho dos EUA prometem mexer com os mercados, dado a sua importância por conta da indefinição da política monetária americana. O relatório de emprego reúne dados de remuneração do trabalhador, horas trabalhadas, empregos gerados e taxa de desemprego.

No âmbito doméstico, além do cenário político que não deixa o noticiário, está prevista a divulgação da Ata do Copom, que trará elementos importantes para uma análise mais aprofundada sobre a política monetária.

No plano político, a volta das atividades no Congresso Nacional após duas semanas de recesso mostrará se a resistência aos projetos encaminhados pelo Executivo será mantida ou abrandada.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

O mercado também conhecerá o PIB dos EUA do segundo trimestre, a ser divulgado na quinta-feira (30). As expectativas são para a divulgação de um crescimento de 2,5%, e deve mostrar que a retração do primeiro trimestre foi resultado de fatores conjunturais.

O quadro revela uma mudança do cenário que requer cautela na movimentação dos recursos, priorizando aplicações nos vértices mais curtos da curva de juros, em ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida.