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maio 6th, 2015

Os elementos-chave da poupança para a aposentadoria

Publicado em: O Estrategista

Mudanças estruturais da economia brasileira nos últimos 20 anos levaram alguns brasileiros (ainda poucos é verdade) a se preocuparem com a criação de uma poupança ao longo da vida útil para suportar os gastos na aposentadoria. A estabilidade monetária permitiu que as pessoas passassem a programar seus orçamentos, tarefa impossível no período inflacionário. A redução de empregos em estatais ou antigas estatais com seus robustos fundos de pensão também contribuíram para o tema aposentadoria virar destaque. Mas o assunto ainda é um mistério para muitas pessoas. A obtenção de uma renda futura para cobrir os gastos para quando ficarmos inativos depende apenas de quatro variáveis: (i) a contribuição periódica, (ii) o tempo de contribuição, (iii) os juros reais e (iv) o tempo de usufruto da poupança ou, sendo mais explícito, o período entre o início da aposentadoria e a morte. As duas primeiras são decisão do investidor, a terceira depende das condições macroeconômicas e a quarta, bem essa, embora possamos ajudar para aumentar a longevidade, está nas mãos divinas. Entender essas variáveis é fundamental para um bom planejamento financeiro. Ao fim do texto, mostro qual é a contribuição mensal necessária para se obter uma renda complementar de R$ 5 mil entre os 60 e os 85 anos?

A especialidade do blog O Estrategista é o mercado acionário, mas existem alguns posts sobre educação financeira. Algumas pessoas ainda não se convenceram da necessidade de poupar visando o longo prazo. Tratei dessa questão no post “A falsa oposição entre viver ou juntar dinheiro”, de 15 de outubro de 2012.

Outro texto com bastante repercussão foi “Como calcular sua independência financeira?”, de 20 março de 2012, ou, em outras palavras, quanto temos que ter depositado no banco para pararmos de trabalhar. Embora a resposta pareça difícil, o cálculo engloba apenas duas variáveis: os juros reais e os gastos mensais. O primeiro está fora de sua alçada, leitor, mas o padrão de vida que você leva definirá se sua independência financeira está mais próxima ou ainda distante.

Para retornar ao tema, utilizei a simulação de Fabio Giambiagi de seu artigo no Valor Econômico de 13 de agosto “Previdência (I): cálculo da contribuição”. No exercício, Giambiagi calcula qual a contribuição mensal é necessária para se obter uma renda complementar de R$ 5 mil durante 25 anos a partir dos 60 anos, variando o início da contribuição (20, 30 , 40 ou 50 anos) e os juros reais anuais (0%, 1%, 2%, 3%, 4%, 5% ou 6%).

Obviamente, quanto mais cedo se inicia a poupança menor a contribuição mensal requerida. Mas gostaria de chamar a atenção para dois pontos: a renda complementar e os juros reais.

A renda desejada dependerá do padrão de vida. Quanto maiores os gastos, maior o esforço para alcançar a renda almejada. Uma maior segurança financeira pode ser obtida reduzindo seus dispêndios. Essa variável é decisão única e exclusiva do leitor. Não adianta reclamar do governo ou de que a vida não é justa.

Mas a outra variável é mais complexa. Quanto maiores os juros reais obtidos, menor a contribuição necessária e vice versa. Atualmente, os juros nominais da economia tendo como referência a taxa Selic é de 13,25% a.a. Imagine que você consiga obter uma remuneração igual a taxa Selic em seus investimentos e que mantenha-os por prazo superior a dois anos, pagando 15% de imposto de renda. Sua remuneração líquida de impostos cai para 11,26% a.a. A inflação medida pelo IPCA se encontra ao redor de 8,26%. Logo, os juros reais seriam de 2,77% ((1,1126/1,08,26  – 1) x 100). Mas essa conta pode estar errada. Por quê? Sua inflação, leitor, deve ser superior ao IPCA. Pense nos seus gastos recentes com colégio dos filhos, alimentação fora do lar, plano de saúde. Logo os juros reais de seus investimentos podem ser ainda menores ou mesmo negativos (se sua inflação pessoal superar os juros reais de 9,35%. Acredite, pode ser bem possível). Por isso, a decisão de poupar deve começar o mais cedo possível, as contribuições devem ser significativas e o controle dos custos deve ser uma obsessão. Isso contribuirá para você chegar ao fim da vida vivendo-a e não se amaldiçoando por ainda estar vivo.