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Consultoria em Investimentos

junho 30th, 2014

FOCUS – MERCADO REDUZ ESTIMATIVA PARA EVOLUÇÃO DO PIB

O Relatório de Mercado Focus divulgado hoje, 30/06, pelo Banco Central do Brasil aponta estabilidade para a inflação medida pelo IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para o final de 2014. Em relação ao desempenho da economia brasileira os agentes do mercado reduziram a sua estimativa.

Inflação

Os economistas dos bancos mantiveram inalterada em 6,46% a sua estimativa para o IPCA de 2014. Para 2015 os agentes do mercado financeiro, igualmente, mantiveram em 6,10% as suas projeções para o índice balizador das metas de inflação.

As expectativas dos analistas do mercado financeiro para o IPCA dos próximos 12 meses foi mantida em 5,91%.

Inflação de curto prazo

Os agentes do mercado financeiro, considerados Top 5, mantiveram as suas estimativas para o IPCA de junho em 0,33%. As projeções para a inflação de julho foi igualmente mantida  só que 0,25%.

Crescimento da Economia

Mais uma vez os analistas das instituições financeiras votaram a reduzir a sua estimativa para o crescimento da economia brasileira, medido pelo PIB para 2014. Nesta semana os números para o indicador de desempenho da nossa economia foi reduzido de 1,14% para 1,10%.

As expectativas para a evolução da produção industrial brasileira em 2014 foram mantidas em  -0,14%.

Já as estimativas para a evolução do PIB para  2015, também foi reduzida, só que de 1,60% para 1,50%.

Os analistas das instituições financeiras reduziram as suas estimativas para o desempenho positivo da indústria em 2015 de 2,30% para 2,20%.

Taxa de juros

Os economistas dos bancos mantiveram, pela quarta semana seguida, as suas projeções para a taxa básica de juros da economia brasileira para 2014 em 11,0%. Para o próximo ano as estimativas para a  taxa Selic foram mantida, só que em 12,0%.

Perspectiva

Experimentando a segunda baixa consecutiva semanal, a Bovespa desvalorizou 2,71% na semana, reduzindo o ganho mensal para 3,74%.

Vários fatores foram decisivos para que a bolsa encerrasse a semana no vermelho. De um lado, a escalada da violência no Iraque e das tensões na Ucrânia levaram os investidores a operarem na defensiva. De outro, dados fracos para o PIB americano relativo ao primeiro trimestre e dados fracos do consumo reforçam as perspectivas de uma economia cambaleante.

No noticiário doméstico, pesou para a bolsa a queda na cotação das ações da Petrobras, por conta da exploração de campos de petróleo sem licitação pelo governo federal, o que é mal visto pelo mercado porque a empresa vai ter que pagar antecipadamente pelo óleo. O acordo pressiona ainda mais o balanço da estatal e ocorreu antes do longamente esperado crescimento estrutural da produção e do fluxo de caixa. Cerca de R$ 15 bilhões devem ser gastos em bônus e antecipações, dos quais R$ 2 bilhões ainda neste ano. As ações dos bancos também contribuíram para a queda, por conta de dados do Banco Central que mostram que a inadimplência voltou a crescer em maio, num cenário de menor expansão do crédito, especialmente dos bancos privados.

No mercado de juros, a fraca arrecadação de tributos em maio contribuiu decisivamente para a abertura das taxas. A Receita Federal informou que a arrecadação de impostos e contribuições despencou em maio e somou R$ 87,897 bilhões, o pior resultado para meses de maio desde 2011. Houve uma queda real (com correção da inflação pelo IPCA) de 5,95% ante maio do ano passado. Em relação a abril deste ano, a arrecadação apresentou uma queda real de 17,37%.

Para completar o quadro ruim, o Tesouro Nacional informou que o déficit das contas do governo central no mês passado foi de R$ 10,502 bilhões, o maior para meses de maio da série histórica. O resultado também ficou abaixo do piso da mediana das estimativas, de déficit de R$ 6,5 bilhões. Assim, o superávit primário do governo central no acumulado do ano até maio recuou para R$ 19,158 bilhões, ou 0,93% do PIB. Em 12 meses, o superávit primário totaliza R$ 62,9 bilhões, ou 1,3% do PIB. A leitura do mercado é de que o governo terá dificuldades em cumprir a meta de superávit primário, que é de R$ 80,774 bilhões para o governo central.

Isso tudo acabou por ofuscar a divulgação do IGPM de junho, que apresentou deflação de 0,74%, após registrar -0,13% em maio. É a maior retração desde março de 2009. Nos seis primeiros meses do ano, a taxa chega a 2,45%, e em 12 meses, a 6,24%. O resultado ainda surpreendeu os analistas, que previam um declínio entre 0,50% e 0,67%.

Para a semana, destaque para a divulgação, na quarta-feira, de mais uma pesquisa eleitoral para presidência pelo Instituto Datafolha. Na China serão divulgados os números finais do PMI da indústria chinesa. Nos EUA, destaque para o discurso que a Presidente do FED, Janet Yellen, fará no dia 02 de julho, e que deverá trazer ingredientes para as projeções sobre a economia norte-americana.

A Pesquisa FOCUS divulgada hoje mostrou novo recuo para o PIB de 2014, pela quinta semana consecutiva (1,16% para 1,10%). A projeção para a inflação foi mantida em 6,46%, bem como a Selic em 11,00%. Ligeiro recuo do dólar para o fim do ano (R$ 2,31 ante R$ 2,32 da semana anterior).

Não há uma tendência definida para o mercado. Semana deve iniciar morna, esquentando a partir de quarta-feira com pesquisa eleitoral e discurso no FED.

Recomendações de cenário, mantidas.

Câmbio

Os analistas das instituições financeiras mantiveram as suas projeções para taxa de câmbio ao fim de 2014 fique em R$2,40 por unidade da moeda norte-americana. Para o próximo ano as estimativas a variação cambial medida pelo dólar também foram mantidas, mas em R$2,50 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

Os agentes do mercado financeiro elevaram ligeiramente a sua projeção para o saldo positivo da balança comercial brasileira (exportações menos importações) em 2014 de US$2,00 bilhões para US$2,01 bilhões. Para 2015, a estimativa foi reduzida de US$ 10,0 bilhões para US$ 9,90 bilhões.

A expectativa dos analistas das instituições financeiras para o ingresso no país de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos, para este ano foram mantidos em US$ 60,0 bilhões. Para o próximo ano, as estimativas dos analistas do mercado financeiro foram elevadas de US$ 55,4 bilhões para US$ 55,6 bilhões.

Preços administrados

No Brasil, o termo “preços administrados por contrato ou administrados”, refere-se aos preços que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contrato ou por órgão público.

Os preços administrados estão divididos nos seguintes grupos: os que são regulados em nível federal – pelo próprio governo federal ou por agências reguladoras federais – e os que são determinados por governos estaduais ou municipais. Nos primeiro grupo, estão incluídos os preços de serviços telefônicos, derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha, óleo para motores), eletricidade e planos de saúde. Os preços controlados por governos subnacionais incluem a taxa de água e esgoto, o IPVA, o IPTU e a maioria das tarifas de transporte público, como ônibus municipais e serviços ferroviários.

Para 2014, a estimativa dos economistas dos bancos para os preços administrados foram mantidas em 5,00%.  Para 2015 a projeção foi elevada de 7,00% para 6,75%.