agosto, 2015

Nossa Visão – 31/08/2015

Retrospectiva

Em sessão volátil, o Ibovespa – principal índice do mercado acionário brasileiro – encerrou o pregão de sexta-feira em baixa de -1,18%, aos 47.157 pontos, após uma semana conturbada em que caiu forte na segunda-feira, pressionado por preocupações sobre a economia chinesa, avançando nos três pregões seguintes ao pegar carona em um movimento global de recuperação. Na semana, o índice acumulou ganhos de 3,14%, reduzindo a queda mensal para -7,30%.

Após uma sequência de pregões negativos na semana anterior, o clima de otimismo foi tomando força na medida em que notícias positivas eram divulgadas. Na China, o Banco Central local anunciou um corte das taxas de juros, de 0,25 ponto percentual, e afrouxou as taxas do depósito compulsório pela segunda vez em dois meses, aumentando o apoio à economia e ao mercado acionário, cuja forte queda afetou o resto do mundo.

A medida veio em reação à forte queda dos mercados de ações da China no início desta semana, por preocupações sobre a desaceleração da economia. Analistas sugerem que a real situação da economia chinesa não é a que se vê. A análise de alguns indicadores internos indica que a taxa de crescimento da economia não chega perto dos 7% divulgados pela autoridade chinesa, provocando certo grau de desconfiança na recuperação da 2ª maior economia do mundo.

No front doméstico, investidores permaneceram atentos ao quadro político. Repercutiu a notícia de que o governo estuda a volta da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira – CPMF, como parte de um pacote que inclui outros tributos, como a taxação sobre fortunas. Ao “vazar” a notícia, a estratégia do governo foi de sondar as bases políticas para quantificar o grau de resistência a ideia.

A ideia já encontrou forte resistência no Congresso, a começar pelos presidentes das Casas. Ambos se posicionaram contra o retorno da CPMF. Renan Calheiros, presidente do Senado, afirma que a medida seria um “tiro no pé”, pois o aumento da carga tributária no cenário atual poderia agravar ainda mais a retração da economia e provocar mais desemprego. Já Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, alegou que não se resolve o problema de caixa do governo cobrando “mais da sociedade”.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, divulgou que a taxa de desemprego subiu no segundo trimestre e atingiu 8,3%, tornando-se a maior taxa da série histórica, iniciada em 2012. De acordo com o IBGE, a população desocupada, de 8,4 milhões de pessoas, subiu 5,3% frente ao primeiro trimestre e, ante o 2º trimestre de 2014, o avanço foi de 23,5%.

Também foram divulgados dados da economia doméstica, que confirmam o quadro ruim. De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,9% no segundo trimestre de 2015, em relação aos três meses anteriores, e o país entrou na chamada “recessão técnica”, que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda. De janeiro a março deste ano, o PIB teve baixa de 0,7%. Contribuíram para o desempenho negativo da economia a queda dos investimentos (-8,1%) e do consumo das famílias (-2,1%). Em contrapartida, o consumo do governo registrou alta de 0,7%. O resultado foi pior que o esperado pelo mercado, indicando que a retração da economia em 2015 poderá ser maior do que a queda de 2,06% projetada pelos economistas e analistas, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

Foi divulgado também o resultado primário consolidado do setor público, que veio abaixo do que o mercado esperava.  Após registrar um rombo de R$ 9,3 bilhões em junho, no mês passado foi contabilizado um déficit de FR$ 10,0 bilhões, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em dezembro de 2001.

No mercado futuro de juros, as taxas mantiveram-se pressionadas com a alta do dólar, que subiu forte e chegou a “bater” na máxima em 12 anos e meio contra o real. O ceticismo dos investidores foi ampliado com um conjunto de ruídos no campo político. A saída formal do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), da articulação política do governo sugeriu uma maior dificuldade do governo em conseguir acordos com o Congresso Nacional. Outro ponto de desconforto é a proposta de novos aumentos de tributos embutidos na peça orçamentária para o ano que vem, que será encaminhada ao Congresso até o final deste mês. Em linhas gerais, o documento adota uma linha mais branda no corte de despesas e mais ênfase em alta dos tributos.

Pesquisa Focus

Em semana de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o rumo dos juros, atualmente em 14,25% ao ano, as previsões do mercado financeiro para a Selic permaneceram estáveis no Relatório de Mercado Focus revelado nesta segunda-feira. Para este ano, as expectativas ficaram congeladas em 14,25% ao ano pela quinta semana seguida, sugerindo que o colegiado não mexerá na taxa na reunião da próxima quarta-feira. Para 2016, a mediana das previsões manteve-se estável em 12,00%.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25%, previsão apontada já há 10 semanas, enquanto a mediana das previsões permaneceu em 12,13% ao ano pela terceira semana consecutiva para 2016, o que denota uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo entre um encerramento em 12,00% ou 12,25% no fechamento de ano.

Para o PIB, os analistas consultados aprofundaram as previsões de queda da economia. De acordo com o relatório, o PIB terá queda de 2,26% em 2015 e de 0,40% em 2016. Há duas semanas, os participantes da pesquisa previram pela primeira vez queda para o PIB do ano que vem. Na semana passada, a previsão de retração era de 0,24% ante uma alta de 0,20% apontada quatro semanas antes. Para este ano, a deterioração das previsões do mercado financeiro para a atividade no País é tendência já há alguns meses. Na semana passada, o boletim trazia uma previsão de recuo de 2,06% ante uma baixa de 1,80% vista quatro semanas antes.

Pela quarta semana consecutiva, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem, justamente onde está o foco de atuação do Banco Central neste momento, apresentou elevação no Relatório de Mercado Focus. A taxa subiu de 5,50% para 5,51%. O BC vem prometendo levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia tem chamado a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. Uma nova edição desse documento será divulgada no fim do mês que vem.

No caso da inflação de 2015, após a estabilidade nas estimativas na semana passada, houve nova queda das previsões. A mediana para esse indicador passou de 9,29% para 9,28%. Mesmo assim, segue mais elevada do que a taxa projetada há quatro semanas, de 9,25%. No RTI de junho, o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Perspectivas

A China continuará dando o tom dos mercados. Já na segunda-feira está prevista a divulgação dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs) de serviços e indústria do país asiático.

Na agenda doméstica, destaque para a reunião do Copom, no qual é praticamente consenso que não haverá mudanças na taxa Selic, principalmente depois dos dados fracos do PIB e do resultado primário do setor público, ambos divulgados na semana passada. Contribui para esta estimativa as pesquisas de mercado Focus mais recentes, que tem mostrado uma desaceleração dos índices inflacionários.

A semana termina com a divulgação do relatório de emprego dos EUA, que é o indicador mais observado pelo FED antes de elevar a taxa de juros.  Apesar da importância dos números, somente dados muito acima do esperado farão com que o juro americano seja elevado neste mês. As expectativas do consenso de mercado são de que os EUA tenham criado 217 mil novas vagas em agosto, e que a taxa de desemprego caia para 5,2%.

A aparente desistência da presidente Dilma Rousseff em apresentar o Orçamento de 2016 ao Congresso com a inclusão de receitas provenientes da nova CPMF trará uma piora nas perspectivas para o quadro fiscal. O ministro da Fazenda Joaquim Levy, defensor da cobrança, alerta para o fato de que, sem uma saída para ajustar as contas públicas, o país poderá perder o selo de bom pagador e amargará resultados piores para as empresas e para a economia.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 24/08/2015

O Ibovespa – principal índice do mercado acionário brasileiro – encerrou o pregão de sexta-feira em baixa de -1,99%, aos 45.719 pontos, renovando a mínima em 17 meses diante de fortes perdas em bolsas no exterior por preocupações relacionadas ao crescimento da economia global. A sexta-feira ainda trouxe divulgações econômicas negativas, como o fechamento de quase 158 mil vagas de empregos formais em julho, enquanto agosto terminou com a inflação em 12 meses medida pelo IPCA-15 atingindo 9,57%, na máxima desde 2003. Na semana, o índice acumulou perdas de -3,77%, arrastando a queda mensal para -10,12%.

Pesou sobre os mercados a notícia de que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), principal sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 1,89% no segundo trimestre deste ano se comparado com os três meses imediatamente anteriores. Só em junho sobre maio, a contração foi de 0,58%, de acordo com dados dessazonalizados, um resultado pior do que o mercado estimava. O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.

As perdas se consolidaram após o IBGE divulgar a Pesquisa Mensal de empregos (PME). De acordo com o relatório, a taxa de desemprego ficou em 7,5%, a sétima alta consecutiva para o índice.  A taxa é a maior para meses de julho desde 2009, quando atingiu 8%. Em junho, o índice ficou em 6,9% e, no sétimo mês de 2014, exatos um ano atrás, em 4,9%. O aumento do desemprego já era esperado, mas o que chama atenção é a intensidade com que os números vêm crescendo, escancarando o pessimismo do empresário com a situação do país.

A população desocupada (que está procurando trabalho) atingiu 1,8 milhão de pessoas, um aumento de 9,4% frente a junho e de 56% na comparação com julho de 2014. De acordo com o IBGE, esse foi maior crescimento anual da população desocupada em toda a série histórica, iniciada em março de 2002.

No campo político, o Congresso seguiu com a votação de medidas que causam impactos no orçamento do governo central.

A Câmara dos Deputados concluiu a votação do projeto de lei que altera a correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Sem maioria e com grande parte da base aliada favorável à proposta, o governo acabou cedendo a acordo para diminuir o que considera perdas que ocorrerão nos programas habitacionais e projetos de infraestrutura. Agora, o texto vai ao Senado Federal. Pelo acordo, a alteração será escalonada. A partir do ano que vem, os depósitos no Fundo de Garantia vão ser corrigidos pela Taxa Referencial (TR) mais 4% ao ano. Em 2017, TR mais 4,75%. Em 2018, TR mais 5,5%. E, em 2019, TR mais 6% ao ano, igual à correção da poupança. Atualmente, o rendimento do fundo é de 3% ao ano mais a TR, que não chega a 1%.

No Senado, o projeto que reonera a folha de pagamentos de empresas de 56 setores produtivos foi aprovado por 45 votos a 27, sem alterações em relação ao texto vindo da Câmara. Agora, o documento segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. A aprovação é positiva para o ajuste fiscal, porém com a demora para ser votada não deve render arrecadação para os cofres do governo este ano, por conta do princípio constitucional da noventena no direito tributário.

Também esteve no radar a confirmação de que o Ministério Público Federal (MPF) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por suspeita de envolvimento em irregularidades investigadas pela operação Lava Jato. O senador Fernando Collor (PTB-AL) também foi denunciado pelo MPF, mas o teor da denúncia não é conhecido porque corre em sigilo.

No ambiente externo, nenhuma notícia positiva que viesse a alterar o humor dos investidores. A divulgação da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) deixou “no ar” os próximos movimentos da autoridade monetária norte americana. O mercado se dividiu na interpretação do texto: enquanto alguns viram nas entrelinhas uma chance maior de alta do juro básico somente na última reunião do ano, outros avaliam como provável uma alta no próximo encontro, marcado para setembro.

O clima de pessimismo se consolidou com a divulgação de dados mais fracos do que o esperado na China. O índice de atividade dos gerentes de compras (PMI) do setor industrial chinês recuou a 47,1 em agosto no levantamento preliminar da Markit Economics. Em julho, o PMI tinha sido de 47,8. É o resultado mais baixo em seis anos e alimentam temores de desaceleração da segunda maior economia global. Leituras abaixo de 50,0 indicam contração da atividade.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 2,01% da semana anterior para 2,06%. Para o ano que vem, os economistas do mercado financeiro aceleraram a previsão de queda para o indicador, prevendo uma retração de -0,24. Na semana anterior, haviam estimado um PIB de -0,15%. Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

A estimativa para os juros no fim deste ano manteve-se em 14,25% ao ano. O consenso para os participantes do Relatório de Mercado Focus é o de que o Copom interrompeu o ciclo de alta da taxa Selic. Para o fim de 2016, a estimativa foi elevada para 12,00%.

Para a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a previsão do mercado financeiro recuou para 9,29% na semana passada, contra 9,32% na semana anterior. Mesmo com a queda, se confirmado o resultado, será o maior índice em 12 anos, ou seja, desde 2003 – quando somou 9,30%. Para 2016, a expectativa de inflação do mercado subiu de 5,44% para 5,50% na última semana. Foi a terceira alta consecutiva da previsão do mercado financeiro para o IPCA do ano que vem. A alta do dólar e principalmente dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Está prevista a divulgação de uma série de indicadores importantes nesta semana, que deverão mexer com os mercados de maneira geral.

Na agenda brasileira, destaque para a divulgação do PIB para o primeiro trimestre do ano e indicadores de confiança do consumidor e níveis de inadimplência.

No exterior, dados do PIB americano, alemão e do Reino Unido são destaques. Outros indicadores norte-americanos importantes serão conhecidos, como dados relativos ao auxílio desemprego, vendas pendentes de moradias e estoque de petróleo.

No campo político, os desdobramentos da operação Lava-Jato seguem no radar. O mercado estará atento aos possíveis movimentos de retaliação pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ), após a denúncia do MPF ao STF.

Os mercados emergentes em particular enfrentam um momento difícil, marcado por preços de commodities em queda, desaceleração do comércio global e menor apetite dos investidores por ações e bônus desses países. Com a valorização do dólar e o menor crescimento chinês, as commodities tem sofrido bastante. A previsão é de que o preço desses produtos (excluindo petróleo) devem ficar menores neste ano do que no ano passado. Neste cenário, qualquer enfraquecimento adicional das importações chinesas prejudicará ainda mais os emergentes que exportam esses bens. Em julho, as compras externas da China caíram 8,1%, refletindo a fraqueza da economia do país. A combinação parece formar uma “tempestade perfeita” para essas economias, tendo como pano de fundo a esperada alta dos juros nos EUA e as incertezas sobre o ritmo de crescimento da China, acentuadas pela mudança na política cambial chinesa na semana passada.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.


Mercado diverge em relação ao ritmo de redução dos juros

O Relatório de Mercado Focus divulgado em 17/08, pelo Banco Central, revela nesta edição que os analistas do mercado financeiro estimam que a autoridade monetária deva iniciar o ciclo de redução da Selic em abril de 2016. As expectativas trazidas pelo Relatório de Mercado Focus, revela que os economistas das instituições financeiras apostam que a taxa básica de juros da economia brasileira permanecerá inalterada até abril do ano que vem. Hoje, a Selic está em 14,25% ao ano.

Entretanto, as estimativas para o primeiro ciclo de redução foram reduzidas de 0,25 ponto porcentual para 0,50 pp. A taxa esperada que era de 14,00% ao ano neste Focus foi reduzida para 13,75% ao ano.

Em uma avaliação mais detalhada percebe-se que não há consenso entre os analistas sobre qual será a postura do COPOM – Comitê de Política Monetária em relação ao ritmo da condução da politica monetária. Para o encontro de junho de 2016, a projeção para os juros recuou de 13,50% para 13,31% ao ano, o que revela desencontro de expectativas.

Para a reunião de julho de 2016, a mediana da Selic recuou de 13,00% para 12,94% e, há estimativa de manutenção da taxa em 12,50% ao ano na pauta de setembro, a mesma projeção para outubro. No entanto, os analistas revisaram para baixo as suas projeções que recuaram de 12,00% para 11,88%, devendo encerrar o ano neste patamar.

As divergências são verificadas ainda em relação ao ritmo da condução da politica monetária para 2017. Para o primeiro encontro do ano, a estimativa que era de 11,69% foi elevada para 11,75% ao ano. E em fevereiro, foi mantida em 11,50%.

Meta atuarial

A escalada dos índices de inflação para 2015 a meta atuarial dos regimes próprios de previdência tende também a encerrar o ano em nível elevado. A projeção para a meta atuarial medida pela variação do IPCA para este ano é de 15,88%, por sua vez a estimativa para a meta atuarial medida pela variação do INPC é de 16,32%. Para o próximo ano há uma expectativa de melhora em relação aos indicadores de inflação. Com isso a meta atuarial estimada, medida pelo IPCA, é de 11,65% já a meta estimada com base na variação do INPC deverá ser de 11,52%.

Meta atuarial é a taxa de juros, ou seja, a rentabilidade mínima necessária das aplicações financeiras dos investimentos de um plano de previdência, para o cumprimento dos seus compromissos futuros. Funciona como uma taxa de desconto, onde os compromissos futuros são trazidos a “valor presente”.

Perspectiva

O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado.

No caso da inflação de 2015, houve estabilidade nas estimativas após 17 rodadas seguidas de elevação no boletim Focus. A previsão para o IPCA deste ano seguiu em 9,32%. Há um mês, essa projeção estava em 9,15%. No RTI de junho, o Banco Central havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Está prevista a divulgação de uma série de indicadores importantes nesta semana, que deverão mexer com os mercados de maneira geral.

Na quarta-feira, será divulgado o IBC-Br, considerado a prévia do PIB brasileiro. As expectativas são de uma contração de 0,48% em junho ante maio.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), divulgará a ata da sua última reunião, dando explicações sobre o que veem na economia norte americana e quais serão os próximos passos da autoridade monetária.

O IBGE divulgará a pesquisa mensal de emprego (PME) relativa ao mês de julho. A expectativa é de contínua deterioração nas condições do mercado de trabalho, resultado da dinâmica desfavorável da atividade econômica em geral.

Por fim o IPCA-15, que deve mostrar uma desaceleração disseminada entre os grupos, sendo mais expressiva em bens industriais.

No campo político, esta semana pode ir à votação o fim da desoneração da folha de pagamento de empresas de 56 setores, o que liberaria a pauta para a discussão do projeto que trata da repatriação de capital de brasileiros no exterior. Também deve ir à votação, na Câmara, projeto que pretende remunerar o FGTS pelo índice da caderneta de poupança. O resultado dessas votações vai ser fundamental para medir o quanto a reaproximação entre Executivo e Legislativo é para valer. E se o clima de imobilismo do governo prosseguirá.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 17/08/2015

O Ibovespa – principal índice do mercado acionário brasileiro – encerrou o pregão de sexta-feira no terreno negativo, estendendo as perdas dos últimos pregões em meio a fraqueza das commodities e resultados corporativos negativos. Com queda de 1,04% aos 47.508 pontos, o menor fechamento desde 30 de janeiro, o índice acumulou perdas de 2,20% na semana. No mês, a baixa é de 6,60%.

Fez preço o anúncio da agencia classificadora de riscos Moody’s, em rebaixar o rating soberano do Brasil para “Baa3”, última nota dentro da faixa considerada como grau de investimento, mas alterou a perspectiva da nota para “estável” ante “negativa”, sinalizando que o selo de bom pagador do país deve ser mantido no curto prazo.

Apesar de negativa em primeira análise, a notícia representou um golpe mais brando do que o mercado esperava, uma vez que os investidores estavam começando a acreditar que a Moody’s alcançaria a Standard & Poor’s e deixaria o Brasil mais perto de perder o grau de investimento. A Moody’s citou, entre os motivos para o rebaixamento, a fraqueza da economia, a tendência de aumento de gastos públicos e os reflexos da operação Lava Jato na confiança de investidores no Brasil.

O clima ruim foi mantido em meio divulgação da proposta apresentada pela Senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), relatora da Medida Provisória (MP) nº 675, em ampliar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, paga por bancos e outras instituições financeiras de 15% para 23%. O texto original da MP, enviada pelo governo, é de uma tributação de 20%. A notícia é ruim para os bancos, que viram suas ações caírem forte e pressionaram o Ibovespa para baixo.

O cenário político deu trégua aos mercados, com a sensação de isolamento e perda do poder do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo cunha (PMDB/RJ), em meio a decisão do Supremo Tribunal Federal – STF – de reduzir seu papel na aprovação das contas públicas de 2014, que estão em análise pelo Tribunal de Contas da União – TCU. A análise agora terá que passar na Câmara e Senado, ficando a cargo de Renan Calheiros a decisão última na questão.

Do lado externo, pesou sobre os mercados a decisão da China em permitir que o yuan se desvalorizasse frente ao dólar. Especula-se que o banco central chinês pretende, com isso, incentivar as exportações chinesas, após a divulgação de queda nas vendas ao exterior em julho, de 8,3%. Com a desvalorização os exportadores chineses ganham mais competitividade.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,97% da semana anterior para 2,01%. Para o ano que vem, os economistas do mercado financeiro passaram a acreditar que a economia deverá “encolher”, prevendo uma retração de -0,15%. Na semana anterior, haviam estimado um PIB zero. Para se ter uma ideia, no início deste ano, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,8% para a economia brasileira no ano que vem.

A estimativa para os juros no fim deste ano manteve-se em 14,25% ao ano. O consenso para os participantes do Relatório de Mercado Focus é o de que o Copom interrompeu o ciclo de alta da taxa Selic. Para o fim de 2016, a estimativa foi reduzida para 11,88%, ante 12% ao ano na semana anterior. Isso significa que ainda não há um consenso sobre a manutenção dos 12% no encerramento de 2016 ou mais uma queda, para 11,75% ao ano.

O esforço em levar as projeções de inflação do mercado financeiro a convergirem para a meta de 2016 deu outro passo atrás. Na semana passada, a mediana das projeções para o IPCA do ano que vem já havia subido de 5,40% para 5,43%. Agora, a mediana das previsões, de acordo com o documento, sofreu um novo ajuste e está em 5,44%. Há quatro semanas, a taxa estava em 5,40%.

O BC promete levar a inflação para a meta de 4,5% no fim do ano que vem, mas recentemente, a autarquia vem chamando a atenção para “novos riscos” que surgiram para o comportamento dos preços. Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado.

No caso da inflação de 2015, houve estabilidade nas estimativas após 17 rodadas seguidas de elevação no boletim Focus. A previsão para o IPCA deste ano seguiu em 9,32%. Há um mês, essa projeção estava em 9,15%. No RTI de junho, o Banco Central havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Está prevista a divulgação de uma série de indicadores importantes nesta semana, que deverão mexer com os mercados de maneira geral.

Na quarta-feira, será divulgado o IBC-Br, considerado a prévia do PIB brasileiro. As expectativas são de uma contração de 0,48% em junho ante maio.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), divulgará a ata da sua última reunião, dando explicações sobre o que veem na economia norte americana e quais serão os próximos passos da autoridade monetária.

O IBGE divulgará a pesquisa mensal de emprego (PME) relativa ao mês de julho. A expectativa é de contínua deterioração nas condições do mercado de trabalho, resultado da dinâmica desfavorável da atividade econômica em geral.

Por fim o IPCA-15, que deve mostrar uma desaceleração disseminada entre os grupos, sendo mais expressiva em bens industriais.

No campo político, esta semana pode ir à votação o fim da desoneração da folha de pagamento de empresas de 56 setores, o que liberaria a pauta para a discussão do projeto que trata da repatriação de capital de brasileiros no exterior. Também deve ir à votação, na Câmara, projeto que pretende remunerar o FGTS pelo índice da caderneta de poupança. O resultado dessas votações vai ser fundamental para medir o quanto a reaproximação entre Executivo e Legislativo é para valer. E se o clima de imobilismo do governo prosseguirá.

Mantemos a recomendação de, por hora, expor a carteira para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral).

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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