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maio 13th, 2015

Contratar o Einstein é custo ou investimento?

Publicado originalmente em: Estrategista

O texto a seguir é um bom exemplo e serve para todas às áreas do conhecimento.

O post de hoje exige uma dose de fantasia do leitor. Imagine que você fosse dono de uma empresa de alta tecnologia e surgisse a oportunidade de contratar Einstein. Você não leu errado. Ele mesmo, Albert Einstein, quem desenvolveu a teoria da relatividade e ganhou o prêmio Nobel de Física de 1921. Mas você é adepto de uma operação enxuta. Ao se reunir com seu contador, é informado que essa aquisição deverá ser contabilizada como custo (supondo que o físico trabalhasse na operação e não na área administrativa, pois, dessa forma, o dispêndio seria classificado como despesa). Em resumo, essa contratação irá impactar negativamente e de imediato o resultado apesar da provável melhora no médio prazo fruto da contribuição do Nobel. Esse exemplo surrealista demonstra como a contabilidade não está preparada para dar conta da Nova Economia do conhecimento.

Em 2011, o Brasil adotou as regras contábeis internacionais do IFRS (International Financial Reporting Standards). Sob esse novo padrão, os ativos e passivos devem ter uma apuração mais fidedigna, tornando os balanços mais realistas. Contudo a contabilização de ativos intangíveis, marca da economia do conhecimento, continua imprecisa.

O livro “Valuation, como precificar ações” de Alexandre Póvoa aborda alguns exemplos desse problema. Suponha que uma empresa farmacêutica (A) gaste bastante com pesquisa e desenvolvimento. Esse dispêndio é lançado no resultado como despesa, reduzindo o seu lucro. Caso sua concorrente (B) “invista” menos em pesquisa, seu resultado tende a ser maior no curto prazo, mas ele será consistente em um horizonte mais longo? Como sabido, dispêndios com pesquisa tendem a dar resultados no médio prazo, embora impactem negativamente o resultado no curto prazo. Por uma análise estática, o investidor preferirá a empresa “b” que deve apresentar um múltiplo P/L (preço por lucro) menor. Contudo, provavelmente, essa escolha não será vitoriosa no médio prazo.

A contabilidade reflete de forma razoável o segmento industrial clássico onde máquinas e equipamentos são contabilizados como ativo e a mão de obra é considerada apenas mais um insumo da produção como minério de ferro, energia elétrica, papel, etc. Mas esse modelo mental serve para explicar empresas do conhecimento como o Google? Os PhDs são custo ou ativos geradores de renda no médio prazo? Essa discussão leva muitas pessoas a advogarem que os maiores retornos sobre o ativo (lucro líquido sobre ativos) ou sobre o patrimônio líquido (lucro líquido sobre patrimônio líquido) das empresas de serviço são derivadas não de um retorno extraordinário desse segmento em comparação com o setor industrial, mas sim da subavaliação dos ativos. O principal capital do setor de serviços, o intelectual, não transita no ativo.

Esse raciocínio vale para as gestoras de recurso. Seus ativos mais preciosos são os computadores e o mobiliário ou as pessoas que a compõem?

O exemplo do Einstein é fantasioso (ele morreu há quase 60 anos), mas mostra que se dependesse do seu contador e da sua obsessão por corte de custos, o brilhante cientista permaneceria desempregado.