junho, 2015

Mercado projeta IPCA de 9% para este ano

Instituições financeiras que participam da pesquisa semanal promovida pelo Banco Central do Brasil apostam que o índice oficial de inflação utilizado pelo Governo Federal, este ano, encerre em 9,00%. A estimativa divulgada na semana anterior era 8,97%. Com essa é a 11ª elevação consecutiva que os analistas do mercado financeiro elevam à estimativa e desta forma ficou no mesmo patamar das projeções da própria autoridade monetária, divulgada no Relatório de Inflação divulgado a semana passada.

Essas informações a cerca dos indicadores econômicos constam do Relatório de Mercado Focus divulgado hoje, 29/06, pelo Banco Central. O Focus reúne as estimativas sobre o comportamento dos principais indicadores da economia.

Inflação

Os analistas do mercado financeiro elevaram, mais uma vez, as suas estimativas para o IPCA em 2015. Na avaliação dos analistas o índice oficial de inflação do governo deverá terminar 2015 9,00% ante 8,97% da semana anterior. Para o próximo ano os economistas das instituições financeiras mantiveram o IPCA em 5,50%.

Os analistas do mercado financeiro reduziram as suas estimativas para a inflação para os próximos 12 meses, de 6,13% para 5,99%. O mercado passou a apostar que a inflação apresente tendência de recuo para os próximos 12 meses.

A meta de inflação, que deve ser buscada pelo Banco Central, tem como centro 4,5% e limite inferior de 2,5% e superior de 6,5%. A autoridade monetária já abandonou a ideia de entregar a inflação, medida pelo IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, na meta, este ano. O Banco Central tem assegurado que deva buscar a meta somente no próximo ano. Mas como as expectativas para a inflação em 2016 ainda estão acima do centro da meta, o Banco Central tem sinalizado que deve elevar novamente a taxa básica de juros, a Selic, que já passou por seis altas seguidas. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano.

Inflação de curto prazo

Os agentes dos bancos, considerados Top 5, mantiveram as suas projeções para a inflação de curto prazo. Para junho a projeção foi mantida em 0,70%.  Entretanto, a inflação de julho foi elevada de 0,41% para 0,45%.

Crescimento da Economia

Para o comportamento do PIB – Produto Interno Bruto de 2015, os analistas das instituições financeiras reduziram mais uma vez a estimativa, para uma retração economia de -1,45% para -1,49%. Com esta foi a sexta queda seguida deste indicador.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Para 2016, o mercado baixou sua previsão de alta do PIB de 0,70% para 0,50%.

Para o desempenho da produção industrial brasileira, as estimativas também não são nada animadoras. Os economistas dos bancos estão projetando que a economia brasileira recue -4,00%, na semana anterior era de -3,65%. Para 2016, a projeção dos analistas foi mantida 1,50%.

Taxa de juros

A projeção para os juros ao final de 2015 foi elevada, passando de 14,25% para 14,5% ao ano. Isso significa que os economistas das instituições financeiras estão projetando uma alta maior da taxa Selic no decorrer de 2015. Para de 2016, a estimativa permaneceu estável em 12% ao ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento da autoridade monetária para tentar conter a pressão inflacionária. Pelo sistema de metas de inflação utilizado no Brasil, o Banco Central deve calibrar os juros para manter a inflação no centro da meta. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Câmbio

Os agentes do mercado financeiro mantiveram as suas projeções para a taxa de câmbio ao final de 2015 em R$ 3,20 por unidade da moeda norte-americana. Para o próximo ano, a estimativa dos analistas das instituições financeiras para a taxa de câmbio foi reduzida de R$ 3,40 para R$3,37 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

Os economistas dos bancos elevaram as suas estimativas para o saldo do balanço de pagamentos para 2015. Na conta Balança Comercial foi registrada elevação das estimativas de US$ 3,10 bilhões para US$ 4,00 bilhões. Para o próximo ano, a mediana das projeções, foram elevadas de um superávit US$ 11,00 bilhões para US$ 12,00 bilhões.

Os agentes das instituições financeiras reduziram as suas estimativas para o ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto em 2015 de US$ 66,50 bilhões para US$ 65,70 bilhões. Para 2016 as projeções foram mantidas em U$ 65,00 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para este ano, as projeções dos analistas das instituições financeiras para os preços administrados foram elevadas de 14,50% para 14,60%.  Para o próximo ano as projeções também foram elevadas, só que de 5,90% para 5,91%.

Perspectiva

No Brasil, o mercado seguirá de olho nas votações do Congresso. O Senado poderá votar na semana que vem a última medida do ajuste fiscal, o projeto de lei que reduz as desonerações da folha de pagamentos. Aprovado pela Câmara, o PL 863/2015 aumenta as alíquotas incidentes sobre a receita bruta das empresas de 56 setores da economia.

Na agenda dos indicadores, destaque para a divulgação dos dados de atividade e emprego dos EUA, conhecido como payroll. Por aqui, uma série de indicadores serão conhecidos: IGPM mensal, confiança do consumidor, resultados do governo, balança comercial, produção industrial, dentre outros.

Reafirmamos nossa recomendação de, por hora, manter uma carteira posicionada para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 29/06/2015

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o pregão de sexta-feira em alta de 1,58%, aos 54.016 pontos. O avanço na semana foi de 0,49%, engatando a quarta consecutiva de valorização, enquanto no mês a alta acumulada é de 2,38%.

A volatilidade esteve presente em todos os pregões da semana, mas sem sair da tendência “de lado” que perdura desde maio. A tensão na zona do euro manteve-se no foco dos mercados, e mais uma semana se passou sem que uma solução negociada fosse concluída. Agora, aproxima-se o prazo fatal para que a Grécia honre com a parcela de 1,6 bilhões de euros, sem um sinal de que isso vá acontecer.

Do lado doméstico, a notícia da semana foi a aprovação do texto base da Medida Provisória 672, que estende até 2019 a política de valorização do salário mínimo.  Porém, no texto base foi incluída uma emenda que amplia a aplicação da regra do salário mínimo a todas as aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. Foi mais uma prova da dificuldade que o governo enfrenta em aprovar as medidas do ajuste fiscal. Caso a medida passe do jeito que está pelo Senado e não sofra o veto da presidente Dilma, gerará um gasto adicional ao Executivo de R$ 9,2 bilhões por ano.

Também ficou no radar a redução, pelo Conselho Monetário Nacional – CMN, da margem de tolerância para a meta da inflação. O Conselho confirmou a meta de inflação para 2017 em 4,5%, porém reduziu a margem para 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos, o que significa que o teto da meta passará de 6,5% para 6,0%. A decisão era defendida por Joaquim Levy e Alexandre Tombini e, na prática, mostra o compromisso do governo com a redução da inflação. Com a redução do teto, mesmo que para daqui a dois anos, eleva-se a expectativa do mercado com a alta nos juros nas próximas reuniões do Copom.

O Banco Central divulgou o relatório trimestral de inflação do segundo trimestre. Nele, o BC admitiu que a inflação deve atingir 9% em 2015. Além disso, o BC também admitiu que a economia brasileira deve “encolher” 1,1% neste ano – a maior contração em 25 anos. A principal mensagem do relatório é que a política monetária esteja e se mantenha “vigilante para assegurar a convergência da inflação à meta de 4,5% ao final do ano de 2016”. O documento reconhece inflação elevada em 2015 e reitera a “necessidade de determinação e perseverança no combate à inflação no curto, médio e longo prazos”.

Durante a semana, ainda foi destaque a notícia de que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teria entrado com pedido de habeas corpus para não ser preso na operação Lava Jato. Contudo, a informação se provou falsa após a confirmação de que o pedido, na verdade, partiu de um cidadão em favor de Lula.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,45% da semana anterior para 1,49%, registrando a sexta semana consecutiva de queda no indicador. Para 2016, a mediana das projeções também foi reduzida, de crescimento de 0,70% para 0,50%.

Em relação à SELIC, os economistas das instituições financeiras ajustaram suas perspectivas da taxa para o fim deste ano, acreditando que encerrará 2015 em 14,50%, ante 14,25% da semana anterior. Para 2016, as expectativas foram mantidas em 12,00%.

Em relação a inflação, os economistas consultados elevaram pela décima primeira vez consecutiva a previsão para o IPCA deste ano. A expectativa é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 9,00%, contra 8,97% na semana anterior. Para 2016 as projeções foram mantidas em 5,50%.

O noticiário movimentado traz um viés de tensão para os mercados nesta semana.

O desenrolar da crise grega será o grande evento do mercado nos próximos dias. Um possível acordo já está, em parte, precificado pelo mercado. Por outro lado, um calote grego torna as coisas mais complicadas e a instabilidade dos mercados se intensificará.

Na próxima terça-feira termina o prazo para a Grécia devolver 1,6 bilhões de euros aos credores, e termina igualmente o atual programa de assistência, o que vai aumentar a pressão sobre o sistema financeiro grego.

Alexis Tsipras, líder do governo grego, conseguiu a aprovação, pelo Parlamento, de um referendo para que o povo possa se pronunciar sobre as últimas propostas dos credores internacionais. Para que o referendo possa ser convocado e realizado, Tsipras deve pedir uns dias adicionais para o fim do programa. Tsipras usa todas as armas que têm para impor um acordo em melhores condições para o país.

No Brasil, o mercado seguirá de olho nas votações do Congresso. O Senado poderá votar na semana que vem a última medida do ajuste fiscal, o projeto de lei que reduz as desonerações da folha de pagamentos. Aprovado pela Câmara, o PL 863/2015 aumenta as alíquotas incidentes sobre a receita bruta das empresas de 56 setores da economia.

Na agenda dos indicadores, destaque para a divulgação dos dados de atividade e emprego dos EUA, conhecido como payroll. Por aqui, uma série de indicadores serão conhecidos: IGP-M mensal, confiança do consumidor, resultados do governo, balança comercial, produção industrial, dentre outros.

Reafirmamos nossa recomendação de, por hora, manter uma carteira posicionada para os vértices mais longos em no máximo 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Nossa Visão – 22/06/2015

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o pregão de sexta-feira em queda de 0,90%, aos 53.749 pontos. Ainda assim, na semana o Ibovespa subiu 0,75%, enquanto no mês a alta acumulada é de 1,87%.

A volatilidade esteve presente em todos os pregões da semana, com o mercado precificando as tensões na zona do euro e a decisão do FED sobre o juro americano. Ao final da quarta-feira, o FOMC anunciou que manteve a taxa de juros inalterada na banda entra 0% e 0,25%. O mais importante, contudo, foi a sinalização de que o BC dos EUA subirá os juros de maneira mais lenta. Serão mais quatro reuniões esse ano, mas a maior parte dos analistas assume que o FED não deve começar a elevar as taxas de juros em julho, jogando luz para as reuniões de setembro, outubro e dezembro. O comitê da autoridade monetária destacou ver duas altas na taxa de juros ainda este ano, o que deixa na mesa a expectativa que a alta dos juros deve começar em setembro.

Na Grécia, as tensões se multiplicaram. Os gregos sacaram mais de 1 bilhão de euros de seus bancos em um único dia, disseram fontes do setor bancário na sexta-feira, conforme o país se aproxima de um default apesar das declarações otimistas do primeiro-ministro, Alexis Tsipras.

Investidores temem que a Grécia seja incapaz de realizar o pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim deste mês, entrando em default e deprimindo o apetite por ativos de risco nos mercados financeiros globais.

No Brasil, destaque para a divulgação do chamado Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado pelo BC e que busca ser uma espécie de “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB). O índice registrou uma contração de 0,84% em abril, primeiro mês do segundo trimestre. A variação, após ajuste sazonal, aconteceu sobre o mês de março. Foi o segundo mês seguido de queda do indicador que, em março, havia recuado 1,51% (valor revisado). Desde outubro do ano passado, o IBC-Br não registrou recuo somente em fevereiro deste ano – quando subiu 0,70%.

O Relatório de Mercado Focus, revelado pela manhã, mostrou que a mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,35% da semana anterior para 1,45%, registrando a quinta semana consecutiva de queda no indicador. Para 2016, a mediana das projeções também foi reduzida, de crescimento de 0,90% para 0,70%.

Em relação à SELIC, os economistas das instituições financeiras ajustaram suas perspectivas da taxa para o fim deste ano, acreditando que encerrará 2015 em 14,25%, ante 14,00% da semana anterior. Para 2016, as expectativas foram mantidas em 12,00%.

Em relação a inflação, os economistas consultados elevaram pela décima vez consecutiva a previsão para o IPCA deste ano. A expectativa é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 8,97%, contra 8,79% na semana anterior. Para 2016 as projeções foram mantidas em 5,50%.

O noticiário movimentado promete não dar tréguas ao mercado nesta semana.

A Grécia continuará sendo o grande foco desta semana, ofuscando ao menos por enquanto o assunto sobre a probabilidade de alta de juros nos EUA ainda este ano. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, convocou uma reunião de emergência dos líderes da zona do euro para a próxima segunda-feira (22) para discutir a situação da Grécia. Embora um eventual “default” do governo grego esteja no cenário do mercado, uma saída do país da zona do euro não está descartada, e poderá aumentar a aversão ao risco.

Depois do fracasso da reunião dos ministros das Finanças da zona do euro na quinta-feira, várias autoridades europeias advertiram que a reunião excepcional de chefes de Estado e de Governo na próxima segunda-feira não terá serventia, se não se trabalhar seriamente já no fim de semana.

E o governo grego trabalhou. Alexis Tsipras apresentou uma proposta concreta de reforma, com alterações na aposentadoria e aumento de impostos. Apesar de considerada “razoável”, não se espera por um acordo ainda hoje.

De concreto a notícia, a confirmar, de que o BC Europeu concordou em aumentar a reserva de liquidez do sistema bancário grego em 1,5 bilhão de euros, afim de evitar que o sistema entre em colapso, já que a corrida dos poupadores aos bancos nos últimos dias foi grande. O aumento da reserva funciona como uma linha de crédito, que poderá ser acessada dependendo das condições.

No lado doméstico, o mercado vai digerir os desdobramentos da operação Lava Jato, que também promete trazer bastante pressão aos mercados. Além disso, o mercado volta as atenções para o Congresso Nacional. Na próxima quarta-feira deverá ocorrer a votação do projeto de lei que reduz as desonerações da folha de pagamentos, a última medida do ajuste fiscal. O projeto aumenta de 1% ou 2% para 2,5% e 4,5% as alíquotas incidentes sobre a receita bruta das empresas de 56 setores da economia que deixaram de contribuir com 20% da folha de pagamentos ao INSS.

Reafirmamos nossa recomendação de, por hora, manter uma carteira posicionada para os vértices mais longos em torno de 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

Analistas elevam projeção da SELIC para 14,25% ao ano em 2015

O Relatório de Mercado Focus publicado nesta segunda-feira, 21/06, pelo Banco Central revela que os analistas das instituições financeiras reduziram significativamente as suas estimativas em relação à produção industrial e ao crescimento da economia para 2015, além de elevar a estimativa para a Selic em 2015.

Inflação

Os economistas dos bancos voltaram a elevar as suas projeções para o índice oficial de inflação do governo em 2015. Na percepção dos economistas o IPCA deverá encerrar este ano em 8,97% ante 8,79% da semana passada. Para 2016 os agentes do mercado financeiro continuam apostando que o IPCA encerre o ano em 5,50%.

Os agentes do mercado financeiro elevaram as suas projeções para a inflação suavizada nos próximos 12 meses, de 6,10% para 6,13%. Esta é a segunda semana que o mercado eleva a sua estimativa em relação a inflação para os próximos 12 meses.

Inflação de curto prazo

Pela terceira semana seguida os analistas do mercado financeiro, considerados Top 5, elevaram as suas estimativas para a inflação de curto prazo. Para junho a projeção foi elevada de 0,46% para 0,70%.  Por sua vez, a inflação de julho foi elevada de 0,40% para 0,41%.

Crescimento da Economia

Em mais uma semana de ajustes negativos nas expectativas dos analistas das instituições financeiras, que passaram a projetar que o PIB – Produto Interno Bruto de 2015 deve encerrar o ano em 1,45% contra estimativa de 1,35% da semana anterior. Há quatro semanas, a mediana era de -1,24%. Para o próximo ano, a mediana das estimativas passou de 0,90% para 0,70%. Um mês antes, estava em 1,00%.

Em relação ao desempenho da produção industrial, os economistas dos bancos reduziram significativamente as suas estimativas de -3,20% para -3,65% em 2015. Para 2016, os agentes do mercado financeiro reduziram as suas projeções de 1,60% para 1,50%.

Taxa de juros

Em função das expectativas observadas no mercado futuro de juros e nas declarações de membros da diretoria do Banco Central, os economistas dos bancos elevaram as suas projeções para a taxa básica de juros da economia de 14,0% para 14,25% ao ano, o que significa uma elevação de mais 0,50 pontos base. Em relação às expectativas para o próximo ano, a Selic foi mantida em 12,0%.

Câmbio

Os analistas das instituições financeiras mantiveram as suas estimativas para a taxa de câmbio ao final de 2015 que permaneceu em R$ 3,20 por unidade da moeda norte-americana. Para 2016, a estimativa dos economistas dos bancos para a taxa de câmbio foi elevada de em R$ 3,30 para R$3,40 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

Nesta edição do Focus, os agentes do mercado financeiro elevaram as suas projeções para o saldo do balanço de pagamentos para 2015. Na conta Balança Comercial foi registrada elevação das estimativas de US$ 3,00 bilhões para US$ 3,10 bilhões. Para 2016, a mediana das projeções, foram elevadas de um superávit US$ 10,35 bilhões para US$ 11,00 bilhões.

Os economistas dos bancos voltaram a reduzir nesta semana as suas projeções para o ingresso de IED – Investimento Estrangeiro Direto em 2015 de US$ 67,00 bilhões para US$ 66,50 bilhões. Para 2016 as estimativas foram mantidas em U$ 65,00 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para este ano, as estimativas dos analistas das instituições financeiras para os preços administrados foram elevadas de 14,00% para 14,50%.  Para o próximo ano as projeções também foram elevadas, só que de 5,80% para 5,90%.

Perspectiva

Em que pese as mudanças em indicadores como taxa de juros e inflação, reafirmamos nossa recomendação de, por hora, manter uma carteira posicionada para os vértices mais longos em torno de 60% (no máximo 10% em IMA-B 5+ ou IDKA IPCA 20A, o restante no IMA-B e IMA-Geral). O reposicionamento deverá ser gradativo, visando formar um preço médio para a carteira.

Os demais recursos devem ser direcionados para os vértices mais curtos, para ativos indexados ao CDI, IRF-M 1, IMA-B 5 ou IDKA IPCA 2A.

Na renda variável, mantemos nossa recomendação de uma exposição reduzida, pois não há percepção de melhora nos fundamentos que justifique elevar o risco da carteira no curto/médio prazos. Investimentos neste segmento devem estar direcionados para ativos que utilizam estratégias de gerar valor ao acionista, através de análises fundamentalistas.

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