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dezembro 8th, 2014

Mercado reduz projeção para PIB e inflação em 2014

O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 8/12, pela autoridade monetária, trouxe poucas alterações nas projeções para a taxa de câmbio ao final deste.

Em relação ao principal índice de inflação o relatório publicado pelo Banco Central, mostra que os analistas reduziram a sua estimativa para a inflação de 2014 e elevaram para o próximo ano.

Inflação

Para 2014, a expectativa dos analistas das instituições financeiras para a inflação recuou de 6,43% para 6,38%. Para o próximo ano, no entanto, a projeção foi elevada de 6,49% para 6,50%. Como a meta de inflação é de 4,50%, podendo variar dois pontos para mais ou para menos podemos entender que as projeções para 2015 esta no teto da meta.

A projeção o IPCA nos próximos 12 meses foi elevada pelos analistas do mercado financeiro de 6,57% para 6,63%, se distanciando ainda mais do teto da meta.

Inflação de curto prazo

Os economistas das instituições financeiras, considerados Top 5, reduziram as suas projeções para o IPCA de dezembro de 0,83% para 0,82% . A estimativa para o índice oficial de inflação para janeiro foi reduzido de 1,00% para 0,95%.

Crescimento da Economia

Para o PIB – Produto Interno Bruto, os economistas dos bancos reduziram as suas estimativas de uma alta neste ano de 0,19% para 0,18%. Com esta foi à terceira queda seguida do indicador. Caso se confirme, esta será o menor crescimento da economia brasileira desde 2009, quando o PIB recuou 0,33%. Para o próximo ano, a projeção de expansão da economia recuou de 0,77% para 0,73%, na segunda redução consecutiva.

As projeções para o crescimento da produção industrial brasileira para 2014 voltaram a ser reduzidas pelos analistas das instituições financeiras, desta feita de -2,26% para -2,50%. Entretanto, para a produção industrial brasileira de 2015 os agentes do mercado fianceiro estimam alta de 1,13% para 1,23%.

Taxa de juros

Para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, que foi elevada pelo Copom para 11,75% ao ano na última reunião do ano acontecida na semana passada, a expectativa do mercado para o encerramento de 2015, passou de 12,00% para 12,50% ao ano. Isso significa que os economistas do mercado financeiro acreditam em uma alta maior dos juros para 2015.

A taxa básica de juros é o principal instrumento da autoridade monetária para combater as pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, o Copom tem de definir o patamar ideal de juros para atingir objetivos pré-estabelecidos. Em 2014, 2015 e 2016, a meta central é de 4,50% e o teto é de 6,50%.

Câmbio

Os agentes dos bancos mantiveram as suas estimativas para taxa de câmbio para o final de 2014 em R$2,55 por unidade da moeda norte-americana. Para 2015, a projeção para a variação cambial foi reajustada, passando de R$2,67 para R$2,70 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

Os analistas das instituições financeiras mantiveram as suas projeções para o saldo da balança comercial brasileira (exportações menos importações) em 2014 US$0,00. Para 2014 as estimativas para o saldo da balança comercial foram mantidas em US$ 6,31 bilhões.

As projeções dos economistas dos bancos para a entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos neste ano foram mantidos em US$ 60,0 bilhões. Para o próximo ano, as estimativas dos agentes do mercado financeiro foram mantidas em US$ 58,0 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para este ano, as estimativas dos economistas do mercado financeiro para os preços administrados foram mantidos em 5,30%.  Para 2015 a expectativa foi mantida em 7,20%.

Perspectiva

O Ibovespa encerrou o pregão de sexta-feira aos 51.992 pontos, acumulando na semana uma perda de 4,89%.

Logo no primeiro pregão do mês, a queda foi de 4,37%. Notícias internas e externas negativas deram o tom dos negócios. Na China, o índice Gerentes de Compras (PMI) do HSBC/Markit mostrou que o crescimento das fábricas estagnou em novembro, enquanto a produção encolheu pela primeira vez em seis meses, em novas evidências sobre a fraqueza da atividade chinesa.

Os preços do petróleo mantiveram movimento de ajustes para baixo, após a OPEP decidir que não vai cortar a produção mundial. Os papéis da Petrobrás, já afetados pelo quadro desfavorável para a companhia, envolvida em denúncias de corrupção e com elevado nível de endividamento, recuaram forte. Para complicar, a Bovespa divulgou a primeira prévia da carteira teórica a vigorar no início do ano, e as ações da Petrobras seguem perdendo espaço.

No âmbito doméstico, especulações sobre medidas fiscais, especialmente relacionadas a tributos, trouxeram preocupações sobre o potencial impacto sobre os resultados das empresas e investidores. Notícias deram conta de que a nova equipe econômica vai optar por aumento de tributos para fechar as contas públicas. Rumores sobre tributação de dividendos e extinção dos JCP – juros sobre capital próprio, circularam nas mesas de negócios.

Também influenciaram os negócios a esperada votação, no Congresso Nacional, da LDO que altera as metas fiscais do governo central. A votação foi suspensa na sessão da madrugada desta quinta-feira, por falta de quórum.

No mercado de juros, os negócios foram pautados pela esperada reunião do COPOM, a última do ano. Por decisão unânime, seus membros decidiram pela elevação da Selic para 11,75% ao ano, mesmo em um cenário de economia estagnada.

No comunicado divulgado depois do anúncio, o BC disse que, considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o colegiado avalia que o esforço adicional de política monetária “tende a ser implementado com parcimônia”.

As declarações acabaram provocando especulações sobre se a autoridade monetária poderia reduzir o ritmo de alta da Selic na sua próxima reunião, marcada para o dia 21 de janeiro.

As taxas dos contratos futuros de juros mais longos tiveram um impulso extra, com a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll), que abriu espaço para o avanço dos yields (juros) dos Treasuries e do dólar ante várias divisas. O Departamento do Trabalho dos EUA informou que a economia do país criou 321 mil empregos em novembro. O resultado foi o melhor desde janeiro de 2012, ficando acima dos 230 mil novos postos esperados.

O número reforçou apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) poderá antecipar a elevação de suas taxas de juros.

O relatório Focus divulgado hoje mostra uma revisão das estimativas para 2015. O IPCA foi projetado em 6,50% (6,49%), o câmbio em R$ 2,70 (R$ 2,67) e a Selic em 12,50% (12,00%). Já o PIB foi revisado para 0,73% (0,77%), enquanto a produção industrial subiu para 1,23% (1,13%).

O principal driver do mercado será a divulgação da ata do COPOM, que além de especificar os motivos da alta da Selic, trará indicativos do ritmo de aumento da taxa básica de juros. Também no radar a divulgação de dados da produção industrial chinesa.

Mercado sem viés definido recomenda cautela.