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Consultoria em Investimentos

fevereiro 8th, 2013

Juro futuros indicam alta da Selic em 2013

As declarações de Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central, sinalizam a possibilidade de que a taxa Selic seja elevada já a partir de agosto deste ano caso a inflação continue mostrando sinais de força.

A curva de juros futuros está sinalizando a expectativa do mercado de uma possível elevação da taxa básica de juros da magnitude de 0,50 ponto percentual a partir de agosto, na contramão da maior parte dos economistas do mercado financeiro que ainda projetam a manutenção da política monetária ao longo deste ano.

Os contratos de juros futuros sinalizam que a taxa básica de juros poderia ser elevada em até 1 ponto percentual em relação à atual taxa que é de 7,25%.

A autoridade monetária mudou o discurso, mostrando sua preocupação com a evolução do índice de inflação, logo, na visão do mercado financeiro o BACEN pode precipitar o início do aperto monetário.

Como já havíamos adiantado, a volatilidade vai ditar o ritmo do mercado de renda fixa em 2013, principalmente nas modalidades de investimentos atreladas a taxa pré-fixada e a índice de inflação.

Para se ter uma ideia deste movimento, o IMA B 5+ recuou 4,25% desde o dia 24/01, data da divulgação da ata do Copom, até ontem, 07/02.

Com a divulgação dos dados referentes à inflação medida pelo IPCA, que registrou alta de 0,86% em janeiro, ante uma alta de 0,79% no mês anterior, as taxa de juros futuros operaram em alta desde a abertura do mercado. Contudo, o movimento de alta se acelerou após declaração do Presidente do Banco Central, afirmando que “a inflação nos preocupa no curto prazo” e que a autoridade monetária está atenta aos índices de preços para determinar uma possível mudança no rumo da política monetária.

O mercado observa ainda, que o Banco Central trabalha com a expectativa de que a inflação deverá continuar ligeiramente acima de 6,00% durante o primeiro semestre, mas deve perder força na segunda metade do ano.

A apreensão em relação à inflação e com as questões fiscais tem elevado consideravelmente a taxa de juros dos contratos futuros negociados na BM&F, desde a divulgação da ata da última reunião do Copom – Comitê de Política Monetária.

Em que pese à inflação sinalizar que está ganhando força, os economistas do mercado financeiro trabalham com a possibilidade de que as medidas macroprudenciais, como desonerações fiscais e até de uma taxa de câmbio mais estável, poderiam ser utilizadas para auxiliar na contenção da escalada do índice oficial de inflação sem a necessidade de alteração na condução da política monetária.  Entretanto, as declarações do presidente da autoridade monetária, sinalizam que o BACEN está pronto para agir caso à situação se agrave.

O reflexo deste cenário nos preços dos ativos foi imediato. Todos os fundos de investimentos indexados a taxa pré-fixada e inflação de maior prazo (IRF-M 1+ e IMA-B 5+) acumulam perdas no ano, em razão da reprecificação dos ativos que embutem a alta da inflação.

Estávamos convictos de que havia um exagero na forte valorização desses fundos observada em 2012, e que um movimento reverso era possível. Tanto que, ao longo do segundo semestre, orientávamos no sentido de reduzir a exposição nesses fundos, com o objetivo de restringir o risco das carteiras, migrando os recursos para ativos com “duration” menores (vencimentos mais curtos).

Neste momento, nossa recomendação é no sentido de que o gestor mantenha a calma, e passe a observar com muita atenção os movimentos do mercado no curto prazo para agir, caso necessário, diante de mudanças significativas no cenário.