Telefone: 13 3878-8400  |  E-mail: consultoria@creditoemercado.com.br

Consultoria em Investimentos

julho, 2013

Um semestre para ser esquecido

Conforme apontado pelo jornal inglês “Financial Times”, os investidores em títulos de renda fixa negociados no mercado americano tiveram o pior primeiro semestre desde 1994. No Brasil, desconsiderando os efeitos provocados por calotes, “tablitas” e outros expedientes heterodoxos que eram usados como complemento dos planos econômicos lançados para tentar debelar a hiperinflação, os aplicadores em títulos de renda fixa tiveram o pior semestre da história.

Nos Estados Unidos, o parâmetro de referência “Barclays US Aggregate Capital Index” recuou 2,55% entre o início de janeiro e o fim de junho deste ano. Por aqui, o índice IMA-Geral – que mede o desempenho de todos os títulos públicos negociados no mercado – caiu 2,67% no mesmo período.

As perdas com aplicações em títulos de renda fixa nos mercados mais desenvolvidos incomodam os investidores, mas não chegam a surpreender. Como já faz tempo que a maior parte dos papéis negociados são de longo prazo, os aplicadores terminaram por ganhar familiaridade com as oscilações das cotações. A regra é que quando os juros de mercado sobem, o valor presente dos ativos diminui.

Imagine uma aplicação que promete pagar R$ 1 mil daqui a 900 dias úteis, prazo de cerca de três anos e meio. Se os juros de mercado estão em 8,5% ao ano, o preço de negociação do título é de R$ 747. No entanto, se os juros sobem para 11% ao ano, o valor da aplicação cai para R$ 689. Quanto maior o juro, menor é o desembolso imediato que o investidor precisa fazer para conseguir acumular a mesma quantia no futuro. Isso porque, com taxas maiores, o rendimento das aplicações financeiras será mais elevado.

Uma forma mais simples de analisar o mecanismo que define o comportamento do preço de mercado dos títulos de renda fixa – e, consequentemente, o rendimento do investidor – é imaginar os efeitos que a oferta e a demanda pelos títulos exercem sobre as cotações.

Como em qualquer mercado, se existem poucas alternativas disponíveis e muito dinheiro para ser investido, o preço do ativo sobe. E o inverso ocorre se a demanda dos investidores é baixa e a oferta de papéis é alta.

Nos Estados Unidos, a ação do Fed, o banco central americano, provocou a redução da oferta de papéis de renda fixa disponíveis para os investidores. Foi o chamado estímulo monetário, frequentemente mencionado pelas autoridades brasileiras e nas discussões especializadas. O resultado dessa política foi a queda dos juros nos Estados Unidos para patamares historicamente muito baixos. Foi o efeito de muita demanda dos aplicadores e da pouca oferta das instituições financeiras.

Os juros mais baixos dos títulos americanos acabaram refletindo no mercado brasileiro, mesmo que de forma indireta. No início de janeiro, por exemplo, o Tesouro Nacional conseguia vender papéis prefixados com vencimento em 2017 com taxa de 8,5% ao ano. Os títulos corrigidos pela inflação tinham prazo de vencimento mais longo e taxa de cerca de 4% ao ano mais a variação dos índices de preços.

Em um ambiente de otimismo com o desempenho da economia brasileira, era natural que os investidores alongassem o prazo das aplicações. O objetivo era aproveitar a oportunidade de garantir as taxas relativamente elevadas que eram oferecidas pelos títulos públicos por um longo período. Nesse cenário, quanto maior o prazo do título, maior a rentabilidade esperada.

Além disso, havia um lucro contábil imediato. Os papéis que tinham sido comprados há mais tempo ficavam relativamente mais baratos do que os que estavam sendo vendidos mais recentemente.

Como é comum nos momentos de otimismo, alguns excessos foram cometidos. No campo macroeconômico, a noção de que os principais problemas brasileiros estavam no caminho de serem solucionados e de que tudo se resumia a uma questão de perseverança foi duramente abalada com as manifestações populares. Agora, a dimensão dos problemas parece maior.

A reação foi imediata. Hoje, a Nota do Tesouro Nacional da série B Principal (NTN-B Principal), indexada ao IPCA e com vencimento em 2035, é negociada por 5,5% ao ano, aumento de 1,5 ponto percentual.

Como o prazo do título é longo, o impacto na queda do valor de mercado é mais alto. Os investidores que compraram o título no início do ano desembolsaram cerca de R$ 900 por cada papel. Hoje a aplicação vale pouco mais de R$ 700. Com o tempo, essa perda deverá ser revertida. Mas quem não puder esperar até o resgate terá que administrar o prejuízo.

No mercado internacional, a simples sinalização de que o Fed poderia reduzir o montante do programa de recompra de títulos foi suficiente para provocar uma alta expressiva dos juros. Aqui no Brasil, a preocupação imediata é com a atuação do Banco Central, que sinaliza a continuidade do aumento da taxa Selic para combater a inflação. Esse é o pano de fundo que explica a mudança da curva de juros e os prejuízos dos investidores.

Fonte primária da informação: Valor Economico

Quais são as perspectivas de recuperação dos fundos atrelados a inflação no curto prazo?

A política de elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) deve continuar até a inflação ceder. A inflação esperada para o ano de 2013 é de 6%, acima da inflação de 2012, conforme consta no último Relatório de Inflação, que é publicado trimestralmente pelo BC.

Para que ocorra a recuperação da rentabilidade dos fundos que perderam com a alta das taxas de juros – por investirem em Nota do Tesouro Nacional série B (NTN-Bs) – é necessário que as taxas voltem a cair, o que não deve ocorrer no curto prazo.

Por outro lado, o fato do fundo ter marcado as NTN-Bs a mercado com uma taxa mais alta, faz com com que a rentabilidade diária seja maior, ajudando a recuperar parte das perdas (entenda como funciona a marcação a mercado).

Outro detalhe é que uma migração para outra aplicação de renda fixa aumentará a alíquota de imposto de renda sobre os rendimentos, uma vez que aplicações resgatadas antes de 180 dias são tributadas a uma alíquota de imposto de renda de 22,5%.

Resumindo, há poucas chances de recuperação da perda de 10% no curto prazo, mas existe uma chance maior desta perda se tornar menor.

Fonte primária da informação: Portal Exame

ANALISTAS DO MERCADO FINANCEIRO ELEVAM PROJEÇÃO PARA SELIC EM 2013 E 2014

Os analistas das instituições financeiras elevaram a sua estimativa em relação à taxa básica de juros da economia para 2013 e 2014. Da mesma forma, subiram a sua projeção para o índice oficial de inflação do governo medido pelo IPCA para este e para o próximo ano.  Estas informações constam do Relatório de Mercado – FOCUS, publicado semanalmente pelo Banco Central do Brasil baseado em pesquisa junto aos economistas de 100 instituições financeiras do mercado.

Inflação

Os analistas dos bancos elevaram, a sua estimativa para o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo para 2013 de 5,86% para 5,87%. Para 2014, os economistas dos bancos também elevaram a sua projeção para o índice oficial que baliza as metas para a inflação do governo de 5,80% para 5,88%.

Inflação de curto prazo

As instituições financeiras classificadas como Top 5, em razão de apresentarem a melhor média de acertos em sua projeção, reduziram a sua estimativa para o IPCA de junho de 0,36% para 0,35%. Para o índice de inflação de julho, os analistas do mercado financeiro que mais acertam a sua projeção, também reduziram a sua projeção para o IPCA de 0,26% para 0,24%.

Para a expectativa em relação ao índice de inflação acumulada para os próximos 12 meses a projeção dos analistas do mercado financeiro recuou de 5,66% para 5,65%.

PIB

Os economistas das instituições financeiras reduziram pela sétima semana seguida, a sua estimativa para o PIB – Produto Interno Bruto brasileiro em 2013 de 2,46% para 2,40%. A projeção para a produção industrial brasileira de 2013, igualmente, foi reduzida pelos analistas do mercado financeiro, de 2,56% para 2,49%.

Para 2014, a estimativa dos economistas dos bancos para o crescimento da economia brasileira medida pelo PIB, recuou de 3,10% para 3,00%. Já a estimativa para a produção industrial para 2014 foi elevada de 3,10% para 3,20%.

Juros

O mercado financeiro voltou a surpreender, e elevou a sua estimativa para a taxa básica de juros da economia de 9,00% ao ano para 9,25%, tanto para 2013 como para 2014.

Os investimentos estrangeiros no segmento de renda fixa no Brasil, em junho, até o dia 19, já superaram o resultado de janeiro a maio deste ano. Os dados preliminares deste mês mostram que esses investimentos chegaram a US$ 4,913 bilhões. Nos cinco meses do ano, foram US$ 4,17 bilhões.

De acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, é possível que os investidores estejam migrando das aplicações em ações para renda fixa, devido à isenção do IOF. É possível que o resultado parcial de junho, com saída de ações e ingresso de renda fixa, em alguma medida esteja espelhando isso.

Pode-se perceber a recuperação do índice IMA do meio do mês de junho em diante, este fato aliado à compra de títulos públicos pelos Fundos de Pensão pode provocar uma pressão compradora, fazendo com que a taxa de juros feche (recue) favorecendo o retorno dos fundos atrelados à inflação.

É importante ressaltar que esta recuperação só será possível caso não tenhamos uma piora no cenário econômico nacional e internacional e do fluxo de noticias positivas.

Câmbio

Os analistas dos bancos elevaram a sua estimativa para a taxa de câmbio em 2013 de R$ 2,13 para R$2,15 por unidade da moeda norte-americana. Para 2014, a estimativa dos analistas do mercado financeiro para o dólar ficou inalterada em R$2,20 por dólar.

Balanço de pagamentos e IED

O mercado financeiro voltou a reduzir a sua projeção para o saldo positivo da balança comercial brasileira para 2013 de US$6,50 bilhões para US$6,00 bilhões. Para 2014, a projeção de superávit comercial recuou de US$ 8,00 bilhões para US$ 7,35 bilhões.

A projeção de entrada de IED – Investimentos Estrangeiros Diretos permaneceu em US$ 60 bilhões.

Para 2014, a estimativa dos analistas dos bancos para a entrada de investimentos estrangeiros permaneceu em US$ 60 bilhões.