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novembro 1st, 2012

Panorama outubro

A indicação da autoridade monetária de que a taxa de juros seria reduzida para 7,25% ao ano na reunião do Copom – Comitê de Politica Monetária e com a ratificação anunciada ao final da reunião ocorrida em 10 de outubro, fez com que a maior parte dos agentes econômicos promovesse um reposicionamento nas operações de curto prazo, contudo não foi suficiente para reduzir as incertezas que vem caracterizando o segmento de renda fixa. Com a sinalização do fim da flexibilização da politica monetária, com o término da redução da taxa básica de juros e a manutenção no atual patamar para os próximos meses, o mercado foi afetado por variáveis como os desdobramentos da crise financeira internacional, e por aqui a pressão nos índices de inflação e ainda o empenho do governo em diminuir as exposições em títulos e ativos atrelados a taxas de um dia, como por exemplo, a taxa DI.

A pressão sobre os índices de inflação, notadamente a partir do mês de julho, foi em grande parte motivada pela quebra da safra de grãos norte-americana e seus reflexos nos preços dos produtos agrícolas. Embora não possamos descartar os riscos de uma pressão inflacionária mais relevante, o mercado parece acreditar que a pressão sobre os preços está próxima do fim. O Banco Central não vê mais a inflação convergindo para o centro da meta neste ano, motivo pelo qual se reduziu o espaço para nova redução da taxa Selic no curto prazo.

A valorização das carteiras de títulos públicos de longo prazo mostrou força a partir da segunda metade do mês de setembro, principalmente pela percepção do mercado em relação a um taxa real de juros menor, até então implícita nos títulos mais longos, mostrando prêmios expressivos nas taxas prefixadas mais longas.

Outro fato que colaborou para a valorização expressiva do IMA no mês, principalmente a parte mais longa da curva, foi a divulgação de que o governo pretende induzir a redução de exposição dos investimentos dos fundos de pensão abertos a taxa de juros de curtíssimo prazo (Selic/DI).

O crescimento dos retornos mensais das carteiras prefixadas com prazo maior que um ano, observada pela diferença da evolução do IRFM 1+ em relação a taxa DI, divulgada pela Cetip, delineia a necessidade dos investidores em procurar alternativas de melhor rentabilidade. O fechamento das taxas, motivada pela menor valorização da carteira prefixada sugere que as incertezas provocadas pelo final do processo de flexibilização da politica monetária (queda de juros), têm provocado oscilação nas taxas dos títulos de maior duração e trazido estas taxas para próximo das taxas de curto prazo.

O mês de outubro refletiu este cenário indicando uma expressiva rentabilidade dos títulos atrelados a NTN-B especialmente a ponta mais longa da curva de juros, com retorno de 5,27%. Na média a NTN-B mostrou retorno no mês de 3,80%.  Na sequencia, aparece o IMA Geral e o IMA-C com retornos parecidos, 2,18%. O IRF-M aparece na terceira colocação, com rentabilidade de 1,65%, com destaque para o IRF-M 1 + com rentabilidade 2,07%.

O CDI – Certificado de Depósito Interbancário, benchmark do segmento de renda fixa, aparece com retorno de 0,61%, pouco abaixo do IRF-M 1 que rendeu 0,69% no mês de outubro. No mês em que a inflação, medida pelo IGP-M traz alivio para o mercado, estabilidade no dólar e mercado acionário passando por correção, a renda fixa foi o destaque do mês, sobretudo as carteiras atreladas ao IMA e seus subindices.

Neste panorama, o investidor tem buscado proteção (hedge) e rentabilidade em papeis atrelados a variação do IPCA (NTN-B), que mostra no ano a expressiva rentabilidade de 30,98% na ponta mais longa da curva, o IMA B 5+. Na parte mais curta da curva de juros, o IMA B 5 o retorno ficou em 14,23%. Na média, o IMA B mostra retorno de 23,64% no ano.

A perspectiva para a renda fixa ainda é incerta. Pelo resultado apresentado no Relatório de Mercado – Focus, divulgado na última semana de outubro, a taxa básica de juros deve voltar a ser elevada em 2013. Para os analistas das instituições financeiras pesquisados pela autoridade monetária, a taxa básica de juros deverá subir de 7,25% ao ano (menor patamar histórico da taxa de juros) para 7,75% ao ano. O mercado financeiro também projeta queda no índice oficial de inflação do governo medido pelo IPCA – Índice de Preço ao Consumidor Amplo, que deverá encerrar 2013 em 5,40%.

Ouro e câmbio

Após figurar no topo do ranking dos investimentos nos meses de agosto e setembro, o ouro em outubro recuou 2,84%.

No mercado cambial, o dólar medido pela Ptax fechou o mês em leve alta de 0,03%. A moeda norte-americana caminha para fechar próxima a estimativa do mercado, pois tem mostrado pouca oscilação ao longo dos últimos meses do ano.

Ibovespa

O Ibovespa cessou em outubro uma trajetória de alta iniciada no mês de julho.  O principal motivo para o recuo do índice da bolsa paulista, foi a pressão vendedora observada nos mercados internacionais, o que contribuiu para a saída de capital estrangeiro do mercado de ações brasileiro. Informações obtidas junto ao Banco Central revelam que o fluxo na bolsa ficou negativo em US$ 748 milhões. Cabe destacar que os dados foram computados até o dia 26/10.

O principal motivo apontado para a queda no preço das ações no mercado brasileiro foi à preocupação com o agravamento da crise na zona do euro e à expectativa em relação ao desfecho da eleição presidencial nos Estados Unidos, sobretudo relacionados aos rumos da economia do país. O principal índice da bolsa fechou o mês em baixa de 3,56% aos 57.683 pontos. No ano, o Ibovespa acumula alta de 0,55%.

Perspectiva

Novembro promete ser um mês de cautela e sem tendência definida para o mercado de ações, bem como para a renda fixa, com investidores monitorando a eleição presidencial nos Estados Unidos e à espera de avanços no combate à crise europeia.

O mercado financeiro ainda continua com as atenções voltadas e a espera do resultado das eleições norte-americanas e observando o fiscal cliff[1]. A crise na zona do euro ainda é o centro das atenções, e investidores monitoram também a situação da China em razão do crescimento econômico mais fraco em 2012.

Somadas as variáveis externas ruins, temos por aqui as recentes intervenções do governo brasileiro em setores como o bancário e o elétrico que contribuíram para um cenário incerto para o mercado de ações brasileiro.

Com isso o Ibovespa deve andar de lado, pois as principais ações que compõem o índice são diretamente afetadas pela fraca demanda do mercado internacional especialmente por commodities minerais (petróleo e minério).

Entretanto, há vida na bolsa fora do Ibovespa. As empresas voltadas para o consumo doméstico devem manter a apreciação no preço de suas ações no curto prazo, tendo em vista as condições macroeconômicas internas pautadas pela redução do juro, expansão do crédito, baixo índice de desemprego e aumento da renda real do trabalhador.

Assim, os olhos dos investidores voltam-se para os índices do mercado de ações que capturam o resultado dessas empresas, tais como os índices small cap (SMLL), dividendos (IDIV) e consumo (ICON).

Para o segmento de renda fixa a sinalização do fim do ciclo de cortes na taxa Selic e o recuo da inflação provocaram uma valorização considerável, sobretudo, nos títulos pré-fixados e indexados a índice de preços.

A dúvida é: será que o ajuste na curva de juros chegou ao fim?

Acreditamos que sim. E caso isto se confirme, as expressivas valorizações do IMA B não devem se repetir no curto prazo, podendo em alguns momentos apresentar rentabilidades negativas.

Façam suas apostas!


[1] O “fiscal cliff“, ou abismo fiscal dos Estados Unidos, pode ocorrer caso republicanos e democratas não entrem em acordo para evitar uma série de cortes automáticos de gastos e aumento de impostos no início de 2013. Somadas, as alterações fiscais podem jogar a economia norte-americana em uma recessão sem precedentes.