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Consultoria em Investimentos

agosto 18th, 2014

ANALISTAS REDUZEM ESTIMATIVA PARA SELIC EM 2015

Na manhã desta segunda-feira,  18 de agosto de 2014, o BACEN – Banco Central do Brasil divulgou mais uma edição do Relatório de Mercado Focus, relatório de mercado publicado semanalmente com as expectativas de cerca de 100 analistas financeiros sobre diversos indicadores da economia brasileira. O relatório do Banco Central é elaborado com base em pesquisa que foi realizada entre os dias 11 e 15 de agosto.

De acordo com o Relatório de Mercado Focus, os economistas das 100 principais instituições financeiras do país reduziram a suas projeções para a taxa básica de juros da economia brasileira para 2015. Por outro lado, os analistas pesquisados monstraram-se um pouco mais otimistas quanto ao desempenho do IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2014.

Inflação

Os analistas das instituições financeiras reduziram as suas projeções para a variação do IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo para o encerramento de 2014 de 6,26% para 6,25%. Para 2015 os economistas do mercado financeiro mantiveram, as suas estimativas para o IPCA em 6,25%.

Contudo, a estimativa dos agentes do mercado financeiro para o IPCA para os próximos 12 meses foi elevada de 6,19% para 6,21%.

Inflação de curto prazo

Os analistas das instituições financeiras, considerados Top 5, reduziram as suas projeções para o IPCA de agosto de 0,28% para 0,24%%. As estimativas para o índice de inflação do governo para setembro foram mantidas em 0,40%.

Crescimento da Economia

Os economistas dos bancos reduziram as suas projeções para o crescimento da economia brasileira medido pelo PIB – Produto Interno Bruto em 2014 de 0,81% para 079%.

As projeções para a produção industrial brasileira de 2014 foram reduzidas para -1,76%.

As estimativas para o crescimento da economia brasileira para 2015 foram mantidas em 1,20%.

Os agentes do mercado financeiro mantiveram as suas projeções para a performance da produção industrial brasileira de 2015 em 1,70%.

Taxa de juros

Os analistas das instituições financeiras mantiveram, mais uma vez, as suas estimativas para a evolução da taxa básica de juros da economia brasileira de 2014 em 11,0%. Entretanto, reduziram as suas projeções para a taxa Selic para o próximo ano e passaram a acreditar que a autoridade monetária vá reduzir a taxa Selic de 12,0% para 11,75% ao ano.

Perspectiva

O Ibovespa encerrou a semana acumulando ganhos de 2,5%, aos 56.693 pontos, num período marcado pela apreensão do mercado após a morte do candidato à presidência, Eduardo Campos. Destaque para as ações da Petrobrás, que subiram no início da semana com a possibilidade de aumento no preço dos combustíveis, e reforçaram a alta no decorrer da semana com as especulações eleitorais. Somente no pregão de sexta-feira, as ações subiram mais de 7,00%.

A partir de agora, o mercado passa a considerar a candidatura da Marina Silva pela coligação PSB, e começa a projetar uma maior dificuldade para a candidata Dilma levar ainda no 1º turno. Para parte dos agentes do mercado, Marina pode roubar parte dos votos de Dilma. Outra parte passa a considerar que a ex-senadora poderia desbancar Aécio Neves, e acompanhar a petista em um eventual 2º turno.

O próprio PSB encomendou uma pesquisa telefônica com 30.000 eleitores, no dia seguinte da morte de Eduardo Campos. O levantamento mostrou que Dilma aparece em primeiro lugar, mas com Marina em segundo, pouco à frente de Aécio Neves. Na simulação de segundo turno, a pesquisa mostra Marina ganhando de Dilma. Cabe registrar que a pesquisa não teve caráter científico, nem registro no TSE. Mas é um sinalizador.

Enfim, as fichas estão lançadas. Marina Silva se tornou um coringa na política brasileira.

No mercado de juros, a volatilidade deu o tom nos negócios. Da mesma forma que no mercado de ações, os olhos estiveram voltados para a corrida eleitoral.

O juro operou descolado do dólar e das Treasuries, em um movimento de baixa que se consolidou após a divulgação do IBC-Br de junho, que conformou a fraqueza da atividade econômica. O índice cedeu 1,48% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, ficando praticamente em linha com a mediana das estimativas dos analistas do mercado financiero. Além disso, o IBC-Br recuou 1,20% no segundo trimestre deste ano ante os três meses imediatamente anteriores, com um resultado negativo maior que a mediana estimada, em -1,10%. Na visão de economistas, o dado endossa a avaliação de que o PIB do segundo trimestre deve ficar negativo e com um possível status de recessão econômica para o Brasil, caso o IBGE revise para baixo o PIB do primeiro trimestre de 2014.

Ao mesmo tempo, os índices de inflação seguem comportados. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de agosto caiu 0,55%, ante recuo de 0,56% em julho.

A projeção de crescimento da economia brasileira em 2014 recuou para 0,79%, na pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira, a décima segunda revisão consecutiva do número para baixo. As projeções para a inflação, no varejo e atacado, também diminuíram. O mercado também reviu as estimativas da taxa Selic para final de 2015, recuando de 12,00% para 11,75%.

Os conflitos na Ucrânia e Iraque seguem no radar, mas a semana deve ser guiada pelas definições do novo cenário político. A divulgação da pesquisa de intenção de votos pelo Instituto Datafolha, realizada entre 14 e 16 de agosto, mostra Marina Silva tecnicamente empatada com Aécio Neves no primeiro turno.

Em relação à divulgação de indicadores, a quarta-feira será recheada. Sai o IPCA-15 e será divulgada a ata do Fomc, onde novas projeções e dados sobre o fim dos estímulos e elevação a de juros podem ocorrer. Uma prévia do PMI da indústria chinesa também está prevista.

Sem definição de tendência no curto prazo. Mantemos nossa recomendação.

Câmbio

Os agentes do mercado financeiro mantiveram as suas estimativas para taxa de câmbio para o encerramento do ano de 2014 em R$2,35 por unidade da moeda norte-americana. Para o próximo ano as projeções para a variação cambial foram, também, mantidas, só que em R$2,50 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

Os analistas das instituições financeiras mantiveram as suas estimativas para o saldo da balança comercial brasileira (exportações menos importações) em 2014 em US$2,00 bilhões. Por sua vez, para 2015, a estimativa para o desempenho do saldo da balança comercial foi reduzido, de US$ 9,00 bilhões para US$ 8,00 bilhões.

A expectativa dos analistas das instituições financeiras para a entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos em 2014 foram mantidas em US$ 60,0 bilhões. Para 2015, as estimativas dos economistas dos bancos foram elevadas de US$ 55,0 bilhões para US$ 56,0 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para este ano, a projeção dos analistas dos bancos para os preços administrados foram reduzidas de 5,10% para 5,05%.  Para 2015 a estimativa foi mantida em 7,00%.